Frase de EdsonRicardoPaiva
O tempo passa pelos meus sapatos Na calçada, feita em pedra e lama Passa, com destino ao nada Enquanto eu passo pela porta Passa a hora pelo lampião de azeite Passa pela chama de uma vela que minh'alma aceite A luz da aurora, a fresta da janela, o dia acorda Nada mais te resta, que senão viver Passa pelo leite derramado Passa e não pelos ponteiros Fica ali, no tosco vidro mostrador Que, fosco, perde o brilho Passa...e dessa vez digo depressa Não se faz passado como antigamente E mesmo que as luzes iluminem As vitrines do mundo já nem chamam mais tua atenção O tempo passa pelo coração que bate O tempo passa e não pelos ponteiros Passa pelo lado avesso, aos olhos de meu pai Depois vai lá, ter com meu filho, que mora distante Corre pela gente, mas de modos diferentes O tempo passa como um raio pela água do café, fervente A gente nem se lembra mais Quantas colheres colocou de quê E quando vê Tá bebendo por engano Aquele, que era de ontem O tempo passa lento aos apressados Que por mais quaisquer segundos que eles contem Perdem momentos aos montes, milhares, sem sequer saber Que a semana de amanhã foi mês passado O tempo passa lento aos infelizes Que impõe crises à felicidade E moldam fatos concretos Pra poder ser infelizes O tempo traz relatos Dando conta sobre um cínico egoísmo E desde que o mundo é mundo Este sim, sempre subiu de patamar E há de durar pelo tempo...que o tempo há de durar Infelizes sim, de fato e até o fim O tempo Passa pelos meus sapatos Na calçada, feita em pedra e lama Ando devagar de medo, pode acontecer de eu escorregar e de cair, cair como a noite Porém Além de perder compromisso O cuidado é todo em vão O preço disso é o passo em falso, o tropeção futuro Abjeto ser, que vem devagarinho, ele vem Não ponho a culpa em ninguém Os caminhos do mundo nunca foram, nem jamais serão Perfeitos como os cegos olhos a trilhar O rumo escuro e fácil, rumo à perdição Esse sim, tem prumo reto, argúcia, perfeição. Edson Ricardo Paiva..
No pensador.ai desde