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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Que sejamos gratos e felizes Por não saber a verdade da vida Pela nossa humanidade
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Que sejamos gratos e felizes Por não saber a verdade da vida Pela nossa humanidade Que busca e que erra Seja a fonte de calor a luz do Sol Não da verdade Porque na verdade Há mais calor cá, no centro da Terra Seja branca ou vermelha O nome da flor é rosa Seja aquele que reza Não importa a Deus quem se ajoelha O nome do ardor é fé...é amor O fogo que chamusca Coração que busca até Pois que a vida seja Uma procura descompromissada Quem pensa encontrar a verdade Perscruta a verdade pretensa Da mágoa sem cura E nunca mais a busca Vive o resto da vida feliz Sem saber que não sabe nada Escravo da própria humanidade Na procura de quem erra e depois sofre à toa A abelha debaixo da telha é mais feliz Pois a abelha voa A verdade da vida é um mel Que desmancha na boca Como é doce o sabor do que dura pouco! É o remédio que faz doer O saber do louco, a confusão do sábio A ínfima diferença entre o muito e o pouco No íntimo, o distúrbio Nas fibras do teu coração Que bate sem ritmo, a fraterna desilusão A procura da verdade é uma jornada eterna A vida não. Edson Ricardo Paiva.

Há pensamentos Que conduzem nossas mentes A lugares onde
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Há pensamentos Que conduzem nossas mentes A lugares onde a imaginação não chega Como um avião, daqueles de papel Que, uma vez lançado, não se nega a voar Porque não tem vontade própria Tem apenas o céu Mas vão somente até onde o vento os levar Depois se entrega, se aconchega e se deixa ficar uma tarde Uma triste metade assimétrica Uma cópia de felicidade Um voo que não leva a nada E que não chega a revelar nenhum segredo Um medo bobo, uma dor escondida Cujo pensamento, sem muita imaginação Lhe força a mantê-lo guardado Em algum dos muitos lugares desertos Que existem em qualquer coração Assim a vida vai colhendo Pensamento e pensamento em vão Assim se vão passando as tardes A cada tarde, outra omissão Outro alarde mudo, inexistente Ali na mesa ao lado, próximo da gente E isso é tudo Um enlevo Outro trevo de quatro folhas que não foi colhido Só que a vida é bem mais do que isso E tudo é muito mais bonito e mais profundo Podia ter sido algo além...ter ido mais longe Só que estava perto, muito perto Foi só outro avião de papel que caiu Num dos muitos lugares desertos. Edson Ricardo Paiva.

Pedi ao Sol um quente abraço Pedi ao tempo que parasse e olhasse um pouco pra gente
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Pedi ao Sol um quente abraço Pedi ao tempo que parasse e olhasse um pouco pra gente Tentei escrever uma canção Que falasse da lua nova Quando míngua pra crescente Saí à rua pra fazer Alguma coisa que eu há muito não faço e esperei o Sol nascente Saí ao mundo pra fazer Quem sabe, o que nunca fiz Te convidei pra vir dançar na chuva Meti minhas mãos num arco-íris Qual se ele fosse um par de luvas Te perguntei se era feliz Pedi ao vento uma resposta Falei com os companheiros Que me cercaram a vida inteira Agradecendo aos rios Não chutei, nem desviei-me das pedras do caminho Cantei canções para o mar Depois eu dei um abraço no ar Coisas que fiz a vida inteira Por cada irmão que me cercasse e antes que o dia acabasse Voltei pra casa e fiz algo Que desde há muito eu não fazia: Sorri meu melhor sorriso pra noite e desejei bom dia ao dia Mas não me senti satisfeito O Sol no céu Águas no mar O rio no leito A chuva que cai neste canto do mundo Num pranto profundo e na mesma cadência Então eu perguntei à lágrima O porquê da tua ausência. Edson Ricardo Paiva.

O que quero pra mim amanhã Não importa, pois eu quero agora Já passei por coisas demais nesta vida
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O que quero pra mim amanhã Não importa, pois eu quero agora Já passei por coisas demais nesta vida Pra viver de planos e ilusão Pois se ontem alguém perguntasse Onde é que eu estaria hoje Não sei o que teria respondido Pois eu ontem não era eu A vida me ensinou Que não somos donos dos nossos destinos Aprendi a querer a vida pra hoje E se a vida responder de outra forma É a norma da vida Eu vou seguir fazendo sempre o meu melhor Viver à minha maneira Indiferente a opiniões e perguntas Devia ter feito isso a vida inteira Amanhã pode ser outro dia Amanhã pode não ser dia nenhum Não sei nada sobre a poesia que não escrevi Então só posso responder sobre o que fiz até agora Não me envergonho de nada E se houve erros Esses não me pertencem Eles apenas estavam lá Surgiram de escolhas alheias Eu os contornei da melhor maneira que pude E essa vai continuar Sendo a minha atitude hoje Perante a vida Quando a vida te convida a chorar Aceite o convite e chore Pode ser que melhore E depois que melhorar Ria Talvez amanhã seja outro dia Talvez não De vez em quando as coisas não são assim, tão boas Mas foram assim...tão frequentes Que percebi o quanto era desgastante chorar à toa Ainda há tempo, acorda! E escreve teu dia-a-dia Sem nunca esperar glória ou alegria Se ontem alguém me perguntasse sobre a vida alheia Eu, com certeza, não saberia uma linha A vida ensinou-me a viver E ao menos hoje Eu já sei muito sobre a minha. Edson Ricardo Paiva.

Ilusão Que traduz tanta coisa Tanta coisa que traduz-se em não
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Ilusão Que traduz tanta coisa Tanta coisa que traduz-se em não presença que ausentou-se coração que pensa e pensa Pena que nunca acontece Uma espécie de prece, só que desatendida E, se modo não há, de tê-la na minha vida Acordo Sem tirar do coração Transformo em poesia Onde, pra sempre há de estar e de ser Magia da ilusão E sigo em paz, com olhos de perdão Qualquer ausência de paz é segredo Pra ninguém jamais, jamais apontar-me o dedo e dizer que eu não tentei, nem que pra mim tanto faz. Edson Ricardo Paiva.

Eu fico aqui pensando Acreditando Todas minhas dúvidas
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Eu fico aqui pensando Acreditando Todas minhas dúvidas São tantas as que eu gosto Assuntos meus, que creio Coração alheio é campo inóspito Eu fico aqui com pensamentos São só pensares, pesarosos amiúde Sobre um terreno desconhecido Chamado amanhã Pensando em que será que o mundo agora pensa Será que a hora é mesmo de ir dormir Porque sonhos não fazem ruido? Hoje eu vou tentar sonhar Sonhar que eu leio alguma previsão Que diga sobre algum lugar melhor Pra poder guardar a minha crença vã e sem pleno sentido Um lugar melhor Que os campos e terrenos que eu vi neste mundo Até amanhã! Edson Ricardo Paiva.

Nada Que te pode ser tirado Te pertence
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Nada Que te pode ser tirado Te pertence Não pense que Deus fez a vida Pra te dar alguma chance ou uma oportunidade. Deus é um Deus de decisão e de boa vontade Fica tudo que se faz na vida Conta mais o que se fez da vida É semente de flor que não germina É palavra certa na hora errada De nosso na vida... é a vida Luz do Sol, sopro da brisa, o cantar de um pássaro qualquer a hora à toa... e algum tempo de vida A Luz da vida é um sopro, um canto Um pranto à guisa da vontade alheia Volta e meia dando asa à vida Hora inexata, imprecisa A vida era assim, quando era boa de uma hora pra outra ...ela voa! Amor bom, sem destino Era puro em tempos de menino Amor só...só de espera Claro, cristalino Ele era de alguém? Não, não era! Era crer e também bem querer amar alguém Todo aquele que não, também. Pois o coração da gente é uma casa Não tem porta e nem portão Só tem duas janelas O nome de uma é Amor O da outra é Espera Talvez nosso amor seja pouco Pode ser que a espera seja tanta O resumo da vida São só sementes que germinam das flores que a gente planta Muitas serão esquecidas Outras serão lembradas Teu, é o fica Da vida não se leva nada! Edson Ricardo Paiva.

"Bom dia, amiga manhã Ainda quando era ontem Eu te olhava da minha janela
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"Bom dia, amiga manhã Ainda quando era ontem Eu te olhava da minha janela Eu te via exatamente Exatamente naquela hora que você pediu A um bando de pássaros, que cantasse E hoje eu gostaria tanto de pedir-te Que você saísse, pra gente brincar Mas não pra imaginar de sermos nós, manhã e eu Brincar de ser criança, de ser gente Brincar de correr, de um jeito que não se corria antigamente Correr pela manhã até ficar de tarde Correr pela vida, querida manhã Fingir de sorrir novamente Do jeito que a gente sorria Quando o jeito era correr Atrás de fazer a tudo que está feito e consumado Se você quiser sair para brincar de ser passarinho A gente faz um ninho com um ramo de flores mortas Num galho da árvore da vida A árvore da vida torta Pega aqui na minha mão Senta aqui do meu lado, querida manhã Divide comigo meu pão Existe ali na frente um horizonte alaranjado Um Sol que arde e vai arder até perto do final da tarde É sinal que a vida existe, querida manhã Manhã com cara de manhã tão triste Divide comigo Esse fardo de não ser manhã E de não poder nascer de novo, igual você." Edson Ricardo Paiva.

Depois de tudo Há sempre alguma coisa a mais E depois de tudo a mais que veio
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Depois de tudo Há sempre alguma coisa a mais E depois de tudo a mais que veio Ainda tem algo esquecido lá, depois que acaba O mundo desaba, mas ainda não é o fim A gente é que chama assim Pra poder dar nome às coisas Cuja palavra não criou-se ainda A febre insana da semana passada O desejo que virá Lá pelo meio do ano que vem Um beijo na estrela que está distante Se nem o beijo e nem a estrela, muito menos a distancia Nunca foram de verdade É só uma vontade boba e sem importância que a gente tem É só uma sombra que os olhos fazem Uma espécie de arroubo, nada importante Um querer de quem nem quer de verdade Mas que vem, quando se vive E eu os tive todos Pois a vida é feita de sentir vontades E não de fazê-las Só lá pelas tantas é que vê Quanta gente vive sem saber viver Vive a vida de querer, mas acaba louca e infeliz Pois a vontade de saber querer É uma das poucas que nunca quis ter. Edson Ricardo Paiva.

O tempo passa pelos meus sapatos Na calçada, feita em pedra e lama
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O tempo passa pelos meus sapatos Na calçada, feita em pedra e lama Passa, com destino ao nada Enquanto eu passo pela porta Passa a hora pelo lampião de azeite Passa pela chama de uma vela que minh'alma aceite A luz da aurora, a fresta da janela, o dia acorda Nada mais te resta, que senão viver Passa pelo leite derramado Passa e não pelos ponteiros Fica ali, no tosco vidro mostrador Que, fosco, perde o brilho Passa...e dessa vez digo depressa Não se faz passado como antigamente E mesmo que as luzes iluminem As vitrines do mundo já nem chamam mais tua atenção O tempo passa pelo coração que bate O tempo passa e não pelos ponteiros Passa pelo lado avesso, aos olhos de meu pai Depois vai lá, ter com meu filho, que mora distante Corre pela gente, mas de modos diferentes O tempo passa como um raio pela água do café, fervente A gente nem se lembra mais Quantas colheres colocou de quê E quando vê Tá bebendo por engano Aquele, que era de ontem O tempo passa lento aos apressados Que por mais quaisquer segundos que eles contem Perdem momentos aos montes, milhares, sem sequer saber Que a semana de amanhã foi mês passado O tempo passa lento aos infelizes Que impõe crises à felicidade E moldam fatos concretos Pra poder ser infelizes O tempo traz relatos Dando conta sobre um cínico egoísmo E desde que o mundo é mundo Este sim, sempre subiu de patamar E há de durar pelo tempo...que o tempo há de durar Infelizes sim, de fato e até o fim O tempo Passa pelos meus sapatos Na calçada, feita em pedra e lama Ando devagar de medo, pode acontecer de eu escorregar e de cair, cair como a noite Porém Além de perder compromisso O cuidado é todo em vão O preço disso é o passo em falso, o tropeção futuro Abjeto ser, que vem devagarinho, ele vem Não ponho a culpa em ninguém Os caminhos do mundo nunca foram, nem jamais serão Perfeitos como os cegos olhos a trilhar O rumo escuro e fácil, rumo à perdição Esse sim, tem prumo reto, argúcia, perfeição. Edson Ricardo Paiva..

"Existem sim, palavras lindas Mas nós não as temos Como é bem triste pensá-las!
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"Existem sim, palavras lindas Mas nós não as temos Como é bem triste pensá-las! Como é ruim não poder dizê-las! É assim, igual retirar a pérola do lodo E prosseguir ignorando A sutil diferença entre o tudo e o todo Pode ser por isso, que de vez em quando Olhando o céu Lançamos pensamento mudo a Deus." Edson Ricardo Paiva.

⁠Sonhei com a simplicidade Não sei quanto tempo levou Mas o instante durou
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⁠Sonhei com a simplicidade Não sei quanto tempo levou Mas o instante durou O tempo que a vida leva Qual fosse um novelo de lã Num castelo de cordas que se transforma Um menino amarelo que amanhecia Pra depois anoitecer mil vezes Era o cravo, era a treva Vento leve, uma brisa Que sopra a verdade em seus ouvidos Tempestade chega de repente Semente de tempo que a vida leva Sonhei que a vida era coisa singela Era um doce com calda de caramelo Que se vê na infância e não se prova Não se esquece, que renasce como nova, todo dia Porque o viu numa fotografia amarelada Sonhei com a simplicidade Que de simples que era Passa a vida inteira e não se alcança Desiste de esperar e de querer Como quem não quer nada Mas a alma De seu jeito teimosa ela era E ainda a espera calmamente Porque Sonho e vida são coisas que não se junta E tudo se torna muito Muito diferente, quando a gente acorda Pode ser que eu só tenha sonhado Que essas coisas todas não tivessem Esse lado esquisito Essa forma torta como a coisa é dividida Onde há o feio e o bonito O lado de cima, o outro lado O disforme e o quadrado O errado e o quase certo Porque sempre que uma vez desperto Tudo fica complicado A verdade e a realidade Contrastando outra vez com a pureza Da simplicidade que eu sonhava Onde tudo era caro ou barato Era claro ou escuro Mas não tinha passado E nem futuro. Edson Ricardo Paiva.

⁠"Passarinho, fim de tarde Pensamento, Sol que ardia Finda o dia, nunca é mais um dia
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⁠"Passarinho, fim de tarde Pensamento, Sol que ardia Finda o dia, nunca é mais um dia Há um só momento, uma hora boa O gosto de voar contigo assim Breve instante em que eu te olho E vejo em meu pensar à toa Qual se fosse um passarinho Eu trouxe o meu sorriso pra mostrar Você nem viu, não veio Não existe olhar que alcance Passarinho foi-se embora O olhar ao longe chora, ecoa Pensamento não se cansa, voa. " Edson Ricardo Paiva.

⁠Como o vento a entrar pela janela. "A Beleza da vida É o Sol lá no céu
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⁠Como o vento a entrar pela janela. "A Beleza da vida É o Sol lá no céu Numa noite de chuva É saber sentir Quando não houver Sentido e nem valor O que vale na vida é o amor Amar é enxergar a beleza E sentir o seu sabor Na água da chuva que cai Na beleza da noite É olhar-se no espelho Poder ver a sorte Pela imagem refletida Ser somente uma ilusão Por mais bela ela seja Pois a imagem verdadeira É o Sol no céu Numa mente que o veja E que sejam todos nossos sonhos Bem assim Como o Sol que brilha A beleza na vida é o olhar que trilha Confiante Encarar de frente a todas as vicissitudes Como quem sorri perante o espelho E entender que o velho Sol é também uma ilusão Como a chuva que se torna tempestade O que vale na vida é o amor Que se vai, que voa e que evapora E que volta maior quando retorna e que te invade Como o vento pela janela No momento em que transforma a brasa em chama E a chama da vela em nada Nada além de uma vela apagada E teu quarto em escuro Era tudo o tempo todo uma questão de proporção Pense, que o futuro continua a pertencer a Deus Apesar de tua ilusão ao olhar pro espelho Pois, em toda tempestade que cair O Sol vai estar brilhando lá no céu Talvez leve algum tempo pra entender Que a beleza mora lá no olhar Que sorri quando chora e está aqui Mas que olha e não vê. " Edson Ricardo Paiva.

⁠Quantas vezes a gente sorriu sem vontade Enquanto os sorrisos de verdade Se esvaiam pelas portas que a vida fechou
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⁠Quantas vezes a gente sorriu sem vontade Enquanto os sorrisos de verdade Se esvaiam pelas portas que a vida fechou Nas manhãs mais frias que vivemos Quantas vezes atentamos para o fato De que a gente conversava com o infinito Enquanto à caminho de casa E que simplesmente nunca ouvia uma resposta Mas a gente dizia baixinho, mesmo assim Na esperança de que um dia, lá no fim Alguém, talvez escrevesse Num muro que futuramente ainda fosse contruído Mas que esse muro não nos parecesse muito alto Nesse dia não há mais de importar o escrito Mas que pelo menos ainda desse tempo De lançar-se um olhar por cima dele Saber o que existia do outro lado Perguntar à manhã seguinte Por que foi que esteve brava e fria, se ela era tão linda Talvez ela apenas respondesse Que foi só uma impressão de momento Porque nosso coração pareceu tão triste àquela hora E foi por isso que aquele vento Nos trouxe um doce beijo e um forte abraço Daqueles que as manhãs mais frias oferecem A todo coração que chora, em segredo e sinceramente Mas, de olhar nos nossos olhos A manhã sempre sabe onde dói E sabe também onde cabe o momento Do sorriso que se esconde Pode ser que a manhã, por ter te enxergado tão linda Apesar de brava e triste Deixou teu sorriso onde estava Pra você sorrir, quando tiver vontade Noutra manhã de frio cortante No mágico instante em que a vida te abrir uma porta. Edson Ricardo Paiva. edsonricardopaiva.

⁠Eu tanto pensava em colher em vida Um espaço entre quatro linhas Linhas tortas, quiça tivesse
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⁠Eu tanto pensava em colher em vida Um espaço entre quatro linhas Linhas tortas, quiça tivesse Uma horta de flores que Deus me desse Regadas da dor doída, ao longo de uma jornada Eu tanto quis, de querer Um querer que me foi verdadeiro e existe ainda Um simples canteiro de céu Daqueles que nos ensinaram que existia Desses, que eu tanto ensino a quem puder Que eles existem Um pedaço qualquer entre algumas linhas Daqueles, com nome da gente escrito Que ao longo do tempo é que se descobre O quanto era pobre esse nosso pensar Sobre dor doída ou de sofrimento Não era, essas coisas não eram minhas Era apenas sobre toda raiva Que não fosse devolvida Era sobre deixar aqui, quando voltar A todo pedido de desculpas Que devia ter pedido e que não foi pedida Era sobre aprender a enxergar Uma grande conquista Um tanto assim de céu que já temos Todo dia sobre as nossas cabeças vazias Repletas de atmosferas Era sobre saber ver apenas Pequenas coisas que estão bem diante das nossas vistas Pouco importa as flores que cresçam lá Que nem cresçam, que nasçam mortas Gira sobre a complexidade das coisas simples Que tanto nos esforçamos em torná-las complicadas E, no final, o mais nos interessa Não passa de um monte de nada, de todo sinceras É a surpresa de perceber Que agora, quase nada mais nos surpreende São as dores que não mais queremos É o amor que nos ensina a não querer deixar elas aqui Pra que outros também as sintam E essa forma sucinta e profunda de viver a vida É que haverá de regar ou não Os jardins da outra vida Porque tudo sempre recomeça No lugar exato onde termina Esquecer a pressa de sentir-se Triste ou feliz Essas coisas vem E são sempre mais pesadas para quem não quis Quando tudo volta e se mistura E nada mais se encontra É ali que se acha o segredo As flores, canteiros, os medos da vida Uma orquestra de letras e notas misturadas Volta tudo pro universo enorme Com o nome da gente escrito Onde tudo é mais pleno e bonito Quanto mais pequeno E sereno é o pranto Se eu pensar menos em mim A vida é mais simples assim. Edson Ricardo Paiva.

⁠"Tem dias que me acordo Propenso a ter longas conversas Tem dias que eu penso
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⁠"Tem dias que me acordo Propenso a ter longas conversas Tem dias que eu penso Que podíamos Apenas ler os nossos pensamentos Saber das mais pequenas coisas em que pensaria No dia em que você se acordasse e que eu não estivesse ali Indiferente a tudo Que se pensa e que se diz O que conta é a presença A companhia Sobre o fato de a gente estar E enquanto estiver Sentir-se feliz Mas não porque ninguém mandou Feliz porque quis...e acabou! Assim o nosso dia acaba No instante em que a vida versa Sobre sempre terminar igual Indiferente às longas conversas Apesar do sepulcral silêncio" Edson Ricardo Paiva.

⁠Eu paro numa esquina Olhando pros dois lados Se penso em atravessar a rua
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⁠Eu paro numa esquina Olhando pros dois lados Se penso em atravessar a rua Eu olho pras pessoas Elas vem de todos os sentidos Olhares ressentidos Caras boas maldormidas Procurando Tempo dentro dos seus próprios tempos Buscando sós, só um jeito de cuidar Das próprias vidas Buscando suas esquinas pra parar também Todos se vão, se vem, se vão...se vão...se vem Mas não fica ninguém Tão sozinho, olho pro chão E ainda me molho quando a chuva cai Todos eles tem dentro de si, ainda Um pouco dessa coisa linda Cujo nome ninguém sabe Talvez seja pureza, beleza, ingenuidade Pode ser que seja oxigênio numa bolha de sabão Gáz hélio dentro de um balão Coisa gostosa de se ter, mas que não vem; só vai A cada um lhes cabe alguns desses balões Que vão se furar lá no espinho da rosa Parado numa esquina...a rosa vem devagarinho...e fim De espinho em espinho a vida vai modificando a gente A vida, antes tão quente, hoje fria...vazia Toda aquela gente, que vem de todos os sentidos Perdendo às rosas Um pouquinho dessa coisa boa Que deixamos se ficar pelas esquinas Sempre sem querer Sempre que buscando apenas Um jeito de cuidar das próprias vidas Perco a pressa e penso Que é essa a beleza da vida E a natureza de todas as coisas. Edson Ricardo Paiva.

⁠De tanto as folhas crescerem Chega uma hora em que o galho desce Já não existem mais escombros sob a sombra
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⁠De tanto as folhas crescerem Chega uma hora em que o galho desce Já não existem mais escombros sob a sombra Há paz e alegria de sobra Só quem chora é a chuva Mas ela nem chove agora Houve um tempo em que sobravam dias Agonias normais De tanto ver cairem as folhas Chega uma hora em que ninguém repara E de tanto sobrarem dias As horas, feito feras, só se maltratavam Não havia ombro onde chorar Tinha o ar, que se movia Tinha a chuva que molhava, indiferente E de tanto ver crescerem as sombras Chega uma hora em que os olhos secam Broncos, endurecem tanto quanto o pé de amora Hoje, quando a chuva chora, as folhas verdejam E o coração, na paz de um tronco, parece até que nem se molha Agora, a tudo carrega dentro de si De modo, que todo aquele que passa e que olha, não veja. Edson Ricardo Paiva.