Pular para o conteúdo

Frases de Naty Parreiras

89 frases

Caro céu ... Um círculo alegórico suprimia em seu suave movimento a acidez da dita realidade. O vento beijava-lhe a maçã do rosto supondo-lhe ser o gesto indicador de sua afeição bem-aventurada.
Continuar lendo

Caro céu ... Um círculo alegórico suprimia em seu suave movimento a acidez da dita realidade. O vento beijava-lhe a maçã do rosto supondo-lhe ser o gesto indicador de sua afeição bem-aventurada. Girava espetaculares faces de espontaneidade singela, era ali a própria metáfora do mundo: circunscrita no eixo de sua galáxia solitária, magnética, suprimida no segundo imaginado em que as cores são feitas de branco e a paz de um simples passeio pelo céu dos possíveis...

Poema do que não posso poetizar Ó, mas que belas tardes resplandecem no Rio de Janeiro! E as cortinas de fumaça que embaçam a vista da Cidade Maravilhosa?!
Continuar lendo

Poema do que não posso poetizar Ó, mas que belas tardes resplandecem no Rio de Janeiro! E as cortinas de fumaça que embaçam a vista da Cidade Maravilhosa?! Os edifícios tão premeditados, tão exatos, a extorquir melancolias... Melodramáticas, fugidias, o Banzo... Mas há o que se destituir de vida tão praieira! Teus coqueiros, teus fúlgidos palmares e palmeiras, hei de rezar uma noite inteira por teus oceanos! Tuas vistas, teus espetáculos desordeiros! Teus acessos ribeiros, maremotos e frios serenos! Eras tu, ó Rio de Janeiro! Teus ensaios de despedida a arrefecer tuas avenidas, tuas recaídas, tuas desunidas brechas a velar o sono de uma vida! Quero mais veias aguerridas! Quero mais de ti, atrevida metrópole, a quem de mim duvida, a quem hei de reivindicar tuas luas ferinas, feridas! Laudas da paz que desemboca em teus verdes vestígios de primitivas matas, evasivas! Permissivas pautas a desmerecer tuas bravas eras de bravata, abrasivas! Meses e mais vezes, estupefata, a encarar tua negativa... E tão idílica ilha... Tão bela... Paradisíaca, de olhares faceiros, ó meu, só meu, tão meu Rio de Janeiro, Porque fostes me lançar teu olhar maré – cheio, Ó breve E não menos célebre, Ó Rio de Janeiro?

prEGO O que move teu ego pálido Químico de gelo
Continuar lendo

prEGO O que move teu ego pálido Químico de gelo Por que desfaz-me desmantelo Se os céus esquálidos, esquerdos Doem-me “em mim” o dedo Envolvido de desapego Extorquido do teu ego Do teu zelo? Ego sei te nego Mas me renegas Às léguas intrépidas Do teu medo. Por que o desmantelo Se o martelo dos cegos Martelou-me os sombreiros? Borra-se o pélvico bálsamo de bordas caçoantes Que riem do meu antes D’antes fossem céu-inferno O que limbo, o que eram... Era-me papel pôr de prego És-me tinta furta-cor do cego Dá-me papel, pincelo Pinta-me no bélico pão-farelo Esfarela o cérebro Celebra o clérigo Afago dos histéricos Épicos Podres Póstumos Inexactos... Fossem cactos os cacos em mim... São cactos dos que catam os cacos Cactos caçoam cactos Abstractos Cactos Cactos... Esqueléticos riem... Ruborizaste minha alma Envergonhaste-a de ti Tão dentro, tão fundo Tão pálida, caste minha alma Caste-a de ti... Cactos cactam minha alma Cactos cactam em mim... burocácticos Antes cactos fossem rasgando a alma D’antes fossem cactos rasgando o rim. Firme o “fulgo dos felpes felpos dos Alpes” Alpendres de postes podres de pena Postes podres de pena Pena Cactos Pena de mim... Que não mais tenho pena A cumprir... Mas os cactos, desbocactos Riem...

Mimese Poética A letra tem um quê de domínio Que a palavra pressupõe em seu ato de merecimento
Continuar lendo

Mimese Poética A letra tem um quê de domínio Que a palavra pressupõe em seu ato de merecimento - São dádivas mútuas - Espontaneamente oferecidas Ainda que enclausuradas pela relatividade conceitual que as ampara Vislumbram dar conta da alforria que se propaga na boca em que se cala sua desordem Hora reivindicadas pelo afeto que as concebe aladas Hora libertas do criadouro que as consome vivas.

10/10/10 - mas podia ser 2012. Ah, tá. O amor é uma entidade (isso mesmo, entidade) que há de manifestar-se em uma bilateralidade (sei que é ruim até de pronunciar) simultânea, quase que de atuação filantrópica, uma vez que deve-se gostar de graça, guardados os usos indevidos do…
Continuar lendo

10/10/10 - mas podia ser 2012. Ah, tá. O amor é uma entidade (isso mesmo, entidade) que há de manifestar-se em uma bilateralidade (sei que é ruim até de pronunciar) simultânea, quase que de atuação filantrópica, uma vez que deve-se gostar de graça, guardados os usos indevidos do indivíduo. Indivisível instante é aquele que há de preceder os enamorados: o sino! A badalar em meio ao paganismo em fuga das baladas - nem sempre tão badaladas - quanto os pardais que clamam nossos limites de velocidade e teor etílico. É, eu sei, tem uns cínicos que desovam ilusões em limbos críticos.. Mas não critico a obra, apenas o teor não me cabe tão etéreo, nem tão típico. Tipo assim: "Li um livro e revidei em um litro"... Encher a cara por vezes ocupa a sala anteposta ao sopro lírico... Soprei um ritmo qualquer a desfalecer em logaritmos... Logrei-te um pífio fantasma tão cênico e apocalíptico... Agora, vê se aproveita o fim dos tempos e me beija?

Jazz – o poema que jaz Tá ficando distante aquela seqüela dos teus olhos... É tudo uma questão de tempo pra sumir... O que mais dói aqui é ver que você tá deixando mingüar, que essa é a tua maior pretensão. Toda noite uma luta pra inspirar e expirar você... Pra sentir um alívio…
Continuar lendo

Jazz – o poema que jaz Tá ficando distante aquela seqüela dos teus olhos... É tudo uma questão de tempo pra sumir... O que mais dói aqui é ver que você tá deixando mingüar, que essa é a tua maior pretensão. Toda noite uma luta pra inspirar e expirar você... Pra sentir um alívio... Aquele arzinho no pulmão, aquele de antes, de antes “da gente”. Não que eu tire sua razão, seus argumentos são genuínos – ainda que um tanto ingênuos – “como assim argumentos, Poeta? Nada tens além de silêncio, e dos convictos...” - pera... Então me deixa reformular... – Posso teorizar acerca de teus motivos ... Pronto! Um tanto melhor! Continuando: mas tantas teorias pouco me servem nessa PRÁTICA TORTUOSA DE VERSOS SENIS! Taí meu “resumé”, minha biografia esdrúxula e compactada... Uns tantos versos e pensei que era poeta... E isso serve pra você: uns tantos poemas e pensou que fosse amor?! Imagina! Logo eu que consigo manipular os vocábulos, pressenti-los? Sinto em informar-te de minha falácia, de meus vis movimentos, de todos que foram friamente calculados, bem como meus beijos, desejo e todo o resto! Descarta minha espontaneidade; ela inexiste, assim como minha doçura e ingenuidade... Faz-me rir a tua, Tolinho! Recolhe essa massagem no ego à tua prepotência burra. Desacredite-me – esqueça-me – arrependa-se – certifique-se do engano. Pois já era, de fato, como bem queria; aliás como nunca foi! Um conselho: fica sim bem longe de mim e de minha poesia mesquinha, de minha pele e efeitos, de meus truques dramáticos e desassociados de padecimento. Pare-me de ler por aqui. Não insista teus olhos sob tais escolhas vocabulares desafortunadas e maniqueístas. Exorcisa-me – odeia-me – descarta-me – desola-me, mas não me leia... Sou capaz de convencer-te de meu amor e ainda mais: do teu que tanto inexiste, que tanto insiste em representar alegorias! Fecha este instrumento vil de minha (e tua) comoção, queima-o, assegura-te de que a mais ninguém chegará e enquanto há tempo, fuja...

A controvérsia do amor absoluto As pessoas fazem cartas nas despedidas. Mas fiz mais do que cartas,
Continuar lendo

A controvérsia do amor absoluto As pessoas fazem cartas nas despedidas. Mas fiz mais do que cartas, Coloquei mais do que cartas na mesa. Te mostrei sem medo o que era e o que queria, Jamais deixei linhas presas... Fui tão fundo na irrelevante sentimentalidade daqueles dias, Que acabei inerte na correnteza que dava pé, mas se afogava na própria pouca profundidade. Bem na verdade, Meu amor, Jamais te pude chamar assim, Nem para mim, nem baixinho, mas sim agora, No fim. Não tenho mais medo de ouvir tu ressonares que vago na infertilidade do que sinto sozinha, Somente em minha irracional poesia. Sempre que te disse, Ou ainda, escrevi, Que era hora de lançar âncora no porto, Que o que me corroía, logo estaria morto, Pequei. Pequei na ignorância de quem ama a solidão de poeta, Um quase profeta da própria desgraça. Agora, digo-te com a cândura dos males acometidos aos que fingem a infinita essência dele,,, Do amor: Juro-te estar sempre por perto, Corando-me as faces ao ver-te te aproximares, Pedindo a lua que se deite sob os mares, Senão nos teus braços, então nos meus versos. Servindo-te de sombra sem aspirações de vulto, Orgulho embebido em amor absoluto, Ressurge e não morre assim é o meu luto, No preto dos teus olhos o abismo tão cego. Farta da utopia quase pueril disfarçada sob miradas de repreensão, Farta de repetir a mim mesma com punhos cerrados a luta pelo não, Resolvi dizer que sim, Que te amo, Mesmo que eu não ame, Que morro, Mesmo que não derrame, Sangue. Dizer-te que sou tua e serei eterna aos teus desatinos, De menino... Mesmo que conte décadas sem teu despertar vespertino, Ou para mim, desatino. Na esperança de que fazendo-te acreditar que te amo, nada fará com que me chames, Enlouquecida peço, e só peço que me ames. Nunca o fim foi tão cretino, Não mais escreverei o que senti, Mesmo sendo estes os últimos que assino, Juro ainda mais versos eternos para ti.

Ex-quadros Nos quatro cantos das paredes do teu quarto Desfez-se o relapso ápice de nossos gatos por lebre
Continuar lendo

Ex-quadros Nos quatro cantos das paredes do teu quarto Desfez-se o relapso ápice de nossos gatos por lebre Refez-se a célebre solidão que nos persegue Em presença contínua e desacreditada. Verteu-se o teu luto ao consumir-me no vulto De teus repetecos já enfadados da mesma cor desbotada Ou da tez de minha blusa desabotoada Amarrotada Arrependida De nosso prazer discreto e efêmero Que agora vela esse meu sono noutras paredes E em tantos quartos de horas mal resolvidas.

Submersão O olho requer um tanto de desacato para beirar o magnetismo de sua limitação profunda. O olho requer a esquizofrênica sensação de alcance alheio, para regozijar sua própria inoperância aguda.
Continuar lendo

Submersão O olho requer um tanto de desacato para beirar o magnetismo de sua limitação profunda. O olho requer a esquizofrênica sensação de alcance alheio, para regozijar sua própria inoperância aguda. O olho requer o eco daquela mesma fábula que dita sua obscura relatividade O olho requer amparo cego E se beirar o caos da lágrima Que é expulsa Verte Verte Mas não emerge O olho afunda.

CHUVA DE DOMINGO Chegou a chuva... Cheia de charme
Continuar lendo

CHUVA DE DOMINGO Chegou a chuva... Cheia de charme Chamando, chama queimando Soando o alarme... Sh! Sh! Cala-te chuva grosseira! Teu charme apagou a chama por inteira! Sh! Sh! Chama, inflama Me tira da lama, Da poça de lama, Dessa chuva de cama, Insana, fagueira. Me inunda profunda As gotas imundas Tempestade de nunca Nunca molhar-se Mesmo sendo a face Do que molha minha nuca. Sh!Sh! Cheiro de choro Chão feito de choques Tens o toque de ouro Mas teu não é de morte. Cabisbaixos os pingos dela Molham-me dentro e minha janela Me abrigo em meu desleixo Mas ela vem quando não deixo Tentar-me em meu leito de donzela. Céu sísmico nos meus pés Nuvem só de vento triste O tempo nublado esconde o que és Em meus olhos a chuva persiste. ShShShShShShShShShShSh! A chuva lá fora não caí tanto Quanto os pingos brandos do meu pranto, Pelos cantos Pelos cantos. As gotas que escorrem pelas veias, Pingam-me no rosto salgadas de areia. Ó céu clareia Clareia! ShShShShShShShShShShSh! Em cada pingo um dia revivo. Chuva que molha um céu só Faça ela o que faz o sol Vá inundar outro domingo! Sh! Chuva não chora Chuva não chega Chuva vai embora Chuva chove lá fora Chuva, chega! Sh! Silêncio para o sol para o sol sorrir. Sh! Salva-me da saudade de ti! Me acolhe na tua aldeia, Sem eira nem beira, Me molha, me olha, me odeia, Mas que venha a Segunda-feira. Basta deste domingo Choramingos Chovem os pingos A noite inteira. ... A chuva se foi de meu céu revolto, Para pingar sobre este papel de poema marcado, Inundou este e afogou muitos outros, Mas agora não é mais do que passado. Mas espere! Tempestade nunca vem só de um lado. A chuva molha E se não me olhas É porque também tens o olhar marejado.

Sistema Único de Saúde (SUS) O silêncio, O estrondo,
Continuar lendo

Sistema Único de Saúde (SUS) O silêncio, O estrondo, A festa, A ressaca, O silêncio. O grito, A dor, O tratamento, A doença, Os sintomas, O exame, O desconhecido. O médico, A cura, O fracasso. Os desesperos, O gemido, O silêncio. A tentativa, A fuga, A solidão, O resgate. A esperança, A decepção, O sorriso, O fingimento. O mistério, A mentira, O choque, O sangue, O risco. O inesperado, O choro, O silêncio. O cansaço, A verdade, O segredo, O impacto, O silêncio. O inevitável, Os sentidos, O temor, A simulação, O desencontro. O tempo, A ausência, A luz, A descoberta, O especialista, O doador, O coração, O transplante, A batida, O silêncio. O susto, A rejeição, O remédio, A pulsação. A festa, A algazarra, A abstinência, A lição.

Singelo Te ouvir me inspira Ainda que sentir, cardia
Continuar lendo

Singelo Te ouvir me inspira Ainda que sentir, cardia O ar da tua brisa Vicia. Tem dias Que chuva de sol... Havia Ainda que houvesse de ser nada Seria Como de fato foi De dia. E olhar teu rosto Alivia Quão lívido é teu céu, ardia Adia tua partida e fica Num semblante sutil de maresia Ainda que “no Rio” eu ria E a falta que agora me faz Tardia. Ainda que não sei Sabia Foi como haveria de ser Magia.

S.O.L. (Sob olhares lunares) Olha o céu esparramando Espremendo suas esparrelas escuras
Continuar lendo

S.O.L. (Sob olhares lunares) Olha o céu esparramando Espremendo suas esparrelas escuras Olha a margem preto vívido Lambendo crua a noite, pela rua Esquecido no retiro No retiro ínfimo de suas agruras. Olha a cor azedo-pastel do dilúvio Ergue teu cenho célebre, teu murmúrio E cala o efeito drástico Do teu sopro de plástico Sem ácido sem orgulho. Olha o céu caminhando Tracejando os vértices de sua desgraça Olha o palco do punho Apedrejando o cunho, romântico Azul estanho de cachaça. Olha a cena sábia embriagada do teu vício Aponta o dedo, estupefato Aponta o dedo pra janela Esquece, escapa, Cinderela Pois de tuas esparrelas Fartou-se outro sapo.

Reviravolta Tava virando a esquina do teu coincidente itinerário Quando decidi desviar
Continuar lendo

Reviravolta Tava virando a esquina do teu coincidente itinerário Quando decidi desviar Desanuviar Desvendar E eis que me vi em vendaval Sob esvoaçantes vitrais de um plano cartesiano qualquer Em um tempo qualquer Num momento qualquer De vida Pulsando gravuras irreconhecíveis de felicidade Mas tão íntimas e derradeiras Como o acaso de ter te visto E ter-te feito meu atalho De redescoberta.

Manhãs de Quinta Solta o teu sol no meu seio Senta meu mar no teu meio
Continuar lendo

Manhãs de Quinta Solta o teu sol no meu seio Senta meu mar no teu meio Meio-alma Meio-carne Língua Lânguida Espalme O ininterrupto curto-circuito do teu charme Me dispõe no intuito de disparar-me Corpo Sangue Vinho Sempre carne. E me agarre Faz-me à parte Pronta a ti Bem te fiz Bem-te alarme. E ainda Me Suga, me salga e sinta A pele Seda-limpa Encher-se de tua quinta Me excita Me faz, me grita Me grava na tua ímpar Manhã Entre insanas Tão sãs Tão lindas Me infinda Ainda que não seja quinta Ainda que não veja, sinta.

Versificado Na abstrata caligrafia dos poetas não se inscrevem mesuras de direito, espasmos de amargura ou indulgentes sopros de discórdia, apenas jorra-se ímpeto, delírio, fruição. Mas o que dizer-te então, diante da afronta santa de tua astuta rejeição? ...
Continuar lendo

Versificado Na abstrata caligrafia dos poetas não se inscrevem mesuras de direito, espasmos de amargura ou indulgentes sopros de discórdia, apenas jorra-se ímpeto, delírio, fruição. Mas o que dizer-te então, diante da afronta santa de tua astuta rejeição? ... Entre mortos e feridos versificaram-se todos os tolos frágeis deste duelo, eram eu e meu martelo ponta-de-prego, martelando, martelando, uns poemas brandos ou uma centena! Sentenças e mais se pensas na dor intensa do cotovelo... Cotovias vaiam nossas avarias Todavia repousam seu zelo em alardeadas notas, notaria Não fossem tantos versos verificados de apatia, quem diria Não fosse tantos restos esgoelados do que eu vivia.

Amor que mata O impacto de um pacto, De fardo e pecado,
Continuar lendo

Amor que mata O impacto de um pacto, De fardo e pecado, Pode ser a algema de almas gêmeas, Sendo negado. Que força tem o destino, Quem ousa, Quem bane, Quem ama, Quer sangue, Cretino? O deleite do amante, Tão raro, Tão caro, É doce, E Amargo, Diamante. O eco do teu grito, Tão mudo, Tão tudo, É fato, Relato, Do mito. Meus braços, Soltos, Nosso laço, Morto. Desejo de ser quista, Tão sutil, Juvenil, Tão livre, Como tive, Masoquista. Caminho que não sigo, Que renego, Que é cego, De paixão, Que levou um não, Castigo. Todos os restos e sobras, Do teu horror, Da tua obra. Fardo...Pecado, Pecado...Fardo. Causa ou conseqüência, Tudo vale pela sobrevivência, De viver sem te ter ao meu lado. Que derrame o sangue, Que grites de pavor, Não peço que me ames, Mas te mato por amor.

Distorção Célebre Uma data como esta e você tão longe... Tava pensando em enrolar uns brigadeiros, talvez encomendar as empadas da dona Mafalda. É! Aquelas que você adora... Um bolo cítrico para ajudar na digestão e um bom Cabernet. Fico imaginando toda a tua movimentação eufór…
Continuar lendo

Distorção Célebre Uma data como esta e você tão longe... Tava pensando em enrolar uns brigadeiros, talvez encomendar as empadas da dona Mafalda. É! Aquelas que você adora... Um bolo cítrico para ajudar na digestão e um bom Cabernet. Fico imaginando toda a tua movimentação eufórica, aquele teu ar de menino em banho de chuva com direito a trilha sonora das boas... Daquelas que embalavam meu choro histérico quando te ouvia bater a porta dos fundos e que me faziam Audrey Hepburn por alguns instantes. Difícil conceber nosso afastamento, doloroso catalogar teus vinis de Billie Holiday e proteger-me do vazio daquela tua voz, categórica e segura, que como quem “não queria nada”, foi me ditando brandamente uma ida sem volta... A tua segunda opção cabisbaixa de abandono, que fica nas fotos agora itinerantes que tiramos, mas que nos tiraram... Um medo absurdo de te projetar nesse nosso mesmo espaço de sempre... De forjar a bagunça da tua mesa de escritório – um instrumento – que agora apenas veste o canto da sala de meu luto. Nos móveis aquela sensação de saciedade, como se já não pudessem se mover pra não desmanchar teus vestígios... Na cadeira de pano a mancha das tuas voltas às sextas do teu “sagrado” mergulho matinal.... Ali, só pra me lembrar de quando ria da minha implicância com a tua maldita sunga de “estimação”. Mas, enfim, é dia de festa... E eu aqui às voltas com essa celebração funesta de todo mês de Agosto.

Sub-não-sei-o-quê Queria criar um poema que expressasse meu nada - sinto... Que te provocasse cismas das mais irrefutáveis, que te fizesse sentir como dói estar fora de tempo, como é ser corroído pela ânsia de contas e hipóteses que justifiquem o destrato, ainda que minimamente.…
Continuar lendo

Sub-não-sei-o-quê Queria criar um poema que expressasse meu nada - sinto... Que te provocasse cismas das mais irrefutáveis, que te fizesse sentir como dói estar fora de tempo, como é ser corroído pela ânsia de contas e hipóteses que justifiquem o destrato, ainda que minimamente. A temática amorosa esgotou-se, a extensão de meu vocabulário não dá conta de meus ouvidos... Não faz a vez de meus tantos “eus” contidos e desesperados. Vago entre o fascínio íngreme pelo ardor que me desperta e o medo de decretar tua ausência múltipla, cada vez mais translúcida aos meus olhos, irrequieta, odiosa! Entre a pretensa dádiva de esbaforir-te e o deplorável equívoco de te ser arrependimento, oferta cativa em liquidação. Quem sou o “eu”? Uma típica overdose de sensações táteis e voláteis em análise? Quem ti sou? Um pérfido equívoco moral, um atravessado e latente engasgo eventual, que ti sou eu, afinal?! Um todo para magoar, encantar, elevar, trucidar, inebriar, pisotear, viver ou deixar que se vá? Me explica esse todo teu que me abocanha, que me suplica, que grita e acompanha toda uma rítmica assiduidade relativa, mas tão bonita! Me pronuncia então o ócio de tanto engodo, me olha nos olhos e me despromete tudo de novo! Mas não me ignora, não alimenta minha veia masoquista! Não deixa a tua poetisa exaurir-se nos outros suprimida! Apenas peço que me ressoe em tais versos, que em teus olhos me tenha... Não te rogo milagres, não te roubo lugares, não te quero sem meias... Meias - palavras que emergem plenas num silêncio estrondoso, ainda que alheias... Não quero crer que seja apenas um apanhado meticuloso de fazes-de-conta, que tua arte não te arde e a minha não te incendeia! Não quero crer estar diante de meros termos coincidentes, ser um erro recorrente, insistente, ambulante... Não quero crer na tua audácia em me ser lástima e lágrima, quando me devias se não teu mundo, tuas estrelas, se não todas, apenas as que me pudesse irradiar sinceramente.

Auto-poema-resposta Já perdi a conta de quantas vezes passeei os olhos pelas tuas palavras, violentei, violei e ainda mais, forjei tais vocábulos de despeito. Não compreendo como tuas pequenas mãos embalam tantos esbravejantes decretos de saliência, essa revolta ímpar, essa crua…
Continuar lendo

Auto-poema-resposta Já perdi a conta de quantas vezes passeei os olhos pelas tuas palavras, violentei, violei e ainda mais, forjei tais vocábulos de despeito. Não compreendo como tuas pequenas mãos embalam tantos esbravejantes decretos de saliência, essa revolta ímpar, essa crua permissividade que não esmorece mesmo diante da minha persuasiva desistência! Assim como esse teu curvilíneo corpo esguio que me deplora tantas proibições, mas que conheço tão displicente, tão involuntariamente despudorado...Que mente-me tua pouca habilidade, tua irrefletida sedução sublimada no orgulho que te estampa, arredia, quando te ponho inofensiva. Queria te ofertar bem mais do que tais dimensões paralelas de sub-vivência, queria poder consentir tua destreza nessa conquista que me ilumina sob belas palavras, ainda que não consiga permiti-las em meu sentimento... Poder enxergar essa alegoria na qual nos transforma, com a devida imparcialidade crítica com que me roga, sem afetações de meu ego... Ser-te luz bem mais do que inspiração, te fornecer meu olhar sob tais versos e causar-te a fosforescência com a qual me convidam ao infinito. Como resisto ao teu aprazível jogo de causa e efeito? Como posso negar-te o direito de perturbar-me, de deixar-me insone relembrando tuas vestimentas de pecado, a tua boca colorida de um tanto de ardor e audácia?! Como podes acusar-me de evadir-me de nossas instâncias, se as carrego com a mesma urgência de cada pulsar irrefletido? Injustas palavras, Menina. Injustas.