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Frase de Carlos de Castro

⁠VINDIMA DE ESPERANÇAS Quando se ama ou se volta a amar A natureza perdida, É sinal que a própria vida Mesmo que dolorida Tem esperança noutra saída Rumo a um nova vindima. Afagam-se os cachos com carinho De baixo para cima Como numa rima. Provam-se as uvas coloridas Prenhes de doçuras convertidas Em álcoois depois amadurecidos Em madeiras velhas consentidos E fatalmente domados, Aconchegados odores de bom vinho Em toneis anciãos embriagados. Era o Douro da Pesqueira em braços De mulheres e homens de desembaraços A soltar da cepa mãe, os filhos maduros Naqueles socalcos pedregosos e duros. Alguma lágrima vertida ao arrancar Em doloroso transe de despedida, A uva néctar fadada a uma nova vida. Eram os bagos gordos e mimados Pela natureza sol e solo vividos, Que logo na prova primeira, Fazem da minha amada Pesqueira, A mãe do vinho dos meus sentidos. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-05-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)