Frase de Naty Parreiras
SEPARAÇÃO DE CORPUS A cor dos meus olhos -serena- Confunde-se com a lua torpe Das incertezas. Não por falta de convicção - me entenda- Mas por saber que onde há rua Há farol E a penumbra é como pó Que repousa sobre a mesa. Talheres ao alto! Que voem os copos Quebrem-se o pratos Os chatos E os planos! Eu quadriculo o quadrado Cada um no seu, E eu no meu O nosso é o oceano. Quadrado enorme E disforme Percorrido pelas marés longínquas E correntes marítimas A minha fé Em ser tua mulher Não cabe em uma rima. Arruma Os móveis todos No canto da sala E abre alas Pros nossos poucos Espaços Que juntos Constituem hemisférios. Eu falo serio! Meu dom mais terno É estratificar o dito termo E descontrai-lo ao extremo... Relaxa. A vida é bem mais simples Do que as aspas De "viver bem" Mas bem viver É viver às lagrimas! E eu choro Menina tola Do pequeno pé Que onde pisa faz surgir O asfalto. Eu falto Para ser presença Inconstante E esperada No abrigo íngreme, Na autopista - Em lombadas e cicatrizes - Que não se segue pelas placas. Curva acentuada à esquerda Direção segura é a consciente E modesta Pronta para desviar dos muros Sem mirar em florestas. A vida é uma selva Eu bem sei! O bem que eu procuro Quem me dera! Me dará Terra firme? Estou às margens da BR 115 Mas estou em festa. Me perdoe, meu papel Por não ferir-me Nem às vésperas... Não há dom Que o amor não sublime Nem o mesmo o dom - acredite - Que há na dor de ser poeta.
No pensador.ai desde