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Frases de alexandre morais

137 frases

Silencioso Há um sentimento dentro de mim, que o sinto no silêncio. Eu sinto nojo de pessoas que forçam uma nova beleza, que não seja a própria delas,
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Silencioso Há um sentimento dentro de mim, que o sinto no silêncio. Eu sinto nojo de pessoas que forçam uma nova beleza, que não seja a própria delas, e para isso usam produtos para esconder algo já belo. Eu sinto nojo de pessoas que são mais emissão do que o próprio íntimo. Eu sinto nojo de pessoas que se esquecem de nós no dia seguinte. De pessoas sem consciência, e honestidade. Eu sinto nojo de pessoas sem alma. Nojo de pessoas com maldade nos olhos. Eu sinto nojo de pessoas que trocam os olhares, os toques e as presenças, por um simples celular à mesa do boteco. Que beijam com a língua à mostra. Que se matam para transmitir uma boa aparência, não falam bobagens, não andam de bicicleta para sentir o vento no rosto, procuram ser o tempo todo equilibradas e não extravasam debaixo da chuva, e que por dentro são todas cheias de complexos e perturbador vazio. Eu sinto nojo de pessoas que não têm paciência para poesia e querem ter mais religião e imitar santo, do que ter amor no coração. Eu sinto nojo daquelas pessoas que só cobram e pouco faz, e aquelas que te abandonam em plena ilusão. (às vezes essa ilusão salvaria uma vida) Eu sinto nojo de pessoas que tentam falar bonito, escrever certo, que se preocupam mais com a estética do que com o verdadeiro. Pessoas com sorrisos largos, cabelos arrumados, as roupas passadas, que procuram aprender vários idiomas, ganhar muito dinheiro, ter carros, viver uma vida programada e sem turbulências, e que não têm uma lágrima sequer nos olhos para chorar por outro. Eu sinto tremendo nojo dessas pessoas. Pessoas, ah! Essas pessoas. Que te chamam de imbecil só por tentar fazê-las sorrir um pouco mais. Acham sua presença um estorvo e depois partem para lados crivados de mentira e ignorância. Às vezes, me dá uma imensa vontade de quebrar o relógio, acabar com as horas, viver igual bicho, sem regra nenhuma. Metido a vadiar pelas ruas, sem as divisões dos dias e dos momentos. Sem rumo algum, apenas absorvendo o que há de mais natural nesse mundo. Quem sabe assim, eu consiga parar de sentir nojo de algumas pessoas. Porém, creio eu, na última gota de esperança, que isso de nada adiantaria. Então, enquanto isso, eu me contento com garrafas de whisky e muita poesia.

Encontro Improvisado de Amor Eu não sabia mais o que falar já que tudo em minha volta parecia cair em ruínas.
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Encontro Improvisado de Amor Eu não sabia mais o que falar já que tudo em minha volta parecia cair em ruínas. Minhas pernas bambeavam o coração pedaço em pedaço despetalava-se nos segundos lentos, mudos e surdos das horas, e dissolvia-se igual açúcar na chuva (em um encontro tão desejado). Saudade daquele dia, mulher!

Nunca se Apaga A maior lembrança que eu tenho é o dia do seu aniversário. O meu melhor café da manhã foi o na padaria da esquina,
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Nunca se Apaga A maior lembrança que eu tenho é o dia do seu aniversário. O meu melhor café da manhã foi o na padaria da esquina, servido a pão com manteiga, café preto, café quente. Lembro-me de que o assoprava para você, enquanto vestias as luvas e a toca de tricô fio a fio costurada à mão, por sua mãe. Eu sorria! Você com bochechas vermelhas, os lábios trêmulos e esbranquiçados, também sorria. Balançava os braços e as pernas com tanta sutileza, era quase invisível de tão doce, só para se esconder do insistente frio. Porém o frio não desistia em levar-te para dançar. Enciumava-me todo, e logo me esquecia. Era uma simples e apagada manhã de outono. Não seria exagero meu em afirmar que ao seu lado os pássaros voaram mais alto, passaram do céu, bicaram as estrelas, como se fossem sementes na terra e, descobriram uma luz que alimenta. Difícil não é? Pois bem, aconteceu! Que as árvores decidiram desenraizar-se para poderem brincar com os cachorros e os mendigos na rua. Não seria exagero eu dizer que quando estava com você, eu fui feliz. Eu sei, eu sei, esse é o maior dos exageros. Mas acredite, foi o que eu fiz. Costumo me lembrar, não muito, não demais, da sua ternura. Faz tanto tempo, quanta saudade dos velhos momentos. A última taça de vinho que nós bebemos, encontra-se junta a vela que acendemos para aquele simples jantar-surpresa de primavera. Estão dentro da estante de vidro que nunca mais ousei em abrir. (Vejo que há uma última gota avermelhada ao fundo que nunca se secou). Todas às vezes que tento, paro com a mão na dobradiça e encosto a cabeça. Repudio-me por ser um fraco e, não conseguir abrir uma reminiscência tão bela. Os livros de poesia, com aquelas folhas amareladas, encontram-se inalterados na mesma estante. Nunca mais li um verso se quer de algum deles. Minha alegria ficou naquelas páginas esmiuçadas pelo tempo. Não ei de incomodá-los, repousam e dormem, repousam e dormem. Meus sentimentos alojam-se na mais alva nuvem, circulante no mundo. Se tu, minha donzela, soubestes o tanto que ainda estás comigo, entenderia as palavras cortadas, nunca ditas, que continuam insistindo para serem ouvidas, nas páginas misteriosas da vida. Vá, eu vou, já fui. Sozinho, ouvindo Beethoven ou Debussy. Embriagando-me com vinho, deslizando meu corpo por uma saudade jamais vista ou sentida. É minha saudade, acredite minha bela, é minha eterna ferida.

Milênios e Séculos, Dias das Horas Meu amor por você é milenar. Veio lá de trás
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Milênios e Séculos, Dias das Horas Meu amor por você é milenar. Veio lá de trás quando nada existia e tudo começava a se criar. O graveto e a pedra mordiscar, as árvores ainda não eram plantadas não se precisava de paz nem correr por medo do tempo. As águas agrupavam-se ainda por debaixo da terra, se preparando para formar os rios e os mares. A chuva não castigava, deslizava sobre as primeiras gramas verdes, destacadas do cinza das tempestades arqueológicas. Nosso amor, apareceu bem antes do primeiro arco-íris e no final dele colocou o lendário ouro tilintante, com um trevo de quatro folhas atrás da orelha. Esse amor partiu do nada, do branco intato. Nem era escrito em poesias. Eu e você nem existíamos. Os romances nem pai e mãe tinham e as quatro estações estavam indecisas entre si. Inventou ditados populares e até pintou com Da Vinci Que amor é esse? Dono de tudo dono do passado, do presente e do futuro. Dono de mim malandro que sou, honesto vagabundo. De você minha dama do olhar profundo para esse que rege com mão de ferro todos os meus desejos astutos. Nosso amor, alimentou o primeiro caso de fome da história mundial. Chorou por ver guerras, caminhou a passos, ora largos, ora estreitos. Já pensou em desistir de nos encontrar até já voltou bêbado a pé de outro continente colhendo flores dos jardins alheios e imaginários, se esperançou ao ver uma criança nascer. Não quero entender esse amor que já viveu de tudo neste terreno instável. Quero apenas sentir a cada momento a sua existência anormal e inexplicável e ver que ele ainda acredita em Deus nos homens, na natureza em nós, seres amados. Não ignore este amor que durou séculos e séculos de vida nas linhas das páginas dos anos. Se ele andou sozinho todo esse tempo, enfrentou a velhice com suas dificuldades e preconceitos, não foi à toa. Tartamudo e irreverente sorriu para todos os lados e hoje estamos deitados no ápice da intimidade com os prazeres a flor da pele, na cama aquecida, esperando cada segundo girar bem devagar como se fosse um desespero do fim. Sei que na lápide ele não se encerrará, continuará em outro lugar mais denso, junto com nós dois de mãos dadas e eternos direcionados por anjos serviçais. Nosso amor viverá conosco, no céu de lá.

Be-á-bá do H com A Tiro o H do "há” e vira o artigo feminino
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Be-á-bá do H com A Tiro o H do "há” e vira o artigo feminino acentuado e forte, digno de se amar, o "á". Decido escrever assim: “agá” aquela letra solitária, logo ali. Preencho todos os seus lados com letras exatas além de ficar engraçado, me faz morrer de rir. Ou inverto as posições, troco os locais: de "há” onde no mundo sempre existe uma coisa, metamorfoseio-o em "ah” e esticado como queijo na chapa: “aaaaaaaaaaaaaaah” se torna um suspiro idolatrado pelo feminino, no qual, coincidentemente acabei de pensar. Aquele que só o "á" acentuado como disse lá atrás é capaz de criar.

Charada Meu amor é igual suicídio não tem explicação
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Charada Meu amor é igual suicídio não tem explicação se acontece, é de repente Olho para a ponta do nariz (e vou) nado de braçadas e ando pelas ventas digo amor... abraço essa causa, sem culpa. Escuto embaralhado vejo uma bagunça que nem me preocupo em organizá-la ou buscar atalhos. Meu amor pode nascer de qualquer lugar, até debaixo de uma árvore por isso não fico preocupado se ele irá surgir, continuo a andar por aí sem olhar para o relógio e com o cabelo despenteado. mais tarde abro um vinho reflito nisso pelas ruas prossigo emocionado por não saber explicar e nem controlar este meu amor divino.

Passa, passa, é muito rápido O amor não precisa de tempo, tempo só serve para envelhecer e eternizar as coisas.
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Passa, passa, é muito rápido O amor não precisa de tempo, tempo só serve para envelhecer e eternizar as coisas. Ame agora e esqueça este tempo, se esqueça do mundo se esqueça de tudo. Lembre-se apenas do momento, mas este agora já foi, porém outros virão. Abraça-os com força nas unhas para eles ficarem marcados, nas costas do tempo.

Lavra as Almas No início da fria madrugada ao telefone com a minha amada
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Lavra as Almas No início da fria madrugada ao telefone com a minha amada e ela com sono já despedindo a disse que algo bom estava vindo. Acalme-se coração apressado há tanto tempo no relógio a rodar. O dia no céu permanece guardado em vem a chuva pra gente se amar. O barulho por nós admirado no momento em que tudo era são criou-se um aconchego desejado a orquestra do amor havia tocado, enquanto as árvores balançavam e batiam os galhos ao invés de mãos.

Medo de Cores Há noites no qual sinto vontade de me trancar em um quarto de hotel
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Medo de Cores Há noites no qual sinto vontade de me trancar em um quarto de hotel e suicidar com o meu próprio medo. Por causa do tempo isolado, longe de tudo e pelo desajeito ao deparar com algo branco, afastado feito para inventar uma passagem do inócuo dia. Uma forma concreta, um quadro e nele pintar um sentido reto de linha para criar de passo em passo uma obra de arte, a vida.

Vamos que *amo! Cada um se sente bem com aquilo que se tem
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Vamos que *amo! Cada um se sente bem com aquilo que se tem a cada manhã que se abre a janela e se permite o vento mapear na cama quente o corpo de alguém e por estar feliz por mais um nascer ao lado da alma do seu amor também depois, levantar da cama ajoelhar e orar ver a pessoa e pedir esperança, para enfim dizer: -Amém.

Brincadeira de Hora em Segundos Lá, lá atrás do tempo criou-se um descontento
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Brincadeira de Hora em Segundos Lá, lá atrás do tempo criou-se um descontento Isso? Há muito me lembro pungir o vento, nas costas das horas que estavam distraídas lendo. Não sei se gostavam porém achavam-se atentas pararam até os ponteiros que todos os dias andam pela sala, passam pela cozinha pelo quarto, voltam pra sala, e sentam. Os números que formam o dia e a noite o nascer e o crepúsculo pairavam no ar escasso e cortante e usavam grandes óculos escuros em cima do muro, comiam um maduro fruto olhando o poço fundo do mundo. com os olhos vendados filtravam o brilho deste tempo o tempo rodante, no espaço barulhento o tempo passado, o tempo pequeno desesperado e frêmito por atrás deste paciente poema lento.

O Visto Eterno Te amo infinito no coração afinco
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O Visto Eterno Te amo infinito no coração afinco dentro do corpo nutrido e pela alma, excluído. Tudo excluído foi tudo perdido o passado era aquilo um dia partido na surdez do ouvido. Quando te vi foi lindo, inventou o calor que eu não elimino até agora zelado por anos, mantido. Neste tempo promíscuo sonhei em beijar-te a boca com o lábio mordido por dente de mimo. Sua roupa em alinho o sangue na veia permeia o seu rio corre líquido mítico me dê vida em sede de bico. Agora, pode chegar o dia de ir, não vivo nem uma hora a mais nem menos que isso por motivos próprios por dentro, há sinto.

Por que sentes dor? Não sei! Se eu fosse detentor deste conhecimento, ia lá no fundo, lá no motivo inicial, o ponto de partida
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Por que sentes dor? Não sei! Se eu fosse detentor deste conhecimento, ia lá no fundo, lá no motivo inicial, o ponto de partida e entenderia sem pestanejar o porquê de tudo isso. Entenderia, não com a intenção de findá-la ou retirá-la com as mãos da terra que é meu corpo arrancando com raiz, caule, verme e pétalas mas sim para afrontar os meus medos e desejos e descobrir o motivo no qual escrevo e entro em seguida no desespero. Porém, este entendimento, tenho pavor em conhecê-lo. Posso deixar de poetizar pelo simples fato de ter elucidado a causa mais íntima, que briga submersamente para que permaneça no anonimato, e só saia em forma de poesia. É por isso que tenho essa dor crônica pelo fato de que eu nunca me esforcei para encará-la de frente. Não tenho a pretensão de ser sabedor do motivo pelo qual dói e em seguida olhar o medo que tanto me encoraja e saciar o desejo que tanto me impulsiona. Desde modo, nunca conseguirei responder essa pergunta. Minha dor é dos papéis e das declamações minha dor é relógio na madrugada que fofoca às almas os nuances sobre o dia dos vivos é linguajar popular acessível a todos. Minha dor é um código indecifrável de palavras que não perco tempo em decifrá-lo apenas em escrever o que é necessário para que essa dor continue a pulsar forte e me inspire até o dia em que eu for embalsamado.

Na Velhice/ no Outono/ na Saudade Ainda trago ao pé de mim aquela mulher ao meu lado.
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Na Velhice/ no Outono/ na Saudade Ainda trago ao pé de mim aquela mulher ao meu lado. Deus, como foi rápido, cada olhar sem rumo e disfarçado os beijos ardentes como febre de outono. Outrora desses anos todos que passaram carrego no meu interior a única mulher que eu amei. Tive muitas outras uma por noite duas por noite três quatro outras por meses até anos longos e duráveis mas aquela, nunca se apagou da minha vida, nem nunca vai. Não tive chance de ter mais dores com ela ajudá-la em suas necessidades, diversas tristezas e calamidades. Ela está ai, anda por ruas estreitas por entre cidades pequenas. Sei que viaja, cuida dos filhos se resguarda, bebe vinho no natal faz dieta e lê bons livros poupa-se do cansaço da mulher e lembra, às vezes lembra. Talvez todas as noites ou intervalos de meses anos, até décadas Meu Deus, isso é muito tempo mas ela lembra. Não se lembra de mim em si, porém do sol diferente que brisava seu rosto pequeno. Pai! Como eu ainda lembro daquela pinta na bochecha no corpo tão pequetito, e tão sereno. Lembra-se dos chocolates, das flores dos jantares fulminantes e estrelados. Voltávamos e eu virava a esquina errada só para continuar mais tempo a andar com ela. De quando eu chorava ao deixar ela em casa na vigia da lua e dos anjos. Eu não me esqueço, como eu não me esqueço do amor que virou arte nos ares nos cafés que frequentamos, das trufas que comemos dos ursinhos de pelúcia no cinema, das horas esquecidas ao telefone eu nem olhava para o relógio. Das diversas vezes que levou as roupas à costureira para remendar os rasgos que eu havia dado na noite anterior. E de quando ela me chamava de: "louco", o meu "louco". A vida? A vida passa por ai, despercebida e calada. Não dá o menor sinal de aviso ela anda nas pontas dos pés de mansinho, a cada dia que nasce a cada sol que aparece como que se voltasse de uma festa e a vida, um dia fica nessa festa que não tem hora pra acabar chamada mundo. Hoje, já se passaram sessenta anos sessenta e poucos anos, confundo os números, que o meu amor foi embora. não sei ao certo estou velho meus cabelos brancos não me deixam mentir. O que eu diria se ele estivesse na minha frente agora? - Diria o tanto que eu ainda a amo. Palavras que me abalam profundamente. Porque são palavras que eu nunca disse.

Amor Bobo Me nutro por amor bobo. Engraçado e recheado
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Amor Bobo Me nutro por amor bobo. Engraçado e recheado todo colorido palhaço e tolo. O que é motivo de chacota o famoso casal que sente a beleza no olho. Amor que faz pessoas sorrirem por ser inacreditável impossível de ser amado. É, aquele bobo, pro outro invejado. Amor gostoso igual café com bolo morno. Gosto de amor bobinho simples e ousado a bobice que debaixo das cobertas esquenta o frio exato. Juntinhos, sem maldade, amor que é completo, de graça e que não se paga. A falta de preferência pela medíocre aparência para ambos baterem asas. Ah, como é bom amar, ainda mais se o amor for bobo por nada.

Ave ufana de Pátrias Araponga sem-vergonha, fica nas restantes árvores escondida
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Ave ufana de Pátrias Araponga sem-vergonha, fica nas restantes árvores escondida gritando aos setes ventos uma rima forte e partida. Araponga brincalhona na janela do ferreiro. Cata verme e compete, canta por doçura e brinquedo. Se o martelo bate no ferro sua mãe é esverdeada o pai branco como geada tu só poderia ter nascido, no litoral das terras salgadas. Se agora eu apanho na Mata Atlântica, ou no interior do continente o fruto no chão, todo sangrado e ferido, entendo um bocado, a falta de comida e sua perseguição. Araponga voe livre para longe inclusive de toda à prisão. Sua liberdade imponha, é seu direito em ser viva e tocar às pessoas com seu murmurejar marcante. Araponga inesquecível, sem-vergonha.

O Presente não Dado Ao pé do fim do morro, com o mais fino embrulho,
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O Presente não Dado Ao pé do fim do morro, com o mais fino embrulho, carregava embaixo do braço um presente não dado que eu há anos afundo. Fazia tempo que pairava que até a cor perdera. Na minha estante repousava junto com o medo de ir entregá-lo para a pessoa que o merecera. Agora, encontro-me debaixo de chuva, no início do morro íngreme, tentando encontrar palavras e dizer para a menina matuta o tanto que ela me inspire. O embrulho é prateado bem, era. A água revolta tratou de deturpá-lo, junto com o tempo adiado com isso, das minhas lembranças levado na correnteza foi para o ralo que de cor ficou apagado. Menina, me perdoe por antes não ter falado que eu tinha um presente guardado lá na estante empoeirada feita de madeira, no meu quarto. Sinto que consegui ser amaldiçoado pelo fracasso de amar. Se agora choro, fustigo meu coração. Amasso-o como um padeiro trabalha o pão. Sou aspirante a poeta, menina bonita, peço perdão, pela falta de fala expressa pessoalmente, e o grande número de escritas correntes no papel escondido na gaveta da minha prisão. Voltei todos os dias pra casa, hoje também voltei. Com a mão firme, cheia e suada carregando o presente que nunca dei. Recoloco-o na estante mais uma vez. e deito ao relento da noite me odiando por todas às vezes que fraquejei.

Tenho Meus Motivos para Dormir Tarde Sentir a paz das pessoas, não ouvir nenhuma voz, só pesadelo,
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Tenho Meus Motivos para Dormir Tarde Sentir a paz das pessoas, não ouvir nenhuma voz, só pesadelo, em cima do prédio bem grande e subir no terraço descalço, guiado pelo vento, refletir em sintonia com o escuro derradeiro desenhar debaixo da cama monstros com papos enormes, esmiuçados pelos pijamas de ursinho da criança curiosa que o puxa pra dançar, com os cabelos tocados ao chão, só por desejo e tentação da proibição de dormir tarde dos pais "Ele te pega filhão" tomar antidepressivos com vodka muita vodka, o máximo de embriaguez possível com doses de procura, vontade de dormir depois que o sol nascer, lembrar do zelo geado nas árvores sobre a pessoa que me deu bom-dia enquanto eu comia pão-francês na padaria da esquina, ao lado do boteco de cerveja barata. Acordar alguém de propósito, receber ofensas junto com os uivos dos lobos ou cães de estimação, medo de bala perdida, há muito ladrão, assassino de inocente. Sou um vigia do ócio, não por peregrinação sem contrato ou negócio, movido por castigo da solidão. Estou livre, tenho nove anos e nenhum pai ou mãe pra xingar, faço traquinagem olhando a janela da vizinha com insônia. Escuto apitos da polícia contra os baderneiros bêbados encerrando assim a sinfonia da madrugada com meu bocejar cansado do dia penado, Depois de revirar e me achar, procurar companhia na fantasia, sentir-me completo, ouvir o primeiro sino da igreja a chamar o morador que gosta de café quentinho, condiz com sua tradição de interior. Escutar o galo, mesmo na cidade, cacarejar bem forte pra bola de fogo raiar. A maior raridade da terra e, o mais precioso cantar. Nada é concreto, Tudo dá pra poetizar.

De Cara na Porta Toda vez que tento ir à sua casa sinto que seria como escrever,
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De Cara na Porta Toda vez que tento ir à sua casa sinto que seria como escrever, foge da minha compreensão. Um sentimento abstrato, uma ousadia no vácuo, grande insistência no inato, tentativa de reconciliação. A borrifada de ar no meu rosto marejado despertado no vazio entender que não consegui o perdão. O jeito sempre é voltar pra cama e dormir sozinho, no frio e solitário colchão.