TAL VEZ Sabe Que de sonhar
Continuar lendo
TAL VEZ Sabe Que de sonhar Um dia Penso Esse espelho Esse outro - idêntico - Dentro do mesmo Que se quebrou - Foi o texto - Não foi real Foi por extenso.
89 frases
TAL VEZ Sabe Que de sonhar
TAL VEZ Sabe Que de sonhar Um dia Penso Esse espelho Esse outro - idêntico - Dentro do mesmo Que se quebrou - Foi o texto - Não foi real Foi por extenso.
MAREMOTO (AMAR É MORTO) Amar antes Que a dúvida
MAREMOTO (AMAR É MORTO) Amar antes Que a dúvida Que a vida Ávida Escorra Como única Gota De uma maré Mansinha. O mar é morto A maré Vinda.
LUNAR O dia esconde-se Noturno
LUNAR O dia esconde-se Noturno E tudo o que se vê é céu Feixes de luz automáticos Ditos-estrelas. Há um recanto arredondado a aparelhar a reza do poeta. Há a espera Voluntariosa mas de duração presumida. Há a vida Previsível eloqüência do inesperado Há o acaso O curto Circuito infinito Há o oposto Ao dito Há o amor a prazo O nosso É ao vivo.
Unilateral Triste o fazer do poeta Quando a dor se projeta
Unilateral Triste o fazer do poeta Quando a dor se projeta Para aquém da poesia... Não alcança Não seduz nem mantra Não varre a luz que arde em cria. Triste o fazer do poeta que jaz no vão em que alumia.
Esgota I Foi-se a era de interjeições bombásticas, rejeitadas de revolta, complacentes de perdão. Foi-se o freio brusco de surto torpe, insano, sem seio à sorte, sem delírio, sem unção.
Esgota I Foi-se a era de interjeições bombásticas, rejeitadas de revolta, complacentes de perdão. Foi-se o freio brusco de surto torpe, insano, sem seio à sorte, sem delírio, sem unção. Espíritos voláteis em almas são, agruras pélvicas caindo ao chão. Poções encharcadas de lirismo e abstinência, puros porcos de demência e decoro nas prisões.Solte a algema, alma ingênua que incendeia o cemitério de ilusões. Pega fogo na areia, áridos raios, não que creia, pulsos secos de dragões. E depõe teu crime pálido – cálido de sublime – sedimentado feito vime nas frestas secas de menções (dimensões). II Capciosas lágrimas me abalam frias no contorno lungebre dos teus ternos olhos... Tão secos. Descascam minha sutil efêmera realeza em ser simplesmente só, vento e corpo ungido de pó. As abominadas vozes que abalam meu medo desejo repleto de mim, se mistificam perante minha dó do eu. Eu fui apenas a plácida trêmula tristeza primitiva de agourar meu sossego. Eu fui o tormento de me perceber no centro de eu mesma, quaresma presa nos braços azuis. Eu fui a empírica luta de resguardar o sopro alucinado, de resguardar meus pródigos apelos por ti: apenas porque quis bem a mim. III Não sou digna de respaldar-me em teus assombrosos palcos de asno-em-pé. Não me reconforto nos céticos pleonasmos do teu querer insólito de moldes adormecidos de ti. Não ando na tua sintonia alegórica de me querer a teu tempo e gosto, desgostosa do que acredito ao que impera o pleno rubor de mim. Parece pancada Teu anseio viril, vinil rabiscada Parece indiferença O teu abraço pertinente de penitência. Parece rancoroso o meu bocejar pasmo por meu não importar-me contigo Pois me deste o abrigo para as frias noites que encontrei em ti Em tua não presença De simplesmente não poder estar. Me deste o sonho libertino, estupefata, recobrindo o solo mendigoso mastigado de mágoas no qual me redescobri Para simplesmente estar ali... Pena que eu me vi Pena que não mais me pude te mentir. IV A exposta bosta me desgosta das respostas de algodão. Me esgota Meu Esôfago Se esgoto Se desbota Corroí-se à púrpura do chão. Inda bem que não Quem dera-me as portas (porcas) Fossem (Tossem) feito inspiração.
Verborragia Sangra Em ritmo de samba
Verborragia Sangra Em ritmo de samba A minha poesia Samba Logaritmo que sangra Lograr o ritmo que samba Largar o vício de alforria (Sangra... Sangria).
Tempo de velas O que a linha do horizonte me trará? Teu dedilhar de notas tortas,
Tempo de velas O que a linha do horizonte me trará? Teu dedilhar de notas tortas, Para abrir todas as portas, Encantar aos céus de volta, Descer ao fundo mar? Nas profundezas em mim, Profundezas sem fim, Velejando rumo às avessas do teu olhar. Olhar, Olha ao mar, Mártir do azul borrado, Do céu de seu lado, Enluarardo, Sem peixe pra pescar. Bravas ao infinito que se esvai nos ombros da tua mirada... Enquanto ainda há. A sicronia delas, Silêncio ao fundo da janela, São belas, as ondas são celas. Prenderam teu destino a fundo, O levaram bem pro fundo, Às profundezas do meu amor de mar, Ao meu amor a luz e ao vento de velas, Ao naufrágio daquelas, Que desenham meu partir e pintar de telas, Pois nelas, Meu amor pode durar. Sem maresia, todos os dias, quando o tempo assobia: É hora de atracar.
Suprema A palavra perpetua o efêmero da calma que me assume agora Acalma... A palavra acalma.
Suprema A palavra perpetua o efêmero da calma que me assume agora Acalma... A palavra acalma. A palavra perpetua o efêmero do meu afeto que se some agora Afeto... A palavra afeiçoa. A palavra perpetua o grito de socorro que me escapa agora Grita... A palavra grita: Me socorra! A palavra evita o silêncio efêmero que me forja agora (a glória) Cala... A palavra cala A palavra basta Posto que ressoa.
Prelúdio A sincronia dos meus sonetos é perturbadora Sonolenta
Prelúdio A sincronia dos meus sonetos é perturbadora Sonolenta Me assusta em sua ânsia de afligir-se pelo inusitado Na busca incansável pelo NOVO?! O Neo é mero suplício ao engano Redundância nata ao insucesso Alívio efervescente ao tempo, intempestivo. Talento para dissipar-se no intervalo lúcido de um desabafo Ainda que se desloque Enlouquece no passado estático, impávido de retrocesso. A empáfia da mesmice forja novos (?!) dilemas Ainda que teatral, a realidade emerge Nos mesmos vultos de insanidade Outrora decrépitos, que transformam-se em re-formas Ainda que deformadas pelo conforto de suas escolhas Estas são obrigações. Dicotomia pré-estabelecida pela neura de não sucumbir ao conveniente . Não há o que surgir Nada além de prefixos fixados sob a farsa da diferenciação. A exceção é o caos humano. Nada sou além de funestos repetecos, Com variantes aqui e acolá, Temperados pelo equívoco do ser eu O NEO EU NEM EU, NEM NINGUÉM, É capaz de remover as sombras de tantos outros, Hora envoltos em mantos de passividade e demência. A genética previne-nos do engano “Quem sai aos seus não degenera” Nem gera Apenas abriga uma nova seqüência de desejos esgoelados Por velhos hábitos de festa. Deformado pelas frestas da hereditariedade Ergue-se um país, um conceito, uma fábula. É bem verdade Não há novidade, nem mesmo na idade A bula da vaidade, diz “validade”, na invalidez. Ainda que se desloquem Repetem-se de três em três... Segundos?! Enlouquecem os números Seqüenciados, seqüelados pelo previsível Quem inventará o inventável? Eis o inevitável ideograma de coexistir, À imagem, semelhança e discrepância de sobreviver à rotina À rotina de ser o que se é, Em si.
Pôr-do-Céu O emblema tom pastel me emudece No sereno do teu céu, a lua-prece
Pôr-do-Céu O emblema tom pastel me emudece No sereno do teu céu, a lua-prece Vai se pondo no papel e não merece Não mereces Um papel Não mereces No inverno do teu céu A chuva desce E me abraça no teu véu Embaça o vidro, ver-te réu Não te apresse Só te veste Tom pastel Do teu leste Me emudece e com teu véu Fluido-uivo faz corcel E me merece... Se me vires no papel faça prece Posso vir vinda do céu Mas o inferno me morreu Não te esquece.
Súplicas à Pérola À Maria Rita Eis que surge ela
Súplicas à Pérola À Maria Rita Eis que surge ela A não espera árdua de ser ela E grita a Cinderela Quem dera-me ser ela Rita, Maria, Séria Quisera minha súplica poder-te tão sincera Quisera-me Maria ser-te Rita Ser-te rítmica minha súplica Ser-te-me tão lúcida a tua música Que grita Pondera A dor da Cinderela Que era ela Antes do debruçar de tuas querelas Querê-las querem às bélicas Belas ao bálsamo de Rita, Maria, Séria. Eis que surge ela... Eis que surge o grito O medo assombra-se do mito O mito apodera-se do grito E grita Rita, Maria, Séria. Quisera-me ser lúdica a empírica tua quimera Quisera-me ser mito tua afronta mais sincera Quisera-me ser grito, o debruçar mais bonito No ímpeto que vocifera, algoz Quisera-me a Cinderela silenciar em tua voz. Eis que surge o tempo Assombra, assopra-nos tão lento Prende o ar, faz ciumento Herda telepático o tormento. Eis que surge ela Eis que se apodera Já não era mais sem tempo. Seu tempo Tempestuosa Rita, rima, rasgo e prosa Ela rasga, ela arrasta, sinuosa A esfera de argila Que no palmo de seus aplausos Desfibrila Se desbota Ao embevecer-se com suas notas Pudera...era ela Rita, Maria, Séria. Cinderela trapos d'alma Pedaços fugidios Do meu eu tão tardio Que derrama Quando grita Quando Rita, Maria, grita Esvaí-se em delírio Bonita E inflama A flâmula escarlate que aprisiona Acústica O meu eu O meu erro De angústia De não ser lúdica A tua música De ser flauta no frio De tua astúcia... Bonita Regenera Rita, Maria, Séria. Quem dera-me ser ela Quem dera-me, Cinderela Sentir-te pés lúcidos n'água, aguarela Translúcida em teu timbre que suplica Pela pérola Que supera... Mas a pérola Era ela... Rita, Maria, Séria
Proposta Indecente Desejo... Palavra inexplorada,
Proposta Indecente Desejo... Palavra inexplorada, Aflorada, Fantasiosa, Densa, temerosa. Palpitante, Desconcertante, Risco assumido, Perigo não corrido. Porta entreaberta, Instigante, Idéia vaga, Mas não errante. O arrepio inoportuno, O gosto do infortuno, O mais bem aventurado, Mesmo que nunca experimentado. Poesia não rimada, Noite não enluarada, Já se foram as regras, Pois ele corre às cegas. Nas minhas veias, No meu sangue, Na minha alma que se esparrame. Antes um ato descabido, Do que um amor não sentido. Sem palavras, Sem tratos, O código subentendido por fatos. Sem sentido Como amigo, Delirante Como amante. A explosão da libido, Meu corpo pelo teu aquecido, Como jamais quisera antes. Povoa meus devaneios, E com seus olhares matreiros, Me leva ao êxtase ligeiro, Querendo seguir adiante. Vontade de te sentir ao meu lado, Tocando minha pele, Meu corpo molhado. De percorrer tua boca, E ouvir tua voz rouca, Dizendo que sou louca, Por ter me entregado. Todos os meus sentidos, Bem como meu corpo aturdidos, Nesse teu toque que embriaga, Com exatidão tão vaga. E prazer garantido. Teu jeito, teu rosto, Teus braços, meu encosto, As estrelas como testemunha, De um amor que ninguém supunha. A mercê da tua paixão, Assumida, desesperada, Sem medo, sem razão, Me declaro apaixonada. Porta escancarada, Insaciada, Idéia certa. Só mais um sonho, Mas te proponho, A descoberta.
Poema de Ninguém Vivo um caso crônico de desuso cardíaco... E dos graves. Antes não fossem tão agudas as palpitações eminentes de pseudo-enfarte! Sinto-me um mártir qualquer que enfim descartou a catarse de prover a dor de si nos outros. Sinto-me um sopro, tanto mais e vento ain…
Poema de Ninguém Vivo um caso crônico de desuso cardíaco... E dos graves. Antes não fossem tão agudas as palpitações eminentes de pseudo-enfarte! Sinto-me um mártir qualquer que enfim descartou a catarse de prover a dor de si nos outros. Sinto-me um sopro, tanto mais e vento ainda... Sinto-me infinda, etérea, mas absurdamente alheia à massa poética que me permeia... À estratosfera de minhas veias cor de branco... Me deu branco! No papel só um poema sem dono, o primeiro e único santo, imaculado na concepção de vocábulos tão hiatos, tão estranhos! A quem doar, a quem doer a sangria de um poema enfermo tamanho pulso fraco, condenado ao lábaro de meu próprio esquecimento? Aquém... Amém! Além do mais já amei demais Ninguém faz tempo.
Inteiro ... E quando visitei teu olhar primeiro Desfez-se o segundo
Inteiro ... E quando visitei teu olhar primeiro Desfez-se o segundo Em meio Segundo E meio.
Fuga de Ases (Fugazes) Exilado em sua caixa mágica, travava diálogos improváveis e reproduzia assim a impossibilidade de tê-la sua, pura e imaculada de seus mesmos pecados de poesia. Num mantra expurgava sua alegoria e numa outra casa abrigava aquela outra, implícita nos mesmos…
Fuga de Ases (Fugazes) Exilado em sua caixa mágica, travava diálogos improváveis e reproduzia assim a impossibilidade de tê-la sua, pura e imaculada de seus mesmos pecados de poesia. Num mantra expurgava sua alegoria e numa outra casa abrigava aquela outra, implícita nos mesmos traumas em que jazia. Sentada no meio-termo de uma avenida qualquer tumultuada de seu esquecimento, ela apalpava seu desapego... Sofria o silêncio de sua desistência alada, dessa capaz de transportá-la à paz dos justos. No olho, aquele grito acordado que brilhava toda uma nova era de sonho. Ela seria livre e aquela rua (a dor) enfim, atravessada. Mas quando o tempo se fez hora exata, olhos entreolharam-se estranhos, abdicados da premeditação da cena... Estancados e estrangulados em odes raros ao poema. Erraram-se exatos Erraram-se apenas No instante exato E erradicaram-se apenas.
Dialogismo A corrente do mar mal arrebentou E minhas palavras já corriam livres
Dialogismo A corrente do mar mal arrebentou E minhas palavras já corriam livres Era o encontro segregado com o grão Que do vento fingiu-se o dom A metabolizar a gênese dos castelos que eu tive.
desORIENTE CONTO DE VIDRO. Depois de várias tentativas frustradas, na emergência de uma respeitada clínica carioca, uma médica de sobrenome Tagata (sim, oriental), dá o resultado de uma tomografia computadorizada e finalmente um diagnóstico para uma paciente um tanto atônita e…
desORIENTE CONTO DE VIDRO. Depois de várias tentativas frustradas, na emergência de uma respeitada clínica carioca, uma médica de sobrenome Tagata (sim, oriental), dá o resultado de uma tomografia computadorizada e finalmente um diagnóstico para uma paciente um tanto atônita e desconcertada: - Duas costelas fraturadas e você me diz que não houve trauma... - Doutora... Não houve. Eu estava em um show, fui ao toillette, senti uma fisgada e a dor não parou mais. - Nenhum esbarrão, nenhum beberrão folgado te puxando pela cintura ou pelo menos uma série mais puxada de malhação? - Não, não... Passei a noite inteira com um grupo de amigos e todos são testemunha... Até sentada eu fiquei! Só pode ser obra de outro tipo de energia... - Olha, vejo casos assim todos os dias... Esteja certa de que algo aconteceu e foi de grande impacto no seu corpo. - Como isso poderia acontecer sem que eu me lembrasse? Duas costelas? Um hematoma daqueles? Impossível! - Bom, eu sou médica, meu norte é a ciência. Pra mim, você certamente sofreu alguma tensão grave no local... - O que eu sei é que quando cheguei em casa me contorcendo de dor, fui vestir algo mais leve e me deparei com a tal mancha... Olha aqui ó... Fiquei tão chocada que fotografei com o celular... (Nesse instante a paciente exibe a foto que contém a imagem da escoriação) - Nossa... É quase uma garra... - Garra? Como assim? (a paciente franze a testa) Você acha, doutora? Não tinha pensado nisso... - Como assim? Garra te diz alguma coisa? Andou com algum bichano indócil? - Não, não... Quer dizer, quais são as chances de isso ser resultado de digamos, uma fusão explosiva? - Seja mais específica... - Coisa de uma semana antes do hematoma ser notado e... - Ser notado? Como assim? Você não disse que tem certeza de que ele não estava lá antes? - Ah, Doutora, a gente checa o decote, o bumbum, não as costelas no espelho, né? -Hum... Prossiga... ( a médica já sinaliza um riso vitorioso no canto da boca) - Então... Se isso não foi uma macumba braba, só pode ter sido uma coisa... Mas... Será? Não faz sentido... Eu teria sentido alguma dor... - Não se estivesse sob efeito de álcool ou entorpecente... O pavio da lesão pode ter sido aceso no que você chamou de "explosão", mas a coisa pode ter acabado só explodindo mesmo quando fez qualquer esforço bobo, como por exemplo... - O de agachar pra ir ao toillette! - Elementar, minha cara! Mais uma vez a ciência prevaleceu! (A paciente sorri maliciosamente com as sobrancelhas levemente erguidas. Em seguida fita a Dra. Tagata em tom de desafio. Percebendo seu ar provocativo, a médica prossegue) - Mas, você me deixou intrigada... Porque essa expressão de triunfo? - Sabe o que é, Doutora? Adoro ver provado o valor da ciência na nulidade da sua probabilidade indeterminada... Essa coisa de tentar justificar paredes de vento com vidros de janelas quebradas... - Vidros? Janelas? Vento? Desculpe, não entendo... - É elementar mesmo, estimada doutora... Quando explode dentro o que é vidro, de nada adianta a vidraça da janela estar fechada. É ciência pura, acredite. E a fissura do osso, só uma metáfora materializada.
Vidas Cruzadas O que seria do mundo sem as cores, Dos jardins sem as flores,
Vidas Cruzadas O que seria do mundo sem as cores, Dos jardins sem as flores, Do ser humano sem valores, Da verdade se não houvesse mentira, Da calma se não fosse a ira, Do silêncio se não fosse a algazarra, Do crente sem a fé em que se agarra? O que seria da luz sem a escuridão, Dos homens sem perdão, Dos dedos sem as mãos, Da água sem a sede, Do pescador sem sua rede, E dos pés sem o chão? O que seria das palavras sem os gestos, Dos pobres sem os restos, E dos músicos sem os maestros? O que seria do levante sem o tombo, Do aflito sem um ombro, Do alívio sem a agonia, E da noite se não houvesse dia? O que seria do livro sem quem o leu, Do reencontro sem o adeus, O que será dos versos meus, E dos meus lábios sem os teus? Entardecer sem sol poente, Rio sem sua nascente, Inocente que se rendeu? O que restou da gente, Foi esse vazio dormente, Que de tão grande nem se sente, O que se ganhou e se perdeu. Eu sem ti não sou nada, Sou pássaro sem alvorada, Sou livre de mãos atadas, E tenho minha vida cruzada, Por esse amor que se escondeu. Eu sem ti sou isso, O inferno sem o paraíso, O choro sem o riso, Tudo o que não tenho e preciso, Eu sem ti simplesmente não sou eu.
Devaneios Me transporte para a sorte de desvendar os teus devaneios. Ligeiro o toque,
Devaneios Me transporte para a sorte de desvendar os teus devaneios. Ligeiro o toque, Infinito o desejo, Barata a morte, Caros são teus beijos. Morte sem o toque ligeiro do teu infinito desejo. Sorte...não ter a morte para duelar com os devaneios. Devaneios, Desejos de morte, De ser apanhada, E com sorte, Te desvendar primeiro.
Transgressão Quisera a memória de o corpo elucidar os devaneios da alma... Quisera...
Transgressão Quisera a memória de o corpo elucidar os devaneios da alma... Quisera... O ínfimo toque te merece a abstração Ainda que pagão Crê com usura, na doçura, em ser canção E cansa diante do inefável sonho de outrora... Pálido... Túrgido Teimando em resplandecer no fugidio, no púlpito, dimensão... Em anos são... Espera A quê creditar a crença de inocentar-se Ou culpar-se Se usurpa-se a dor ao ganhar teus beijos Ainda que na face?
masMORRA! “ ... Imagine as pessoas vivendo a vida em paz, ninguém precisando matar ou morrer... Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único” Fobia,
masMORRA! “ ... Imagine as pessoas vivendo a vida em paz, ninguém precisando matar ou morrer... Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único” Fobia, Foge o fôlego do dia, Como deveras fugidia, Não fosse a febre do leigo lânguido, Monotonia. Um só tom parte os meus “partia” E parte de mim se ia A medida proferida melodia. Mel odeia nas teias da dissolução. “Diz” a solução para cessar o soluço, Deitar de bruços Sob bruto abraço devassidão. E devasta a imensidão de subsídios do meu perdão. Perturba então, Acelera a poeira E tateia O chão. Me junta pelos cantos, Desfez-se o encanto, No entanto, Nem todo pranto foi-se em vão. Levou-me ao arreio, Cegou-me o devaneio Deveras certeiro, Expulso-te do meio, moreno, E não repugno tua fotografia, Apenas não tenho ar Melancolia Apenas não sou o eu que te seguia, No sereno. O ecofobia ecoa, E não é à toa, A masmorra, Que mal soa Te mata, Então parta, E morra! No sereno, - Me perdoa! Morre, enceno Vida ingrata. Mas morra! Que escorra Jonh Lennon, Com teu veneno, Das tuas patas” “ Imagine que não há Deus nem inferno abaixo de nós. Apenas o céu sobre nossas cabeças.”
INFÍMITO Sou rio Sonhando
INFÍMITO Sou rio Sonhando Sou rindo Um pingo Mais brando Sol brando Sentindo Infindo Caído Molhando. E finco O pingo Instinto Na sombra, no grito No barro, na aragem O barco coragem Eu levo Levito. Sou rio Sou margem Sou filho do grito Não peço passagem Na rente viagem Desfaço-me em mito E grito: Sou rio Sou margem Fluente Infinito.
“O concreto muro das ilusões” Um muro alto, É tudo o que vejo,
“O concreto muro das ilusões” Um muro alto, É tudo o que vejo, Eu corro, eu grito, eu salto, Mas só ouço um relampejo. Que me desperta da tentativa, Dessa minha vida relativa, De sufocado desejo, E sufocante partida. Desse tempo nauseante, Querendo resgatar o antes, Não podendo ir adiante, Nem vendo qualquer saída. Muro de três tempos, Muro de sentimentos. O esforço que esgota, É o mesmo que me suporta. O silêncio gritante, Que me abate e me motiva, É um sábio pedante, Um adulto infante, E uma dor gradativa. Para onde quer que eu ande, O muro se expande, Junto com essa dor tão grande, Que não deixa alternativa. Muro sem fim, O vazio em mim. Ninguém ocupa este espaço, Tão ávido e casto. Me vejo solitária, Nessa desgraça tão hilária, De sofrimento não presumido, E de amor pressentido. Amor forte o suficiente, Para me afastar de muita gente, Mas que se torna inseguro, Quando se trata de pular esse muro. Muro de concreto, Onde ninguém chega perto. É todo meu o esforço, E para quem me despreza eu torço. Promessas jamais feitas, Mas tão certas e aceitas, Deixam minha alma emudecida, Por que foram esquecidas. O céu não clareia, Meus olhos estão cheios de areia. Por eles descem as lágrimas, Com meu rancor e minhas lástimas. Do mais profundo martírio, Sou despertada por um cheiro de lírio, Que vem do outro lado, Daquele muro amaldiçoado. Minha mente atordoada, Ouve uma voz entrecortada, Chamando pelo nome, Que parece ser de um homem, Em uma busca emocionada. Querendo ir ao seu encontro, Desesperada eu respondo, Com incessantes batidas, Que não sei se estão sendo ouvidas. Meu semblante denuncia o medo, De ser mais uma vez abandonada, Não posso desistir nem tão cedo, De finalmente ser resgatada. Sem futuro no presente, Mas com uma vida pela frente, Tento seguir o caminho, Onde não tenha que pular sozinha. Só me resta este corpo, Que de vida tem um sopro, Mas preciso derrubar o concreto, Para que eu possa vê-lo de perto. Um olhar que não me é estranho, A beleza ímpar daqueles olhos castanhos. Uma lembrança intempestiva, Me faz reconhecer aquela mão estendida. O impacto do passado, Tão presente e superado, Me trouxe o amanhã. Ao som de “Nem um dia”, Na voz de Djavan. Música de infinitos acordes, Que faz com que desse pesadelo eu acorde, É meu único apoio, Para que eu possa novamente olhar no teu olho. Muro da mesma rota, Muro que te traz de volta. Estou caminhando em círculos, Hora no inferno, hora no paraíso. De uma profunda reflexão, Sou sorrateiramente despertada, Não vejo mais sua mão, Nem ouço sua voz emocionada. Muro do arrependimento, Da incapacidade, Do nó por dentro. Muro do orgulho ferido, Da necessidade, Do puro perigo. Não importa quem duvida, Para pular esse muro darei minha vida. Um impulso, Uma sequência, Esse muro, A resistência. Pés e mãos corroídos, Pelo tempo em que foram esquecidos. O choque entre o que eu quero, O que pode ser e o que espero, A consequência em nada muda, O querer sair dessa dor profunda. Liberdade e o teu beijo, Tudo isso em um só desejo, Meu coração palpitando, Enquanto vejo o concreto desabando. Um forte pensamento, E um chão cheio de cimento, Dos escombros sou salva, E reconheço aquela pele alva. Tamanho sorriso, Olhos castanhos dos quais preciso, Teu beijo sela a vitória, Nessa felicidade tão provisória, De caráter indeciso. Muro destruído, Objetivo conseguido, Meu corpo se entrega, Estou fraca, estou cega, Meu tempo já foi perdido. Sinto meus pés do chão se desprendendo, Sinto minha alma livre, estou morrendo. Tenho que ir embora, E não posso ouvir quem por mim chora. Estou morta para a vida, E viva para a metamorfose, Não sou mais um barco a deriva, Cansei dessa overdose. Dessa droga que me alucina, Que me inocenta e que me incrimina, Que criou aquele muro de dependência, De desconsolo e de “sub-vivência”. Onde fui reduzida a lixo, Absorvida pela minha condição, E por crer num discurso prolixo, Assinei minha própria condenação. Reflexo do inconsciente, Que insufla o ego e degrada a mente, O livre arbítrio obrigado, O som com os ouvidos tapados. Muro que era de aparência, Muro que crescia com a sua ausência, Excesso da droga infinita, Que rege o mundo e o limita. Droga que criou esse muro, Droga que o derrubou, Só não conhece essa droga, Quem nunca se apaixonou.
À NOITECE Trêmula minha noite se rasga E compõe - se em manto teu.
À NOITECE Trêmula minha noite se rasga E compõe - se em manto teu. Não se parte Se agrega Numa simetria cega Num reparo que anoiteceu. Teceu ... A púrpura poente Dos entre - olhos luminosos Nas entre - nuvens recorrentes Viram- se tristes raios olhos. Estrelas têm as noites Noites sempre telhas Ainda que sem tê - las Às centenas posso vê - las Tão estrelas. E trelas as trevas torpes tão Inteiras E treme os tórridos tormentos Na fogueira Fagueira A noite foge - me às teias Ao torpor teu De cadeia Incendeia Queima a areia... À noite teceu Anoiteceu A nós teceu Tão seu O sonho Maré cheia. Escureceu... Lindo noite uivo Bravo raio ruivo Breve manto teu.