Frase de Romário Camelo
Metáfora expandida I Um Sonho Distante Eu tive um sonho distante. Neste sonho, éramos muitos — porém, um só. Um a cada capítulo, membros de um único livro. Cada página à frente só podia enxergar as páginas de trás. O título era o passado: um sonho distante. O futuro, o capítulo final — e o fim da história. Essa história tomava emprestadas referências de outros livros na mesma prateleira. Mas a prateleira também nos rotulava. E esses rótulos, ironicamente, eram o que nos prendia àqueles livros — livros que estavam ao nosso lado, também sonhando o mesmo sonho distante. Mas conversávamos do logradouro de outra biblioteca. Essa não falava nossa língua — e, ainda assim, tinham dúvidas semelhantes às nossas. O sonho de todo livro era ser mencionado, e, quem sabe, ganhar sua própria saga e volume. Mas para isso era preciso um ato raro: libertar-se de si mesmo. Contudo, sempre que um ousava mencionar outro, vozes sussurravam ao redor: — É um sonho distante.
No pensador.ai desde