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Frase de Carlos de Castro

⁠CHUVA QUE DÁ SONO Confesso, tinha tantas saudades Da chuva que faz dormir Que quando ela veio De mansinho, Eu fui logo para a janela Que não deixa ver o mundo Mas só a natureza molhada Desta chuva que encharcava O corpo das carvalheiras As primeiras A rejuvenescer na primavera Com aqueles ramos e folhas de hera A serpenteá-las, A abraçá-las Naquele longo apertar Delicioso de amantes Sem estações. Com os cotovelos no parapeito Da janela, A começar já a ficar sem jeito, Fui adormecendo No sono dos justos. A chuva boa continuava a cair O meu gato cego de um olho, a dormir, O Camões, Também sem estações. Ele, na alcofa E eu sem ela Naquela janela. Como é bom dormir Sem contar, Só com a chuva a chorar E as lágrimas a escorrer Pelos vidros de uma janela. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-04-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)