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Frases de Romário Camelo

35 frases

Pensamento VII Invisível vento “O anel de Giges, dado a um pastor, abre ao menos três cenários:
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Pensamento VII Invisível vento “O anel de Giges, dado a um pastor, abre ao menos três cenários: a usurpação e a traição no poder; a moralidade sustentada pelo mérito ou pelo medo; e o desprezo daqueles que rejeitam a justiça. No presente, a invisibilidade assume outras formas: o anonimato, que oculta o rosto; a influência, que age como mão invisível; e a complacência, que é a decisão invisível de nada fazer. E, como sempre, quem se recusa a escolher um lado, acaba escolhendo o lado do vencedor.”

Pensamento IV O que criamos nós? Se o chuveiro imita a chuva,
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Pensamento IV O que criamos nós? Se o chuveiro imita a chuva, se a lâmpada finge ser sol, se o tecido sonha ser pele — o que criamos nós? Se a roda é vista da lua, se domamos o galope com fogo, se voamos como pássaros, ou pairamos como libélulas — o que criamos nós? Copiamos. Adaptamos. Ajustamos o mundo à nossa imagem. Chamamos isso de invenção. Mas no fim, manipulamos.

Poema III Repente de um poeta Já vi cacto dar flor no silêncio da aflição,
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Poema III Repente de um poeta Já vi cacto dar flor no silêncio da aflição, E vi lágrima em dor, em sorriso e oração. Quem planta o sonho bruto, colhe verso em cada mágoa — O que rega o futuro? Suor e lágrima, vulgo: água. O sol não tem compaixão, a chuva virou promessa, E a terra só dá legume se a fé não for só conversa. O filho da estiagem tem coragem desde os ossos — Não murmura a miséria, nem destrata um dos nossos. Já vi homem ter dinheiro e morrer sem ter sentido, E matuto sem um troco dividir o seu abrigo. A riqueza que perdura não se mede por moeda — Mora é na intenção, no coração de um poeta.

Metáfora expandida I Um Sonho Distante Eu tive um sonho distante.
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Metáfora expandida I Um Sonho Distante Eu tive um sonho distante. Neste sonho, éramos muitos — porém, um só. Um a cada capítulo, membros de um único livro. Cada página à frente só podia enxergar as páginas de trás. O título era o passado: um sonho distante. O futuro, o capítulo final — e o fim da história. Essa história tomava emprestadas referências de outros livros na mesma prateleira. Mas a prateleira também nos rotulava. E esses rótulos, ironicamente, eram o que nos prendia àqueles livros — livros que estavam ao nosso lado, também sonhando o mesmo sonho distante. Mas conversávamos do logradouro de outra biblioteca. Essa não falava nossa língua — e, ainda assim, tinham dúvidas semelhantes às nossas. O sonho de todo livro era ser mencionado, e, quem sabe, ganhar sua própria saga e volume. Mas para isso era preciso um ato raro: libertar-se de si mesmo. Contudo, sempre que um ousava mencionar outro, vozes sussurravam ao redor: — É um sonho distante.

Pensamento III Ignorância ou liberdade I.
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Pensamento III Ignorância ou liberdade I. Se a verdade liberta, por que tantos fogem dela como se fosse fogo — e acolhem a mentira como se fosse mãe? Se há ordem nas estrelas, por que reina o caos no coração? O que distingue o dom da graça da encenação fria do hipócrita? Conhecer o bem e praticar o mal — seria ignorância? Ou liberdade em rebelião? II. O que perdeu Deus ao dar o livre-arbítrio? — O controle. Mas o trocou pela chance do amor verdadeiro. III. Deus correu o risco do mal para criar seres livres o bastante para recusá-lo — e, por isso mesmo, capazes de escolhê-lo. IV. O que separa o dom da graça da máscara do hipócrita? — A intenção: um se entrega, o outro apenas representa.

Pensamento II A sombra do juízo "Sendo o homem mal capaz de julgar a si mesmo, que pretensão lhe cabe, então, ao julgar outrem?
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Pensamento II A sombra do juízo "Sendo o homem mal capaz de julgar a si mesmo, que pretensão lhe cabe, então, ao julgar outrem? Somente sobre fundamentos morais que não foram forjados por suas próprias mãos — alicerçados em princípios e verdades transcendentes — pode o homem aspirar a julgar com justiça."

Poema I Suprassumo pensar A alma — ah, a alma
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Poema I Suprassumo pensar A alma — ah, a alma ora templo, ora caverna, sonho de ser eterna, conturbada ou calma. Sussurrava e gritava entre lágrima e pranto, fino e suave manto, porque alma ela era. Não só carne, nem só memória — mas a fragrância do espírito. Não só escrita, nem só história — mas a essência em um abismo. A alma — ah, a alma.

Poema VII "E tu quem é?" Talvez alguém vá me perguntar:
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Poema VII "E tu quem é?" Talvez alguém vá me perguntar: — Por que tanta variedade? Digo: — Visitei muitas cidades, cada um com seu jeito de falar. Cada músico no seu jeito de tocar, revela em si sua cultura. Nada tem a ver com a altura! A riqueza habita no diferente. Sangue do sangue, gente da gente... O sábio se veste de loucura. E quem lhe disse? Eu digo Ele. E Ele quem? Eu digo o Pai. O Pai de quem? Digo de tu. E tu é quem? E eu insisto: filho da luz da cruz que morreu a Jesus Cristo.

Poema VI "Lucro d'Alma'" Todo tempo meu é como o vento. Passageiro me sinto a cada ano.
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Poema VI "Lucro d'Alma'" Todo tempo meu é como o vento. Passageiro me sinto a cada ano. Ando sempre em vão me preocupando, como se fosse eu dono do tempo. Ansiedade trás no peito só lamento, tornando nosso sonho sepulcro. Lutando com o instinto de ser chucro eu expresso a alegria de falar. Aprendendo a cada dia a caminhar. Viver é Cristo e morrer é lucro.

O Observador de Trinta Mil Dias Quem és tu? Num universo com dois trilhões de galáxias — cada uma com cerca de duzentos bilhões de estrelas — orbitas um planeta entre os cem bilhões da Via Láctea. Vives entre oito bilhões de seres humanos: um quarto crianças, um décimo idosos,…
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O Observador de Trinta Mil Dias Quem és tu? Num universo com dois trilhões de galáxias — cada uma com cerca de duzentos bilhões de estrelas — orbitas um planeta entre os cem bilhões da Via Láctea. Vives entre oito bilhões de seres humanos: um quarto crianças, um décimo idosos, a maioria adultos; metade homens, metade mulheres. Num mundo com mais de sete mil línguas, cento e noventa e cinco países, milhares de etnias e províncias… Quem és tu? Entre elétrons e quarks, prótons e nêutrons; de átomos a moléculas, de organelas a células; de tecidos a órgãos e sistemas… em meio a esse organismo que respira, quem és? Quem és tu? Ser que busca energia e luta para sobreviver; que compartilha e retém emoções; animal que necessita de bando, de ordem e de governo. Quem és tu? Em meio aos que pensam — e pensam até sem querer —, que buscam uma razão ora contaminada, ora reforçada pela emoção. Tu, que tens vontade; que és sem perceber que és; que, do centro da própria consciência, observas. Quem és tu? Distante quase seis mil anos da primeira escrita, entre os que lavram a terra e redigem histórias; que erguem impérios e constroem modelos de pensamento. Cercado por máquinas que ampliam tuas mãos e por armas que multiplicam tuas distâncias; imerso em códigos invisíveis que transformam silêncio em voz e presença em memória… Quem és tu? Em oitenta ou noventa anos — quase trinta mil dias, seiscentas mil horas, quarenta milhões de minutos — dos quais dormes um terço. Tu, que não enxergas o futuro e apenas recordas o passado; que observas a partir do teu próprio ponto de vista; que mudas com o calor e o frio, com o dia e a noite; que tens pressa ou paciência, ousadia ou prudência… Quem és tu no olhar do outro? No olhar do outro, és rótulo antes de ser nome. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Comum ou gênio. Belo ou feio. Justo ou opressor. Inimigo ou amigo. Rico ou pobre. Ignorante ou instruído. Quem és tu? Ainda assim, achas que és o centro? Não sei explicar tudo. Mas sei que sei menos do que ontem imaginava. E ainda assim, continuo. Quem és tu? Esquecido pela terceira geração. Mencionado em documentos que não escreveste. Parte da história ou sombra de um figurante. Diante dAquele que te formou — que te deu vida e deu vida a quem te deu vida —, quem és tu? Quando o fim chegar, quais palavras permanecerão: morreu ou eternizou? Entre o pó e o eterno, foste um sopro. O que fizeste com ele?

Parábola II "o cofre de isopor" Proponho a seguinte parábola:
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Parábola II "o cofre de isopor" Proponho a seguinte parábola: Imagine que nos conhecêssemos. Vivêssemos em uma vila de casas onde cada um tivesse sua ocupação. Na minha casa, havia um cofre. Certa vez, tu me confias mil dinheiros para guardar — afinal, confiamos mutuamente, correto? Com os mil dinheiros guardados em meu cofre, eu te entrego a chave de uma gaveta com tranca: só eu e tu temos acesso. Confiando nos teus mil dinheiros, eu peço emprestados cinco mil. Empresto mil a um ladrão, mil a um mentiroso, mil a um louco e dois mil a ti mesmo. Ora, com a esperança de receber os juros do que foi emprestado, eu te ofereço uma carteira de investimentos: "Dê-me quinhentos dinheiros e eu lhe pagarei um quinto de juros ao ano". Vamos refletir? Estamos contando com os mil dinheiros que me deste para guardar, certo? E se tu os retira de mim? Pronto: expliquei em papel de pão a economia frágil dos grandes bancos. Para o caso do Banco M, acrescente: Certo dia, o centurião consultou o livro-caixa e percebeu, horrorizado, que o prejuízo de muitos era inevitável. Guarneceu minha casa e meu cofre com guardas e, em um bazar improvisado, vendeu todos os meus bens a fim de reaver parte do dinheiro perdido.