Pular para o conteúdo

Frases de Nicola Vital

392 frases

⁠EU Está noite eu deixava minha Esperança e embarcava universo a fio. Corria eu, pelas ruas dos meus sonhos, pelos becos de meus delírios,
Continuar lendo

⁠EU Está noite eu deixava minha Esperança e embarcava universo a fio. Corria eu, pelas ruas dos meus sonhos, pelos becos de meus delírios, E achava eu, na busca do sonho azul que tudo faria jus Você não disse que era pra tudo ficar azul? Então venha descolorir o que deixou “negro”! A noiva que era bela ficou feia e magricela. O sonho que parecia azul perdeu o norte e o sul. Quando pensas que sabes estás ficando rude. E nessa homérica viagem. Às vezes, eu sinto ser multidão! Olho pra dentro da criança e vejo o ancião, O negro, o sábio e o tolo. A mulher, o louco e o insano. Logo ergo o olhar para dentro e vejo a escuridão.

⁠TEÚDAS E MANTEÚDAS?! Do alto do romântico tanque das canelas, aonde eu ia todas as vezes que visitava o meu saudoso “Beneficio”, só para espiar as “caboclinhas” como eram chamadas pelos seus patrões e que ali lavavam suas roupas e da vizinhança. As nossas, porque se usufruíam d…
Continuar lendo

⁠TEÚDAS E MANTEÚDAS?! Do alto do romântico tanque das canelas, aonde eu ia todas as vezes que visitava o meu saudoso “Beneficio”, só para espiar as “caboclinhas” como eram chamadas pelos seus patrões e que ali lavavam suas roupas e da vizinhança. As nossas, porque se usufruíam das benesses da água, por obrigação tinham que lavar também as roupas da patroa, minha avó. Todas elas de pele negra e poucos sonhos, mas donas de belos corpos, muito embora, visivelmente sofridos. Ainda assim, lindas por natureza. Por trás das moitas que surgiam não se sabe como, entre as gretas dos lajedos dos tanques de pedras, eu que naquele contexto iniciava-se à puberdade, me escondia por trás das mesmas, apenas para cubar a beleza sútil daquelas lavandeiras que vinham quase todos os dias ao tanque das canelas cumprindo o mesmo ritual. Muitas delas, dado à calmaria do lugar, ou quiçá, por espontaneidade, se sentiam à vontade durante a labuta aproveitando o sol que queimava vossa pele. Ora! Eu apenas um guri se iniciando na puberdade, e filho inocente de uma formação patriarcal, não somente deixava aflorar a inocente curiosidade de me perguntar por que aquelas moças eram tão “diferentes” de mim como ensinava meus avós? Também deixava aflorar um sentimento de paixão infanto/juvenil, ainda que platônico. Assustado, ficava a me perguntar: Por que meu vô as chamava de teúdas e manteúdas, além de caboclinhas. E, ali ficava horas após horas a ouvir suas melodias que se harmonizavam com a batida das roupas sobre as rochas. Tudo aquilo para mim era motivo de alegria e diversão, muitas vezes tentando rabiscar suas caricaturas usando cacos de telhas sobre a rocha ou nas folhas verdes do agave (Sisal) nativo da região. Já no final da manhã, apresentando os primeiros sintomas de fome, porem ali pregado, não podia sair sem antes assistir ao que se repetia quase que cotidianamente. As lindas lavandeiras num gesto natural exibindo seus belos corpos. Lavando-os como se estivera lavando aquelas malfadadas roupas. Aquele gesto me despertava muita curiosidade. Para meu desatino e frustração, logo se ouvia um grito... Ei moleque! Era meu vô a me procurar, instante em que as donzelas cor de canela mergulhavam nas águas do épico tanque das canelas, não sei se pelo fato de ali está alguém à espeita a lhes observar, ou pela súbita chegada de meu avô o que já era corriqueiramente e para mim estranhamente de praxe. E o menino inocente e sonhador se embrenhava nos arbusto a procura da casa grande onde acometido de enorme ansiedade ansiava o raiar de um novo dia. Agora já crescido não há mais dúvidas sobre a beleza anatômica e subjetiva daquelas inspiradoras e belas mulheres. Todavia, aquele guri agora feito “homem” mutila-se ao indagar-se – O que de verdade existira entre meu vô e aquelas belas magricelas, se não a exploração de corpos e segregação de sonhos. Teúdas e Manteúdas jamais, execradas e torturadas. O bastante para a grande desilusão de meus sonhos pueris.

⁠SABER! Sábio, não é aquele que detém as condições para a sabedoria. Serei o que me der à cabeça. Porém, tenho que querer o ser.
Continuar lendo

⁠SABER! Sábio, não é aquele que detém as condições para a sabedoria. Serei o que me der à cabeça. Porém, tenho que querer o ser. O triunfo consiste em ter triunfo, sem possuir as condições para o tê-lo. Condições para boa safra existe em qualquer chão bem temperado. No entanto, como encontrar esse chão se não o fizerem? No agir, permeia-se a verdadeira sabedoria.

⁠CLASSE SUBALTERNA: Diferentemente do que pensa o senso comum, a classe média brasileira não pertence a elite. Uma vez que não detém os meios de produção. Ela é sim, pertencente à classe trabalhadora. Por exemplo, o médico, o advogado, o professor, o engenheiro e todos aqueles…
Continuar lendo

⁠CLASSE SUBALTERNA: Diferentemente do que pensa o senso comum, a classe média brasileira não pertence a elite. Uma vez que não detém os meios de produção. Ela é sim, pertencente à classe trabalhadora. Por exemplo, o médico, o advogado, o professor, o engenheiro e todos aqueles que vendem sua mão de obra, igualmente pertencem a mesma classe que dos garis, pedreiros, empregadas domésticas, canavieiros e etc. E nunca vão ascender à elite! Que as odeia, igualmente odeia a classe miserável. No máximo, vai usá-la como massa de manobra mediadora de tensões, objetivando preservar sua hegemonia dominante. A classe média, em declínio no Brasil, vai está sempre em lugar de insignificância e considerada parte integrante da ralé brasileira ante à dominante, e aos olhos do capitalismo neoliberal. Em consonância com o sociólogo brasileiro Jessé Souza, podemos dizer que é irmã gêmea da já citada ralé. E, ante o atual contexto sócio/político, essa, também poderá mais tarde ser efetivamente, parte integrante dessa mesma ralé.

⁠SEMPITERNO: O maior legado que se pode deixar Para nossos filhos
Continuar lendo

⁠SEMPITERNO: O maior legado que se pode deixar Para nossos filhos Não são bens matérias moveis ou imóveis Todos são efêmeros Ademais, podem nos causar Danos irreparáveis Porem, o conhecimento, a letra São sempiternos A cifra pode comprar luxo, beleza e diplomas Mas, nunca, jamais a verdade e a verdadeira justiça

⁠AVE AGOURENTA: Meia-Noite à hora em meu quarto insone! Debruçado à lauda deste soneto espectro
Continuar lendo

⁠AVE AGOURENTA: Meia-Noite à hora em meu quarto insone! Debruçado à lauda deste soneto espectro Agourentas aves ao meu sonhar consome Seria, o silêncio astuto de minha razão, é certo? Por quê a mim tormento ínfima criatura horrenda? Sob um fito olhar de sarcástico deboche Numa afirmativa: Sou no íntimo vossa reprimenda! Em um siso sentimento a aurora suplico à toda sorte. Olho ao cume, vejo como homem criatura intolerante! Seu olhar esbugalhado penetra meu quimérico sonho Como, simples aspirante, subornar tua consciência errante? Em um ímpeto de autodefesa brado à criatura insana Retraia-se, por favor, ilusória criatura! ...Não vês! esta tua intolerância à humanidade emana.

⁠⁠⁠⁠DEUS E DIABO: (Ao mestre Paulo Freire) Lembre-se de mim!
Continuar lendo

⁠⁠⁠⁠DEUS E DIABO: (Ao mestre Paulo Freire) Lembre-se de mim! Como a inóspita aridez do deserto. Lembre-se de mim! Nas entranhas desta inóspita aridez A cultuar vida em harmonia Entre o bem e o mal... Lembre-se de mim! Nas mangueiras, Nos cocais. No grito dos oprimidos Que lembra os Caifás. Lembre-se de mim... Na morada atrás dos montes No sonho dos marginais. Ah! só deves lembrar de mim... Quando enxergar as profundezas De todo seu universo... Nunca ao que me apraz.

⁠SONHO ÉPICO: Antes de crescer... Eu queria ganhar
Continuar lendo

⁠SONHO ÉPICO: Antes de crescer... Eu queria ganhar Um milhão de dólares Beijar a mais linda modelo Calçar o mais caro reebok Tomar a mais forte tequila Saltar o mais alto dos Alpes Vingar o meu bullying escolar Conhecer os quadrantes do orbe Vestir a mais fina seda Pensar que seria imortal Gozar a perpetua puberdade. Depois que “cresci” Só queria entender Porque não cresci Mas também percebi Que meus sonhos pretéritos Deixavam-me entender Porque não pude crescer...

⁠PIERRÔ SEM CARNAVAL: O bafo da noite em cinzas, Verticalmente desce e cai,
Continuar lendo

⁠PIERRÔ SEM CARNAVAL: O bafo da noite em cinzas, Verticalmente desce e cai, Quão a chuva oblíqua Do Pessoa A correr na diagonal Confusa Sobre o relvado e a clorofila Do poetinha, Em anunciação ao baio Do Valença em reboliço Ante as brumas que embaçam Meus vitrais Acho, penso vislumbrar A última colombina de cristal Em seu único e derradeiro Carnaval. Nicola Vital

⁠⁠O CASO DA CASA 921 ⁠ Por virgílios, Eneidas e Beatrizes...
Continuar lendo

⁠⁠O CASO DA CASA 921 ⁠ Por virgílios, Eneidas e Beatrizes... Assim como ímpios e divinais. Perseguia-se o sonho recluso em meio ao purgatório dantesco. A se instalar... E o mau agouro rompia sob a lamina do “Infame Brilhante” A cortar o néctar das flores. Eis que, no paraíso da tutóia, soerguia-se o inferno. Onde mora o terror... O grito que ecoava da avenida entorpecida Trazido na voz rouca de seus errantes passantes. Encolhia-se no silencio a sucumbir os porões e seus grilhões Ante a tempestade incessante que baldava A primavera dos amantes. As rosas, e os lírios que caiam sobre o carmim do asfalto. Medravam e medravam por um breve prosperar A flamular no horizonte, anunciando A nova primavera a chegar.

⁠⁠SONHO POÉTICO A poesia possui corpo físico. Sente dor, alegria e tristeza. Sobretudo é sentimento que freme.
Continuar lendo

⁠⁠SONHO POÉTICO A poesia possui corpo físico. Sente dor, alegria e tristeza. Sobretudo é sentimento que freme. Qualquer um pode escrever um poema porque isso é expressão de sentimento, intrínseco a qualquer ente. Quando adolescente toda mocinha, todo rapaz, guarda em seu diarinho algumas frases de amor, rebeldia e desilusão. Embora mais tarde quando as encontra-las, quase esquecidas, amasse em bolinha e descarte. Ou talvez alguns guarde-as consigo para a posteridade. Mas a vida contemporânea nos torna produtos comercial. E isso nos desalenta da produção literária, quase que involuntariamente. Pois quando somos rotulados “responsáveis, racionais”, partimos em busca dos bens frívolos na intenção de uma suposta aceitação social. - A poesia em sua essência, não! - Essa subverte... Porque a arte por si só não permite negócio. Ela possui a magia de oferecer sentimentos e sentido às coisas. Já dizia o poeta Leminski o ato de escrever A linguagem da poesia é um ambiente de santidade. De tal maneira a fazer aplacar ou indignar o sonho poético. Eu estou muito cansado da vileza de tudo que não é natureza. Porque a natureza é a representação da arte. E a arte materialização do Deus imanente. Nem mesmo a vasão dessa solidão que carrego sobre os ombros me alenta. A potência e fragilidade da vida, o nada que a gente representa diante disso. - A humildade diante de nossa condição frágil - De nosso próprio espirito imperfeito assusta - E com a prudência do sábio Me refugiu na santidade da poesia como essência da vida.

⁠A FÉ NÃO COSTUMA FALHAR: O carmim a cortar o universo cor de anil Abre fendas no chão ressequido
Continuar lendo

⁠A FÉ NÃO COSTUMA FALHAR: O carmim a cortar o universo cor de anil Abre fendas no chão ressequido Num prenuncio de bom presságio E os filhos da outra Todos em um só coro trovam Arando o solo num para afugentar A ave que reluz mau agouro Nos ares e lares do meu sertão Hostil... E num ímpeto de alegria e emoção Curvam-se ante a mãe natureza Em agradecimento ao que nunca, nunca. Deixaram de acreditar A fé, tão peculiar do caboclo Sertanejo.

⁠ CAMINHOS DE ILUSÕES Viajando essa estrada tirana
Continuar lendo

⁠ CAMINHOS DE ILUSÕES Viajando essa estrada tirana Sobre as gretas de suas espeças rochas A destroçar a Peçanha De seus mitos delirantes Que sugara o mel da flor infante Nos sonhos mitigantes dos passantes. Essa pátria de via intransitável Aos que nela vão viver sempre errantes. Sob o sol caudaloso e causticante A regar sem pudor Outros sonhos em seu solo itinerante. Se eu sonhasse ou ao menos ideasse Verteria seus mitos e farsantes Aplacando essas léguas tão tiranas! No sutil frescor de Aruanda.

⁠ MINHA ESPERANÇA: Oh, Banabuiê do meu encanto!
Continuar lendo

⁠ MINHA ESPERANÇA: Oh, Banabuiê do meu encanto! Tuas águas tênues, teus ipês sombrios, quanta saudade eu sinto! Tua ingenuidade de menina moça, teu talento, Saudades de ti pequenina eu tenho De tuas ruas In-natura e pouco movimento. De teu comércio ainda sem muito alento. Ah, Banabuiê de seu primeiro intento! Queria eu a ti voltar ao tempo, E rever meu quintal às margens de quem te fizera Esperança Aonde ainda eu criança Brinquei com meus barquinhos de gazeta margem à margem Então como Esperança. Que rompe-me a maturação e faz migrar meus sonhos pueris De crescer não ser criança Se eu pudesse neste instante, verter minha ilusão adulta Da inveja, da cobiça e do semblante Dormiria eternamente Para não emergir aos meus sonhos de infante Tampouco sentir o odor nauseabundo de quem a ti. Fez surgir o progresso itinerante.

⁠ NINGUÉM É SENHOR DE NINGUÉM Viver à altura do meu mister
Continuar lendo

⁠ NINGUÉM É SENHOR DE NINGUÉM Viver à altura do meu mister No limiar de minha vida Essa é a nossa maior premissa. - A alma! Axioma ou pura quimérica? É certo que a lua brilha e mira-se nos lagos Por está nas alturas... E a doença física é a cura da alma. Aquilo que mais me pertence - Permite e perdoa Somos apenas um amontoado de erros! Ninguém é senhor de ninguém.

⁠NINGUÉM DE MIM SABERÁ Ninguém me ver... Ninguém me sabe!
Continuar lendo

⁠NINGUÉM DE MIM SABERÁ Ninguém me ver... Ninguém me sabe! Meu coração um perfeito - Pretérito... Nada do que fui tornará Nada do que sou sobreviverá! E minha alma em algures - Preterida está. Só a morte me resta como única Essa pantera, conclusão me fará. Ninguém me ver Ninguém de mim saberá.

⁠ NATUREZA EM FÚRIA As frias folhas das arvores
Continuar lendo

⁠ NATUREZA EM FÚRIA As frias folhas das arvores Em noites de vendavais Voam para outros ares E ao tempo se perfaz. Sob o rígido bico do pássaro Erguem-se noutros patamares E na busca de seu compasso A natureza fria finda os mares As flores furtam as cores As águas não vertem mais As aves em dissabores Perdem ninhos e portais E o núcleo da terra em fúria “Mata” feito canibais. Nicola Vital

⁠ O UNIVERSO NÃO TEM PRESSA Para que tanta pressa?!
Continuar lendo

⁠ O UNIVERSO NÃO TEM PRESSA Para que tanta pressa?! Nem o sol, nem a lua. Esse mal não lhes convém Giram lentamente o tempo todo! Por estarem acima Refletem os mares e lagos Aquele a quem pressa lhe faz bem Seus passos serão sedentos. Ah! Pra que tanta pressa? Se o tempo que ainda resta São sonhos que não veem.