TERAPIA DE A a Z:
Na escrita.
Só assim poderei reunir
Minhas ideias sem tua pífia
Contestação.
Organizar meus sonhos e pensamentos
Sem que possas por mim sonhar.
E quando não estou,
A leitura me faz encontrar
Meus atores, meus anjos e demônios.
Excluindo-me desse mundinho
Surreal.
Reportando-me ao universo
Que me faz haver.
E ai! Só aí... posso expressar
Minhas desilusões, meus tiques,
Minhas paranoias.
Sem que me venhas facultar
Sentimento lenitivo.
E desperto do sono no alvéolo
Que me vela o sono.
OS DEUSES DE NANQUIM:
Dizem, os mais “bobos”, em seus cafofos,
Que toda autoridade por Deus fora
Constituída...
Ora, vejam só! Que Deus?
De resina? Ou de platina?
Quiçá, o rico Mansur do olimpo!
Ora, ora, todos, nada mais são
Que reles mortais.
Todos esses, que se arvoram Semideuses,
E fazem seus julgos por suas tendenciosas
Leis! ...
Envoltos em suas togas de seda ou cetim,
Negras qual Vesúvio,
Blindam, seus corpos sedentos de vaidades.
Todavia.
Que Deus de justiça cultuaria bens frívolos?
Que Deus de justiça julgaria por conjecturas?
Que Deus de justiça edificaria a finos mármores
Seus templos e, alcaçarias?
Ah! quem me dera! Os homens tirassem dos seus olhos,
A venda da têmis, divindade mitológica.
E olhassem para os seus iguais,
Com os olhos de Javé.
NAVE DO DESASSOSSEGO:
Ao progresso dos nefastos
Tudo vinga sem parar.
Para-brisas, para-choque.
Para-raios, para-sar.
Parangolé, parafusos.
Parapente, paraquedas.
Parapeito, parabólica.
Tudo fica como está.
Para tudo, não dá mais!
Para o mundo, não aguento!
Vou migrar pro’utros locais
Que não tenha tanta crença...
Não possua caifás.
Pare, eu quero descer!
Dessa nave de trapaças
Dirigida pelos tais...
Que vertem o verde das matas,
E aos que ela apraz.
Negociam os que lhe habitam
Sem parecer dos cocais.
VENTO NORTE...
(Nicola Vital)
O vento que sopra às folhas
Da morada dos pardais
Corre, incorre, verte às ondas
Nas antenas dos quintais.
O vento que sopra brando
Às palmeiras dos cocais...
São ventos que não alentam
A tristeza dos mortais...
Os ventos que vem do norte
Conduzindo vendavais...
Que tragam, aos quatro ventos
Os sonhos que se perfaz.
PERFÍDIA:
(Nicola Vital)
Os homens que pensam. Todos,
Os nobres, os lidos, e os poucos tidos,
Fingem em comum.
Muitas vezes, até escrevo o que penso,
Outras vezes, penso escrever o que sou,
Assim como os homens fingem o que ser,
Escrevo o que verdadeiramente sou.
19Ago2015.
POR QUÊ?
(Nicola Vital)
É ínfima minha morada!
Ainda assim, bem maior
Que o meu pouco ser...
Às vezes, me procuro
E não acho...
Minha razão de ser
Penso, reflito, relaxo!
Na busca de meu palhaço
A minimizar meu sofrer.
Persigo não encontro, basto!
Recolho-me ao cansaço
Dessa vida de embaraços,
Onde sempre se fez castro
Felicidade a meu ser.
24Ago2015
Amor?
Sentimento que não se explica.
Se bem ou mal;
Se volúvel ou se fraternal;
Se eunuco ou garanhão.
O amor não tem grão...
Tanto chão como quão,
É canção ou refrão!
Não se mede ou se pede,
É inverno ou verão.
Sol de primavera
Arco-íris ou sabão.
A HIPOCRISIA DOS MORTAIS:
(Nicola Vital)
Meus sonhos são abismos!
De anjos fantasmas
Que habitam o limiar de meu cataclismo
A seduzir meu pouco ser...
São anjos farmacológicos
Que só a metafisica explica.
Ora! Ora! Chega de anjos e, sonhos...
Estou farto de metafisica
E seus abismos fantasmas!
Aonde deu fim a hipocrisia
Dos mortais.
CARA E COROA:
(Nicola Vital)
Oh! Saudades da aurora
De minha existência!
Se a vida a ti se faz ruim
A vida para mim promove
Se para ti diz-se do fim
Sua realidade a mim comove.
Enquanto jovens, temos fome
De vida...
Acorda, levanta para a vida!
O mundo é teu e não morrerás!
A busca independente da verdade
Promove à vida...
A vida que perfaz!
AMOR PRÓPRIO:
(Nicola Vital)
O amor? Ah, esse amor!...
Assim como o brado do vento
Que imensuravelmente veloz
Passa.
Se funde quão folha seca ao horizonte
Solitário...
Solidão? Ah, essa solidão!...
Mera integração
Entre poesia e poeta.
Da primavera ao verão.
E se acaso alguém bater
À tua porta...
E ao abrires ser eu...
Bate-me a porta!
Porque meu amor
Deveras é só meu (...).
29Ago2015.
NO VÃO DO SILÊNCIO...
(Nicola Vital)
Às vezes, me sinto tão perdido!
Como se perdido fosse o existir.
No reluzir do sol,
Fecho os olhos e não me encontro
Meu infinito sou eu...
A noite e seus fantasmas
Me convém!
No vão do silêncio noturno
Escuto o ladrar dos cães
A guardar as mansões
Perdidas de medos...
Quão seus guardas sem bravura
Bradam de pavor do existir
Que lhes restam.
MEU FINITO SER:
(Nicola Vital)
É bela e serena a noite exterior!...
A luz do luar, as estrelas, e o ar.
Iluminando montes, os prados, e seus lagos,
Refletindo rio ao mar.
Irrequieta e turva é a noite do meu ser.
Aqueles que foram sonhos,
Perderam-se sem ter (...).
Meu universo sem prado!
Esse fardo de me ser.
Tudo enfim, é nada!
Assim, é esse viver.
O sol, que em tempo brilha,
Até a noite nascer
A noite que não orvalha
Quando o sol pra si romper.
Se finda o ser finito,
Findando-se pra si o ter...
14.08.2015
MEU PARCO SER:
(Nicola Vital)
Ontem à tardinha...
Em meio àquelas crianças
Que gracejavam com bolas de espuma
Sem roupas, medos, e sem tino.
Sob a chuva oblíqua e fria.
Meu indolente ser...
Que outrora, assim fora feliz,
Fenece a cada instante na busca vã
Da criança que possui meus sonhos
E devaneios...
Qual meu bardo coração
No afã de concluir
Meu parco ser.
19.08.2015.
FILHO DA OUTRA!...
(Nicola Vital)
Eu pintei o meu Deus
E marquei para mim.
Não me deram azul,
Nem dourado!
E a cor foi carmim.
Não me deram bolas,
Não me viram à hora
Que malhei toda cola
Não pintaram, enfim.
Não brindaram-me a escola,
Onde rola a bola
E a bola rola
Só na cor de cetim.
Eu fiquei de fora,
facultaram-me a esmola
Meu padrão é morim
E o Deus de nanquim.
02Set2015.
REALIDADE INCONTESTE:
(Nicola Vital)
A arte de escrever, cantar...
Não se sobrepõe à mera metafísica,
Confunde-se visceralmente
A evolução da mentalidade espiritual.
A mentalidade possui um processo
Em que você escrevendo... Ela
Vai conversando com você
Por viés satisfatoriamente palpáveis
Por vertentes verdadeiramente reais
E de bons legados.
Há qualquer coisa de bom em mim
Nesse momento,
Em que jamais explicaria
A metafisica.
Eu posso conversar com o místico!
Ante essa mentalidade,
Explicitar o pensamento ascético
Que me proporciona à letra.
07Set2015.
SEM TITULO:
Quão minúsculo é o meu pouco ser!...
Logo cabe em meu corpo físico
Limitado ao ter!...
Quão minúsculo é o meu corpo físico
Logo agrega o meu pouco ser!...
Que limita-se ao ter!...
RIMA DO PÉ QUEBRADO:
Revirando-me pelo avesso.
No reverso do meu verso.
Versa não me envergonhar
Do reverso de ideias
Por não me aviltar
Do fato de raciocinar
ALÉM - TÚMULO:
Falar de morte é utopia!
Nós não morremos. Apenas...
Morrer é tão somente uma cedência
Ao JAVÉ!,,,
À uma incumbência
Às vezes,
No prelúdio de nossa aurora.
O que muitas vezes destroça
Entes queridos
Na incompreensão de breve reencontro
Quiçá, na proclamação do Além - Túmulo.