"A Beleza da vida É o Sol lá no céu
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"A Beleza da vida É o Sol lá no céu Numa noite de chuva É saber sentir Quando não houver" Edson Ricardo Paiva.
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"A Beleza da vida É o Sol lá no céu
"A Beleza da vida É o Sol lá no céu Numa noite de chuva É saber sentir Quando não houver" Edson Ricardo Paiva.
"Agora é tarde Não se podem chorar Cebolas descascadas
"Agora é tarde Não se podem chorar Cebolas descascadas Olhos de ontem Eles não são pra sempre Nem podem arder no presente" Edson Ricardo Paiva.
"a quantidade de coisas que ignoramos será sempre infinitamente superior às que sabemos. Isso é fato e não há nada que se possa fazer pra mudar essa realidade." (a menos que você passe num concurso público pra trabalhar numa repartição repleta de marxistas, pois daí você se tor…
"a quantidade de coisas que ignoramos será sempre infinitamente superior às que sabemos. Isso é fato e não há nada que se possa fazer pra mudar essa realidade." (a menos que você passe num concurso público pra trabalhar numa repartição repleta de marxistas, pois daí você se torna o dono da verdade e sabedor de todas as coisas) Edson Ricardo Paiva.
"Estava desde sempre tudo escrito era tudo uma ilusão sem chão que se cumpria à toa e bem Iludir-nos
"Estava desde sempre tudo escrito era tudo uma ilusão sem chão que se cumpria à toa e bem Iludir-nos era a parte que nos cabia. " Edson Ricardo Paiva.
Vida, meu chão Assoalho meu, brilhante Preciso de ilusão por onde eu piso
Vida, meu chão Assoalho meu, brilhante Preciso de ilusão por onde eu piso Energia renovada Excetuada essa alegria Escondida atrás das cortinas do tempo Termina que resulta em nada É só pura realidade É preciso ter coragem Pra atirar tantos duendes à lareira E enxergar que atravessou a vida inteira Pisando sobre um chão feito de estrelas Iguais àquelas lá do céu Eram tudo, a vida inteira, folhas E tempos e ventos e telhados Velhas telhas Nada que nos faça diferentes, nem melhores Que as folhas e as abelhas O chão de estrelas Tinha o mesmo formato das calhas Por onde escoa a chuva, que carrega as folhas Parecia ser bonito Parecia haver escolhas Parecia até ser boa Mas estava desde sempre tudo escrito Era tudo uma ilusão sem chão que se cumpria à toa e bem Iludir-nos Era a parte que nos cabia. Edson Ricardo Paiva.
A noite clara a sombra ilumina A lua se eleva, numa leve claridade Tão breve quanto a verdade
A noite clara a sombra ilumina A lua se eleva, numa leve claridade Tão breve quanto a verdade As sombras se aclaram por uns instantes Verdades de mentira, a mente as cria A noite escura tira a luz, que à sombra iluminava E então, nesse momento, minh'alma repara Que os olhos, quando bem fechados São capazes de olhar pra si mesmos Pode ser que melhor do que antes As noites sem luares são assim Iguais a você, iguais a mim Pode ser que elas peçam canções ao vento também Sobre claro e escuridão Canções sobre o mar e as estrelas do céu Se a gente pudesse pisar lá no chão das estrelas Se desse pra se ver de lá Talvez então soubéssemos O quão longe estamos de nós mesmos. Edson Ricardo Paiva.
Toda ela feita só de tempo Do tempo que transforma a pedra em pó A vida, ela é composta de momentos
Toda ela feita só de tempo Do tempo que transforma a pedra em pó A vida, ela é composta de momentos Alegrias, risos e lembranças Lembranças, como as cartas de um baralho Confusas, imprecisas Um par de olhos indecisos Há sempre um par de olhos Diferentes da poética cegueira Diferentes da cegueira Diferentes da poesia Um par de olhos céticos Diante da eternidade Dessa eterna alternância dos dias Um par de olhos que se vê no céu Na escuridão, na solidão da madrugada Que nos vê quando não podem ser vistos E que a gente os vê, se não nos vêem A vida é toda feita de momentos E um par de olhos, que ela sempre tem. Edson Ricardo Paiva.
"Diferente dos pássaros que foram feitos pra voar e voam
"Diferente dos pássaros que foram feitos pra voar e voam Gente feita pra pensar destoa da multidão, quando pensa e quando pensa ... pensa que voa" Edson Ricardo Paiva.
Foi vivendo bem rapidamente O dedo em riste e as mãos em prece Tem coisa que existe e que nunca acontece
Foi vivendo bem rapidamente O dedo em riste e as mãos em prece Tem coisa que existe e que nunca acontece E quando acontece, é prá lá de distante É chuva que chove muito além desses quintais Nos jardins as folhas crescem, caem, se vão Se vão pelos desvãos das mãos em prece Nos olhos vendados, nos rincões do tempo Parece até que no final deu tudo certo O dedo em riste, o medo escondido O coração deserto, perdido e ainda em segredo Tão secreto quanto um sonho Que, quando acontece, é pra lá de distante Tão longe quanto o minuto passado Vivido tão rapidamente Quase tão desconhecido Quanto uma vontade que passou. Edson Ricardo Paiva.
O Tempo. O tempo é a nossa faculdade De poder sentir o peso do abstrato
O Tempo. O tempo é a nossa faculdade De poder sentir o peso do abstrato E faz saber que o inexistente existe Não pelo amor, não pelo olfato Talvez pelo eriçar, pelo arrepio A milimétrica estrada O serenar de toda rebeldia O vento que a todos circunde Um velho ribeirão Que ainda circule ao nosso lado e ninguém veja O dia a dia O nada que a tudo esfria Um bule no fogo apagado Um deus impiedoso e exigente Que leva da gente uma imagem de espelho Nos põe de joelhos...nos tira Todo sangue, todo riso e toda poesia Todo mal necessário A tudo que for fundamental Mas que não for preciso Uma alternância inevitável entre calor e frio É alguém que vemos mais de perto Quanto maior for a distância É montanha e desmorona, e que se faz ravina O vento a varrer as rochas O rio que não se acumula O findável que não tem fim E que é, enfim, a toda graça da vida Quando o olhar um dia aprende a ver sua medida Pois não há régua que o meça É água lenta, sem pressa Assim é o tempo que se passa. Edson Ricardo Paiva.
Me pergunto se imaginaria Numa tarde qualquer Limpando a fuligem da vida
Me pergunto se imaginaria Numa tarde qualquer Limpando a fuligem da vida Não saber-lhe a causa Sem querer saber-lhe a origem Nunca mais fixar-me no assunto Eu, a vida e os calendários de papel Papel que queimou quase sem razão Pela simples razão de ser feita de papel a vida Hoje, rabiscada e corroída Já não dá pra entender quase nada Coração se cala de papel passado Que de tão passado se queimou, virou fuligem Ao tentar deixar lá no passado da gente É que então se percebe Irremediavelmente junto a nós Para um dia cavalgarmos juntos Numa estrela sem céu De outro céu sem estrelas Mais um, de tantos que a vida deu Quão distante a alguma madrugada Rumo a uma tarde qualquer Limpando a fuligem Sem sequer saber se me perguntaria. Edson Ricardo Paiva.
Outra vez é noite alta é madrugada Eu acordo do nada
Outra vez é noite alta é madrugada Eu acordo do nada ou de um sonho ruim Eu procuro com os olhos no escuro O meu velho fantasma que em criança me fazia medo Num tempo em que sonho era sempre algo bom e que eu tinha tanta vontade de sair pra rua e viver a tudo que eu vivi Eu queria tanto acordar quando já fosse dia Perguntar pra minha velha assombração aquele medo bobo, que me protegia De criança que chora por alguma falta Não sentia essa falta de ar, que eu sinto agora Qual era a tua sensação Por que foi que sumiu Que segredo guardava sobre mim e de onde vinha o cheiro de hortelã Combinado à brancura das vestes Só restaram perguntas A fazer pra quem me guardava e nunca mais voltou Num tempo em que eu me deitava E, sem medo nenhum dessa vida Eu dormia até a próxima manhã. Edson Ricardo Paiva.
De vez em quando Pode ser que aconteça Com certeza algumas coisas
De vez em quando Pode ser que aconteça Com certeza algumas coisas Elas hão de acontecer Fique atento, pra afastar da cabeça A ideia triste de que algumas coisas Elas são pra você Algumas delas haverão de ser Mas somente as belas coisas Aquelas que a gente espera uma vida E, que no momento exato Em que a vida convida a sorrir Pode ser que você se encontre aborrecido e pensando que tá tudo errado O mundo te sorri, mas você nem vê E quando vir alguém chorando Fica ao seu lado em silêncio, ampara-lhe as lágrimas Mas jamais diga a alguém pra que não chore Pois o choro, às vezes, é um grande alívio E algumas pessoas sentem tanta dificuldade pra chorar Que pra elas seria simplesmente um desastre Ter pensado que podiam chorar em sua presença E é possível que as lágrimas de uma vida Nunca mais elas voltem, uma vez engolidas Quando pensar na tristeza Não formule nenhum pensamento que te faça vê-la Existem coisas que vão te acompanhar a vida inteira Mas é preciso viver uma vida, antes de sabê-las Há estrelas de primeira grandeza no céu Mas algumas delas estão quase tão distantes Quanto a margem do outro lado do rio Se esse rio não possui uma ponte É tudo uma questão de ponto de vista e proporção Porque cabe tudo num pequeno pensamento Um sonho breve, um momento Não há mãos que alcancem uma ave no céu Assim como não pode haver olhos Que, por mais distante vejam Alcance ou tenha chance em vêr Tudo que mãos vão tocar E mesmo assim Não há mãos neste mundo Que possam sondar ao que existe de mais profundo Num lugar longe que existe Que se chama, coração da gente Que parece perto Uma planta que cresce no jardim da casa ao lado Cujo muro é muito alto E morre e seca e vira lenha, sem se ver É uma questão de ponto de vista Porém, quando pensar assim Fica com os olhos fechados Se não for a hora de ampararem teu pranto Fica no teu canto e chora Chora tudo que houver pra chorar Chora tudo, até o fim. Edson Ricardo Paiva.
Depois que a chuva se for Que sejam as coisas assim Como aquele céu leve e pesado
Depois que a chuva se for Que sejam as coisas assim Como aquele céu leve e pesado De montanhas cinzas, flutuantes E que nunca mais elas estejam Do jeito que são agora E que aquele peso que nos mantinha A todos presos num momento eterno Num morno inferno, como era antes Uma esperança que não se encaixa A visão de um barco que navega A gente aqui, de longe olhando Tanta amplidão de infinito Da chuva que se vai, se foi O Sol se esconde atrás da nuvem Nuvem que se oculta Atrás da linha do horizonte O barco que também se foi Restando apenas uma espécie de saudade Igual aquela que o circo deixa Bela, alegre, suave Mas que, com o passar dos dias Se faz em grave melancolia E é por isso que as coisas são Do jeito que são agora. Edson Ricardo Paiva.
Plantei-me uma semente de silêncio Em meio a uma floresta De outros pés de sons intensos
Plantei-me uma semente de silêncio Em meio a uma floresta De outros pés de sons intensos O silêncio, que era bom, vingou Germinou como quem nasce Se plantado em lua crescente Desde então, esse só cresce Incessante, insistente Chega até dar medo O outro nome que a isso se empresta é pé de segredo O silêncio, se é que eu sei Não tem nenhum compromisso Não tem lugar onde chegar, nem idade Pois desobedece o tempo É uma planta temporã, sem lei Pode ser que, se plantada de manhã Se agigante Pode ser que se atrase Talvez pareça até ter fases Da lua, pra que cresça O nome disso é verdade Pode parecer que sim Pode parecer que quase Mas no fim Um dia, numa madrugada fria Quando todo mundo Tá incauto e dormindo O silêncio dá seus frutos: imbróglios São tantos Que os outros dez mil sons se calam Fingem mudos, se embalam Olhos astutos, mudos lábios Mono silêncio, uníssono É quando esse som grita até Chega a ser bonito de se ver E não se ouvir. Edson Ricardo Paiva
Quando você pede Um pouco d'água ao universo E ele te responde numa tempestade
Quando você pede Um pouco d'água ao universo E ele te responde numa tempestade Sinta satisfação por esse momento Saiba, que por pouco que te caiba Ele pede em troca ao menos tua sede Não basta ter coragem de querer É preciso encarar teu medo Teu receio de ser ouvido Se teu meio é deserto Creia, que se um milagre te escapa entre os dedos Amanhã pode ocorrer Que a tua realidade Sejam lágrimas que evaporam Ao silêncio se responde com silêncio, às vezes Mas nem sempre há quietude Pois a dor mais triste que há na vida É que a diferença entre o sonho e a realidade Não existe...mas ao mesmo tempo há de ser enorme Acontece assim, conforme a tua crença Porquanto, se não tem coragem ou sede Quando olhar pra primeira estrela da noite Quando olhar pro céu da madrugada Nada queira, nem pede nada. Edson Ricardo Paiva.
Nunca se prenda a nada Nem prenda nada a você Aprenda que o certo é deixar partir
Nunca se prenda a nada Nem prenda nada a você Aprenda que o certo é deixar partir Que teu coração seja deserto E que tenha saída Mantenha sempre aberta Uma porta de entrada Mas, lembre-se Que pra tudo existe sempre Um outro ponto Este, o de partida Assim como toda criança Que se despede pra brincar na rua E que nem sempre te escuta Até que um dia, ela nem te ouve mais E dessa vez ela parte, mas pra vida adulta Aquela que você foi um dia Nem essa jamais foi sua Mas há de sempre regressar Por aquela porta aberta que você deixou Deixe-a Deixe que ela venha pelo menos de manhã Mesmo que ela venha cada vez menos Assim como há pureza No café que sempre fica No fundo de uma xícara que você põe Debaixo da torneira que goteja E que vai perdendo a pureza A cada vez que uma gota cai Que teu coração seja assim Porque no fim, tudo muda O ponteiro, a goteira, o movimento de rotação Algo sempre oferece ajuda A planta cresce, a folha cai...tudo se vai Exceto a sua essência, a parte mais bela da vida Permita que ela sempre volte pra te falar das coisas Se ela ainda é ou se não é mais aquela Que teu compromisso seja sempre em deixar partir Assim é a vida, no fim a gente compreende Que isso não chega a ser tão triste E que não existe outra opção Mas deixe uma porta aberta pra ela Pra que assim as coisas venham Sejam belas e depois se vão. Edson Ricardo Paiva.
Parece que um vento de outono Com folhas da mesma estação E aquelas tardes de mesmices
Parece que um vento de outono Com folhas da mesma estação E aquelas tardes de mesmices Vem arder no coração Pra mostrar que deixaram uma certa saudade Daquelas, que se leva tempo a perceber Mas elas vem, porque Sempre há de soprarem Vazios, que te fazem ocultar a tantos rios Rios guardados num lugar que só se sente Quando o outono varre as folhas Que só sabe, que só sente Os olhos que guardaram essas imagens Paisagens que a vida escondeu Num lugar assim, pra lá de especial Perdido, escondido Aqui, no coração da gente. Edson Ricardo Paiva.
A gente tenta entender Tem horas que parece até Mas a vida, essa é senhora do silêncio
A gente tenta entender Tem horas que parece até Mas a vida, essa é senhora do silêncio Dona da verdade Na paz dessa oportunidade de calar ou não E de novo a gente morre De novo e de novo e de novo Morre dessas coisas que te vem do coração E que te corre sem sangrar Que te sangra sem que se perceba Te vai numa oração que também morre Sem subir aos céus Oculta atrás de um véu Na tristeza que outra vez se oculta Na beleza das palavras por dizer Que na verdade, elas também são ditas No segredo da oração que não se escuta Mortas, mas também bonitas. Edson Ricardo Paiva.
Sós, sob o Sol Assim que todos nós nos sentiremos Após muitos sóis
Sós, sob o Sol Assim que todos nós nos sentiremos Após muitos sóis E depois de uma porção de céus Não, a vida não foi tão breve assim Nem todo céu tão leve O segredo do deserto, que de perto é nada é só saudade do silêncio que me viu passar Um lugar perfeito, todo feito de verões Onde Juntos caminhamos Pouco importa, estamos sempre sós Se fizemos coisas importantes Sem deixar nem sombra Nem lembrança e nem certezas Nada que se vê, não temos É só uma nuvem de pássaros a vida Que se espalha, se desfaz Chegam perto de vez em quando Até parece que nos toca e segue a vida Chega um dia em que ninguém Nem chora mais, ensimesmados Deixa de lado, se vai como um embriagado Desiludidos dessa falsa embriaguês Uma estrada descalçada, ilusória Estrada só...sob o sol que brilha Uma trilha escura, falsa iluminada Deserta, que de perto é nada Só o silêncio da saudade Que teve um dia uma ilusão de ver passar. Edson Ricardo Paiva.
O tempo que te faz pensar No tempo que te resta, pra poder pensar Pensar naquilo que te faz doer
O tempo que te faz pensar No tempo que te resta, pra poder pensar Pensar naquilo que te faz doer Que te faz, de vez em quando, ver Na paz que nos traz a cegueira À hora costumeira, quando a vista falha Que se enxerga de tudo ao avesso Que se faz de cego a tropeçar nas tralhas O tempo que te faz seguir a própria trilha Compreender que há um preço a se pagar por tudo Desde as pétalas aveludadas Da rosa, cujo tempo há de fazer em espinho A laje pesada de pedra moída A lousa apagada, o senhor da razão que a escreveu Mãe de todas as virtudes O ninho, o caminho, a alegria e a vida A areia da praia, que a gente sonhou pisar Sozinhos, de mãos dadas, cada qual a seu tempo Um sonho a se sonhar Quando um beija-flor te fala, só de vê-lo Batendo-te as asas Te chamando a partilhar o mesmo teto A mesma casa Um repetitivo e eterno som que vem de perto Olhando ao redor, é deserto...é tão longe Na vida, quem pode te mostrar o errado ou certo? O tempo que passa, que corre e morre junto À graça da vida Grata, ingrata vida Que tanto um dia pediu Pra ser assim, por igual dividida E ela foi, porém...pra mal. Edson Ricardo Paiva.
Você nunca mais poderá estar lá Mesmo estando nas quaresmas As mesmas coloridas
Você nunca mais poderá estar lá Mesmo estando nas quaresmas As mesmas coloridas Granulosas, do início das nossas vidas Hoje surge um novo Sol Sendo ainda o velho Sol de sempre Daquela hora linda, mas que a gente esquece Quando Deus criou o acaso E a semente germinou num vaso Como coisa que acontece Como talvez nunca mais Nem natais, nem carnavais Dois dias iguais na semana Pensamento que perdura De um momento que se nega e que nunca acontece Uma rede de pescar, correnteza levou Deixando a saudade de olhar Que de olhar se via Eram horas iguais no mesmo dia Onde eu estava e pra sempre vou estar Fica a escassez de detalhes a esbanjar riqueza Pra sempre estaremos ausentes Fica aqui a dor que se sente e pela qual se vive Igual a tudo que se foi Mesmo sem jamais ter sido. Edson Ricardo Paiva.
"Se a hipocrisia matasse, nem precisava de vacina: o vírus morreria era de inveja!" Edson Ricardo Paiva.
Havia uma nuvem pintada Numa parede da minha infância Eu olhava pra tela e pensava
Havia uma nuvem pintada Numa parede da minha infância Eu olhava pra tela e pensava Que nuvens pintadas não chovem Não se movem com o vento Não matam a sede e nem fazem crescer as flores Passa o tempo, isso arrepia! As pessoas partem noutras nuvens frias E as imagens que trazemos Vivem à margem dessa nossa realidade Mas, como eu disse, o tempo passa Enquanto isso, nós passamos juntos Apesar de juntos, sós As nuvens de verdade, elas choveram todas Num ciclo eternamente interminável O mar arrebenta Mas aquela velha amiga nuvenzinha Ainda ostenta a mesma idade Meu Deus, se ela me visse agora Talvez fosse a vez dela, então, se perguntar Por que é mesmo que as pessoas choram Por que o tempo não demora um pouco mais Mas, cada coisa tem o seu lugar no espaço e no tempo Hoje, logo cedo, os dois sairam pra brincar Lembrança guardada Se meus braços te alcançassem Se hoje meus olhos te vissem Como a vejo em meus olhares Hoje eu te diria, minha amiga nuvem Que é bem pouca a diferença Nessa dimensão, cá onde estou O tempo lento passa mais depressa Chego mesmo a ter a impressão Que ele, cruel, nos atravessa Enquanto isso, você No perene silêncio do seu céu de nuvem pintada Atravessou comigo um universo e a vida Choveu nos meus dias Regou sim, muitas flores Em cada poesia que eu lia, era ela Soprando, nos ventos que as moviam E foram muitas as sedes saciadas Sim, de alguma maneira e apesar da distância Também veio junta Desde aquela vez, na infância Pois não há nada na vida Cuja função seja nada. Edson Ricardo Paiva.