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Frase de Carlos de Castro

DESCOBRIR A VIDA NA MORTE Eu já faleci, há uns anitos... Fizeram-me todas as encomendações E recomendações conforme a fé familiar... Segui, por fases, todos os trâmites legais E funcionais, entre os quais: Como era grande pecador, Passei primeiro pelo crivo Doloroso da peneira das penas do Inferno, Que me chamuscava os sovacos da primavera ao inverno. Passaram-me depois a outra repartição: Esta, bem mais animadora, Graças minhas a Nossa Senhora! Eram os tempos do Purgatório, Onde me fizeram purgar tudo e o acessório. Mas, senhores, puseram-me tão magrinho! Chegada a hora de melhor sorte, Fizeram-me chegar de elevador ao piso seguinte, Numa manhã luminosa e serena, Ao Céu, aos Pés de Nosso Senhor da Boa Morte! Olhou contristado para mim e falou: Que purga! Que magrinho e tão tristinho! Aí, eu fiz uma cara de anjinho e Ele continuou: Rapaz! Vais ter direito a banho de sais e mais... Vão dar-te calção de praia, óculos de sol e t-shirt. Depois, vais mas é divertir-te!... Respondi, com decisão: Não, Meu Senhor! Se estou no Céu, quero primeiro ver a minha mãe, meu pai, irmãzinha e tantos mais! Não é que Nosso Senhor, começou a arrotar E a deitar pelos olhos luzes fatais!?... Sentei-me no chão e comecei a chorar, a chorar...cada vez mais! Senti uma mão no ombro, tão leve e serena, como uma pena... Era o Nosso Senhor a dizer: Vamos lá, rapaz, vamos à nossa vigília. Não demora muito e verás a tua família. E eu sosseguei!... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-05-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)