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Frase de Romário Camelo

O Observador de Trinta Mil Dias Quem és tu? Num universo com dois trilhões de galáxias — cada uma com cerca de duzentos bilhões de estrelas — orbitas um planeta entre os cem bilhões da Via Láctea. Vives entre oito bilhões de seres humanos: um quarto crianças, um décimo idosos, a maioria adultos; metade homens, metade mulheres. Num mundo com mais de sete mil línguas, cento e noventa e cinco países, milhares de etnias e províncias… Quem és tu? Entre elétrons e quarks, prótons e nêutrons; de átomos a moléculas, de organelas a células; de tecidos a órgãos e sistemas… em meio a esse organismo que respira, quem és? Quem és tu? Ser que busca energia e luta para sobreviver; que compartilha e retém emoções; animal que necessita de bando, de ordem e de governo. Quem és tu? Em meio aos que pensam — e pensam até sem querer —, que buscam uma razão ora contaminada, ora reforçada pela emoção. Tu, que tens vontade; que és sem perceber que és; que, do centro da própria consciência, observas. Quem és tu? Distante quase seis mil anos da primeira escrita, entre os que lavram a terra e redigem histórias; que erguem impérios e constroem modelos de pensamento. Cercado por máquinas que ampliam tuas mãos e por armas que multiplicam tuas distâncias; imerso em códigos invisíveis que transformam silêncio em voz e presença em memória… Quem és tu? Em oitenta ou noventa anos — quase trinta mil dias, seiscentas mil horas, quarenta milhões de minutos — dos quais dormes um terço. Tu, que não enxergas o futuro e apenas recordas o passado; que observas a partir do teu próprio ponto de vista; que mudas com o calor e o frio, com o dia e a noite; que tens pressa ou paciência, ousadia ou prudência… Quem és tu no olhar do outro? No olhar do outro, és rótulo antes de ser nome. Alto ou baixo. Forte ou fraco. Comum ou gênio. Belo ou feio. Justo ou opressor. Inimigo ou amigo. Rico ou pobre. Ignorante ou instruído. Quem és tu? Ainda assim, achas que és o centro? Não sei explicar tudo. Mas sei que sei menos do que ontem imaginava. E ainda assim, continuo. Quem és tu? Esquecido pela terceira geração. Mencionado em documentos que não escreveste. Parte da história ou sombra de um figurante. Diante dAquele que te formou — que te deu vida e deu vida a quem te deu vida —, quem és tu? Quando o fim chegar, quais palavras permanecerão: morreu ou eternizou? Entre o pó e o eterno, foste um sopro. O que fizeste com ele?

Romário Camelo

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Pensador.com

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