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Frases de Carlos de Castro

401 frases

⁠VINDIMA DE ESPERANÇAS Quando se ama ou se volta a amar A natureza perdida,
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⁠VINDIMA DE ESPERANÇAS Quando se ama ou se volta a amar A natureza perdida, É sinal que a própria vida Mesmo que dolorida Tem esperança noutra saída Rumo a um nova vindima. Afagam-se os cachos com carinho De baixo para cima Como numa rima. Provam-se as uvas coloridas Prenhes de doçuras convertidas Em álcoois depois amadurecidos Em madeiras velhas consentidos E fatalmente domados, Aconchegados odores de bom vinho Em toneis anciãos embriagados. Era o Douro da Pesqueira em braços De mulheres e homens de desembaraços A soltar da cepa mãe, os filhos maduros Naqueles socalcos pedregosos e duros. Alguma lágrima vertida ao arrancar Em doloroso transe de despedida, A uva néctar fadada a uma nova vida. Eram os bagos gordos e mimados Pela natureza sol e solo vividos, Que logo na prova primeira, Fazem da minha amada Pesqueira, A mãe do vinho dos meus sentidos. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-05-2023)

DESCOBRIR A VIDA NA MORTE Eu já faleci, há uns anitos... Fizeram-me todas as encomendações
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DESCOBRIR A VIDA NA MORTE Eu já faleci, há uns anitos... Fizeram-me todas as encomendações E recomendações conforme a fé familiar... Segui, por fases, todos os trâmites legais E funcionais, entre os quais: Como era grande pecador, Passei primeiro pelo crivo Doloroso da peneira das penas do Inferno, Que me chamuscava os sovacos da primavera ao inverno. Passaram-me depois a outra repartição: Esta, bem mais animadora, Graças minhas a Nossa Senhora! Eram os tempos do Purgatório, Onde me fizeram purgar tudo e o acessório. Mas, senhores, puseram-me tão magrinho! Chegada a hora de melhor sorte, Fizeram-me chegar de elevador ao piso seguinte, Numa manhã luminosa e serena, Ao Céu, aos Pés de Nosso Senhor da Boa Morte! Olhou contristado para mim e falou: Que purga! Que magrinho e tão tristinho! Aí, eu fiz uma cara de anjinho e Ele continuou: Rapaz! Vais ter direito a banho de sais e mais... Vão dar-te calção de praia, óculos de sol e t-shirt. Depois, vais mas é divertir-te!... Respondi, com decisão: Não, Meu Senhor! Se estou no Céu, quero primeiro ver a minha mãe, meu pai, irmãzinha e tantos mais! Não é que Nosso Senhor, começou a arrotar E a deitar pelos olhos luzes fatais!?... Sentei-me no chão e comecei a chorar, a chorar...cada vez mais! Senti uma mão no ombro, tão leve e serena, como uma pena... Era o Nosso Senhor a dizer: Vamos lá, rapaz, vamos à nossa vigília. Não demora muito e verás a tua família. E eu sosseguei!... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-05-2023)

NOVOS TEMPOS VIRÃO ⁠Há tempos atrás dos tempos, O vento sussurrou-me ao ouvido:
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NOVOS TEMPOS VIRÃO ⁠Há tempos atrás dos tempos, O vento sussurrou-me ao ouvido: " O sol vai deixar de brilhar! A lua, viúva, de negro vai ficar! A chuva, disse-me, vai mirrar! Eu, por mim, estou a esvaziar! O céu, vai cair a arder, No leito seco do mar! As montanhas irão desmoronar! Os prados verdes vão crestar! As árvores, de podres, irão chorar! Ouvir-se-ão estrondos de terrificar! Ficarão inertes as aves e os peixes Sem ar, sem água, a agonizar! " Carrancudo, perguntei ao vento: " Ouve lá, ó vento, então eu quero saber: Porque razão me estás a meter Tanto medo de arrepelação !?... Assim sendo, diz-me para onde vou, Ou então!?... Aí, o vento mudou de ouvido e segredou-me: Alguns como tu, ficarão Na nova terra que há de brotar Das cinzas da ressurreição, Onde não haverá castigo nem metas, Apenas um tempo novo Onde habitará um nóvel povo, No promissor mundo dos poetas! " (Carlos de Castro, In Há Um Livro Por Escrever em 08-05-2023)

A MENINA E A ÁRVORE ⁠Desprevenido, plantei-te! Sem escavar sequer um palmo
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A MENINA E A ÁRVORE ⁠Desprevenido, plantei-te! Sem escavar sequer um palmo De terra do fundo germinador. Quando brotaste o tronco esguio E os ramitos Pequenitos Numa manhã chuvosa, Custosa e fanhosa De um Março marçagão, Colei a minha trémula mão À tua tão pequenina, Magrinha, Comprida, de pianista. Parece impossível! Haverá alguém que resista... Deste-me na minha um esticão, Como a querer fugir de mim. Tomei isso como premonição Negra, Amarga E fúnebre. Continuas com a tua mãozita pequena Da tua árvore a envelhecer De madura, No tronco e nos ramos Mas com as maçãs tão verdes, Ácidas, Intragáveis. Tão inutilmente No perto, Longe De mim. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 06-05-2023)

VIRGINDADES ⁠Foram e serão como árvores Sem fruto
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VIRGINDADES ⁠Foram e serão como árvores Sem fruto Em seu voto absoluto De entregar-se, Devotar-se, A um só corpo impoluto. Nunca gerado e resoluto Por mais tentação que venha Lá dos varões assinalados E mestrados. Confessam-se a padres enamorados: "Antes morta, do que prenhe, Não desdenhe, não desdenhe, Que cá nesta minha ordenha, Eu sou a santa e a senha Pela qual me registo E virgem serei e resisto!". E num terminar de emoções Deitam a mão a uns cordões De recordações Nefastas, Mas para resistirem castas Naquele gostoso furor, Invocam o seu amor a Cristo! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-05-2023)

VINGANÇAS ⁠A vingança não dura um segundo No coração dos simples e puros
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VINGANÇAS ⁠A vingança não dura um segundo No coração dos simples e puros Como a água cristalina e corrente Que desliza frémita e tão contente Passando apressada nas barreiras Marcações de pedras fronteiras E socalcos das terras do mundo. Água vinha Água vem Água se foi Água mansinha Sem mais ninguém. A vingança, por si se dói, Nos corações benditos. Nos corações empedernidos Sem ponta de bons fluídos, Ela corrói e destrói, Vem, mas não vai. É teimosa, Birrenta Como égua fanhosa Peçonhenta Que rebenta nos piores adjetivos. Mas vai um dia na noite que cai Com ventos de depuração. Vingança que não vai Não tem razão De morar nos sem sentidos Dos corações bandidos. E eis que os corações tais Desses empedernidos mortais Não aguentaram o choque E morreram sem esperança Nem reboque De aplicar a vingança. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 02-05-2023)

⁠OS POETAS DE DOM NASCEM E MORREM SOZINHOS Ninguém sabe.
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⁠OS POETAS DE DOM NASCEM E MORREM SOZINHOS Ninguém sabe. Ninguém quis saber. E tão fácil era adivinhar. Os poetas anacoretas Ascetas Merecedores do dom De mostrar a alma em facetas Já nasceram antes do nascer, Já sofreram antes de sofrer, Porque tiveram medo De fazer padecer Todos os que não são como eles. Cada um nasce, se quiser, Já depois de nascido, E apresentado ao mundo. E quando esses poetas decidirem morrer Ninguém vai saber Como eles conquistaram Aquilo que sempre amaram... Tanta paz Capaz De um sono profundo. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 03-05-2023)

⁠VADE RETRO SATANÁS Vade! Afasta-te de mim, Satanás
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⁠VADE RETRO SATANÁS Vade! Afasta-te de mim, Satanás E se não fores capaz, Eu levo-te à Boca do Inferno Aquele penedo eterno Que na história e nos anais Fica ali na Guia de Cascais Ao sul deste Portugal profundo Que ainda crê no Demo Do inferno extremo Do outro lado do mundo. Ó diacho! Não é preciso ir mais longe… Empurro-te daquele penedo abaixo E cais no oceano em chamas Onde proclamas Não seres demónio mas monge. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-04-2023)

TALVEZ AMANHÃ ONTEM Talvez… Eu te conte o que não soube
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TALVEZ AMANHÃ ONTEM Talvez… Eu te conte o que não soube Dizer-te Ontem Por causa das tuas Palavras cruas, Como pedras das ruas Geladas Que me atiravas Sem dó nem piedade. Talvez… Amanhã eu não te saiba Dizer nada Porque nada sei Do que soube Ontem, Que já era hoje De madrugada. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-05-2023)

⁠LUZ Que luz Que tão tarde
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⁠LUZ Que luz Que tão tarde Queres brilhar Como fogueira que não arde Na minha escura vida Que até se me não engana A amargura invertida, Nunca soube que existias. Falso reflexo A querer alumiar O meu espelho convexo Em teus remorsos Por expiar, Nos meus derradeiros dias. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-04-2023)

⁠Anda por aí muita gente camuflada em trânsitos de santidade que julga que estou apanhado do clima. Após breve leitura de algum escrevinhar que fazem, concluí: Quem seria o iluminado que estabeleceu as primeiras regras de loucura, sabendo de antemão que já era louco por naturez…
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⁠Anda por aí muita gente camuflada em trânsitos de santidade que julga que estou apanhado do clima. Após breve leitura de algum escrevinhar que fazem, concluí: Quem seria o iluminado que estabeleceu as primeiras regras de loucura, sabendo de antemão que já era louco por natureza?

⁠Há quem meça os outros somente pelo lado da obesidade, esquecendo-se das qualidades nobres de cada um. Eu, pelo contrário, meço essa gente pelo comprimento desmedido das suas línguas viperinas, pela largura desmesurada da sua asnice e pela altura doentia do seu coeficiente zero…
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⁠Há quem meça os outros somente pelo lado da obesidade, esquecendo-se das qualidades nobres de cada um. Eu, pelo contrário, meço essa gente pelo comprimento desmedido das suas línguas viperinas, pela largura desmesurada da sua asnice e pela altura doentia do seu coeficiente zero em sensatez.

⁠POEMA LAMENTO Um mau poema Sem tema
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⁠POEMA LAMENTO Um mau poema Sem tema Alcance ou lema, É tudo o que te posso dar. Não sei mais. Ela não quer nada comigo E como castigo... Também não quero ir mais longe Não quero levar vida de monge Porque monge Sem capuz, Já o sou nesta minha cruz. Não pretendo nome Ou cognome, Estejam descansados Para vosso bem. Se o quisesse, alcançaria Mesmo da noite para o dia! Um bom poema Para minha pena Mas sem vontade de chorar, É coisa que não te posso dar. Lamento! (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-04-2023)

⁠O PÓS E O PRÉ Lembro-me ainda de quando era velho A cair de podre.
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⁠O PÓS E O PRÉ Lembro-me ainda de quando era velho A cair de podre. O ventre saído desmesurado Expelido Inchado Como que a rebentar A bomba fatal Tal odre Que estoura Em excessos Possessos De processos De químicas De álcool com salmoura. Menino, agora, já sou outra vez. Com pés a caminho da cova, Voltarei ao pó Pó, pó, pó, pó E cinza adubada. Vou tornar a ser Um novo ser A nascer, Não demora nada. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-04-2023)

PRAGA ROGADA ⁠Diziam-lhe E rediziam-lhe
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PRAGA ROGADA ⁠Diziam-lhe E rediziam-lhe Que quando ele se fosse Um dia Para a eterna enxovia, O diacho do Demo Rei dos infernos Eternos, Nem queria Vê-lo lá. Não é que de rir Foi tanta a vontade Que ele o fez às despregadas, Saiu-lhe o umbigo fora E agora Olhando por si abaixo Consegue apalpá-lo, Massajá-lo, Ao umbigo, Que saiu do seu postigo. Continuou a olhar para baixo Do umbigo Apalpou, Massajou, E nada... Não viu nem apalpou nada! Então disse aos seus botões: - Medo do inferno !?... No inferno, já estou eu! E adormeceu... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-04-2023)

⁠CHUVA QUE DÁ SONO Confesso, tinha tantas saudades Da chuva que faz dormir
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⁠CHUVA QUE DÁ SONO Confesso, tinha tantas saudades Da chuva que faz dormir Que quando ela veio De mansinho, Eu fui logo para a janela Que não deixa ver o mundo Mas só a natureza molhada Desta chuva que encharcava O corpo das carvalheiras As primeiras A rejuvenescer na primavera Com aqueles ramos e folhas de hera A serpenteá-las, A abraçá-las Naquele longo apertar Delicioso de amantes Sem estações. Com os cotovelos no parapeito Da janela, A começar já a ficar sem jeito, Fui adormecendo No sono dos justos. A chuva boa continuava a cair O meu gato cego de um olho, a dormir, O Camões, Também sem estações. Ele, na alcofa E eu sem ela Naquela janela. Como é bom dormir Sem contar, Só com a chuva a chorar E as lágrimas a escorrer Pelos vidros de uma janela. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-04-2023)

ROSA RECALCADA ⁠Rosa formosa dos seios grandes Com cheiros de mar nas axilas
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ROSA RECALCADA ⁠Rosa formosa dos seios grandes Com cheiros de mar nas axilas Trazias em ti almoços de sandes E no coração memórias de pilas. Nas tuas pernas feitas almofadas De sal ao sol já tão crestadas Alapavam outras de estofadas Peles e espumas contaminadas. Rosa enjeitada rameira sem nada Objeto abjeto corpo de diversão Em que tornaram o teu destino coitada Mulher viva e tão morta de ilusão. E um dia na campa ao lerem o teu jazer Hão de estar sem arrependimento Todos os que exploraram o sofrer Do teu corpo de fora para o de dentro. (Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 18-04-2023)

⁠LAURO O INFELIZ Lauro morava debaixo de chapas pobre Tinha as mãos encardidas de ranho e sol
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⁠LAURO O INFELIZ Lauro morava debaixo de chapas pobre Tinha as mãos encardidas de ranho e sol Já foi senhor e estupor de graveto nobre Antes de ter o cabelo com baba de caracol Lauro batia ao bicho de hora em hora Seduzido pela erva queimada em cenoura Depois adormecia co'a coisa de fora Deprimida encardida e tão redutora Lauro tinha quem por ele rezasse Ao longe numa luz que já foi dele Algum teso também agora sem classe Mas que tinha sido figura como ele Lauro cansado de viver sem planos De tanto cismar na córnea da vida Arranjou um corda já em pedaços partida E enforcou-se de pernas no dia dos anos. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 17-04-2023)

PERNAS ⁠Era nas tuas pernas Macias
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PERNAS ⁠Era nas tuas pernas Macias Morenas Espelhando desejos Que eu encostava a cabeça minha Quando não tinha Aconchego nem beijos. Pernas não são eternas Fraquejam Perdem brilho E cor. Depois resta a saudade De um tempo de ardor Que alimentava o amor Nas tuas pernas Fraternas Quentes Que guardavam cavernas Ferventes Ardentes No tição Da paixão. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-04-2023)

⁠PESADELOS Enrolam-se como áspides Serpentes venenosas
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⁠PESADELOS Enrolam-se como áspides Serpentes venenosas Pela calada do meu sono Em mono Por falta de estéreo Neste mistério De horrorizar O som dos medonhos. Enfiam máscaras de mortos Idos, Absortos, Sem perdão De alguma salvação. Depois, no filme, entre flatos De cus abstratos, Caricatos, Talvez de gatos, Aparecem então os vivos Cativos Já de morte anunciada, Malignos seres na encruzilhada. Fazem-me suar, Transpirar A estopinhas Molhar a roupa do corpo Vivo e não morto! Mais eis que, no final, Há sempre um vencedor. Surge alguém que já está Lá, Na terra verdade e me salva a recato. Depois, vem aquela estúpida Vontade de mijar De duas em duas horas E eu acabo de matar O pesadelo Ao afogá-lo na água Que brota, Abundantemente, Sem piedade, Do autoclismo. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-04-2023)