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Frases de Naty Parreiras

89 frases

ESTOFO Na glória E à deriva
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ESTOFO Na glória E à deriva O vínculo simplório Do reencontro É o que rema a vida.

APRESSE A lua tem gosto Súbito
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APRESSE A lua tem gosto Súbito de silêncio A propagar distâncias. Falam-na plena Em seu altar adjacente Mas o teto de vidro Quebra-se aos olhos de estampido E ensurdece. Aos notívagos Serve aos mais vagos e vastos motivos Todos eles, santos Todos eles, tantos... Mas a deusa da clausura Estanca os ouvidos E ausculta cada prece Até corar a noite Em dia amanhecido... Ser poeta É ser bicho De nenhuma espécie.

POEMA SEM COMANDO Tem um barulho doido dentro do meu ouvido. Dissonante. Ressoando toda uma confusão de cartas outrora já marcadas.
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POEMA SEM COMANDO Tem um barulho doido dentro do meu ouvido. Dissonante. Ressoando toda uma confusão de cartas outrora já marcadas. Não sei se é o ampl de guitarra ou as minhas cordas vocais, adulteradas. Não sei. Aliás, saber é algo que deveria passar pelos ouvidos. Olvido. Esqueço. Álias, lembrar é papo pra outra sessão de análise. Estou literária minha mente suspensa. tô nessa de deixar fluir no papel abstrato o que tratei desde a cura há tempos remediada. eu medeio sem medida o tédio das distorções, em mais sílabas, acredita? eu leio, eu laço a palavra a gerar sinônimos de desentendimento, e você? me entende? sei lá o que há aqui talvez o vazio amortecido do que já vivi lívido e decapitado descrito com letras duplicas e maiúsculas. pequena eu. e um mundo inteiro de esperanças parado no ponteiro exato quem sabe um dia... amanhã? não. a negação presentifica o desejo de existir paradoxal é o nada... nada consta em teus olhos só há espaços. eis o sábio parágrafo repetido pela minha própria ignorância em manusear a palavra com cuidado palavra dada gera dados e estes, - enfim - demandam fatos. e eu desmando - o tal malandro - Nem eu nem você...

MÚLTIPLA DE TI Meu amor, Não tome meu zelo como autômato
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MÚLTIPLA DE TI Meu amor, Não tome meu zelo como autômato De quem crê portar o visto Do que, alheio a tudo, A tudo viu. A começar por ti Estréia concebida apenas na usura fantástica Da minha imaginação. Não... Essa assimetria toda combinada Calhou de me emudecer E na ausência de um tipógrafo Prefiro não tipificar cadências Tímidas Tão pouco Avassaladas Em mútuo estado de contingência. Mas me diz Conter por quê? Se cada letra que cravo na vida Me parece ter sido bem disposta À tua espera? E não que não seja De perecer O usufruto do nosso tempo Disparado e vertido de ausências Mas não posso (nem quero) Viver de cronometrar despedidas Ou derreter a parabólica Dessa nossa curta metragem de amor sem medida Assim tão óbvio Erguido em terreno inóspito E entregue em cada (tão terna) Premissa! Não hei de estender o poema Pudesse amplificar paradigmas recortados De realidade Não penso Que quero Ao que sintas Desejar-te Posto que já te tenho Curvo e aliterado Sem sombra Suor Ou sílaba (Saussure) Que sussurre... Ou Sartre Sorte É estar E eu Estou na tua Nu(n)ca Repartida Em todas as outras infantes - Tuas musas de antes - Mas eu sou A branca - Bem rubra - Eu sou a única Que fica.

AUTO DE PRECIPÍCIO Já não sei viver Sem tua sombra
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AUTO DE PRECIPÍCIO Já não sei viver Sem tua sombra A recortar-me Por entre pares de olhos Meus ouvidos. E eu te ouço Curto e estancado Na letra mínima da canção Repelida Pela ausência fria ou em vastos sentidos. Eu sei te ouvir Dormindo Por entre o sono embaçado E o despertar irredutível. Espanta-me a dor em teus olhos Como quem engole o céu Por entre lagos e precipícios. Em pensar que a poesia Repousa o viço Tal a sombra de uma árvore Recompõe o suor dos legítimos. Justo? Não. O amor é um abismo.

POEMA PRETERIDO E se eu te escrever Um poema
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POEMA PRETERIDO E se eu te escrever Um poema Que não for teu Mas capaz de restaurar O silêncio que exalta Nossas memórias ressequidas? E se eu for capaz de te amar Mas nunca mais Capaz de te escrever Poesia alguma? Como fica?

AUTÓTROFO Há cansaço em existir... Nula,
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AUTÓTROFO Há cansaço em existir... Nula, Desisti de todas as querenças. Só Quero regurgitar o veneno Sistêmico Do dia a dia Expor o caos à exceção Me fantasiar de tempo E passar incógnita Por cada ruela do esquecimento. Eu morri à míngua E o sol Solitário e ambíguo Tornou-se repouso à sombra De uma lua qualquer. Assombro-me da crueldade Inanimada em olhos fixos Distraídos do instante Em que foram passíveis De ver. Cala-te boca É o calabouço que te acorda Subterrâneo Ima translúcido de teus dedos Metais de vidro A atrair fragmentos ao vento. Eu duvido Que aceite o reflexo Como ato involuntário Do que tende a ser Espelho Desespero Perto Aperto Não há pleito algum em quem Esqueceu-se de reivindicar. Fraco A corda arrebenta do lado Mais fraco Mas apto à fraqueza De arrebentar. Só sei Que só Tenho aptidão para sobreviver. E enquanto existo Há uma naja sibilando Dogmas em línguas febris Contorcendo-se inebriada Pelo claustro do próprio sufocamento Por entre mágoas. Agora vai Troca de pele Digere essa presa Que abala o vazio A fome A finitude do ser Que era Antes do bote E sobrevive.

CAPITAL Sabes Eu invejo o teu sono...
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CAPITAL Sabes Eu invejo o teu sono... Como te toma e ampara Nas hastes invisíveis do fantástico. Como recobre teus olhos De pálpebras súbitas e inalteradas Tantas tais poucas as asas de um poema. Teu sono repousa minhas vestes E me condena A permiti-lo à espera No desejo a salvo Insone, meu apelo é um leigo A guardar-me no enleio De teus largos braços.

FATAL O vazio De tantos corpos
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FATAL O vazio De tantos corpos - Inelegíveis - Ao acaso... Qualquer que seja A desventura Eu pairo olhos A disparar sinos de vento. Eu busco - A contento - Um pouco do pão Em divino código Sirvo-me da sangria Vitrificada na espera E no desamparo. Dos teus medos Eu sou a deusa Que era Eu sou o fato.

LUA NOSSA Olha no meu olho Bem devagar
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LUA NOSSA Olha no meu olho Bem devagar Nao tira os seus olhos De dentro de mim Percebe o quanto me entrego Irrestrita Ao nosso ritmo E sem pressa alguma. Não diga uma palavra Não ouça nada Além da minha alma Vulnerável ao afago do teu corpo. Celeste Corpo de luz Cadente Fecha teus olhos E faz um pedido. Os olhos da lua Sempre serão os meus Desejos E os teus, ouvidos.

AUTO DE ANUNCIAÇÃO A vida tem o sonho
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AUTO DE ANUNCIAÇÃO A vida tem o sonho de bastar-se eterna Mas prossegue finita febril e faltosa. E é nessa busca pelo que jamais haverá de ter lugar Que vagamos exatos por dimensões de delírio. Me dê a mão a mola propulsora de todo e qualquer desejo E eu impulsiono o mundo para parar o tempo em nós. Tudo teu, meu amor: meu sonho minha sutil arritmia quando chegas e me tens nos olhos na boca por entre palavras... Sei quando sou a escolha. E eu escolho viver vasta E inteira nos teus lábios que sussurram à cada noite a espera pelo dia seguinte. Sim Hei de amanhecer nos teus olhos todo dia. Abro a janela e contemplo - Não a noite fria - Mas a saudade que sopra e queima A brisa leve que o vento já anuncia.

EXTRAVIO Eu preciso de um poema Forte
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EXTRAVIO Eu preciso de um poema Forte Inanimado E absolutamente vazio. Eu pressinto um poema Na liturgia velada do teu jogo de sombras Posto que sei imenso do azul. Eu esgoto o meu desejo E arrebento o desconforto De ter tido saudade De ter tido o tempo exato De desmerecer o cálculo. Eu imploro o poema digno de nada Digerido em minha ossatura tenra E despreparada. Eu impugno o poema que me cospe O sabor errático da vitória. (Em mim, gangrena) Eu mastigo o fracasso Como quem disseca A ultima doçura daquela goma - já incolor - A grudar intestinos. Eu encolho o poema E sem as rimas Disfarço A dimensão de meus pormenores. Eu esqueço o poema No bolso da calça preta E amarrotada Que um dia já existiu na minha lembrança. Eu preciso o poema Na falta Na tua falta Em não presença De estar aqui. Eu Simplesmente Perdi O poema Num achado de esperanças.

DOMÍNIO Se de me olhar Me enxergasse
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DOMÍNIO Se de me olhar Me enxergasse Não precisaria irromper Vestígios de saudade Extrema. Em seus olhos Há poema Investidas tão torpes Quanto anímicas estrofes - Tão nobres - Mas enfermas. A poesia escorre Não há tema... Por mais que eu tema à morte Ouso a overdose Da ausência.

SEPARAÇÃO DE CORPUS A cor dos meus olhos -serena-
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SEPARAÇÃO DE CORPUS A cor dos meus olhos -serena- Confunde-se com a lua torpe Das incertezas. Não por falta de convicção - me entenda- Mas por saber que onde há rua Há farol E a penumbra é como pó Que repousa sobre a mesa. Talheres ao alto! Que voem os copos Quebrem-se o pratos Os chatos E os planos! Eu quadriculo o quadrado Cada um no seu, E eu no meu O nosso é o oceano. Quadrado enorme E disforme Percorrido pelas marés longínquas E correntes marítimas A minha fé Em ser tua mulher Não cabe em uma rima. Arruma Os móveis todos No canto da sala E abre alas Pros nossos poucos Espaços Que juntos Constituem hemisférios. Eu falo serio! Meu dom mais terno É estratificar o dito termo E descontrai-lo ao extremo... Relaxa. A vida é bem mais simples Do que as aspas De "viver bem" Mas bem viver É viver às lagrimas! E eu choro Menina tola Do pequeno pé Que onde pisa faz surgir O asfalto. Eu falto Para ser presença Inconstante E esperada No abrigo íngreme, Na autopista - Em lombadas e cicatrizes - Que não se segue pelas placas. Curva acentuada à esquerda Direção segura é a consciente E modesta Pronta para desviar dos muros Sem mirar em florestas. A vida é uma selva Eu bem sei! O bem que eu procuro Quem me dera! Me dará Terra firme? Estou às margens da BR 115 Mas estou em festa. Me perdoe, meu papel Por não ferir-me Nem às vésperas... Não há dom Que o amor não sublime Nem o mesmo o dom - acredite - Que há na dor de ser poeta.

SILÊNCIO Sim Estou de luto
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SILÊNCIO Sim Estou de luto Mas a luta tem sido tamanha Que me faltam pulsos Para quedarem-me os braços. Sim, eu soluço Eu divago em vultos Mas não caio de bruços A absorver impactos - nem brutos - Minha fé tem mais soluções. Mais fraco é o curso Não toco meu barco - Flutuo - Apenas escuto E desvio dos sons. O silêncio é um culto Ao deus dos pagãos.

AUTO DE SAGRAÇÃO A liberdade é um céu de espinhos em nuvens áridas
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AUTO DE SAGRAÇÃO A liberdade é um céu de espinhos em nuvens áridas Secas Secas E esparsas. A liberdade é um nó no linho E na navalha, o punho... Pálida, Escorro sangue Na grinalda. A liberdade é o preço ganho Do sem destino Um terço a menos Do que exprimo Um dedo a menos Em cada palma. Ali a verdade é um peso no estômago do meu filho, Todo verso meu É um antigo delírio Esquecido na fome do mendigo Alimentado na mais soberana Das faltas.

SONATA INSONE Difícil dormir sentindo que você está na sala... Teu olho procurando na sintonia fina da TV
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SONATA INSONE Difícil dormir sentindo que você está na sala... Teu olho procurando na sintonia fina da TV Qualquer noção programada da tua vinda... Vaga... E no “top” de cinco segundos A recaída. Difícil dormir com a tua saliva aguardada na cozinha e na cama Lambendo meu sono em doses profundas que me gozam em semi-coma. A mesma canção que me sona Sintetiza teus efeitos audiovisuais em meu leito de sintoma! Não durmo, não durmo! Mas distorço o cúmulo cumulativo tal drummoniana! E assim te minto em meu dom e dramo teu tom Em insônia... Mas tem sono e som, (e também tem Drummond) Quem nem sempre sonha.