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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

⁠Depressa. Diga lá O que será
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⁠Depressa. Diga lá O que será Que vem detrás Daquele trem que vem Que vinha Passou depressa pela minha vida O caminho ainda está lá Eu trilhei outro caminho Que será que tinha? A bem da verdade, eu só tinha vontade Mas a decisão não era minha Diga lá Me diz o que é que tem Atrás daquele muro Pode ser que ainda seja Aquela estrada turva, que será que vinha Que apitava a lógica De uma época caótica Será que existe hoje Alguém que se lembre Que a veja? Era um sinal, simplesmente De que aquela óptica da gente Era só uma linha distorcida Que será que ela trazia O trilho da distância O que será que tinha Detrás do trem da vida Que passou tão depressa por mim? O caminho que eu trilhei foi diferente A pressa apressada O nada flutuante Uma estrada de sonho De sonho de sonhar realidade inexistente Que passou tão depressa por mim E seguiu adiante Não deu tempo de olhar Para a vida de frente. Edson Ricardo Paiva

As Ilusões que a vida traz pra gente. ⁠Ilusões Há um tempo assim
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As Ilusões que a vida traz pra gente. ⁠Ilusões Há um tempo assim Em que a criança a tudo alcança Finge pra si mesma ser outra pessoa Meu Deus, que coisa boa era o fugir contente O brincar inocente Consciente que era aquilo tudo só imaginação Esperava o dia Em que era tudo de verdade e pra valer Realidade ilusória Existe um tempo assim também Amanhã há de ser um novo e lindo dia Fingir ser a mesma pessoa Iludido no pensar incoerente de que é o tempo ilimitado Meu Deus, que coisa incrível Eu me pensava indestrutível O tempo passa e traz Ilusões pertinentes Era a razão de prosseguir De confiar em mim somente De tentar alcançar, com sorte, ao menos o suficiente Pois o tempo é premente e amanhã é só mais outro dia Meu Deus, que coisa triste Pensar que as ilusões se foram Era mais outra ilusão Sentir-se impotente Diante das desilusões que a vida traz Pior era a outra parte Aquela, de se deixar ficar, simulando a paz ausênte Ilusões perdidas Há também um tempo assim Há quem pense ter vencido a vida O tempo o alcança e a vida vence Meu Deus, que coisa à toa era pensar Compreender que o tempo da ilusão De fingir ser quem não era Depois de uma vida de espera Se revela o tempo da felicidade verdadeira Consciênte, feliz, altaneira E, jamais uma ilusão Foi o único tempo dessa vida Que a gente fingiu ser quem não era Sendo apenas quem era Fingir não era opção Eis toda ilusão Os outros fingiram tão bem Que pareceu ser verdade Era tudo, a vida e tudo mais O tempo todo Bem mais frágil Que a Ilusão primeira. Edson Ricardo Paiva.

⁠Um Lugar Chamado Nunca Mais. Nenhum de nós jamais Conseguiu reter pra si
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⁠Um Lugar Chamado Nunca Mais. Nenhum de nós jamais Conseguiu reter pra si Sequer a própria presença Olhe a sua imagem refletida Nas águas desse rio da vida Enquanto ele evapora E que carrega a tudo que hoje tanto preza Ninguém jamais teve palavra que resuma Nem desenho que descreva O que se esconde atrás do nevoeiro Nada, além de brumas Até que a veja de frente Até que seja tarde pra saber Um dia essa melancolia leve Vem, bem de repente Leva embora noites de tristeza Tardes de alegria Pra um lugar chamado nunca mais Por mais que se pretenda Tudo é feito pra viver No dia que amanhece, alegre ou triste Não existe tempo que se prenda O mundo é feito de algo igual ao ar que se respira Você sempre poderá voltar e perceber E lugar nenhum jamais terá guardado Um pôr de sol sagrado, um dia do passado Tudo reinicia novo e novamente E você nunca o poderá trazer de volta A gente é que deixou passar Tornar-se, então, deserto e mudo E, dessa vez, distante Começou a deixar de ser o que era No momento em que você deixou que fosse Pois, na verdade, de outra forma não podia ser Um dia terá sido sempre a última vez Só que dessa vez Você não terá sequer percebido O ruído dos seus passos Abraços perdidos Olhos, cujos teus olhares nunca mais verão Olhares, que de tão indiferentes A gente não guardou nos braços, nem no coração Passos se afastavam lentamente Até que, então, silenciassem Num fluxo constante, instante após instante Lembranças de um passado que desbota Algumas alguém lembra Tudo mais é coisa tão desimportante Que ninguém sequer nem nota Nem pensa em tomar nota Tudo é a própria imagem refletida Nas águas do incessante rio da vida Coisa que não se represa Ela evapora e chora e chora Como o ar, que se respira e se renova. Edson Ricardo Paiva.

⁠Entardece em minha vida De repente um pensamento Momento pra focar o nada
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⁠Entardece em minha vida De repente um pensamento Momento pra focar o nada Quedas esquecidas De outros dias Quando amanhecia, ainda No vale das pedras pisadas Meu Deus, foram manhãs tão lindas! Entardece em nossas vidas De repente a tarde cresce Diferente às tardes de outros dias Noutros tempos de outras vidas Quando dor que era suave ainda Mesclada ao odor das damas da noite Respiradas, eram dores que lembravam sorte Que nos remetia um pensamento Por falar em noite, em norte, em dia Em sóis que nos sorriam todas as manhãs Ao Criador, que tudo olhava lá de cima Que mandava orquídeas Junto às folhas vivas, junto às folhas mortas Nosso nome em branco no livro da vida Estradas, escolhas Tudo isso era futuro Hoje, entardece em nossa estrada escura e só Num mundo de sonhos, de sono profundo Onde todo mundo é igual De todas as moradas da casa de Deus Nossos sonhos, medos misturados Às roseiras que beiravam rios da infância A melodia das águas Tudo isso era normal O mundo escondido e ainda em segredo Terá sido um dia o mais natural De todos amores profundos Pois o amor é Pai da natureza Do rio que vai, que nos leva Que revela todas as belezas sonhadas Belas, como as vidas desejadas Aquelas, que jamais pudemos Eu não tive assim, tanto talento Pra deixá-la desenhada em minha folha do livro da vida. Embora ainda a queira, igual a todo mundo Entardece em minha vida Quanto a isso Não existe escolha e nem tristeza É o pó da estrada, é o nada, é o norte é o leste, são as mortes das quatro estações A dança envolvente, a existência prova Que do pó vieste e vais Só a alma da gente não é mais a mesma e nem será nunca mais. Edson Ricardo Paiva.

⁠Belas horas. Água de chuva Parede, pintura nova
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⁠Belas horas. Água de chuva Parede, pintura nova Uma ida à janela Um olhar à rua As mágoas da vida Quão belas eram aquelas manhãs de outros dias O mundo existia Aqui, dentro da gente A julgar pelo olhar a rua Nada ficou diferente Por mais que a beleza iluda Nada ilude eternamente O que muda é uma coisa que existe O badalar mais triste de um ponteiro que acelera Belas eram aquelas Horas que passavam todas inteiras iguais A parede, a pintura Alguma coisa pura que existia e que era mais Traduzia aquilo que a visão da água da chuva que caia Enquanto passava o avião Um gosto, um sorriso O linho da mesa posta A comida do almoço A vida Belas eram aquelas Risadas que compartilhamos Das horas que não passam mais Sem que haja um badalar que insiste em dizer alguma coisa que eu não compreendo Sim, isso acontece A chuva às vezes cai ainda e continua linda Mas me traz uma mensagem diferente Quando ela desce E as imagens que vão surgindo Não são mais tão belas Não quanto foram aquelas Uma ida à janela, outro olhar à rua E cerrar as cortinas Outro dia termina pra mim. Edson Ricardo Paiva

⁠A flor. Ficava ali, no chão do caminho E todo dia eu passava por ela
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⁠A flor. Ficava ali, no chão do caminho E todo dia eu passava por ela Era apenas uma flor, sem cor definida Entre outras tantas Não sei dizer quantas Pode ser, fossem centenas E eu também era criança, igual a ela Entre outras muitas, iguais a mim Num mundo de tantas coisas sempre iguais A simplicidade as faz diferentes Não sei por quê Meus olhos se acostumaram Olhar pra ela, exatamente Passado o tempo, é como estar ciente De quanto a fantasia não se distancia do concreto De fato, não tinhamos procurado O ângulo correto para olhar Mas tudo tem seu lugar Precisamos encontrar o nosso: Em muitos casos, que não seja perto Creio que em tudo na vida A gente continua sendo sempre assim Uma casa com jardim, numa grande avenida Um momento que parece assim; desimportante Que se repete momentaneamente Ao longo de toda uma jornada Que, ao final, se tornará também desconhecida Uma simples coisa, entre outras tantas Algum caminho do passado Onde ninguém jamais voltou Nem voltará Nenhum agosto e nem setembro serão eternos Hoje, olhando esses momentos à distância Compreendo perene, a inconstância Mas, alguma coisa permanece Ali, parada no chão do caminho Como simples lembrança A ser replantada, com o carinho da imaginação Talvez, tornar de alguma forma Um tantinho assim, mais leve O caminho, a jornada Que, ao final terá sido Breve como flor. Pode ser que o Criador Com o amor de quem se recorda, nos replante Num jardim gigante, onde seja permitido A criança sair da fila, a caminho da sala de aula E sentar-se à borda do jardim, pra dizer àquela flor Que, pra mim, ela era importante e seria pra sempre lembrada. Edson Ricardo Paiva

⁠Rabiscando a vida. Rabiscando Sobre as linhas retas
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⁠Rabiscando a vida. Rabiscando Sobre as linhas retas Que não posso ver Vindas lá da luz do céu Encobrindo o breu, que nos convida Com palavras que não posso ouvir Nada é incrível, no entanto Elas são tão claras Quanto a cara imprecisa De sorriso obscuro Escondida, atrás do muro da vida Quanto o brilho do ouro, que não tenho Mas eu sei quanto estão lá Vou rabiscando em desenhos Solução pra tantos medos Quantos enredos mirabolantes Entretanto, nada inverossímeis Pois eu sei o quanto estão elas Sob a luz das velas Sob o malho de cinzéis Prontas pra se revelar Talvez como simples rascunhos Sob a força dos punhos e a constãncia da vontade Essas, em linhas não tão retas Pois a verdade se curva Pra se alinhar com o horizonte Azulado e verdejante Cujo limite do olhar não alcança Não alcança de olhar aberto É preciso um pensar mais longe Pra poder enxergar O que esteve tão perto Mas oculto sob o malho dos cinzéis Quantos céus e quantos outonos Verão teus olhares mornos Teus ouvidos vitrificados Quantos vasos queimarão teus fornos Carentes de um olhar mais puro De enxergar no escuro Encobertas pelo breu que te convida A enxergar de forma assim, tão clara A cara da vida? Edson Ricardo Paiva

⁠Tem sempre alguma coisa. Um dia Mesmo o coração de olhar mais duro
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⁠Tem sempre alguma coisa. Um dia Mesmo o coração de olhar mais duro Lança um olhar à estrada Depois de muito ter partido Porque nada a paisagem lhe diga Quanto ao começo Tem sempre um pedaço que fica Esse é o preço da vida Num mundo onde tudo é de graça Passa tudo, passa o tempo Passa toda e qualquer ilusão Não mais me iludo Mesmo o coração mais puro Não foge a ter o olhar endurecido Mesmo que a paisagem lhe diga tudo Tem sempre alguma coisa que não fica Porque nada é de graça Um passo deixa sempre rastro Um mastro ao longe, uma pegada Mentira acreditada, conta que não fecha A estrela errada que te orientou Tem sempre alguma coisa a ser lembrada No pouco que se traz ou deixa Esse é o preço da vida. Edson Ricardo Paiva

⁠Antes que os pássaros acordem. Quando a luz desponta Nalgum ponto da circunferência
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⁠Antes que os pássaros acordem. Quando a luz desponta Nalgum ponto da circunferência Sob a tutela e regência divinas Assim termina a escuridão da noite Mas tudo tem seu tempo, sua hora marcada Tudo tem lugar, para estar ou não Somos nós, que quase nunca estamos lá Irriquietos, imperfeitos Buscando sempre um jeito De manter as coisas assim Nessa quase que total desordem Da qual possamos sempre fazer nada Além de queixar-nos pra nós mesmos Antes que os pássaros acordem E nos mostrem em que ponto da estrada Eles estão...e eles estão onde preferem estar Quando o ultimo raio de luz se recolher Em algum lugar entre a noite e o anoitecer Sob a gerência dos teus próprios Pensamentos e vontades Numa quase que total desordem Da qual fizeste quase tudo Matando o que nunca deveria morrer Preste tua reverência Ao teu espírito irriquieto Cuja permanência, sob o mesmo teto que você Chega a parecer sufocante Pois em algum instante, nessa mesma noite Ele ainda vai tentar sentir Que está nessa manhã tão linda Antes que os pássaros acordem E mostrem-lhe que não. Edson Ricardo Paiva.

⁠Porém, vence a luta. Alma nua minha Vaga
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⁠Porém, vence a luta. Alma nua minha Vaga Um mundo em brumas Vai, navega a valsa Entrega à luz o olhar avesso Esquece a dor assim Assim, a dor esqueço Se é que alguma dor Minh'alma tinha Alma descalça Baila a solidão do teu destino Entrega a mesma indiferença Mas traz de volta sempre Eternamente a esperança Contenha-se Guarda a lição aprendida Como disso dependessem nossas vidas Muros altos, nuvens, nevoeiro...escuro Não se sabe quando Um dia, um olhar derradeiro e depois o silêncio, sempre há de surgir Tira disso o que te houver de puro Que te parecer Alma minha Cada estrada é diferente Mas todas terminam Guarda-te em si mesma Porém, vence a luta O ar sempre resiste ao pássaro pequeno e triste Que atravessa o céu em plêno pico do sol Eu fico aqui do teu lado Alma solitária A resistência é que garante o voo Assim como a tudo que demais existe Aparentando indiferente e livre Entregue à luz, de olhar avesso Porque toda liberdade exige um preço Assim permaneço ao teu lado Assim como sempre eu estive. Edson Ricardo Paiva.

⁠Respeito Próprio. Por respeito a si mesmo Dias haverá
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⁠Respeito Próprio. Por respeito a si mesmo Dias haverá Que te seja necessário Permitir aos teus olhos Ver o ouro Mas que esse não reluza Permitir aos teus sentidos Saber que o vento sopra E não ouvir o farfalhar das folhas Abandonar a condição humana Não amar, em amor próprio Por amar-se em primeiro lugar e não mais apegar-se a nada por honrar a vida Deixar-se ficar e, não mais permanecer Saber o escuro da noite O brilhar das estrelas O canto dos grilos Compreender aquilo que não te cabe e o que te cabe também Mas apenas calar-se num pranto Calar-se por respeitar-se E deixar que as águas fluam Sem jamais delas beber Belas serão as paisagens Das janelas, das sacadas Belas sem as querer Mantenha tuas portas fechadas Tua mente calada Gosta antes de ti mesmo Por respeito próprio Sê tu teu universo. Edson Ricardo Paiva.

⁠Mais que o caminhar. Pensar Tirar pedaços
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⁠Mais que o caminhar. Pensar Tirar pedaços do espaço incompleto Imaginar-me Somente imaginar Lembrar de todo faz de conta Quando mesmo o próprio ar Chegava a ser concreto Em que a chuva no terraço Era um laço com o poético Toda espera era esperança E que pensar na vida Era viver sem precisar Pensar na vida Era somente imaginar Sem questionar a distância de um passo Mas a vida não era assim Era a gente que era E quando a chuva passa Vem a hora da ciranda Varanda inocente, gente rindo A gente ria sem sequer lembrar Tudo era graça Era engraçado o querer esquecer Do que nem tinha certeza Seguir sempre e nem sempre saber Que o caminho era importante Mais que o caminhar até Esse, o tempo o faz sozinho e à pé Hoje, todo mundo tão repleto Tudo tão completo de ares concretos Esquecidos de pensar Tá tudo em seu lugar, tá tudo certo Tão certo quanto a gota d'agua Que evapora na roseira Quando a chuva passa Certamente ela passa Pois, não mais existe Aquele lado imperfeito, poético E todo mundo é cético a seu jeito O velho contrato firmado Perante o abstrato É velho, é só isso Vale o visto Quem manda é a ciranda do tempo E seu ar inocente Um a um Sem pensar, nos engolindo. Lindo, veja: Ela vem vindo! Edson Ricardo Paiva.

⁠Feridas. De tanto viver em descompasso O dia é sempre um dia e nada mais
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⁠Feridas. De tanto viver em descompasso O dia é sempre um dia e nada mais Pensar no amanhã, jamais Sem lugar pra voltar, sem abraço De viver eternamente O mesmo passo a passo Era somente a vida e o estar vivo Era ser pra sempre A própria ferida Todo dia o mesmo curativo Transpondo as pedras que surgissem Uma a uma, passo a passo Uma hora, nem percebe, se acostuma As gotas de chuva na cara A vida segue...o coração não para Se é que a gente de vez em quando Para e olha As gotas de chuva na cara Tanto faz se molha A paz se instala Os olhos veem, o ouvido escuta O coração fala menos comigo a cada dia Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço ...e sem palavra arguta Vou pra onde o vento me levar, não ligo Não levo um sorriso e nem lágrimas Nem meu coração não fala mais comigo Tanto faz, nada faço Cada dia é sempre o dia e nada mais Um dia a paz, ela vem e se instala Nesse descompasso Minh'alma se cala também Tem um Deus, também calado Passo a passo desse dia a dia Pensar no amanhã, jamais Trago meu coração em silêncio Na ferida da vida que eu vivo Todo dia o mesmo curativo. Edson Ricardo Paiva.

⁠Como bolhas de sabão. Em cada momento da vida Atento ou desapercebido
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⁠Como bolhas de sabão. Em cada momento da vida Atento ou desapercebido Em cada silêncio, em cada ruido Faça ou não, sentido No raio que o Sol nos envia Alcance ou não te alcance alegre Haja chance ou não de encontrar alegria A luz de todo dia foi-me entregue Entrego ao meu coração sua escolha Assim como toda escada Oferece a descida a quem queira Estar parado à beira da estrada É sempre outra opção, ela existe O caminho é indiferente Se te encontra alegre ou triste Talvez negue ao coração tua escolha De vez em quando há de surgir Um pensamento inconsciente Desses, que se pudesse Afastaria com um gesto das mãos Amanhece mais um dia A luz do sol, que a tudo alumia Esteja ou não consciente Ela já pode ser considerada entregue Luz em luz, de escuridão em escuridão Te vai se aproximando o momento Desejado Ou se pudesse, o afastaria com as mãos Milhares de pôres-do-sol depois A vida passa tão assim...depressa Chega a parecer Que às vezes foi de dois em dois Assim como qualquer escada Te oferece sempre mais de uma opção Ou somente o que te resultar de escolhas Como as bolhas de sabão, que outrora foram tantas Que sempre que podia Afastava, atenta e desapercebidamente Com um gesto das mãos Fingindo inocente. Edson Ricardo Paiva.

⁠Há quem se arraste pela vida morta. Tem dia que amanhece antes de clarear Coração se despe
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⁠Há quem se arraste pela vida morta. Tem dia que amanhece antes de clarear Coração se despe e se despede de toda agonia Pra que nosso espírito se apresse Ditos se fazem não ditos Olhos se comprazem olhar a rua E não tem nada diferente Coração bate apressado Segura, d'álma nua as mãos aflitas Ambos se entreolham Compreendem, de repente Quem mudou foi a gente A vida fica mais bonita assim Há quem creia isso desimportante Meu compromisso é comigo Olhos, almas, mãos, meu peito, abrigo Há quem queira abreviar o fim E há quem queira olhar a noite Saber que o sol se levante Quero só me despedir do mal que houver em mim Tem vida que termina igual Numa esquina de um momento Um vento frio de agosto Tem dia que começa igual Luz do dia vem vazia de algum modo e nada muda Não tem sonho bom que nos acuda Não existe ilusão que, por melhor que seja, iluda Até que um dia alguma coisa...tudo Há quem julgue que isso pouco importa Vai, se arrasta pela vida e arrasta a vida morta Sem o olhar que lhes convide a perceber A vida abandonou-lhe um dia Chão sem céu, sem luz de estrela-guia Vida voa, vai no vento e corta e volta Vem, se despe de tanta agonia Então, depois se apresse Tem dia que amanhece antes de clarear Mesmo que pareça tudo igual eternamente Alguma coisa não amanheceu Isso torna tudo muito diferente. Edson Ricardo Paiva.

⁠Quais serão teus pensamentos? O ato de compreender É tão ou mais importante
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⁠Quais serão teus pensamentos? O ato de compreender É tão ou mais importante Que o fato de te dizer Aquilo que no final Parece que não foi dito Apesar de parecer Não equivale ao escrito Centelha de vida Orelha mouca Pouco divaga, ideia vaga Ovelha que bale, diz mais Quais serão seus pensamentos Creio eu, serão iguais Se pouco puderes Deixar os teus pés flutuarem Ao ouvir a voz do vento Pedir pruma estrela o desenho Se não tenta entender Que, apesar do alicerce Os céus se movem Fecha os olhos pra enxergar A arte de menino arteiro Em parte foi, talvez, a única Que me creditaram por inteiro Há muito tempo Aquela parte Sobre dizer o que não foi dito Que te é ilícito Que te não parece implícito Que cresce como o cinzel Que desvenda o vulto Oculto a sorrir-te Detrás do monólito Num grito inaudível Lançado ao possível Este acorrentou-se Aos braços do impossível E lá permaneceu Deus, que prescruta-lhe a alma Bem sabe... A ovelha que bale, diz mais. Edson Ricardo Paiva.

⁠Estradas de Pedra. Enquanto a chuva cai A noite passa e vai pela janela
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⁠Estradas de Pedra. Enquanto a chuva cai A noite passa e vai pela janela Pra perto da estrela distante Na mesma velocidade Pensamento, instante, vagam Pedra lisa, estradas sem destino Que se aprumam Indiferentes, se acostumam Vai durar uns meros séculos somente Durante as tempestades Quais relâmpagos colidem Que se agridem pelos ares Olhares idem pela escuridão que espero Pra depois, durante as calmarias Vir buscar-me em sonhos Pois, durante a madrugada Não serão jamais pisadas Vão nascer de novo, sempre vão No primeiro desvão, por onde invade o sol Da primeira manhã de alguma infância Há de ser nova A primeira manhã de todas as manhãs Traz consigo o gosto verdadeiro Do primeiro sol que arde n'alma nascitura Pensamento, instante, invade Vai durar uns poucos séculos somente Indiferente às estradas de pedra Que foram feitas só pra ser pisadas. Edson Ricardo Paiva.

⁠Pétalas. Pétalas Todas elas
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⁠Pétalas. Pétalas Todas elas Lado escuro entristecido Sonho que se sonha e não se quer sonhar Uma voz, melancolia Qual de nós será que não queria Voar, às vezes Pétalas que tocavam Me tocavam em meio a ventania Um dia veio a tempestade Só pra carregá-las Pétalas que amanheciam Belas, todas elas Doces pelo orvalho, a noite O dia trouxe abelhas Noite trouxe sonhos que não eram Eram sonhos que se sonha e não se quer sonhá-los Como velas apagadas Vê-las mais de perto Lágrimas choradas Todas elas Pétalas, aquelas Que tanto nos tocavam Hoje elas se foram Uma voz, melancolia ecoa ao longe Um longe, ontem tão perto Hoje, coração desperto Sonhos que sonhamos Longe de onde estamos hoje Tanto faz Pétalas que nos tocavam tanto Por mais que as procuremos Não as temos Não me tocam mais. Edson Ricardo Paiva.

⁠Infância. E se a gente pudesse Voltar lá, praquele dia
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⁠Infância. E se a gente pudesse Voltar lá, praquele dia O dia que caiu da árvore O dia que pisou num prego O dia que minha mãe falou Que me batia Pois não gosta de criança que desobedece Se pudesse, juro que eu ia Se voltasse aquele momento Em que um vento carregou meus sonhos de criança E que eu vi perdidas todas esperanças Chorei, pois criança pode chorar, então ela chora Se Deus me permitisse voltar lá, eu ia agora Pro dia em que tirei o mais redondo zero Levei bronca da professora, fui parar na diretoria e minha mãe foi chamada na escola Se você me perguntar agora, eu ainda respondo que quero. Nem que eu fique meses de castigo Se aquele tempo voltasse, eu queria A viver somente a minha vida O dia corrente...sem ter que pensar no amanhã Pois o dia de amanhã, ainda nem nasceu Se o tempo perguntasse quem Eu diria que eu. Edson Ricardo Paiva

⁠Dimensões. Nós sabemos a vida Não sabendo-lhe a forma adequada
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⁠Dimensões. Nós sabemos a vida Não sabendo-lhe a forma adequada Isto dito ao vento No momento, existo! Posto isso, pouco a sei, além de nada Morte, as tive algumas Enquanto a vida se amontoa ao vento Por acaso, à esmo, à toa Lacuna entre duas ausências A vida é uma duna Uma efêmera presença Que passa despercebida Até por alguns dos presentes Uma página já lida E também já virada A morte mais estranha Que se pode ver vivida Passou tão depressa Quem a leu, na sanha de virá-la nem se lembra de nada Passou dessa para a estante Num canto esquecido da sala Na casa da eternidade Se confessa arrependida Pelas coisas que não fez Se percorre uma vez Removendo o pó estrada Pó de existências Passageiras como nós Fugazes e sós Instáveis, incríveis Existências perecíveis Voou como instante O pião na fieira A fogueira, a esperança O choro do filho, a vaidade A verdade, a meia verdade O barulho do cristal quebrando O orgulho ferido, a ira propensa A pequena diferença Entre o sempre e o de vez em quando A esperança perdida A mesa posta Pra quem gosta de comida em fogo brando Morte, as tive muitas Madrugada, olhar perdido Coisas tão distantes Vivendo apenas uma vida Não dá tempo de estar juntas Se o poeta não juntá-la em versos Nalgum canto empoeirado Lá na sala do infinito Assim, ao menos por um mero instante Se ficaria bonito, nunca saberemos Porque tudo tem três lados Um peão num barbante. Viveu para o mundo Algo assemelhado em ao menos uma das dimensões Morreu para a vida Por breve descuido. Edson Ricardo Paiva

Escolhas. Quando surge outro caminho Quando finalmente alguém
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Escolhas. Quando surge outro caminho Quando finalmente alguém Encontra uma saída Uma trilha, uma senda, uma via que envereda Aparece sempre outra estrada Essa, indiferente, estava ali, presente Apesar de ser uma queda Talvez, por isso, jamais urgente Mas, agora que existe opção Ela parece atraente. Edson Ricardo Paiva

⁠Vida Flor. A vida é o dia de uma flor Quando a chuva aproveita
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⁠Vida Flor. A vida é o dia de uma flor Quando a chuva aproveita Bota as pétalas de lado, assim Se espelhando numa poça rasa Detalhando os seus tim-tins Orgulhosa da própria beleza Ajeita luz do sol Renovando a folia Acredita, enquanto há tempo Tempo é tudo quanto mais havia Quando o tempo de já não mais crer vier Ele vem, crer ela não quer...aceita Bota espinhos, tenta defendê-la Tristes mãos que, porventura, recolhê-la Assim, como um sol que renasce E que jamais se opõe Ao orvalho das trevas Escolhe uma melhor lembrança e a leva Molha-te por molhar-se Escolhe um ramalhete pra passar teus dias Que, por ora, ornamenta e tenta e tenta Tanto tenta que, quando desiste Já não sente assim, tanta tristeza Tenta, mas aprende a desistir também Nem jamais te arrependa de nada Desaprenda o sorrir Mesmo assim, depois, aprende Rir-se de si mesma. Edson Ricardo Paiva.