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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

⁠A vida era Toda ela, um vaso de alabrastro Um prazo que não venceria
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⁠A vida era Toda ela, um vaso de alabrastro Um prazo que não venceria O Sol na chuva, era alegria Era a felicidade, a verdade sobre a mesa Um astro de primeira grandeza Era harmonia Comedida em seus excessos Ah, essa era a vida, ela excedia Não era, ela não era não Era uma mão que se escondia Oculta com propriedade Tangia as cordas da vida De modo tão perfeito A justa forma ela imitava A gente se iludia tão perfeitamente O vento leve, o tempo breve O espelho que não se mostrava Era a vida uma centelha Um prazo que nos vencia Ele venceu Essa era a vida Este sou eu. Edson Ricardo Paiva.

⁠Poema de infância. Uma folha de papel Creio eu que era de pão
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⁠Poema de infância. Uma folha de papel Creio eu que era de pão Nem chegava a ser folha inteira Acho que meia folha não era Creio eu que era quase meia Era infância ainda Talvez fosse um dia de verão Creio eu que era primavera Só me lembro que fazia uma tarde linda Creio eu que depois choveu Faz muito tempo aquele dia E, se é que choveu A chuva foi mais linda ainda Era um tempo de paz, talvez Não existe certeza de mais nada Hoje eu penso que paz nunca houve Então eu desenhei um peixe no papel Me deixem chamá-lo assim, de peixe Pode ser que fosse um golfinho Pois não caberia uma baleia Numa folha tão pequena, diminuta Que não chegava nem a ser meia Daquelas que, na alegria da infância Se cata na ventania E guarda pra sempre na alma Com a calma dos anos passados Mas agora eu compreendo Que momentos bobos assim São os que vão ficar eternizados Uma tarde chuvosa Num papel amassado O mesmo sol, que hoje arde no céu Mas compreenda Que há tardes em que brilha diferente O Sol, o céu, o golfinho, a felicidade Na verdade essas coisas existem Muito menos neste mundo em que vivemos E muito mais Aqui, no coração da gente. Edson Ricardo Paiva.

⁠Ainda se fosse Uma tarde doce Nem precisava ser linda
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⁠Ainda se fosse Uma tarde doce Nem precisava ser linda Pelo menos perdurasse E essa nuvem me dissesse O que é que o Sol tá querendo Escondido atrás dela Ainda se fosse Uma tarde ao menos bela Nem carecia ser linda A chuva descia de lá pra me contar O que é que o luar pretende, homiziado Lá do outro lado do mundo Ainda se essa tarde Que mais me parece um lamento Esse céu mais cinza que cimento ressecado Me deixasse a par de tudo que a rosa pretende Essa rosa seca, com cara de veludo velho E esse ar de quem viu tudo Mas que finge que olhou pro outro lado Ainda se eu soubesse Ah, Deus meu, se eu soubesse! Nem precisava a tarde ser doce Não fazia questão que fosse linda Mas então a chuva veio Meio que chuviscada E ela não me trouxe nada Além de partículas de tristeza condensada Que se encontravam suspensas Sobre as nossas cabeças despreocupadas Só que a tarde não perdura; escurece Por que é que não foram chover lá no mar? Edson Ricardo Paiva.

⁠Melhor que tudo Tudo que é de fato conhecido Maior até que o amor
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⁠Melhor que tudo Tudo que é de fato conhecido Maior até que o amor Amor, por muitas vezes É algo que precisa ser contido Melhor que tudo Maior até que a felicidade Felicidade, tantas vezes Calcada em desconhecimento Nada chega a ser tão triste Só não chega a ser Tão bonita quanto a infância Abstrata como a lembrança Impalpável, igual o azul do céu Doce e imperecível É como se fosse um mel Melodia que passa pela cabeça Sinfonia de anjos Passos em sintonia Felicidade que não se alcança A própria calma sentida De viver a vida Sem que ninguém exija A sua alma como garantia Coisa que fica sempre pra outro dia Mas que seria bom Tão certo quanto a melhor certeza Te garanto que seria. Edson Ricardo Paiva.

⁠Meio poema. Hoje Amanheceu assim, meio que colorido
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⁠Meio poema. Hoje Amanheceu assim, meio que colorido Assim me veio Meio que uma ideia Meio que um acordo Selado comigo Por medo de um medo alheio Se a cor do dia trouxesse Aquela alegria Que tem dias a gente Palmeia na mente Que tanto a semeia no peito Do jeito que anseia De tantas vezes Que ela veio e desviou-se Mas hoje, essa manhã tão colorida Trouxe meio que o doce da vida Meio que rateada Trouxe um pouco Um quase nada de esperança Creio eu que seja fruto Da sabedoria adquirida Depois de tanto dia amanhecido em minha vida Cuja mensagem, que vejo na imagem do dia É a de que toda e qualquer esperança Cuja cara de alegria faz Sobrepuja, ultrapassa veloz A toda experiência atroz vivida E que a menor de todas as simplicidades Elas sempre se sobrepõem em graça Expondo a verdade e o sentido da vida. Edson Ricardo Paiva.

⁠Aproveita o tempo agora Enquanto o coração chora à toa Enquanto o fruto cai perto
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⁠Aproveita o tempo agora Enquanto o coração chora à toa Enquanto o fruto cai perto Olha em volta o teu deserto Pois nem sempre o vento sopra para o lado certo Ajeita a vela da vida O caminho todo é pensamento, é hora boa e passa lenta O tolo pensa em ser feliz, desorienta Aproveita a hora triste, enquanto a tristeza é passageira Molhe as plantas na janela Escolhe a cor da escuridão futura Pois nem sempre o vento sopra pro deserto Corre, enquanto as pernas obedecem Pise forte as pedras, elas esquecem Olhe isento as coisas lá do alto A descida toda é só momento, grite alto Lá do alto, onde subiste Deixa o vento carregar a voz As vozes de todos nós Tão velozes quanto a vida em direção A um lugar onde o tempo inexiste. Edson Ricardo Paiva.

⁠O inverno vem E o frio trouxe uma versão profunda das coisas invisíveis que essa vida tem
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⁠O inverno vem E o frio trouxe uma versão profunda das coisas invisíveis que essa vida tem Pois, quando a estrada foi florida Cada qual tinha as mãos dadas Numa ilusão acompanhada O inverno vem E frio traz uma versão vazia em nossas casas Os velhos bancos de madeira Há muito se tornaram cinzas No calor da fogo há companhia Verdadeira e quase que tão passageira Quanto as mãos que seguraram velhas mãos Não tem mais quadros na parede Não há porque encher os cântaros O inverno carregou também a sede Ainda resta alguma coisa E ela só presta pra queimar Dentro em bem pouco Quando anoitecer no quarto morno Do forno triste desse inverno interminável Que existe sim, pra todos nós Dentro de cada um Esperando apenas pelo escurecer. Edson Ricardo Paiva.

⁠Esqueça a vida e cresça Essa história começa Quando o deus-Sol questiona a Deus
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⁠Esqueça a vida e cresça Essa história começa Quando o deus-Sol questiona a Deus Se deveria concentrar sua atenção Mais ao atol, perdido no infinito Ou se ao varal onde, estendidos meus lençóis À luz do dia refletiam sonhos tão bonitos Invisíveis aos olhos de ver A dúvida da estrela O olhar de Deus Sonhos de linho Espinho que se pisa sempre que se pensa Estar vivendo a vida como a vida quer Esqueça a vida e viva e deixe Que um feixe assim, de luz, ilumine Seu sonho esquecido, indivisíveis sonhos meus A luz do dia, vida uma oração Eu sei que o mundo me esqueceu Porém, Deus não. Edson Ricardo Paiva.

⁠Os passos que se ouvia Eram tanto, eram muitos Porém, jamais suficientes
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⁠Os passos que se ouvia Eram tanto, eram muitos Porém, jamais suficientes É preciso um pouco mais que isso Não bastasse Deus aparecer num sonho A face oculta da noite nada apagou O compromisso ali firmado não valeu Eram tanto, eram muitos Eram todos do outro lado E, se houve porventura, algum laço Esse, há muito foi rompido Sigo só no meu caminho Na graça de Deus, esquecido Foi preciso um pouco mais que eu E muito menos de mundo Face oculta e breu Passos na calçada Vozes que não mais se escuta Uma espécie de conhecimentos Cujos quais...careces Casas, cujos nem telhados De longe de vê Lugares onde nunca estive E nem nunca irei Esqueça a vida e cresça Há muito a vida esqueceu você. Edson Ricardo Paiva.

⁠E fez-se a primeira noite E desde a primeira noite, o frio E fez-se o arrepio e nascem os sonhos
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⁠E fez-se a primeira noite E desde a primeira noite, o frio E fez-se o arrepio e nascem os sonhos Em algum momento perdido, o calor Inventando um novo invento E veio o rio das horas E veio a demora Com o tempo que passa depressa a flutuar E a folha que cai e que vai-se à toa Ao arrepio da hora boa E nasceu assim a lembrança E o medo do fim Como receio da noite vindoura E da dor a lição Assim fez-se a pressa, a que cessa num momento Que é coisa a aprender-se depressa A vida que escoa entre os vãos Mãos vazias que acenam O sempre olhar pra trás antes da curva Até o dia de não nunca mais se ver esse olhar Assim fez-se a madrugada, a alvorada O outono que chega A bruxa do tempo que ri só pra si E assim fez-se a noite e a escuridão Tão negra quanto o coração que era Esperar no portão pelos passos que não mais escuto E assim se fez a última noite O longo tempo, que afinal No final se fez tão curto. Edson Ricardo Paiva.

⁠Uma tarde de fevereiro. Agora, é como se eu sentisse Que agora sei de tudo
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⁠Uma tarde de fevereiro. Agora, é como se eu sentisse Que agora sei de tudo e que aprendi Como se fosse De novo os doces velhos tempos Que olhava em volta e me iludia Alegria de infância Ver a lua atrás das nuvens Quando a luz do dia não permite ela brilhar E era como alguém comum A andar na rua E que nunca lutou numa guerra Mas que sempre se molhou na tempestade E tinha a chave que abria a porta Ela não abria Andou descalça em algum momento E que valsou sozinha, diante do espelho da vida E que ficou vermelha, por vergonha de si mesma Que era por ninguém saber O tanto que ela sabia E sabia consertar a cerca E sabia misturar e misturava as cores Que, em resumo, era esconder a dor De andar sem rumo e sozinha Numa estranha e triste solidão Que, quem sente, sabe que ela existe Repleta do saber Que vem depois de tanto a dia amanhecer Da lição não aprendida Quando encontra uma pena de anjo Depois de tanto ir lá Sem rumo e em vão E descobrir Que lá não tinha nada E que todas as flores secam Mas nem sempre o espinho precisa ferir Houvesse alguém pra te dizer Se eu puder ajudar, me avisa E te acompanhasse, sob o mesmo guarda-chuva Regar junto pela vida afora, as mesmas flores Cultivá-las é como à lição De misturar a cor da lua à luz do dia E ver dissipar-se o vapor que colore O ar da cidade após a tempestade Olhar o mundo da altura da lua Só que, dessa vez Enxergar a verdade Sem precisar Esconder-se... atrás da doce loucura De dizer que o Sol foi lá no fim do dia. Edson Ricardo Paiva.

⁠Semana Passada. Passei a semana sozinho Da vida passada
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⁠Semana Passada. Passei a semana sozinho Da vida passada Só, semana inteira A podar uma roseira Ela está viva Só isso valeu-me uma vida E viva a vida da roseira Vivam as pétalas aveludadas Onde corre viva a seiva Mesmo assim Não morre a morte viva Porque ocorre a vida Ela é sagrada Folhas se vão Cansadas da vida Nada muda a lei Caem ao chão, sob cortes Dando um novo norte à vida Que por toda semana esperei Revivida, renovada Vívida, aveludada Quando a luz e o colorido Ao olhar reluzente Que apesar de tudo Não percebe o tempo a correr diferente Às gentes e as rosas Fototropismos e fotografias Morte e vida e luz no horizonte Passei a semana inteira Decorando a cor do pôr-do-sol Enfeitando o chão do coração da rosa Ouvindo a maneira Silenciosa e alvissareira Fecunda e auspiciosa E fiz vir ao mundo Outra rosa da velha mesma roseira Tão vermelha quanto a branca luz Que se parte em amarela e azul Violetas da arte divina Cristalina luz De maneira que este mundo Se fizesse, ao menos temporariamente, leve Menos cinza e menos triste a olhar pra gente Porque é breve a vida. Edson Ricardo Paiva.

⁠Eu me olho no espelho Refletido pela luz da velha porta Impregnado e morto
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⁠Eu me olho no espelho Refletido pela luz da velha porta Impregnado e morto Nos olhos do poeta que não mais existe Eu me molho na chuva Refletida na luz da janela Aquela, que se abria em agosto Nos dias de agostos passados Me despeço, me peço um abraço Pergunto por que foi que me deixou partir Por que foi que não passaste a velha porta E guardaste a criança que eu era Refletida na luz da janela Que se fecha em agosto Me pergunto por que não se vai Nem me deixa partir Que se queixa em meus sonhos Por eu ter partido É que o tempo corre noutra direção Quando se sonha Depressa como uma flecha E passa pela porta que nunca envelhece E voa pela janela que nunca se fecha De um agosto que não se acaba O poeta que me busca e não se acha À luz que meus olhos ofusca No espelho que não te reflete. Edson Ricarrdo Paiva.

⁠Outro dia eu sonhei Sonhei que não sonhava E que a vida era verdade
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⁠Outro dia eu sonhei Sonhei que não sonhava E que a vida era verdade E que eu podia dar bom dia A tudo que a vida esconde Mas que ali não se escondia E dei bom dia à escuridão A toda escuridão Que, não à toa, se oculta A toda ilusão que morria Era o lado bom da vida boa Na paz da desilusão Dei bom dia, não ao tempo passado Nem ao dia que caminha ao nosso lado Minha voz dava bom dia ao tempo Outro tempo Aquele que voa e se despede Se despe de nós todo dia Numa voz calada nos diz Que ele não se prende a nada Só flutua Sonhei com a verdade nua Que desejava um bom dia E toda promessa esquecida E toda palavra que não foi cumprida Que sempre foi só palavra Mais nada Sonhei que a verdade mentia Dei bom dia à toda solidão advinda Dei bom dia ao ódio escondido Dei bom dia ao lado sórdido da vida E todo silêncio aguardando Pra deixar de ser silêncio Penso que só sonhei Amanheceu E ainda está tudo do mesmo jeito Sonhei que hoje era o dia. Edson Ricardo Paiva.

Hoje amanheceu chovendo O pássaro dormia, ele partiu Meu dia amanheceu calor
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Hoje amanheceu chovendo O pássaro dormia, ele partiu Meu dia amanheceu calor Olhando o mesmo mundo O vejo mais distante Desejo ao pássaro Uma boa viajem somente Não tem como sentir A dor de fazer tudo igual, diferente Meu dia amanheceu Tão quente Sem motivo pra calar Não faz mal estar tudo bem Quando estar tudo bem Não é, nem de longe, importante O ar quente do balão O vento forte contra a asa do avião O tempo breve, cuja vida abrange A grandeza do anjo A beleza do jardim lá fora O pássaro que há muito adormecido Fez uma curva no céu Acenou-me um adeus Era a hora de partir A corda do violão Arrebentou, quando eu não estava perto Se fez algum ruído ou não Não sei Somente o anjo, coração deserto Decerto estava lá pra ouvir. Edson Ricardo Paiva.

⁠Sim, um dia eu tive medo da derrota Mas é de dia em dia que se vive Incrível vislumbrar a sensação
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⁠Sim, um dia eu tive medo da derrota Mas é de dia em dia que se vive Incrível vislumbrar a sensação De tê-la ao lado, como amiga Uma antiga aliada E nada, nunca mais me levaria A perder nenhuma briga Ela tinha me ensinado assim Porque nem tudo é digno de nota E sempre havia na paisagem Alguma coisa que passou despercebida Por fim, perdi o medo da vida também E nunca mais ninguém veria eu desistir Pois é de vida em vida que se vive E que vencer na vida é algo Muito diferente de vencer a vida No final ela nos vence Ela é vencida Mas nada nunca é igual Ao medo que se tem no início Esse, o mais difícil Por não tê-lo como aliado Por abandonar, deixar de lado A tantas chances de vitória Muita gente é vencida E tanta vida é inglória. Edson Ricardo Paiva.

⁠O cheiro de chuva com seus artifícios Imagens de infância Sinetes, avisos: é preciso viver
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⁠O cheiro de chuva com seus artifícios Imagens de infância Sinetes, avisos: é preciso viver Como vivem as luzes assim Luzindo nos aços Você indo lá fora pra olhar O lugar onde tantos olhares Cederam a vez a espaços vazios Que deixamos ficar sem abrigo O inimigo imaginário A força da imaginação O ponteiro, o vento, o calendário O céu, que não tinha esse azul Não era assim Chega a ser engraçado Mas não era assim Tantos passos Se forçar a vista, dá pra ver o fim da estrada O cheiro da chuva Um meio sorriso A primavera que não veio É preciso viver Como vivem as luzes Mais nada. Edson Ricardo Paiva.

⁠Sorrir De vez em quando Permitir que o mundo veja
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⁠Sorrir De vez em quando Permitir que o mundo veja Mas, que seja perene O que fica no ar Chorar e, às vezes permitir a crença Mas é certo que fica Entre mim e o criador O que me vai no coração E que seja a vida poesia Que poderá ser lida hoje Como um mero poema sem rima Que vinha e que não veio E deixou oculta a linha Porque foi preciso Um pranto ou sorriso Detrás da armadura Uma mistura De malícia com doçura Porque assim o mundo exige A beleza da poesia Pode ser que outro dia A quem mereça A luz que vem de longe Há muito se apagou A estrela finge. Edson Ricardo Paiva.

⁠Simplesmente. Tava aqui, pensando Se será que vale a pena
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⁠Simplesmente. Tava aqui, pensando Se será que vale a pena Esquecer o caminho A jornada Alegria adiada...odiada Alegria por nada Que eu sentia, sem sê-la Tava eu aqui, me lembrando A criança serena que eu era Sem medo do desconhecido E o que eu mais queria Era só poder me aproximar do céu Nem pedia que tivesse estrelas Se ele acaso não tivesse Se, por certo, fosse o céu Me bastava olhar de perto Nem que fosse só por breve instante Mas o tempo tem seu prazo Mesmo sendo o chão deserto É preciso sempre um novo passo Passo a vez, sigo adiante Tanta dor danada que te dói na vida Que acontece quando a gente Já não pode fazer nada A pressa obsessiva te atravessa Quando a gente para e olha Folha em branco era um barco à deriva Assim se faz os caminhos Tantas vezes Passar a vez e seguir Numa condução qualquer, que te sacode A caminho de alguma ilusão Que tem cara de alegria De balão que explode em coloridos Mas, se a gente não puder vivê-las Não terá sequer vivido Não, não vale jamais a pena se esquecer De nenhum caminho percorrido Alguns, simplesmente para não trilhá-los nunca mais Outros, por saber que te podem levar Novamente à presença Da criança sincera e serena Que sabia como segurar estrelas Em seu par de mãos pequenas Que podia estar perto do céu Porque o céu era ela Num tempo de pura alegria Até hoje ela jura Que o era Por jamais ter pretendido sê-la Simplesmente era a vida Acordava e a vivia. Edson Ricardo Paiva.

⁠Alma Nua. Cuida bem da vida Antes, saiba o que ela é
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⁠Alma Nua. Cuida bem da vida Antes, saiba o que ela é Essa coisa doida Pois a gente não recorda nunca Quando ela começa Pois a gente raramente sabe Como ela termina Normalmente é na rotina Armadilha bem posicionada Entre excessos e exceções Portanto, cuida bem dos passos Não há e nunca haverão palavras Que não poderão ser ditas Cuida bem da fé Há um instante certo pra dizê-las Nunca antes da hora Nem depois que ela passou O momento de calar-se Chega a ser mais importante até Deixa estar Saiba, que em algum lugar Há sempre alguém te observando Não importa sua cara no espelho Seu brinquedo novo ou velho Nem seu ímpeto ou seu medo Cuidado com teu ser recôndito Pouco importa A distância que te separa de onde diz querer chegar Saiba, que existe alguém Observando teu coração agora E sabe onde você queria estar Não é o que faz ou que sabe ou o que tem Nem pra onde teu dedo aponta O importante não é o que o mundo vê Nunca foi a opinião de ninguém Conta muito mais quem você é. Edson Ricardo Paiva.