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Frases de alexandre morais

137 frases

Nunca teve nada nunca foi nada e nem vai ser nada.
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Nunca teve nada nunca foi nada e nem vai ser nada. Até chegar no nada, que onde não deveria estar.

Os pensamentos que eu Refleti Todos os livros que eu li, todos os versos que eu não escrevi,
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Os pensamentos que eu Refleti Todos os livros que eu li, todos os versos que eu não escrevi, todas as poesias que eu esqueci, todo o mundo que eu me perdi e todos os amores que eu parti, estão ainda aqui. Todas as garrafas que eu bebi, e cigarros que acendi, todos os casamentos que eu pedi, toda minha vida que eu vivi, e todos os corações desenhados pra ti, juntos com aquelas flores que eu colhi, estão por ali. E as mortes que eu ainda não morri, andam a me seguir no passeio que eu corri lá na casa que eu construí, da mulher que eu vim, nos dias que eu amanheci, nas noites que mal dormi, e em todas às horas que eu sofri.

Bula Aviso para os seguintes sintomas. Se você estiver com:
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Bula Aviso para os seguintes sintomas. Se você estiver com: Tremores no corpo, suor exacerbado nas mãos frio na barriga, complexo por medo de rejeição, falta de ânimo, alucinação. Batimentos cardíacos acelerados, cegueira incontrolável, tato arrepiado, impaciência, aumento do ritmo da respiração, tontura e sonolência, escassez de ar, isolamento e preocupação. Ataques de risos inexplicáveis, juntos com ansiedade, combinada com impulsividade. Atenção! Corres um grande risco de se perder. Por quê? Cuidado. Estás completamente apaixonado, de coração.

O quadro vivo Eu gosto de olhar pela janela do quarto. A janela alta do meu prédio
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O quadro vivo Eu gosto de olhar pela janela do quarto. A janela alta do meu prédio e olhar. Ofusco-me nas luzes horizontescas pitorescas da noite sublime, distantes e borradas de rímel. A agonia começa no cômodo de cunho pensante. As luzes lá da frente não se apagam aqui as paredes se esfriam cada vez mais cada vez mais necrosadas. O olhar alcança a floresta tempesteira por raios, logo atrás dos borrões nos postes, da torre da igreja crucificada, dos borrões amarelos ambulantes, os da ida e vinda os da volta e partida. Alguns piscam, outros param, muitos voltam (Esqueceram as chaves de casa, a camisinha, o próprio aniversário) Os pneus queimam o asfalto, sinto cheiro amargo, deve ser a torradeira avisando que o sol apareceu e que eu esqueci de dormir, deve ser de manhã, o sino vai tocar e eu permaneço olhando pela minha janela com meus olhos pintados por lápis preto, ambos em volta preenchidos pela cor viva o negro. Durmo sem saber que horas são, não sei, porque ainda não dormi.

Reunião dos Sábios Poetas Já me toquei e fui safado como Bukowski e me peguei amando o tanto quanto posso igual Vinícius,
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Reunião dos Sábios Poetas Já me toquei e fui safado como Bukowski e me peguei amando o tanto quanto posso igual Vinícius, porém já me vi cético e racional como João Cabral. Um dia me senti tímido igual Drummond tanto que precisei e decidi ler Baudelaire e essa necessidade me induziu a ser precoce como Rimbaud. Já quis ir embora como Bandeira foi e revolucionário como Mário de Andrade pelo novo, pela arte, pelo povo. Já quis beber como Oswald de Andrade e ser rebelde a vontade. Quis escrever versos em Quintanas e lutar como Leminski, para poder dar um golpe certeiro em cada poesia. Pensei em suicídio e morrer por amores como Álvares de Azevedo em seus poemas. Hesitei e decidi ir à igreja conversar um pouco com Deus no corpo feminino de Adélia [Prado, pedir força para conseguir escrever sonetos parnasianos parecidos com os de Olavo [Bilac, com métricas, rimas ricas no encaixe. Brinquei e joguei palavras no papel, esparramei-as e esforcei para formar algo concreto, alá Ferreira Gullar mas minha incapacidade de me entender me faz ficar desentendido em dizer o que eu sei [escrever Meu canibalismo antropofágico nacional, o elo com o belo o natural me enraizou os pés na terra moderna e fofa, e a chuva me afundou junto com Manoel de Barros à toa. Embriaguei-me com vinho do porto, no Porto de Portugal. Com isso, avistei Fernando Pessoa adentrar além-mar salgado, ou talvez um de seus [pseudônimos. Não me lembro de nada direito, sentia-me puro e instigado. Já pus em cheque a vida que passei e me inspirei. Todos me adentram o núcleo do âmago o interior do interior de mim mesmo.

Casamento de copo Sentamos no bar, nos conhecemos só de relance, apenas algumas olhadas
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Casamento de copo Sentamos no bar, nos conhecemos só de relance, apenas algumas olhadas despercebidas e inocentes. ao meu lado, em uma pequena cadeira na qual estava vazia, eu senti seu perfume, o primeiro cheiro da sua pele na minha boca, eram nove e meia da noite ouvi um instrumento de sopro permear no nosso meio finas gotas caíam, nem percebi ao certo olhei para cima e relampeou forte a cidade estava preta e branca minha cabeça inclinada, girava em direção as nuvens e caiu de lado, era ela..mais ninguém. ali, tão perto, sem falar e gesticular, pulsou seu corpo dentro do meu e pude sentir a fusão. a chuva era uma rival dura e não deu trégua, porém minha vontade era puxá-la e rodá-la, ali mesmo, no rio. Fomos para dentro do bar, cheiro de barata e cigarro - "Meu Deus, não me tire daqui nunca". ei de morrer neste local em seus braços, me decidi... eu quero juntar os fios dos cabelos no travesseiro, misturá-los em cor única retirá-los do pente em cima da cômoda, penso em filhos, nas escovas de dentes usurpadas no dia que você foi dormir na casa da amiga, só de pijama de frio. não quero jantar sozinho, beber vinho sem brindar com pequeno toque nas taças de cristais polidas, vejo grandes brigas, delírios, loucuras gritos de prazer, de raiva, e nada é normal nada na minha vida é normal muito menos nas nossas será normal, o amor não é estável não balança debaixo da árvore ele é mesclado por toda essência além da nossa compreensão. a insanidade grita e me atrevo impacientemente desenhei no caderno um coração, lhe mostrei você nem liga, de repente tenho uma ideia arranco a folha com gana recorto o coração torto desenhado à mão você se espanta, arremesso-o na lixeira que está cheia de bolas de papéis escritas e inutilizáveis estendi a folha centralizei meu olho no meio e pisquei de leve você acha engraçado e ri Pronto! Nos casamos ali mesmo.

Pula Pula Criança ilumina qualquer dor porém cava a maior saudade
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Pula Pula Criança ilumina qualquer dor porém cava a maior saudade sem maldade, na inocência pura benevolência Criança? Mata a sede dos meus olhos dando-me água com as mãos. Ô moço! Chora não. Quer brincar? Só me dê seu coração, nem mais um tostão! Caminha a passos minúsculo, pequeno pesado. Na vida há imprevistos, notícia inopinada surge no final da tarde, depois que o andarilho de camisa amarela suada, desbotada jogou na garagem espelhada por objetos (bem definidos) um papelucho desorientador, e inerte. No balanço da árvore os cabelos voam, desprendem-se até a moleira, despenca maças carnais dos galhos e sobra salada na sobremesa saudável. É levada para a casa do moço bom, -Ele gosta de você, terá todo cuidado de porcelana frágil, estás em boa companhia -Tudo bem mamãe, eu sei, eu te amo, chama lá a vovozinha. A mãe desaba como a fruta, a maçã e sabe da força do filho, daquela criancinha, que corria para sua cama, com medo de monstro da infantil fantasia. Se apega no terço coração marejado -Mãe rainha, derrame suas graças na minha pobre filhinha. Força maior do dia, dia-a-dia, nutrida por mistura composta por três partes Há bolinhas de sabão por tudo e palhaços a cantar uma vez por mês só pra sonhar com papai do céu toda vez. Exemplo há superar. Criança chora, ainda brinca criança dorme eternamente, vai para o infinito cativante silencioso, escuro, molhado florido, inesquecível. Na caixinha de boneca toda branca, o carrinho empurrado com sutileza igual àquele carrinho de madeira puxado pelo cordão do peão. Criança? Criança é ternura em cima do cavalo magricelo de vassoura: -Devolve menino, tenho que varrer, seu pai há de chegar, e entra pra dentro que vai chover. Adulto é ser, ter o desgosto de não poder deitar no chão, junto à chuva sem saber se vai resfriar. É não arrancar a tampa do dedão, chutando bola de leite: -Silêncio, caiu no vizinho O senhor se apegou a camada de borracha protetora de incômodos terrenos, empoeirados: -Devolve a bola moço? Implora, choraminga e míngua: Só mais dez minutinhos mamãe... é minha vez de procurar a minha paixão no esconde-esconde e polícia e ladrão: -Achei, agora me dá um beijinho? Um beijinho Zinho? -Entra menino, o jantar está pronto panela de barro pro feijão cheirosinho, avental e cadernos com lápis e borracha, juntos com a tábua de tomate -Dever? É obrigação! É bom viver, aprender com corpos franzinos pequenos, ter aula de ser prazenteiro sem se fincar para pagar conta e cartão. Criança? É aprender que a vida brota do chão.

Bem na minha insônia Debruço sobre meus livros e a sala continua vazia, sem abajur
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Bem na minha insônia Debruço sobre meus livros e a sala continua vazia, sem abajur uma menina no ponto do ônibus às onze e meia da noite resolve ir embora a pé colhendo flores no cemitério. Eu continuo na sala, agora há vento, muito vento, é a chuva. O telefone toca e eu atendo, nenhuma palavra. Não me levanto da poltrona, ali mesmo continuo. O céu brilha flashes formam sombras na janela aberta. A menina passou pela porta senti o cheiro das flores vagamente umedeceram meus poros A cidade dorme, o ônibus passou no ponto a sós ela não entrou, já havia ido. O ônibus continua, é meia-noite. Um passarinho morreu de choque elétrico. Houve o velório com os outros passarinhos, no mesmo cemitério onde a moça colheu flores. No terreno que sepultaram o passarinho nasceu novas flores, foi na parte que a moça havia tirado as outras flores para poder agora nascer novas vidas junto com o passarinho. Tudo isso aconteceu em uma noite chuvosa.

Complexo É dia triste, procuro fotos em gavetas esquecidas. Em porta-retratos talhados por lembranças.
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Complexo É dia triste, procuro fotos em gavetas esquecidas. Em porta-retratos talhados por lembranças. Estou sozinho em casa. O dia está nublado. As memórias ardem o cérebro. Certa pessoa nunca se vai. Há pensamentos que só uma longa dose de solidão é capaz de formá-los, E sento, atento, fechado comigo mesmo. Repasso os acasos mundanos, são muitos. Reformulo a consciência e as atitudes errôneas. Estou na sala. Os quadros, o abajur e a escrivaninha. A prateleira florada por livros, lembro-me do homem, sinto medo. Me pergunto se sou homem, se pertenço mesmo a uma raça desprezível, vingativa e invejosa. A persiana filtra a luz, a pouca luz, é fim de tarde. Está nublado, o quintal apagado, folhas mortas ao chão. Medo de prosseguir. A vida não rara decepciona, mas continuo em pé, no meio dos homens, são muitos. Descubro que sou homem, e que não sonhava. Sou mal, ambicioso, mortal. Senti meu coração pulsar, porque sou animal. Me fiz confidente de sentimentos ácidos. A tarde se foi, meu bem também. Vi sorrisos em uma fotografia. Eu estava lá. Beijei o vidro, segurei por um breve momento. Sai da casa. Voltei ao mundo dos homens.

Semana da volta Um sino toca, badala de lá pra cá
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Semana da volta Um sino toca, badala de lá pra cá De lá flores brancas, caixão semana santa pisoteada por procissão. Um silêncio nas ruas vozes ao coro vozes antigas. Me remeto ao passado, de quando acreditava existia tempo sonhava o futuro Havia muito chão terra na mão. Há tanta paz lá no fundo em vem a voz de Deus, dos apóstolos, dos crentes. Eu só via a pipoca estourar no carrinho da pracinha se confundia com o cheiro de vela. Com sandálias abertas como a de Cristo, eu não entendia nada, só os amigos que corriam quando ainda eram vivos. Sentes? é o cheiro da chuva, da pura chuva. Trouxe o perfume da minha mãe já falecida, o céu escureceu as vozes continuam arrastadas com tanto peso e esperança. O coral é impecável a casa de Deus tão cheia povoada por almas pecadoras um ambiente nostálgico e fúnebre. Já me vi um filho já me vi um intelectual um bobo e um alcoólatra já até me vi poeta. Hoje me vejo um morto. E eu nunca vou esquecer da igreja da minha cidade do interior de minas.

Tédio de chinelo, ao longe
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Tédio de chinelo, ao longe um jornal velho com rosto patético cabelo de ontem inédito roupão amarelo do Sinério no corpo hermético sem inspiração pra poético até voltar a dormir no concreto remédio do assédio.

Poema de Ressaca Uma lindérrima rapariga passou adiante,
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Poema de Ressaca Uma lindérrima rapariga passou adiante, com uma saia enegrecida criatura bem laminada. Criança celebérrima, alfinetou cada retina. Quantas vozes em uma só, desnorteou qualquer sentimento Atrevi em pegar sua mão ouvidos macios de doces palavras firmes não hesitei ela exalava almas-flores. Fluídos de desejo pelo todo no meio a distância um toque aproximado calma filho, calma, há tempo. pele-veludo rosto, brilho repentino cabelo espesso e taludo vaga e remota lembrança Sede por envolvê-la em meus magros braços feminina de sá corpo bem buliço remexia à sambá aquele quadril postiço Enlaçamos os dedos carnes ferveram-se cruas A disse:-Vamos para fora vamos para a rua. O mundo é grande, cabe nossa dádiva da noite deliberante e total instigante pois éramos amantes pós-festa e proferi-a versos romanescos (atitude esmiuçada) copiados do tempo parado bem ali, naquele lugar os ponteiros congelaram me revirava de ponta cabeça vi o mundo do avesso aliás, nem mundo eu vi, ouvi muito menos, sentir quem sabe. Levá-la-ei ao todo nos murmúrios do amor despedir-me bem chocho embalsamado na terra Compeliu a saudade acometida refutei-a com poesia afim de evitar um desconsolo esquecer à minha pessoa em pronome de tratamento direcionado pelo palpitar lírico Dulcíssimo foi seus contornos, inundam minhas reminiscências trago-te ao pé seu jeito idôneo sem resignação por despertar a pureza onde paira maledicência.

Patrícia Mendes Quantos segredos há em uma fotografia?
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Patrícia Mendes Quantos segredos há em uma fotografia? quanta paz há em desenhos? quanta luz há um formato? Eu só olhei e mais nada, as expressões fortes e sérias de uma moça que eu vi sem querer em uma foto-novela Amei-a da terra do nada por onde brotou um cálice de flor da gaveta empoeirada na qual era guardada uma imagem emoldurada, no porta-retratos de cor. Lembrei-me das moedas cunhadas na qual vinham o retrato de D. Pedro I e a imperatriz desejou-o o belo rosto rasteiro. Vou pedi-lá em casamento ainda hoje irei graças a minha curiosidade adiantar minhas cartas acelerar as brigas reconciliar os beijos que nunca dei. Dirigir-me-ei aos pais, pedir-lhes à mão, disser-lhes sobre a foto do meu pecado colorida, preta e branca do diamante escasso que encarava a fina lente e penetrava o rigor olhar no limbo aro Estás a duzentos, não! trezentos e oitenta mil quilômetros de enfática distância do meu apartamento de esquina ombreando com minha estima alerta e desespera a ganância no rapaz esquálido, que anos luz a viu estacada, defronte de perfil sua silhueta reta os cabelos soltos mornos nascidos de uma nova era da carne no osso. Como pode o sol permear os arredores de casa da rua, sem trazê-la? e o meu castigo já estava imposto a punição de não conhecê-la. Em um quadro marcado foram pintados os olhos simétricos a rebuscada boca para o meu aval literário, poético.

Tudo depende da minha Vontade E se eu quiser morrer agora? É, agora mesmo. Nem um minuto antes e nem depois.
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Tudo depende da minha Vontade E se eu quiser morrer agora? É, agora mesmo. Nem um minuto antes e nem depois. Tem que ser agora, nesse exato momento! Anda, morre! Não morro, não consigo. Um imbecil. Fato, falho até para morrer. Quanta incompetência na vida, nem a morte me quer. Voltemos ao real. E se eu quiser te amar mesmo você namorando outro? (um pequeno detalhe que expressa só noventa por cento) E se eu quiser comemorar o natal em Julho? E se eu quiser te beijar agora? gritar que te amo! E se der crises, histerias e eu fizer pirraça e sentar no chão, não querer ir embora enquanto você não me notar. Ai eu vou querer morrer, com ou sem você. E se quando chegar o inverno, as flores murcharem eu ainda estiver sozinho, você vai largar ele? me deixar dormir só? Você vai! Sabe por quê? Porque eu nunca vou falar. A fala se restringe às palavras. Quero que note, note nos momentos imprevisíveis, quando menos esperar, eu vou acender a pureza. Sente-se no meu lado, respire meu desespero e nervosismo. O mau jeito de olhar, sem fixação ocular, impulsividade pelo beijo proibido, diferente. Você vai perceber, um dia quem sabe. Posso estar longe, muito longe, talvez até lá eu consegui morrer. (Nunca se sabe) Despertou tentação infernal, na paz que dedicava em manter. Até hoje tudo foi intato, só no faro. Fique comigo para sempre! Case-se, seja a noiva mais linda do mundo. Mas acalme-se e não comece a chorar, se não eu vou também, e fico todo vermelho. Guarde as lágrimas para quando chover de manhãzinha e eu estiver fazendo café para nós dois. Vai lembrar-se da sua mãe, do seu pai, da infância, dos filhos que ainda não temos. Vamos tirar muitas fotos e fazer amizade com o garçom no bar, voltaremos bêbados de lá e apoiados um no outro, sem direção concreta. Escolher livros na vitrine da livraria que fica ao lado da loja de trufas (lhe comprei todas) Qual você mais gosta? Vou declamar versos franceses e gesticular como um homem apaixonado. E se eu começar a chorar depois da briga vendo os vídeos de nós dois cozinhando aos domingos, ou daquele de nós brincando com o nosso filhote de labrador que ganhamos de presente de casamento debaixo das cobertas (você sorria tão lidamente para a câmera) Você volta? Diz que sim. Estamos iniciando nossa família. Tudo isso sem dizer uma única palavra. E se eu quiser te recitar uma poesia nova, você ouve?

Morangos e gelos Para o homem ela não troca
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Morangos e gelos Para o homem ela não troca ela tira e revira. Tira a roupa rasga a camisa desce a calcinha rendada desabotoa o sutiã farto e morde os lábios tira o cigarro da boca apaga-o na pele tira suas dúvidas tira sua vergonha senta e sobe olha pro teto enfia os dedos na boca aperta os dentes na língua ela é mulher de sangue de sorriso ébrio ela penetra a voz nos meus ouvidos e me pega nas partes ela retarda o tempo, bebe um Martini Rosé senta e levanta abre e fecha, toda hora a todo momento e eu esqueci que tenho que ir trabalhar no momento que as luzes do motel pararam de piscar

Olhar para trás Passei do desejo ao acaso. Vejo o fim da vida próximo.
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Olhar para trás Passei do desejo ao acaso. Vejo o fim da vida próximo. As lembranças de nada desfaço, hoje, velho, só guardo remorso. Flor púrpura, estrada passada. Jovem fui pego pelo seu laço. Criança sozinha e fechada, moça de diferente compasso. Luz eterna, nunca mais a verei. A esperança pálida se foi, tristeza que a tempos alentei. Despeço-me com alma impura, daquela que só me fez reluzir, na noite amena e escura.

Miudinho Tinha uma mocinha, bem loirinha,
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Miudinho Tinha uma mocinha, bem loirinha, da cidade pequenininha, que andava com flores, na cestinha da bicicletinha. Toda meiguinha, bem depressinha, quanta gracinha, daquela mocinha loirinha, da cidade pequenininha. Com a bochechinha rosinha, escondia do solzinho debaixo da sombrinha, e bebia aguinha, pra voltar a passear na biclicletinha. Na esquininha, ela caiu, e machucou a perninha, fez dodóizinho, tadinha. Um menininho desesperadinho ajudou ela a se levantar rapidinho, pra ganhar um beijinho no rostinho vermelhinho e sentir amorzinho.

o amor ah, o amor o que eu faço com o famoso
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o amor ah, o amor o que eu faço com o famoso amor devasso? misturo com tabaco acendo um cigarro e o fumo dou boas tragadas de compasso ele acaba, jogo a guimba fora com os amassos, tencionada pelos dedos na sarjeta dos maus amados e marginalizados lugar no qual vivo extasiado. e depois faço literatura pronto, é simples é pratico nada conciso Depois, acendo outro.

Som indecifrável Qual seria o som do universo? um chiado de vento?
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Som indecifrável Qual seria o som do universo? um chiado de vento? um telefone mudo? para alguns seria o fim do mundo! Não sei o som da galáxia nunca viajei para o espaço em uma banana branca. Arrisco em dizer que seria choro de bebê, pedindo colo e mais colo do infinito. Seria o beijo da lua com o sol? ou de estrelas povoando cada milímetro do espaço sideral corrompendo com a matéria inorgânica da explosão? Fantasio a ideia de um cavalo-alado com brasão e véu nas crinas com um sacerdote a tocá-lo os gruírem de suas rimas O barulho do universo pode ter vários tons e melodias, concreto de pássaros pigarreando sucintos na minha janela toques do horizonte aberto e inóspito, que me chamam pra dançar no balanço do ócio Sobrevivo com a surdez da minha curiosidade, na terra árida, ferida e nos olhares discretos pra cima só em tentar entender da onde vêm o cantar da vida.