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Frase de EdsonRicardoPaiva

Era quase que assim Um leve tremor de terra Prenuncia o apito do trem Só que quase ninguém percebia O sermão durante a missa A igreja tão cheia E quase ninguém ouvia Quanto ao resto da vida Não o sabe até hoje Da secura na boca Calma, aguda, iludida Muda algia rói alma Carece de companhia Um tanto menos pernóstica Só fantástica e desabrida O contrário Era um jeito de olhar o Céu Enxergar nele a vida Um tanto profunda e de olhar esquecido Quem lhe visse podia jurar Era antes pequeno desejo Jamais um pedido A vida meio vazia A outra metade era vida No outro dia tanto faz A semente bem regada Cuidada por cuidar Pois de lá não saia nada Assim era tudo Enfim, um saber calado Um verso oculto Cujo vulto do tempo Escreveu apressado Se está fora de lugar O correto é cair Equilíbrio é o silêncio que faz A vidraça parecer escura A paz que precede a chuva Sempre que a chuva vem A água evapora A alma cura Entretanto ela chora Tempestade, água turva A curva do rio, a lagoa Fatalmente o ponteiro, a hora Por ora, balaio no chão Canta muda A canção silenciosa E somente o coração escuta Roupa suja, varal Ensaboa um sinal da vida Outro aceno do mundo Desalento um segundo Quando meio segundo é momento A saber Água limpa Não lava alma turva Acredite em não crer O saber de cada receio Escondido em gavetas Espalhado pelo imenso mundo Se contar nos dedos A qualidade de tantos medos Reais e de faz de conta Um mais um, às vezes são dois Mas, de vez em quando, não É aí que mora a diferença Entre pensar E pensar que pensa Olhar e saber na hora Àquilo que vem Sem demora. Edson Ricardo Paiva.

EdsonRicardoPaiva

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Outras frases de EdsonRicardoPaiva

"E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível
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"E tudo acaba Sendo eternamente igual Não se divide o invisível Em partes iguais Ponto final Nada mais." Edson Ricardo Paiva.

⁠Nasce o dia na janela Bela luz que resplandece Cresce o canto de pássaros lá fora
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⁠Nasce o dia na janela Bela luz que resplandece Cresce o canto de pássaros lá fora Poesia infinita pra olhares falantes Olha o ar com olhar de ouvinte Um certo manto vem cobrir-me a alma O momento, o instante, o segundo seguinte Um mágico nascer de dia A magia sobrepõe-se à lógica Transcende ao frio caminhar das horas Põe as coisas onde estão Aquece o caminho Navega o mar sem pressa Atravessa bem devagarinho todo o ar que me permeia Se compõe, se sobrepõe, vagueia e aquece Nasce o dia como a prece que agradece a poesia primeira Tem que ver como é bonito Quando o espírito da gente Volta lá na primeira manhã Relembra o quente que era Cada sol que alvorecia e mostrava Toda gota brilhante Cada instante percorria a nova primavera Vivida ou vindoura Cada lágrima chorada Pois a vida é nada, se a gente não chora também Se são elas que douram as lembranças De todas as dores e alegrias Noites bem ou maldormidas Manhãs orvalhadas São as horas da vida e há de sempre faltar Vamos sempre carecer daquele mero instante Irmãos e irmãs, um olhar aos ponteiros Corre o tempo, passa tudo O nada, a saudade, a solidão, um sorriso e a gratidão Nasce o dia na janela, é preciso viver E se a vida é bela ainda Cada um de nós precisa ouvir A voz que tem o coração Só ela pode dizer. Edson Ricardo Paiva.

Quando o teu relógio Finalmente despertar Pode ser recordação
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Quando o teu relógio Finalmente despertar Pode ser recordação Ou a frase que porventura Lhe vier à cabeça Em mais uma oração Um ponteiro tardio Mostrando que a hora passou Um palco vazio A cortina, há muito fechada A roda gigante da vida girou Teus relógios brilhantes Mostram sempre as mesmas horas Mas os tempos são outros Este mundo está tão diferente Luzes apagadas Não há nada, não há mais ninguém Um dia o relógio desperta É momento de despedida Nesta vida Pra tudo existe a hora certa. Edson Ricardo Paiva

Margarida. O ponto de mutação Um canto de pássaro
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Margarida. O ponto de mutação Um canto de pássaro Aquele traço profundo Meus passos cada vez mais lentos Quatro ventos Quatro pontos Quatro estações Não sei em qual delas eu desço desde o começo eu desconfiava Que essa estrada Não leva a lugar nenhum Pressinto o quinto dos infernos Resumindo tudo isso Eu meço a distância e concluo a relevância do nada E é nisso Que tudo consiste Sigo mudo e cego Ouvidos ouvindo absurdos A cada dia mais corretos E cada vez menos lerdos Á minha esquerda Jaz a margarida Quase apagada Semi-desenhada na parede Milhões de Céus Bilhões de mundos Eu no chão É quando chego ao ponto Porém este de interrogação Edson Ricardo Paiva