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Frase de Naty Parreiras

EXTRAVIO Eu preciso de um poema Forte Inanimado E absolutamente vazio. Eu pressinto um poema Na liturgia velada do teu jogo de sombras Posto que sei imenso do azul. Eu esgoto o meu desejo E arrebento o desconforto De ter tido saudade De ter tido o tempo exato De desmerecer o cálculo. Eu imploro o poema digno de nada Digerido em minha ossatura tenra E despreparada. Eu impugno o poema que me cospe O sabor errático da vitória. (Em mim, gangrena) Eu mastigo o fracasso Como quem disseca A ultima doçura daquela goma - já incolor - A grudar intestinos. Eu encolho o poema E sem as rimas Disfarço A dimensão de meus pormenores. Eu esqueço o poema No bolso da calça preta E amarrotada Que um dia já existiu na minha lembrança. Eu preciso o poema Na falta Na tua falta Em não presença De estar aqui. Eu Simplesmente Perdi O poema Num achado de esperanças.

Naty Parreiras

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Pensador.com

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