Frase de alexandre morais
O quadro vivo Eu gosto de olhar pela janela do quarto. A janela alta do meu prédio e olhar. Ofusco-me nas luzes horizontescas pitorescas da noite sublime, distantes e borradas de rímel. A agonia começa no cômodo de cunho pensante. As luzes lá da frente não se apagam aqui as paredes se esfriam cada vez mais cada vez mais necrosadas. O olhar alcança a floresta tempesteira por raios, logo atrás dos borrões nos postes, da torre da igreja crucificada, dos borrões amarelos ambulantes, os da ida e vinda os da volta e partida. Alguns piscam, outros param, muitos voltam (Esqueceram as chaves de casa, a camisinha, o próprio aniversário) Os pneus queimam o asfalto, sinto cheiro amargo, deve ser a torradeira avisando que o sol apareceu e que eu esqueci de dormir, deve ser de manhã, o sino vai tocar e eu permaneço olhando pela minha janela com meus olhos pintados por lápis preto, ambos em volta preenchidos pela cor viva o negro. Durmo sem saber que horas são, não sei, porque ainda não dormi.
No pensador.ai desde