Pular para o conteúdo

Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Eu gosto de andar sem rumo Mas eu sempre guardo o caminho E quando sozinho, imagino
Continuar lendo

Eu gosto de andar sem rumo Mas eu sempre guardo o caminho E quando sozinho, imagino O que será que eu poria no meu destino Se acaso eu pudesse ser Deus Pois sei que minha vida aparenta um caos E que toda escuridão do mundo Não esconde os meus passos E agradeço a Deus Por não permitir Que eu tropece Quando caminho Sozinho e sem rumo No prumo dos Seus escritos Traços tortos É o preço que a vida exige Pra gente poder Caminhar descalço No passo da dor, que corrige E sempre guardo o caminho Sabendo que não vou voltar Confesso meus medos Ao ar que me rodeia Assim me acostumo Como de costume A manter-me no rumo Distante de o Saber Imagino Quantos sonhos sonhados Será que seriam meus Quantos passos apressados Ficaram guardados na areia Qual a luz verdadeira das luzes que vejo Desvenda a verdade distante E me pergunto O que será que eu deixaria Em meu caminho Se eu tivesse a qualidade de pensar o que pensa Deus Por um único instante. Edson Ricardo Paiva.

Não importa em nada A intensidade ou a quantidade Se é fútil a existência
Continuar lendo

Não importa em nada A intensidade ou a quantidade Se é fútil a existência Inútil o questionamento. E quanto mais você quer e tenta Com que as coisas sejam do seu jeito Seja ele qual for Parece que algo acontece E o mundo, então Amanhece imperfeito ainda Com o tempo você entende Que não importa em nada A quantidade de pessoas Que cruzem os vossos caminhos Em algum momento Elas vão querer Estar sozinhas E sempre terão ideias Diferentes das suas Discordarão de você Pois, assim como a todo mundo De vez em quando, elas se sentem À beira de um imenso abismo Escondido No lado escuro e triste Que existe dentro da alma Penso que a vida é uma missão E todos, sem exceção Tem dívidas a ser resgatadas Dúvidas não respondidas E as respostas que procuram Estarão, em parte, no mundo E outra parte dentro de si mesmas De repente você percebe Que o fato de estar sozinho Não significa exatamente solidão Assim, como a fria presença de quem só pensa em si mesma Não chega a ser companhia Por isso é desimportante Que a gente pergunte ao mundo Lembre-se que Se você pudesse voar, voaria Voava aos confins do Universo Consumindo a si mesmo Pra descobrir que a resposta Jamais esteve escondida Eis que uma porta se abre À tantas perguntas Que agora parecem-te tolas Um dia a existência do nada O lírio do campo, a migalha Salta aos olhos Quando a diferença Entre um rei e o cretino Não é ouro, nem vitória ou batalha enaltecida nascimento ou destino e nem glória A alma nobre e majestosa Atravessa uma vida E poucos serão os olhos A que se faz reconhecida Mas isso, é uma outra história. Edson Ricardo Paiva.

Não se pode segurar o tempo É difícil saber A maneira certa
Continuar lendo

Não se pode segurar o tempo É difícil saber A maneira certa de prender a vida Assim como a tudo Que nela houver Mas, numa tarde qualquer Acontece de olhar O vento e a chuva na janela E guardar no coração Que nem magia A chuva que caiu naquele dia Mesmo sem perceber A gente vai vivendo E não enxerga o quanto é triste O olhar insistente A buscar somente O brilhar da prata Um tosco brilhar que ofusca A arte da luz do Sol Que parte e que se reparte Numa humilde bolha de sabão E flutua leve, ao sabor da brisa Mas a pressa de viver Não deixa ver Que é dessa simplicidade Que a vida precisa E vai ficar eternamente Se a mão da gente Pesar feito pluma Só então se aprende A repartir a vida Igual o brilho da espuma Parte a luz Com força suficiente Pra dividi-la e deixá-la ir Muito tempo se perde Até que se perceba Em quanto poder existe Quando a força da mão é leve Então O dom de prender a vida E vivê-la feliz Grato a tudo que nela houver Veja que não importa O quão breve ela seja. Edson Ricardo Paiva.

Não sei dizer quase nada Sobre a beleza da vida Também não sei falar de tristeza
Continuar lendo

Não sei dizer quase nada Sobre a beleza da vida Também não sei falar de tristeza Cada dor habita um dia E mesmo que a dor seja dor Ele sempre evita Doer além do permitido Pra que assim ninguém perceba O corte, a ferida, a quase morte Que permite transformar a vida Em quase vida Não sei dizer nada também Sobre a beleza de uma quase vida Também não sei falar de alegria Cada riso habita um dia Mas o riso jamais evita Alegrar além do permitido Pra que assim a gente perceba O corte que sara A dor que cicatriza A alma que não se vendeu, Jamais se entrega E se nega A prosseguir vivendo a quase vida Pois sabe o valor que existe Na simplicidade do dia que corre O dia é um lugar no tempo Onde a alma que se diz insatisfeita Rejeita a alegria pequena Porque quer sentir-se plena Quando "plena" é plenamente Uma palavra sem sentido, que a escraviza E morre, sem fazer nenhum ruído. Edson Ricardo Paiva.

A vida da gente É um labirinto Que pode ser que seja breve
Continuar lendo

A vida da gente É um labirinto Que pode ser que seja breve E pode ser que o veja imenso Mas é tudo ilusão Penso que há Quem tenha passado por ele Na desenvoltura de um sonho leve Há quem o apenas transforme Numa enorme moldura de espelho Sem noção do próprio orgulho Pra ver a si mesmo perdido A vida pode ser um Céu Repleto de ventos mornos Carregado de estrelas brilhantes Pode ser um jornal que se lê Simplesmente um tribunal Repleto de juízes, cadafalsos Um estábulo, um patíbulo e acusações sem perdão Ou então pode ser que seja Um lindo jardim florido, onde há Sol. Um pasto de capim a ser comido Uma cama sem lençol Um bornal de mau-caratismo Um abrigo, um abísmo Um vasto caminho Onde estamos todos perdidos Eu, buscando alguma saída Enquanto a minha própria vida Simplesmente espera por mim Porém, num ver mais profundo Ninguém vive mais que uma vida A vida é vivida no mundo O mundo uma estrada A estrada uma esfera A vida é uma espera Onde nada, absolutamente nada Um dia não chegue ao fim. Edson Ricardo Paiva

Era quase que assim Um leve tremor de terra Prenuncia o apito do trem
Continuar lendo

Era quase que assim Um leve tremor de terra Prenuncia o apito do trem Só que quase ninguém percebia O sermão durante a missa A igreja tão cheia E quase ninguém ouvia Quanto ao resto da vida Não o sabe até hoje Da secura na boca Calma, aguda, iludida Muda algia rói alma Carece de companhia Um tanto menos pernóstica Só fantástica e desabrida O contrário Era um jeito de olhar o Céu Enxergar nele a vida Um tanto profunda e de olhar esquecido Quem lhe visse podia jurar Era antes pequeno desejo Jamais um pedido A vida meio vazia A outra metade era vida No outro dia tanto faz A semente bem regada Cuidada por cuidar Pois de lá não saia nada Assim era tudo Enfim, um saber calado Um verso oculto Cujo vulto do tempo Escreveu apressado Se está fora de lugar O correto é cair Equilíbrio é o silêncio que faz A vidraça parecer escura A paz que precede a chuva Sempre que a chuva vem A água evapora A alma cura Entretanto ela chora Tempestade, água turva A curva do rio, a lagoa Fatalmente o ponteiro, a hora Por ora, balaio no chão Canta muda A canção silenciosa E somente o coração escuta Roupa suja, varal Ensaboa um sinal da vida Outro aceno do mundo Desalento um segundo Quando meio segundo é momento A saber Água limpa Não lava alma turva Acredite em não crer O saber de cada receio Escondido em gavetas Espalhado pelo imenso mundo Se contar nos dedos A qualidade de tantos medos Reais e de faz de conta Um mais um, às vezes são dois Mas, de vez em quando, não É aí que mora a diferença Entre pensar E pensar que pensa Olhar e saber na hora Àquilo que vem Sem demora. Edson Ricardo Paiva.

Eu penso Nas cores dos pensamentos Quando poucos de nós as vê
Continuar lendo

Eu penso Nas cores dos pensamentos Quando poucos de nós as vê Penso também Nem sabermos dizer Sobre as cores que as coisas tem Mesmo se acaso as virmos Penso ser muito triste Ter o tempo se arrastando De vez em quando Uma estrela cai lá do Céu Ninguém faz um pedido Perdendo pra sempre O tempo que foi perdido As cores estavam lá Nuvem branca passou Sete Céus pintados de azul O vermelho do pranto Uma gota prateada, ali num canto A luz se apagou Sem traduzí-la as cores Nem calor pra secá-la Só cinza-escuro dos pensamentos a conduzir Em brancas nuvens Tantos pés, onde não querem ir As cores dos pensamentos Finalmente prosperam Em algum momento da vida Assim o quiseram. Edson Ricardo Paiva.

Existem tantas palavras Palavras que não se diz e, se as virmos escritas
Continuar lendo

Existem tantas palavras Palavras que não se diz e, se as virmos escritas Parece que cava Uma cova no peito E cresce uma trova bonita E enleva a alma de um jeito Pra durar depois da vida Que a gente queria sentir e não sente Não sente porque ninguém diz Palavra feliz de dizer Quando a gente olha direito É fácil saber o fácil É tudo que nem todo mundo É capaz de fazer Outro igual, nem parecido Explícita sutileza, ao mostrar o sentido Parece uma coisa à toa Adornada com laço de fita Que ecoa na alma... tão boa ela era Mas era somente uma palavra Simples, feliz e bonita A que nada imita Passou-se uma vida Bastava fazer-se ouvida Era só dizê-la Escrevê-la Pra num verso recitá-la Num gesto tão simples A gente o recita Mas o simples Simplesmente é resto Difícil demais traduzir em palavras Que gente não diz E se diz, parece que sente Ter deixado de ser gente A palavra é uma semente Simples, feliz e bonita A ser plantada Numa cova que se cava Ali no peito é por isso que existe uma lista de palavras que nunca são ditas. Edson Ricardo Paiva.

Poesia Sutil. Eu penso ser muito bom O fato de a flor não saber
Continuar lendo

Poesia Sutil. Eu penso ser muito bom O fato de a flor não saber Pois, se a flor dedicasse atenção À tamanha admiração daquele que a fita Pode ser que aconteceria de a flor então desejar Querer ficar mais bonita A estranha rareza a que se busca Alçada no ver da vaidade é beleza irreconhecível Pois o olhar da cobiça a ofusca Conduzindo almas perdidas Nos caminhos da ilusão Felicidade ... rara; querida! Pobre plágio de alegria A transforma num fácil jogo E vem a falsa impressão de estar dando as cartas Farta-se em vê-las perdidas Difícil esse jogo da vida Perceba a felicidade em andrajos vestida Fingindo desenxabida Morando na casa ao lado Simplicidade é ter um valor Invisível aos olhos de ver Que nem ao menos pára para iludir Infinita ... reluzente Milhões de vezes mais cara Real essência da vida Modesta, invisível Contrasta ao que não se basta Do desejo em possuir Àquilo que a alma enleva Palavra jamais aludida Uma entrave obsessiva Insistente em mentir pra verdade Suave arremedo, perdida Enquanto a beleza mais bonita É o fato de a flor Ser bela sem o saber A beleza mais bela da vida É aquela que a gente não vê. Edson Ricardo Paiva.

Eu quero a chuva Num dia de Sol No mesmo Sol
Continuar lendo

Eu quero a chuva Num dia de Sol No mesmo Sol De uma manhã de inverno Eu quero a sorte de noite estrelada Que seja hoje e de novo amanhã Calor de Sol Numa blusa de lã Espero A curva lá da ventania Eu quero vida na vida E se eu pudesse querer Outra coisa qualquer Desejaria que ela fosse Linda Linda como a chuva Num dia de Sol. Edson Ricardo Paiva.

É bonita demais A dádiva sutil, concebida Ela, às vezes se achega
Continuar lendo

É bonita demais A dádiva sutil, concebida Ela, às vezes se achega No mais cortante frio da madrugada Aquela que traz a certeza Adquirida no dizer das nuvens Levemente sussurrado em meus ouvidos Eu jamais precisei Ser a mente mais brilhante Basta-me a alma sensível A paciência e o correr dos dias Meus olhos de criança sabiam Que vai-se a beleza da viçosa flor Mas a lembrança da alegria verdadeira No momento em que foi ofertada Se esta não permanece Todo resto é dor guardada Eu digo à poesia que a leve no leve sussurrar do vento Pois tudo não passa de momento E a pressa de viver A tudo inverte Felicidade é uma flor Que precisa ser regada O ato de viver É de fato interpretar o escrito Em versos simples e bonitos Na mais clara maneira Com que a vida os compuser As janelas do mundo O tempo da tarde esquecida Um corpo sem alma É nada A alma num copo é vida. Edson Ricardo Paiva.

Se fosse apenas O lançar um olhar ao mundo Mas tem sempre alguma coisa a mais
Continuar lendo

Se fosse apenas O lançar um olhar ao mundo Mas tem sempre alguma coisa a mais Uma espécie de indiferença velada A pergunta que germina da resposta Quantificada na imensa quantidade das eternas reticências Que cada um de nós a guarda Em silêncio profundo Que diz que não vai dizer mais nada Pois o mal não vem daquilo que faz mal Ele só reage de maneira diferente de gente pra gente, quaisquer sejam elas Eternizando a alguma coisa Que não encaixava e não cabia e sabia que estava lá Igualando desiguais, tem sempre algo mais No invisível voo da Quimera Flutuando em seu mais baixo nível Te aguardando, sem demonstrar jamais Que mais e mais ela te espera O que conta é o que tivemos desde sempre Escondido e sem fazer ruído Em algum lugar dentro de nós mesmos E que a gente morre Sem nunca saber o que era. Edson Ricardo Paiva.

Por algum tempo A gente ainda vai poder Sentar-se à sombra da velha árvore
Continuar lendo

Por algum tempo A gente ainda vai poder Sentar-se à sombra da velha árvore Talvez perceber que as folhas do ultimo verão Se foram no outono A gente necessita somente do bastante a abater a fome Mas tem sempre uma sede A que nada sacia E lá se vai a alegria de viver Troca tudo por sonhos Briga pela prata que não leva E quando encontra Não percebe que a procurava Aposta na sorte traiçoeira E espera passar mais um tempo Pra que as coisas fiquem no lugar Quando o lugar de tudo Era o tempo que se esvaia A estrada onde o Sol se põe Que compôs a vida Meio cansada e metade arrependida Pois a essência da vida é indivisível E a vida é sem graça, se não for dividida Descobre que é possível A viagem no tempo Mas o tempo só corre pra frente E corre mais e melhor que a gente. Edson Ricardo Paiva.

Árvores não deram frutos O mundo semeia insatisfação E colhe satisfeito, o resultado
Continuar lendo

Árvores não deram frutos O mundo semeia insatisfação E colhe satisfeito, o resultado Veja que a terra não pedia nada São de Deus o Sol e a chuva Sem esperar a gratidão do mundo Não é Deus quem põe a mesa farta Só oferece o trabalho e a vida Mas o engano planta ingratidão E transforma a grande obra Em mero esboço Proclama a terra infecunda O ingrato olha a tudo que recebeu E declama que apegou-se a um osso Os porcos buscam milho e farelo Que o diabo, travestido, espalha Pobres almas prostituídas Desertam das missões da vida Fartando-se da vilania Furtando-se aos compromissos Pra depois mirar-se no espelho Sem rosto vermelho ou enrubescido As árvores não suplicam gratidão ao mundo E não mentem, dizendo Que foi obra de Deus planejar tudo isso. Edson Ricardo Paiva.

A maior alegria que existe É a de não saber-se triste Receber calor do Sol
Continuar lendo

A maior alegria que existe É a de não saber-se triste Receber calor do Sol E boas recordações Que haverão de vir no inverno Receber de bom grado A tudo que vier Tristeza há de vir também E passar Vai passar sem ser vista A eterna alegria Não é algo que se conquiste Se algum dia que a tristeza vier Eu me agarro à alegria Que estiver mais perto Decerto essa vez A tristeza nem vai perceber O quão triste me fez. Edson Ricardo Paiva.

Um dia Deus fez vários mundos Cobriram o nosso com lona Todo dia agora é circo
Continuar lendo

Um dia Deus fez vários mundos Cobriram o nosso com lona Todo dia agora é circo Eu fico aqui da plateia Sem ter a pálida ideia A quem devo aplaudir primeiro Eu olho a cena como um todo E a mim mesmo como um tolo Apenas a qualidade da luz varia Pois o tempo torna o brilho fosco Tentei escrever poesia Sem querer falar de amor E nem nada que fosse assim Tão tosco Com todo respeito Ao palhaço que um dia fomos Não há mais espaço pra riso Só máscaras e máscaras de caras bonitas e gentes ruins e trapezistas e gente que come fogo Por causa do aplauso do mundo Tão cansado de não rir Logo ... eu faço questão de aplaudir. Edson Ricardo Paiva.

De tanto querer possuir brilho de estrela Em vez de ser
Continuar lendo

De tanto querer possuir brilho de estrela Em vez de ser Apenas gente Fez brilhar Seu brilhar mais ruim E de tanto querer Navegar ou voar Afogou-se No ar que respirou Em vez de viver A vida que trouxe Na própria bagagem Assim que desceu do Céu Foi querer navegar E voar para Céu Pra ser mais uma estrela E depois olhar de lá descobrir Que tão bela era a vida da qual declinou E tão boa era a pessoa Que podia ter sido e não quis. Edson Ricardo Paiva.

O Labirinto da Alma. As coisas Elas sempre são
Continuar lendo

O Labirinto da Alma. As coisas Elas sempre são do jeito que as coisas são Pode até parecer-te redundante Mas é algo a entender no final Interessante é o sentido Intenso E que de alguma forma Você sempre procurou no ruído do silêncio A lava incandescente Que você pensa escondida Sob a paz aparente da rocha perene A estrela na ponta dos dedos E em segredo reluz, lá no Céu A alma humana é um lugar Um labirinto que esconde As peças de um quebra-cabeças Que ninguém jamais Poderá montar ou remontar completamente Simplesmente porque as peças Já estavam no lugar desde o início Mas você Na sua ânsia pela vida As espalha Pro depois declará-las perdidas É por isso Que desde o tempo da infância Tem gente que fala E tinha a gente, que não entendia de que havia muita coisa Pra aprender com as crianças A máxima desse paradoxo É que só depois de percorrer o labirinto A gente percebe as informações Que por parecerem redundantes A gente deixou passar Pra mais tarde descobrir Que a chave da porta Sempre esteve no mesmo lugar dentro das nossas casas Mas a imaginação Com suas impiedosas asas Nós leva a pensar Que estavam lá no quintal E são infinitos Os quintais existentes no mundo E imensos portões Que admitem apenas a saída Uma vez a pedra lançada A alma arrependida Lição aprendida Não há que fazer mais nada Após a palavra falada Pois as coisas, elas são do jeito que as coisas são Um dia uma dor aborrecida Vem doer dentro do peito Mas veja que você Só vai perceber lá no final A oportunidade que foi perdida Nem que seja o final da vida. Edson Ricardo Paiva.

Você, parado Sentado ou de pé Olhando um lugar onde havia Sol
Continuar lendo

Você, parado Sentado ou de pé Olhando um lugar onde havia Sol Recorda com saudade O brincar de esconder-se debaixo da pia na casa da tia Uma corda, uma árvore As moedas tilintando Era o troco da hora que foi à venda A graça de olhar ao longe A fumaça se esvaindo Saindo da chaminé do trem da vida Na estrada do tempo O alegria da hora da saida Correria no portão da escola na hora da entrada A festa na igreja Veja que naquele tempo Os sinos dobravam E eu, na minha inocência de menino não via e não perguntava por quem Assim são as coisas Eu olhando o lugar que havia Sol Agora sei que era por mim Que os sinos dobravam assim Os adeuses e despedidas Acenos sem lenço que ao longe sumiam Sem saber em qual tempo E nem mesmo a estação Fui vivendo sem noção da vida Penso que dormia E quando a gente desperta Pensa que pode ter se dado ao luxo de nem ao menos espiar pela janela Pra saber que paisagem era aquela Nas cartas que a vida põe Não se encontra curingas O caminho de volta pra casa é descida E olhar pra trás, dá tempo de ver ainda A fumaça que ao longe se dissipa A presença, que de tanto se ausentar Tornou-se ausência As cascas de amendoim espalhadas Lá no chão da saída As figurinhas do álbum Mal coladas, perdidas A festa, a escola, o dia de Sol O menino que brincou de vida E que foi perceber só no fim Que os sinos dobravam por mim. Edson Ricardo Paiva.

Existe um lugar Onde todos vivemos Envolto pelo ar que respiramos
Continuar lendo

Existe um lugar Onde todos vivemos Envolto pelo ar que respiramos Não existe antes Não existe nada após Lá não há alegria E também não tem ninguém triste Um Oceano de pedras e poeira e asneiras e pó e inteligência e perdão e ódio e nova indulgência Não existe pressa Nessa nave que flutua à toa Não tem ninguém que seja ruim e também não há gente boa Existe apenas o Mar que navegamos Todos os dias nos vemos E tem sido assim há eras E vai ser assim por muitos anos Perdidos Seguindo a luzes e ruídos Não existe reta ou coisa certa Mas também não vejo estrada torta Apesar de tudo que vemos, não existe nada Onde a lei é letra morta Neste imenso Mar que vivemos Existe um lugar Onde todos nós vivemos E nos vemos todo dia a às vezes também de vez em quando Não existe tempo Nem passado e nem escuro Não existe luz e nem futuro Não existe o antes e também não vejo o após Mas ainda não desistimos Nem de nos perder e nem de nos achar Neste imenso Mar Onde todos nós nos afogamos. Edson Ricardo Paiva.

Contas. E então Você pega um lápis
Continuar lendo

Contas. E então Você pega um lápis e aponta Faz de conta que é poeta Numa folha de papel Faz cair as letrinhas do Céu E depois pega as letras e as conta E conta como foi a vida E sobre as coisas que o tempo faz Logo após, o aponta novamente E desenha um poeta Faz a conta das vezes que errou e divide Pelos erros que acerta E os soma às manobras do tempo O que sobra Empunhar a um lápis sem ponta Examina o corte da lâmina As marcas que a vida fez Galvanizadas Pelos golpes que o tempo deixa e de novo o aponta Esvaindo seu tempo sem conta Tentando outra vez Apontar uma estrela Entre o Céu e a Terra Faz as contas de novo e novamente erra Fazendo de conta que sabe exatamente Qual era o mês que o calendário indicava Admite que o poeta mente Se escreve bonito Mas escreve pra acalmar a vida Pois a vida é brava Cruel servidora do tempo, Pois o tempo é o que conta Escreve, pois acredita Que um dia hão de cessar Todas as contas Inclusive a contagem do tempo Quando as letras, enfim Se combinarem E o poema escrito Mais bonito que a própria vida O lápis, já sem ponta Aponta o dia que passou A oportunidade que foi perdida E as coisas que o tempo leva Sendo bem ou mal aproveitadas Pode ser até que ninguém Não tenha entendido nada Daquilo que esteja escrito Feio ou bonito Não há meio de apagar O feito, o dito, o efeito causado A lâmina gasta Uma vaga lembrança Que contrasta Uma vasta esperança perdida As arestas ... mais nada O lápis se acabou Passou-se a vida A luz se apaga Tudo mais o tempo faz do jeito que sempre o fez. Edson Ricardo Paiva.

Independente da quantidade de tropeços Feridas e topadas
Continuar lendo

Independente da quantidade de tropeços Feridas e topadas Maior que as batalhas perdidas e todas as falhas advindas Veja que não conseguiste Quase nada Desista Não há pista de que esteja Nem ao menos perto, ainda de ter acumulado O número suficiente de derrotas Capaz de agradar de forma convincente A essa gente que torce Pelo seu fracasso Desista de agradá-las Vista a alma de algo mais leve Acenda a vela colorida que ilumina O caminho que revela O quanto é breve a vida Coloque na vitrola a melodia Que convida A olhar o pôr do Sol no fim do dia Se não conseguiste ser Eternamente triste Conforme-se então Em ter pouco de linda alegria E vá vivê-la Pois a vida está viva ainda. Edson Ricardo Paiva

O sorriso É uma obra do abraço Um espaço que estava vazio
Continuar lendo

O sorriso É uma obra do abraço Um espaço que estava vazio A alegria de bailar sozinho Havendo ou não melodia Se saber satisfeito da vida. O sorriso de verdade Vem no meio da madrugada Surge assim, do nada Sem contar pra ninguém Porque foi que ele veio Aparece quando a gente recorda da criança que foi um dia Vem no intervalo entre um sonho e outro E permanece depois que a alma desperta e glorifica a Deus pela vida Um sorriso é como se fosse Um cartão de visitas Expressão de quem crê Que existe muita coisa boa e doce A ser vivida, ainda Sem saber de onde veio, ou quem trouxe Vem à toa, quando a gente vê Uma árvore sem folhas Ornamentando um Céu cinzento ao fundo Tendo em si a alma plena E, diferente da maioria das gentes Acha linda, aquela cena E de repente está feliz Mais feliz que todo mundo E mesmo não tendo a prece atendida Esquece o que foi que queria E agradece a tudo que veio No lugar Apesar de ser outro o lugar Outro Mar Outro vento Outra vela Vem daquela sensação de que não foi esquecido E mesmo que não tenha nada pra mostrar Tem junto a certeza No estado de alerta de que vai permanecer a mesma coisa As mesmas dificuldades Problemas e dores pequenas A cara feia que esse mundo faz pra gente Como se outra pipa surgisse do nada E cortasse a nossa, sem aviso Posto isso Sentir-se fortalecido Simplesmente Botar um sorriso no rosto E sair mostrando ele ao mundo Sem nenhuma necessidade de haver um motivo aparente. Edson Ricardo Paiva.