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Frases de EdsonRicardoPaiva

1.461 frases

Nos momentos Em que penso Nas coisas que penso
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Nos momentos Em que penso Nas coisas que penso Chego mesmo a pedir A opinião do silêncio Que se cala Ouço a voz do vento Vejo a sombra que vem lá de fora O gato do telhado Nada fala mais alto nesse instante Que a luz da Lua Sobre o desencanto que me causa a noite Não existe mais A beleza do mistério ou espera Quisera ...não há mais nada além Que o Fogo da vela, por demais tremulante Mas se a gente olha direito De fora pra dentro Pode ser que seja a hora De cerrar pra sempre essa janela E mandar a Lua ir embora Aqui dentro do peito A opinião do silêncio Faz sentido e fala mais alto E num ato propenso à mudanças Quando a Luz me alcança Há essa dança bruxuleante Essa sombra felina Essa bagunça progressiva Ao mesmo tempo Mansa e silenciosa Coração deserto A vida desmorona E se torna em ruinas Eu penso em silêncio No ruído ausente A conclusão é nada Sozinho nessa confusão Fraterna Mas que não termina A falta de paz Que a quietude tanto traz Há essa eterna madrugada Em que tornou-se a vida. Edson Ricardo Paiva.

Lentamente Assim germina a semente Num passo ingrato e quase inaudível
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Lentamente Assim germina a semente Num passo ingrato e quase inaudível Desata o laço Pequeno pedaço que se vai Sem deixar lembrança Também não leva saudade Nada se perpetua Os passos na rua Apressadamente Brancura dos dentes Sorriso na escuridão revela O que a claridade escondia Lentamente, dia-a-dia Como enorme carruagem que vem E quando passa Atropela Depois se afasta lentemente Talvez a vida tenha sido Por acaso e sem igual Mas sempre tem prazo a cumprir E faz doer e fica mágoa e apaga E quase sempre acontece de forma proposital. Edson Ricardo Paiva

Qual seria a graça dessa vida Se fosse feita eternamente de certezas E a gente tivesse a receita
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Qual seria a graça dessa vida Se fosse feita eternamente de certezas E a gente tivesse a receita E conhecesse o momento exato da morte, do erro e de encontrar o grande amor Que um dia há de perder. A mesa posta na hora certa A resposta sempre positiva Nenhum curativo ou corte do dedo Aquela pessoa que deixou saudade Ao morrer na infância da gente Ainda está viva O alívio imediato Ausência do medo Comida que a gente gosta No prato de porcelana O segredo da vida pintado No óleo sobre tela Pendurado na nossa parede No gancho a rede Lençóis de algodão egípcio Seria muito bom no início Mas que graça tem isso pra nós? Se gente aprende muito mais Devido ao amor fingido A dúvida da falsa amizade Na pergunta sem resposta Presença muda Olhar evasivo A lágrima que ficou A tristeza que invade Chuva no final de tarde Justamente Quando era hora de voltar pra casa Faz parar um pouco e lembrar Que ninguém te espera Me diz a graça que tem essa vida A ser sempre um circo de feras O pote de ouro Dinheiro contado Dois Sóis a brilhar de dia A estrela que havia na madrugada Se apaga pra eternidade A menor distância Entre a dúvida e a suposta verdade O rosto escondido atrás das mãos Toda a certeza que existiu na vida A frágil alegria Chega um dia em que nada é igual Não passa de cristal que se quebrou Qual seria a graça dessa espera Se um dia A gente não chegasse à conclusão Que a própria vida em si Não passou de mera ilusão? Edson Ricardo Paiva

O navio passa ao longe Chaminé sem fumaça Frieza que instalou-se
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O navio passa ao longe Chaminé sem fumaça Frieza que instalou-se E junto a si trouxe apenas A ausência triste e constante De pequenas coisas Que já não mais existem O som da onda a quebrar na pedra Ecoou triste e cortante Trazendo a saudade de tudo que o Mar tragou Incontáveis naufrágios Que causaste e que não viste Até mesmo a tua imagem Que vinha-me sempre à mente Agora já nem vem mais Sumiste também no horizonte Mas eu sei que não tens Quem te conte A tudo que ocorreu aqui Nesse lugar distante O tempo passado É como um Mar que leva E levou-te eternamente Pra longe do que restou. Edson Ricardo Paiva.

Quando você precisar Usar calçado que machuca Vestir roupa quente no calor
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Quando você precisar Usar calçado que machuca Vestir roupa quente no calor Acalmar gente louca com olhos de ternura E ser obrigado fazer coisas absurdas Pelo valor da mensagem subliminar Quando você entender O motivo de cada sacrifício Sentir vontade de matar gente Que não cumpre compromisso A ainda assim sentir um enorme alívio Por ter engolido em seco e não ter feito isso Abrir mão Do resultado esperado E deixar de lado A própria vida Compreender que é preciso abandonar-se Deixar-se ficar Anular-se Esquecer-se E ainda assim fazê-lo Não para agradar àqueles Que estão longe ou perto Você o fez Porque era o certo E fez sem pedir opinião Nem abraçar palavras bonitas Ou religião Nem ideologia Fez porque acredita e mais nada Talvez nesse dia, finalmente Você esteja pronto a entender O Mundo e a vida Aprenda primeiro Que qualquer idiota é capaz de seguir a maioria ou a minoria, se isso lhe apraz Fazer simplesmente Porque todo mundo faz E tornar-se idêntico a eles Mas é preciso um pouco mais que isso Pra poder um dia morrer em paz Sabendo que foi honesto Feliz de não ter sido igual ao resto Orgulhar-se por ter sido autêntico. Edson Ricardo Paiva

Nem sempre o pensamento Te traz as melhores respostas Pois existem coisas
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Nem sempre o pensamento Te traz as melhores respostas Pois existem coisas Que simplesmente não as tem E a ninguém é permitido Estar correto o tempo todo Não há quem tenha vivido neste mundo E que não tenha cometido Muito mais erros que acertos E é nesses momentos Que o pensamento Muitas vezes surdo e mudo Tem tudo pra tornar-se um grande amigo Por não trazer-te A solução mais errada Pode ser Que com um pouco de sorte O Pensamento apenas conclua Que se for Pra confiar cegamente Nas próprias soluções e inteligência Melhor não saber de nada Pois, além de normalmente estar errada As tuas loucas ideias poderão carregar-te Pra um lugar escuro e distante Bem pior que tudo Que pensa saber que sabe Essa tua pouca inteligência. Edson Ricardo Paiva.

Por cada porta Creia Existe ...sim, a opção
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Por cada porta Creia Existe ...sim, a opção De deixar ou não O melhor lugar que existe Pra guardar a paz em segredo Coração, que se leva E medo também Ninguém poderá jamais Buscar noutro lugar O oposto Ao que existe em si mesmo A paz ausente estava lá E em nenhum lugar do mundo Jamais achará Se não tiver As distâncias conflituosas Uma dose de algo que foi de graça Não há dinheiro Que faça voltar agora Chora o coração, sem paz Se perdeu ao passar pela porta O caminho era outro Volta a escuridão da noite Apesar da Lua e as estrelas Muito além de tudo isso De vez em quando e eternamente Pense que jamais vai vê-la Um traço tortuoso Uma pedra lançada Pedaço bonito do tempo que passou E se perdeu Assim prossegue a vida. Edson Ricardo Paiva.

Um sono suave Pode ser até Que algum sonho tenha havido
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Um sono suave Pode ser até Que algum sonho tenha havido Mas aquela doce vida Era tão boa Que a gente nem pensava Em perder tempo à toa, sonhando Lá em casa A gente até quase ria, de vez em quando Uma voz mais grave Invariavelmente Nenhum de nós tinha feito nada Nas asas do tempo Um avião de papel ... um brinquedo Uma luz acesa lá fora Pode ser que fosse a Lua Eu não sei quem foi que guardou As chaves do lugar Onde se põe para sempre A lembrança sem par Do som dos teus passos no portão Que hora bonita tinha o dia Silhueta distante Um vulto no final daquela rua Uma festa calada Era muda a alegria, mas era Essa vida que voa nas asas do tempo Quando menos se espera O suave, a voz grave, a alegria os teus passos. Até mesmo a própria Lua, tão brilhante Ainda brilha Porém hoje brilha menos Brilha bem menos Que no tempo bonito e distante Ninguém sequer o desenhou Mas tudo isso vai pra sempre estar escrito Aqui e ali Nos pedaços mais simples da vida da gente Eternamente Nos espaços vazios do telhado Que chovia No traço da luz da Lua Que fugia do Céu E invadia o quarto na escuridão Na ilusão das asas de um pequeno avião de papel. Edson Ricardo Paiva.

Se a gente fosse olhar direito O que podia ser tão simples Complicado, carregado de defeitos
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Se a gente fosse olhar direito O que podia ser tão simples Complicado, carregado de defeitos Pode ser que sem querer a gente compre O que há muito Deus já tinha dado Parece Que olhando do Céu Esse pedaço esquecido O tempo do verbo Ficou no passado E por menos que se divida No final da tarde É madrugada Nada mais Além de espaço O vácuo Indescritível Um sinal de igualdade Um papel amassado À esquerda o passado Do lado direito o moderno Qual se fosse o resultado de tudo que a vida trouxe Mas por menos que a gente divida O produto final é nada Na mente da gente Um inferno e um Céu Um tempo presente Eternamente passageiro Transitório Inclusive o mundo inteiro Até mesmo o papel e a conta que estava errada Na regra de três Muito simples A linha torta Três retas O passado retratado Era quadrado Fica sempre mais difícil Quando o simples, complicado Colocando distante o bem perto Escrevendo o errado Por seus próprios méritos O tempo presente No momento seguinte Pretérito. Edson Ricardo Paiva.

Depois de tudo Após, talvez, à própria vida Há que vir a vez de se mostrar
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Depois de tudo Após, talvez, à própria vida Há que vir a vez de se mostrar O que esconde Esse imenso mar de ilusão Que chega mesmo a ser sombrio Pois quando amanhece o dia Resta ainda sobre ele Um denso nevoeiro, que se formou Durante a longa madrugada fria Pode ser que um dia saiba O que é que havia Atrás daquele muro alto Que eu via na infância E que ficava Debaixo da lava do vulcão da ilha de Java Só que esse Escondido do outro lado da lua Num lugar onde morrem os medos e que ao mesmo tempo É a nascente de todos os sonhos Que de tão sonhados foram Desgastaram Um lugar onde o grito jamais alcança Por mais que apertasse os olhos E lançasse no breu do meu quarto Um gemido baixo e lancinante Tristemente guardado E que só quem o ouvia era eu. Edson Ricardo Paiva.

Nem sempre Olhar para os dois lados Antes de atravessar uma estrada
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Nem sempre Olhar para os dois lados Antes de atravessar uma estrada É suficiente Cuidado Por querer viver o que não lhe cabe Muita gente destrói a vida Vende a alma E só percebe Quando descobre que agora É coisa morta, que se pensa viva Que não sente nenhuma paz Nem mesmo na própria calma E deseja a morte querida E tem medo também da morte Por não ter sabido viver Se um pobre sabe sentir-se rico Pode ser mais rico Que um rei que não sente nada As pétalas secam As folhas caem A árvore que mais cresceu No final daquela estrada Um dia há de ver-se Enfraquecida desde as raízes Por árvores que, infelizes a rodeavam Isso é tudo que se deve saber A respeito da vida. Edson Ricardo Paiva.

Eu não gosto nem de lembrar do dia que conheci a vida Eu fiquei assim, meio na dúvida
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Eu não gosto nem de lembrar do dia que conheci a vida Eu fiquei assim, meio na dúvida Se vida era um lugar uma pessoa ou um pensamento pensado à toa enquanto na sala de espera Não sei nem se bem vida ela era Me lembro que ouvia falar Que era linda Mas isso dependia de que forma a gente a olhasse Acho que foi por isso Que no dia em que a olhei Face a face Percebi que nela havia uma certa graça Mas nada que não se desfaça Com o correr dos dias Enquanto ela se revela Hoje eu penso que ela podia Ser tão bonita Mas eu sinto que ela se irrita Quando ouve alguém dizer Que a vida é bela Essa vida irritada, agora Me faz olhar pra ela e sentir Vontade de dizer Que por ela não sinto nada Talvez, quem sabe Uma ponta de saudade do tempo que ouvia falar Mas não a conhecia de verdade É por isso que agora Nada me dói saber Que por mais ameaças de ir embora, ela faça A maior parte de mim Já passou pela porta E a parte que ficou A bem da verdade Nem se importa. Edson Ricardo Paiva.

Eu penso em como será No dia em que a gente parar Pra pensar em como teria sido
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Eu penso em como será No dia em que a gente parar Pra pensar em como teria sido Tem horas que posso ver Até as cores dos vestidos Mesclados de amores vindouros Cabelos floridos Mulheres do passado Homens de riscado Talheres de ouro Mas precisamos aceitar Que tudo isso Hoje é um sonho E que está tão longe Sorrisos guardados Que podiam ser ridos Esquecidos Eu penso em como seria Se fôssemos precavidos E tivéssemos cuidado de... juntos Separar as pedras Aquelas, que agora hão de ficar Eternamente juntas Nós não vamos saber nunca mais Quão bela coleção de poesias Poderia estar oculta Aquelas Que jamais vamos lê-las Numa tarde de alegria passageira Que podia ter sido Eternamente verdadeira Mas a gente foi deixando Pra um dia depois Eu penso em como será Quando todo mundo perceber Que podia ter sido e não foi. Edson Ricardo Paiva

Conforme o passar dos dias Depois de algum tempo Você passa a compreender
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Conforme o passar dos dias Depois de algum tempo Você passa a compreender Que os dias passam E as pequenas coisas mudam E se a gente pudesse mudar As grandes coisas de lugar A gente as mudaria Talvez seja este o motivo Porque Deus as fez tão grandes Veja que na verdade Toda a grandeza do Universo Mil vezes multiplicada Pela duração da eternidade Quando pra bem se quer Pode caber no espaço De um pequeno pensamento E se o pensamento acontecer Numa noite de frio Há de restar pra sempre Um lugar vazio. Edson Ricardo Paiva

Enquanto vivos Não se pode evitar a vida Enquanto vida
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Enquanto vivos Não se pode evitar a vida Enquanto vida Abarrotada de surpresas A única certeza Que se pode esperar do outro dia É que esse dia amanheça Dito isto Ainda não se escreveu O imprevisto Alegria presente Embrulhada em papel de tristeza Se não existe gratidão Pelo presente Não deve esperar mais nada Além de uma ingrata vida Porque tudo é incerto E existem dois tipos de tempo Que passam pela gente Tem aquele que passa perto Que não pára, que é efêmero e que sempre termina. Termina por mudar Somente a nossa cara. E tem aquele que a poucos A bem poucos...ensina No tempo certo, a experiência Esse, muda nossa essência E termina por ficar guardado Embalado com o papel da saudade boa E que esconde o sentido da vida Pois a vida é aquela bela amiga Que sempre haverá de trazer-te surpresas A beleza da amizade entre você e ela Se revela na maneira Como você, mal ou bem, reage diante delas E até que apareça quem possa impedir A vida de agir assim A única certeza, que se espera do outro dia É que esse dia amanheça Mas sem garantia de um fim. Edson Ricardo Paiva.

No dia em que a gente nasce O tempo a viver é pouco Entretanto a gente perde
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No dia em que a gente nasce O tempo a viver é pouco Entretanto a gente perde Muito tempo sendo louco Louco o suficiente A ser cego e não perceber Que o tempo a viver é pouco E que nada na vida é da gente Nem mesmo a gente Somente a nossa vontade Então, sinta a brisa morna A beijar o teu rosto Assim que esse dia termina Nenhum dia na vida retorna Veja o vidro do relógio Envelhecer com as horas A genuína verdade Passa na nossa frente E toda oportunidade Que vai e não volta Era verdadeira O ponteiro sempre volta Pois o tempo, na verdade Passou pelo vidro Ao levar-lhe o brilho Assim são as coisas Que a gente perde Ouça o sino da velha igreja Veja há quanto tempo ele badala E mesmo assim você Não saberia dizer Sobre ser a mesma vibração de cada badalada triste A vida se cala, quando não se ouve Na simplicidade, a verdade da vida Embarcamos na viagem Mas há muito nos esquecemos da boa sensação Que é olhar o trem sobre trilhos Enquanto ainda na estação Há muito eu não olho o brilho das gotas de chuva bater no chão É assim que o tempo trabalha E é dessa maneira que perdemos A batalha pela vida Porquanto a vida não é batalha É apenas vida Veja, que enquanto crianças A gente deseja crescer bem depressa E nessa pressa em crescer Se esquece de guardar um pouco da criança que deixou de ser Pra poder sê-la outro dia. Mas nenhum dia na vida volta O tempo, o vidro do relógio O beijo morno da brisa A imprecisão no badalar dos sinos E quando menos se espera Um dia o trem sai dos trilhos. Edson Ricardo Paiva.

Eu hoje abri a janela Vi que o Sol brilhava lá no Céu Ainda outro dia
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Eu hoje abri a janela Vi que o Sol brilhava lá no Céu Ainda outro dia Eu estava num lugar distante Ainda outro dia Eu era outra pessoa Ainda outro dia O Mundo era um lugar muito bom E a vida era boa também Agora O Sol ainda brilha lá fora As outras estrelas Se apagaram quase todas Os ventos que sopravam As folhas que caiam A água me parece Ter-se evaporado Hoje o novo dia Me trouxe a vida nova Mas hoje eu vejo O quanto envelheci também Talvez eu tenha me esquecido A outra vida e o outro eu Num canto qualquer do passado Hoje, além de mim Ninguém percebeu Que o Sol ainda brilha lá fora Com a mesma linda intensidade dos dias de outrora E os dias tem sido assim Parece que agora ficamos Eu e o Sol E talvez por algum tempo O Sol ainda brilhe lá fora. Edson Ricardo Paiva.

Das coisas que vi nesta vida Eu tento guardar lembranças Mas somente as que forem boas
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Das coisas que vi nesta vida Eu tento guardar lembranças Mas somente as que forem boas Me resta seguir o caminho de ida E me basta saber que não tem volta Pois, se existir ... desconheço Grosso modo, aprendi que eu não posso Mudar o mundo e as coisas que discordo E em contrapartida, percebi desnecessário Mudar o meu jeito de olhar a vida Pois, também não me vejo obrigado A aceitar as coisas, do jeito que as coisas são Nem preciso acreditar que o impossível Não será possível um dia Basta saber que esse dia Não é hoje, ainda O tempo tem vontade própria Por isso, apesar de as coisas mudarem Com o tempo que passa Há lugares onde o tempo Não passa e nem quer passar Inútil querer mudar ... ao que for Inquebrantavelmente inútil Toda a verdade, resumida O preço do que não se vende Se aprende, sabendo o valor Que dinheiro não compra Mas a estrada é bem larga E um dia, a tudo se paga A lei mais bonita É aquela A qual o tempo não se furta Em fazê-la cumprida Conquanto, jamais foi escrita Portanto Não se muda Nem se apaga Crepita qual chama Na cera da vela Oscila e bruxuleia Chega a ser divertido Ver brincar com a sorte, par em par Uma bela manhã de azar, muda a vida A lição aprendida Se guarda, após elucidada Portanto se engana Quem pensa que da vida Não se leva nada. Edson Ricardo Paiva

A vida, aqui neste mundo É tão minha, quanto a tia Sarah Em um antigo álbum de figurinhas
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A vida, aqui neste mundo É tão minha, quanto a tia Sarah Em um antigo álbum de figurinhas Por mais eu a quisesse Jamais pude achá-la Assim a vida caminha Aquilo que hoje não tem Amanhã não há diferença Se tinha ou não tinha O ponteiro do relógio na parede Mente E mente mesmo quando Não diz nada Cada hora vivida é uma ilusão Que a gente a pensa vivida Mera imagem de espelho Que a mente projeta Essa gente, meramente abjeta Moldura iludida, que longe se vê A pintura, a caravana e o deserto Se olhar a areia mais de perto No reflexo, um Oceano de Estrelas Convexo e cediço, cujo olhar carrega Em sua esteira A vida verdadeira Inteiramente não passa Mera entrega pra um mundo de sonhos, Mesmo a quem Se nega a vê-la assim e perceber O feitiço do tempo Eternamente irritadiço, E que também não vê A menor graça em tudo isso. Edson Ricardo Paiva.

Cada dia na vida É um dia que se vai Na noite, perdida
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Cada dia na vida É um dia que se vai Na noite, perdida Esquecida de viver a vida Essa gente meramente Pensa em pensar que pensa E tão intensamente não pensa Que a vive propensa em longe vê-la Trazendo nas mãos Uma enorme porção de nada, algo disforme Não sacia a sede Insaciada fome A mente vazia Pensa linda a cena Sentindo-se plena Em contato Com gente pequena Cuja mente Mais vazia ainda. Edson Ricardo Paiva.

Eu peço a Deus que me livre de estar perto no dia em que toda existência
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Eu peço a Deus que me livre de estar perto no dia em que toda existência Tiver sido um livro que já foi lido Eu quero viver no Saara Cujas estrelas no céu Não param nem para brilhar Eu também quero um olhar amigo Que me leve no abrigo de uma oração E que eu traga comigo, em meu coração Qual sarça não consumida Um jogo de paciência Maior que o poder do fogo A força que não supera A divina ciência, aquela que ensina Ser a simples passagem do tempo A semente que cresce Pra envelhecer em floresta E agora aquele imenso mar, evapora Mas eu vou estar bem distante Quisera trazer comigo nesse dia Uma boa lembrança qualquer Poder renascer criança Num lugar onde Deus quiser. Edson Ricardo Paiva.