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Frase de Carlos de Castro

⁠PESADELOS Enrolam-se como áspides Serpentes venenosas Pela calada do meu sono Em mono Por falta de estéreo Neste mistério De horrorizar O som dos medonhos. Enfiam máscaras de mortos Idos, Absortos, Sem perdão De alguma salvação. Depois, no filme, entre flatos De cus abstratos, Caricatos, Talvez de gatos, Aparecem então os vivos Cativos Já de morte anunciada, Malignos seres na encruzilhada. Fazem-me suar, Transpirar A estopinhas Molhar a roupa do corpo Vivo e não morto! Mais eis que, no final, Há sempre um vencedor. Surge alguém que já está Lá, Na terra verdade e me salva a recato. Depois, vem aquela estúpida Vontade de mijar De duas em duas horas E eu acabo de matar O pesadelo Ao afogá-lo na água Que brota, Abundantemente, Sem piedade, Do autoclismo. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 15-04-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)