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Frases de Naty Parreiras

89 frases

São Nunca A metáfora do fim aproxima a véspera Ainda que esta relute na omissão literária do tempo nunca
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São Nunca A metáfora do fim aproxima a véspera Ainda que esta relute na omissão literária do tempo nunca Agora é nunca... Nunca lembrar Nem arrepender A véspera Exaspera o tempo corrente Iludido Elodido... Doído sempre... Interpreta a eminência do finito Se abriga amanhã no amanhecido No fatídico grito de ontem Que larguei ainda agora Enquanto passeava pelo nosso enquanto Tão contínuo e acreditado da véspera Desse dia que ainda virá em tempo algum.

Execução Queria mastigar meu ventre Coibi-lo de gerar (e gerir)
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Execução Queria mastigar meu ventre Coibi-lo de gerar (e gerir) O metabolismo de meus vocábulos Queria arrastá-los desfigurados Em praça pudica Pública Alastrados Devastados No cumprimento de minha tão solene e solícita pena Em plena agonia que ojeriza minha cria extrema E minha quarentena! Queria esganar-te e não escrever-te um poema! Queria entranhar-te o corpo estranho Que irriga - que irrita – o teu olho castanho! Mas é de fato uma pena A pena verteu-se em meu lema Há pena não mais que eu a tema Apenas não mais que poemas!

O dia em que o concreto do arquiteto desabou O que sabes de mim Se tens meus versos
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O dia em que o concreto do arquiteto desabou O que sabes de mim Se tens meus versos Mas se a mim, de fato Nunca tivestes? O papel, mentiroso de berço É um inteiro de um amor um terço Em um terço de hora. Agora, O que tenho Arquiteto? Apenas um desenho De resto? Desenho... Ou rabisco? Nos olhos, um cisco É o que tens, Arquiteto, Pois não enxergas além da tua planta O deserto. De certo Do chão estás perto, Arquiteto, E minha cabeça no teto, aqui, perto. Enquanto és arquiteto, Sou “aquiperto”... e tão longe. Podes construir o que quiseres de frio concreto, Ergas os prédios com os quais sempre flerta, Pois enfim, caro Arquiteto, Terás poema sangrando aberto, Mas jamais o amor concreto de uma poeta.

O Paradoxo do Silêncio O silêncio traduz um tanto da incompreensão, um quê do pecado de se permitir elaborar uma linha ou duas de discórdia, destas que condenam nossos desejos e expõem nossas limitações. O silêncio que irrompe na madrugada, difere do que se esgota no torpor do…
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O Paradoxo do Silêncio O silêncio traduz um tanto da incompreensão, um quê do pecado de se permitir elaborar uma linha ou duas de discórdia, destas que condenam nossos desejos e expõem nossas limitações. O silêncio que irrompe na madrugada, difere do que se esgota no torpor do sonho, quando a imagem define “o tom” da fantasia. É persuasivo, quase que personificado no contorno de nossos dogmas existenciais, muitas vezes pouco pragmáticos. O silêncio desenha em sua sinuosa ilusão de permissividade, o sedutor intervalo de sobriedade que irriga o sangue de nossas derrotas e o consolo de nossas mentes desertoras. O silêncio golpeia a indiferença de faca em punho, ainda que esta possa esconder-se sob o artifício de belas palavras. Estas, ele habita, instiga, investiga e por que não, PALPITA, permite que tomem forma, cede generosamente seu lugar para que pulsem. O silêncio é um espaço que converge para as rimas, que abriga um tanto do sorriso contido pela ânsia de seu preenchimento ou dispersão. É um antídoto contra a ansiedade. O silêncio é o representante legal da criação, a gênese do saber, o marco zero de nossa sapiência tão relativamente dialógica. É pacifista, tolerante, conciliador. É o que pode diferir o esperto do sábio: "quem cala NEM sempre consente", ainda que se sinta que já não se pode sentir. Há quem o veja paradoxalmente como agente perturbador, ou porta-voz (?) da indiferença. Mas o silêncio porta-se como o tempo, senhor de si e de tudo que rege, ponderado e cabível além de nossas falíveis tentativas de mesurá-lo ou de julgar sua legitimidade. O silêncio ainda que subjetivamente reconfortante, inscreve-se no coincidente da alma humana – o pensamento – que assim como o tempo, é sempre um relevante aditivo em nossa frenética descoberta, ainda que esta só revele-se na inexistência das respostas que tanto racionalizamos, em intervalos de pouca (ou nenhuma) sobriedade de nosso ânimos.

Acorde Acordo dos 62 dias em que me abstive de ti. Obstinada a consumir-te um tanto... Despertar-me. Poetas nunca acordam o suficiente, preferem as acrobáticas manobras do devaneio, sublimes tais como a inspiração em que se consuma sua prosa, sua rebeldia.
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Acorde Acordo dos 62 dias em que me abstive de ti. Obstinada a consumir-te um tanto... Despertar-me. Poetas nunca acordam o suficiente, preferem as acrobáticas manobras do devaneio, sublimes tais como a inspiração em que se consuma sua prosa, sua rebeldia. Alaridos não mais me comovem... Rasgos de candura já não limam meu pão-de-açúcar, meus intocáveis recortes de divino. Melindra-se o tom do “acordeom”, ainda que nada mais me acorde ou me ponha pra dormir... Nem o drama, nem o som, nem a fraude... Nem te ouvir.

Chuva de domingo Chegou a chuva... Cheia de charme,
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Chuva de domingo Chegou a chuva... Cheia de charme, Chamando, chama queimando, Soando o alarme. Sh! Sh! Cala-te chuva grosseira! Teu charme apagou a chama por inteira. Sh! Sh! Chama, me chama, Inflama, me ama, Me tira da lama, Da poça de lama, Dessa chuva de cama, Insana, fagueira. Me inunda profunda, As gotas imundas, Tempestade de nunca, Nunca molhar-se, Mesmo sendo a face, Do que molha minha nuca. Sh! Sh! Cheiro de choro, Chão feito de choques. Tens o toque de ouro, Mas teu não é de morte. Cabisbaixos os pingos dela, Molham-me dentro e minha janela. Me abrigo em meu desleixo, Mas ela vem quando não deixo, Tentar-me em meu leito de donzela. Céu sísmico nos meus pés, Nuvem só de vento triste, O tempo nublado esconde o que és, Em meus olhos a chuva persiste. ShShShShShShShShShShSh! A chuva lá fora não caí tanto, Quanto os pingos brandos do meu pranto, Pelos cantos, Pelos cantos. As gotas que escorrem pelas veias, Pingam-me no rosto salgadas de areia. Ó céu clareia, Clareia! ShShShShShShShShShShSh! De cada pingo um dia me vingo. Chuva que molha um céu só, Faça ela o que faça o sol, Vai te inundar noutro domingo. Sh! Chuva não chora, Chuva não chega, Chuva vai embora, Chuva chove lá fora, Chuva, chega! Sh! Silêncio para o sol para o sol sorrir. Sh! Salva-me da saudade de ti! Me acolhe na tua aldeia, Sem eira nem beira, Me molha, me olha, me odeia, Mas que venha a Segunda-feira. Basta deste domingo, Choramingos, Chovem os pingos, A noite inteira. ShShShShShShSh... ... A chuva se foi de meu céu revolto, Para pingar sobre este papel de poema marcado, Inundou este e afogou muitos outros, Mas agora não é mais do que passado. Mas espere! Tempestade nunca vem só de um lado. A chuva molha, E se não me olhas, É porque também tens o olhar marejado.

HonRATO Feroz Há vezes apenas sinto que existo apenas porque não desisto de existir Há vezes apenas sinto o que não minto apenas porque minto que não senti
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HonRATO Feroz Há vezes apenas sinto que existo apenas porque não desisto de existir Há vezes apenas sinto o que não minto apenas porque minto que não senti Há vezes em que não sinto, sequer insisto ou desisto do que já existi Há vozes que me obrigam no solo morto, se jaz, morri. Há doses que me inseminam do rastro corvo que apodreci Há tosses que se terminam pelo brônquio aberto de sol e si Há dores que são um pacto... que são um pacto... Submeti Às dores que só um rato... que só um rato... Sobrevivi.

Go to Rome Home alone Com fome,
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Go to Rome Home alone Com fome, Sem nome, No telefone, Insone, Tudo some. I can feel, O vento frio, Do teu assobio, Nosso encontro no rio, Teu amor que sumiu, E o meu que consome. Looking all the stars, Na sala de estar, Jantando o luar, Bebendo o ar, Ninguém para amar, Nem sinal do meu homem. Your love is over, Não posso te ver, Prefiro morrer, Eu mesma vou ser, Cansei de você, Vou para “Rome”. Home alone I can feel, looking all the stars, that your love is over. Não posso te ver, cansei de você, vou para “Rome”.

Efêmero Esmero Feminino Te amei No curto-circuito tempo-espaço
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Efêmero Esmero Feminino Te amei No curto-circuito tempo-espaço Imensidão Amar-te-ia se não Houvesse o amor cegado ao são. Sangue bêbado de licores azul-gregos Crepitados no porão Amar-me-ias então, Se não sugasse minha cripta Criptonita atônita Afeição. Amar-te-fui Não mais voltei Pisei ao chão Se amar-me-ias Não mais me rias Amar-me eis quão!

Expresso Eu recito e tu me receitas Uma xícara de café e meia
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Expresso Eu recito e tu me receitas Uma xícara de café e meia Ou uma dose alheia Do teu mau-olhado. E eu te olho nu – olho E eu te decoro no olho Mas eu te vejo é no cheiro Eu te sinto é no trago Mas eu te quero de lado De perfil Não hostil Ou triangulado. Eu te recito e tu me receitas um gole de café amargo.

Eco do Adeus É deserto... Nada sinto
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Eco do Adeus É deserto... Nada sinto Nada penso O fim está perto. É deserto... Um pouco de vinho tinto Tantas lágrimas para um só lenço Erros que no fundo estavam certos. É deserto... Foi-se o oásis de água Tenho sede, tenho mágoa Ouço no adeus o teu eco. Nada sinto Nada penso Um pouco de vinho tinto Tantas lágrimas para um só lenço Foi-se o oásis de água Tenho sede, tenho mágoa É deserto... O fim está perto É deserto... Erros que no fundo estavam certos É deserto... Ouço no adeus o teu eco. O adeus... O adeus... É deserto... É deserto.

Canção que não toca Desligamos o telefone. Meu mundo gira e toca a canção composta pelos agudos e graves da minha esperança, ou pelo fim dela. Talvez querendo te tocar.
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Canção que não toca Desligamos o telefone. Meu mundo gira e toca a canção composta pelos agudos e graves da minha esperança, ou pelo fim dela. Talvez querendo te tocar. Nomes soltos e tortos percorrem o tortuoso caminho da dispersão. Mártires salvando a própria alma das chamas infortunas é o que são. Me falta chão, me sobra teto limitando a sede dos sonhos-canção. Me falta e sobra tudo. E não entendo porque me rendo, porque sou apenas sendo e nada querendo desse teu mundo. O som do chicote-razão ecoa frente à tua dó, à tua pena. Enfeita ainda mais a cena feita de ápices dinásticos e faces de dor serena. Nas trocas de neologismos para o não, encontramos a mesma resposta: Na vida não há canção que toque fundo quem não gosta.

Verdes Olhos Vedes - A Garcia Lorca Verdes caminhos Vedes?
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Verdes Olhos Vedes - A Garcia Lorca Verdes caminhos Vedes? O ressoar do sino nas paredes Blem blem por ninguém O ressoar da saudade Sem tua sede - Redes - Bem, porém Ela não tem. Rende-te Minhas linhas já não sentem Fúria e fogo rasgam rente Mas não as correntes Apenas eu, Carente. Entre! Me tire desse aguardente Sem entes, Nem frentes Doente Enfrente! Vedes verdes olhos Verdes olhos, vedes? Não vedes o verde Nem verde tu vedes Só preto e branco Por dentro Tormento Aguento E não vedes, olhos verdes Não me vedes Nem me viste Mas em teus olhos verdes Minha sombra existe "Preta e branco" Cor de pranto E tão triste... Verdes olhos, por que persistes?

“Clipes, eclipse, apocalipse e ouros fins” “E como se nunca tivesse ido, ele voltou. Rindo das próprias idas e vindas, passando por cima
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“Clipes, eclipse, apocalipse e ouros fins” “E como se nunca tivesse ido, ele voltou. Rindo das próprias idas e vindas, passando por cima das despedidas, melancolia ressentida, muito Rock´n´roll. Fez dos próprios braços a foice e do passado sombrio, Tez de olhos rasos, coice no pecado, consentiu. Me envolveu com ternura digna do apocalipse, E se eu não ouvisse a juá benigna frente ao eclipse, Eclipse da tua ida com a tua vinda, Veria novamente a dor da despedida, Mais um dia de porta sem maçaneta no nada da vida,