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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

CAUSA (soneto) Ah soneto porque agruras quer poetar No diálogo da ledice com a amargura
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CAUSA (soneto) Ah soneto porque agruras quer poetar No diálogo da ledice com a amargura Nem tanta alegria, nem tanta tristura Sou devaneador que se põe a sonhar Se o rimar então chora porventura Também riem nos versos ao cantar Tenho o céu e o cerrado pra inspirar E o amor no coração, principal figura E neste motivo vai o meu caminhar Veloz ou lento, moldo está escultura Desenhando o fado no ser e no estar Então, antes que tudo seja ventura Completo a lacuna com meu olhar E no tempo, vou cingindo a costura... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

a coitada fui ali na janela ouvir a chuva
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a coitada fui ali na janela ouvir a chuva magricela tão turva ela estava chiando ai, como sussurra fica só reclamando da secura, e hurra e empurra a poeira do telhado escorre pela beira da rua, e desanuviado refrescado, na sua eira ah! feliz, está o cerrado... e numa tranqueira enleada a chuva desce a ladeira a coitada! © Luciano Spagnol poeta do cerrado outubro de 2919 Cerrado goiano

SONETO CAIPIRA Fogão de lenha na poesia a poetar Panela a chiar, vastidão pela janela
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SONETO CAIPIRA Fogão de lenha na poesia a poetar Panela a chiar, vastidão pela janela Cheiro da noite no negror sem tramela Desprendendo olor na roça aformosear O entardecer se tingindo de canela No céu estrelas soturnas a navegar Em uma sensação de paz, de amar Amassando jeito matuto na gamela É só silêncio, cigarro de palha a pitar Saudade esfumaçada na luz de vela Arando sensos num canoro devanear Depois, uma pitada de solidão donzela Acalentando as lembranças a revigorar Ah, gostoso a vida caipira na sua tutela © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

SONETO DA RAZÃO Na prepotência do querer ser altivo Que arde na desavença em chama
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SONETO DA RAZÃO Na prepotência do querer ser altivo Que arde na desavença em chama E queima no ódio que não se ama Acinzentando num desafeto cativo É um tal sentimento insano, adjetivo Que então contamina a alma na lama Do egoísmo, que o zelo nunca clama O acolher nos abraços, e ser passivo Que devoto tanto, esse, que flama A injustiça, num arbítrio explosivo Tiranizando o viver em um drama Onde há razão no ato opressivo? Quando o Verbo, oferta proclama: - Amar com amor para estar vivo! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

(en)canto no cerrado canta a cigarra quer o (en)canto dum par...
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(en)canto no cerrado canta a cigarra quer o (en)canto dum par... canta, numa tal algazarra até o teu peito estourar... e neste som de guitarra baila, seduz, sem parar... de carência ou garra a cigarra quer casar... é sofrença ou farra ou carma a carregar? neste mantra se agarra até a lua raiar... é fanfarra é verão à anunciar... então, canta cigarra a vida tem de continuar! © Luciano Spagnol poeta do cerrado outubro de 2019 Cerrado goiano

ESPAÇOS EM BRANCO (soneto) No inverno do cerrado, seco, desbotados meios tons desalentando o olhar, suspiros
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ESPAÇOS EM BRANCO (soneto) No inverno do cerrado, seco, desbotados meios tons desalentando o olhar, suspiros a vida na acinzentado pousa baços retiros que no vário tecem baralhados bordados Ao fim do dia, o tardar e ventos em giros tudo se perde no abstrato e, são levados aos amuos incógnitos, e tão rebuscados dos balés rútilos dos voos dos lampiros Há em toda parte fumo nos vazios atados vago, cada passo, e pelos ipês quebrados em colorido breve, e cascalhado barranco Os tortos galhos tão secos e empoeirados traçam variegados em poemas anuviados pra assim versar, os espaços em branco... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, agosto Cerrado goiano

SONETO DIFERENTE Pois quero parir a um soneto Sangrado do amor adjacente
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SONETO DIFERENTE Pois quero parir a um soneto Sangrado do amor adjacente Que seja preciso e reluzente E vire insígnia no meu projeto Terá que vir do sol poente De verso livre e irrequieto Num abstrato tão concreto Que me doe integralmente Em cada tom, infinito teto De textura tão irreverente Que nunca vire obsoleto E de tão querer o diferente A mesmice torna decreto E o soneto, repetido objeto © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março de 2017 Cerrado goiano

A TARDE CAI (soneto) A tarde fria, ressequida, no cerrado poente Escorrega no horizonte escarlate de junho
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A TARDE CAI (soneto) A tarde fria, ressequida, no cerrado poente Escorrega no horizonte escarlate de junho Em brumas desmaiadas e tão lentamente Deixando os suspiros como testemunho Manso, e de uma realidade inteiramente O entardecer tão árido e sem rascunho Vai descendo pela noite tão impaciente Silenciosamente na escureza antrelunho E a tarde vai caindo, pelo céu vai fugindo Presa na imensidão do anoitecer infindo Esvaindo o sertão indolente e acetinado Nesta tarde fugidia, as estrelas já luzindo Cobrindo de melancolia, o sossego vindo É a tarde que cai, lânguida, pelo cerrado... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

FINADOS Perdida é a paixão no finados, ó Deidade! Dentro do silêncio das lembranças, o choro
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FINADOS Perdida é a paixão no finados, ó Deidade! Dentro do silêncio das lembranças, o choro Dos que já se foram. Vácuo no peito em coro E as orações repetindo o lamento, piedade! Tantas flores pra tantas covas, pesar em goro Tantos prantos pra tantas dores, familiaridade Desfiando suspiros, em tal trágica fatuidade No ocaso de glórias num plangor tão canoro Devagar é o enterro no aflitivo perdido laço Onde os olhares, passam, sem dar passo Murmurando no vazio que o coração brade Cada qual pega na alça do triste compasso De conta em conta na magoa num repasso Deixado as lágrimas e, arrastando saudade © Luciano Spagnol poeta do cerrado Novembro de 2018 Cerrado goiano

PAMONHA Pamonha... Iguaria do quintal do Goiás
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PAMONHA Pamonha... Iguaria do quintal do Goiás Na tradição ponha A moda, aliás Saborosa Do milho verde, assaz Na palha, trouxa cheirosa Cremosa Apetitosa Também, das Gerais Quentinha e requentada É sempre mais... Tradição nos arraiais Da culinária ais, lais Dos milharais No costume instituído Quem nunca, jamais Servido! é demais... © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano

REMENDO Foi o devaneio que guilhotinou os sonhos. Os fez sem aparato
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REMENDO Foi o devaneio que guilhotinou os sonhos. Os fez sem aparato E se estão intactos, aqui estou invisível no evidente anonimato Desenhei quimeras com giz sem tronco, cabeça e braços Colhi amor que ninguém quis pra remendar os meus pedaços © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2017, julho Cerrado goiano

BRASÍLIA (Distrito Federal) Do planalto, ergue Brasília De vasto céu e mar de estrela
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BRASÍLIA (Distrito Federal) Do planalto, ergue Brasília De vasto céu e mar de estrela Contrastes sua maior ironia Se rubra tão senhora outrora donzela... É Brasília dos ipês, da arquitetura, és magia tão bela... O por do sol dourado agita o candango, vê-se da janela... Tuas asas são do cerrado urbano e domésticas És tão poético e outras poéticas... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Abril de 2016 Cerrado goiano

CANTANDO O CERRADO (soneto) Essa vossa árida serena formosura Que as exibe, és casta e tão tanta
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CANTANDO O CERRADO (soneto) Essa vossa árida serena formosura Que as exibe, és casta e tão tanta Tanto mais a cena vossa apura Quanto mais os olhos prende e encanta Mostrais vossa diversidade em tal ventura Com uma graça igualado duma infanta Que põe alfim alguma desdita e tristura E o espanto se aumenta ou se aquebranta De tal beleza entrajais, oh vária flora O meu enlevo, de guita tal tecendo E destecendo o desencanto, um engano Que, se ei perdido o extasiar outrora Agora és só elogio os faço dizendo Pra asinha referir-te como tal soberano © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 2017, junho Cerrado goiano Paráfrase Abgar Renault

TORMENTO Divagando pela veneta Da noite
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TORMENTO Divagando pela veneta Da noite Destrancando minha gaveta Das aflições em açoite Entre as estrelas e a lua Na janela das saudades silentes Em delação tão minha, tão sua Vou trovando motivos urgentes Nos lamentos com agrura crua De um tempo que já se foi... E neste silencioso agudo Só a alma põe-se falante E assim, então, eu a saúdo Segando o tormento dissonante Versando a solidão em suspiros rudo. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 06/04/2013, 01’45” Cerrado goiano

TARDES DO CERRADO É o entardecer no cerrado das tardes de todo dia Solitário no silêncio, chega à noite e, o olhar tardia
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TARDES DO CERRADO É o entardecer no cerrado das tardes de todo dia Solitário no silêncio, chega à noite e, o olhar tardia Se tarde é, todavia, o tardar apressa a hora vazia Enchendo de quimeras a noite que no céu sombria E no breu do tal entardecer que a noite tão pedia O sol no horizonte abrasa-se e o adormecer regia Nos galhos tortos, recria, tal qual o poeta na poesia Em um entardecer rubro, árido e de aspereza fria Vem a tarde, chega à noite valsando em melancolia Onde o vento entre as secas folhas no tardar rodopia E o tempo e saudades no peito se fazem em sinfonia Pra haver outra tarde, outra noite, haver outro dia Sem saber se é pranto, choro ou remia que prazia Adentro no entardecer do cerrado que a noite espia Com seu luar gigante, reluzente que o denso lumia Vai-se a tarde, num lusco e fusco, e a coruja pia... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Março, 2017, 18'00" Cerrado goiano

SONETO DE CARNAVAL (de outrora) Distante da folia, o cerrado me afigura A saudade como um saudoso tormento
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SONETO DE CARNAVAL (de outrora) Distante da folia, o cerrado me afigura A saudade como um saudoso tormento Lembrar dela é uma sôfrega tal tristura Esquece-la é nublar o contentamento Ausentar de ti é a mais pura amargura Todo momento é gosto sem fomento Máscaras sem brilho nem alegre figura Uma fantasia no samba sem afinamento E no saudosando os tempos de outrora Enquanto fugaz vão-se os anos, enfim O que tenho pra agora, só silêncio afora De toda a diversão a quietude em mim É regente, pois já não sou parte da hora E meu carnaval vela o traje de arlequim © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Carnaval Cerrado goiano

CERRADO ERUDITO Andei sobre o cerrado Como os bandeirantes
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CERRADO ERUDITO Andei sobre o cerrado Como os bandeirantes Tão triste desmatado Fui as lágrimas soluçantes Fui por ele calado Um dia cerrado, gigantes No seu torto encantado Só para me recordar E não pude fascinar Fiz uma poesia Como poeta do cerrado Soltei brados de fantasia Pra tê-lo do meu lado Mas a lembrança esvaia Pelo axioma empoeirado Neste preço tão alto Do belo desnudado E então, como Cora Coralina Eu cantei versos ao luar Neste chão, e céu anilina Pra a sedução fascinar Aí, me curvei Chorei... Ante a força do sertão Até quando este estado? Surrado. Resiste a civilização Ainda andei sobre o cerrado (...) © Luciano Spagnol Poeta do cerrado 01 de abril de 2018 Domingo de Páscoa Paráfrase Paulo Vanzolini