Frase de EdsonRicardoPaiva
Contas. E então Você pega um lápis e aponta Faz de conta que é poeta Numa folha de papel Faz cair as letrinhas do Céu E depois pega as letras e as conta E conta como foi a vida E sobre as coisas que o tempo faz Logo após, o aponta novamente E desenha um poeta Faz a conta das vezes que errou e divide Pelos erros que acerta E os soma às manobras do tempo O que sobra Empunhar a um lápis sem ponta Examina o corte da lâmina As marcas que a vida fez Galvanizadas Pelos golpes que o tempo deixa e de novo o aponta Esvaindo seu tempo sem conta Tentando outra vez Apontar uma estrela Entre o Céu e a Terra Faz as contas de novo e novamente erra Fazendo de conta que sabe exatamente Qual era o mês que o calendário indicava Admite que o poeta mente Se escreve bonito Mas escreve pra acalmar a vida Pois a vida é brava Cruel servidora do tempo, Pois o tempo é o que conta Escreve, pois acredita Que um dia hão de cessar Todas as contas Inclusive a contagem do tempo Quando as letras, enfim Se combinarem E o poema escrito Mais bonito que a própria vida O lápis, já sem ponta Aponta o dia que passou A oportunidade que foi perdida E as coisas que o tempo leva Sendo bem ou mal aproveitadas Pode ser até que ninguém Não tenha entendido nada Daquilo que esteja escrito Feio ou bonito Não há meio de apagar O feito, o dito, o efeito causado A lâmina gasta Uma vaga lembrança Que contrasta Uma vasta esperança perdida As arestas ... mais nada O lápis se acabou Passou-se a vida A luz se apaga Tudo mais o tempo faz do jeito que sempre o fez. Edson Ricardo Paiva.
No pensador.ai desde