Frase de Carlos de Castro
VINDIMA DE ESPERANÇAS Quando se ama ou se volta a amar A natureza perdida, É sinal que a própria vida Mesmo que dolorida Tem esperança noutra saída Rumo a um nova vindima. Afagam-se os cachos com carinho De baixo para cima Como numa rima. Provam-se as uvas coloridas Prenhes de doçuras convertidas Em álcoois depois amadurecidos Em madeiras velhas consentidos E fatalmente domados, Aconchegados odores de bom vinho Em toneis anciãos embriagados. Era o Douro da Pesqueira em braços De mulheres e homens de desembaraços A soltar da cepa mãe, os filhos maduros Naqueles socalcos pedregosos e duros. Alguma lágrima vertida ao arrancar Em doloroso transe de despedida, A uva néctar fadada a uma nova vida. Eram os bagos gordos e mimados Pela natureza sol e solo vividos, Que logo na prova primeira, Fazem da minha amada Pesqueira, A mãe do vinho dos meus sentidos. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-05-2023)
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