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Frases de Luciano Spagnol - Poeta mineiro do cerrado

757 frases

SONETO DA AUSÊNCIA O cerrado já não mais é meu confidente o pôr do sol não mais ouve o meu plangor
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SONETO DA AUSÊNCIA O cerrado já não mais é meu confidente o pôr do sol não mais ouve o meu plangor os cascalhos do segredo fazem amargor e a saudade já não mais está condizente Não mais estou melancólico no rancor nem tão pouco sou aquele imprudente e ao vento nada mais contei contente deixo o tempo no tempo ao seu dispor Até da recordação eu tenho medo, dor o entardecer tornou-se inconcludente e o olhar se perdeu nas ondas de calor O poetar fez da madrugada noite ingente carente nas buscas do tão sonhado amor e hoje o meu eu no cerrado está ausente © Luciano Spagnol poeta do cerrado 06/06/2016 Cerrado goiano

em novembro vai precisar de festejo é mês das quarenta velas
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em novembro vai precisar de festejo é mês das quarenta velas assoprar num só bafejo sem ter parcelas... são ainda com um tal ensejo de serem bagatelas afinal, os primeiros quarenta e viver se pode, ao dobrar somado com mais uns “enta” a vida começa (a)pesar... coragem e água benta! © Luciano Spagnol poeta do cerrado outubro de 2019 para o Márcio Francisco

Inspiração no cerrado Escrevo diante do cerrado A inspiração é da cor cinza
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Inspiração no cerrado Escrevo diante do cerrado A inspiração é da cor cinza Cada galho torto isolado Desenha versos ranzinza E nesta paisagem esquálida Alinha o sol com seus matizes Tingindo a terra de cor pálida Em variegados sem deslizes É tão rico nos seus detalhes E ásperos nas suas formas Casca grossa cinzela entalhes Em divina obra sem normas No diferente do sertão, sedução Cada flor na seca ou no molhado É descoberta, renovo, é criação Riscando a variedade do cerrado © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano copyright © Todos os direitos reservados. Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol

Pequenina Lágrima Tão frágil, tão pequenina Ao vê-la nem se imagina
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Pequenina Lágrima Tão frágil, tão pequenina Ao vê-la nem se imagina A imensidão do sentimento O carisma de seu surgimento Ao se notar cair pelo rosto Na sina de algum desgosto Ou anúncio de felicidade A lágrima é sempre verdade: Se pela face rola É de alguém que chora De saudade por quem foi embora Se tímida ou escondida É de recato de uma vinda ou ida Disfarçando a angústia de uma despedida Se imaginar ser passiva, sem vida Ledo engano Ela pulsa, desliza comovida. Se for festiva, estridente Surge de repente, saudando a todos abertamente Não subestimemos o poder da lágrima. Se parece cair de mansinho De um carinho, uma recordação De um sorriso, uma comoção De uma palavra de emoção De um elogio nunca em vão É força, energia, é ação A lágrima vem do coração © Luciano Spagnol poeta do cerrado 21/10/2008 Rio de Janeiro, RJ

Primavera no cerrado Depois da chuva das flores Colore o cerrado de amores
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Primavera no cerrado Depois da chuva das flores Colore o cerrado de amores Perfume, a aragem sorrindo O inverno e secura indo Num renovo que se refaz Aroma de esperança traz No voo da mamangava, do beija flor É ressurreição, cheiro, cor Desabrochando no sertão Com florescente inspiração Anunciada pelo vento Cada botão rebento Em quimeras da natureza Emoção perfazendo em beleza E gratificação de quem espera A alma em poesia da bela primavera. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 12 de setembro de 2015 Cerrado goiano

andeja minha poesia é onde vou um aconchego, um amor
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andeja minha poesia é onde vou um aconchego, um amor aí eu finjo que ali estou uns devaneios ao dispor então rumo pra outro voo minha poesia é sertaneja come perna de cachorro sem parada, assim seja! vai, sobe e desce morro e outro acaso nem planeja andeja! © Luciano Spagnol poeta do cerrado 2019, 16 de outubro Cerrado goiano

Voo Voa pensamento Livre como o vento
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Voo Voa pensamento Livre como o vento A procura do sentimento Voa imaginação Nas asas da emoção Ao encontro do coração Voa ilusão Desenhando paixão Nos rascunhos da solidão Voa sonhos Reais e risonhos Sem ser enfadonhos Voa felicidade Sem a brisa da saudade Flutuando na eternidade Voa bardo transcritor Poetando ventura e dissabor Nos caminhos do amor... © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

Cidade de Goyas (Goiás Velho) Hoje, eu fui o menino de cabelos brancos, que andou na ponte da menina feia (Aninha)
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Cidade de Goyas (Goiás Velho) Hoje, eu fui o menino de cabelos brancos, que andou na ponte da menina feia (Aninha) poetando suas lembranças em cânticos do rio vermelho e das serras que recitam poesia em ladainha E lá em sua janela a figura dela, Coralina, de versos românticos tão meigo, tão terno, tão teu... que alegria poder caminhar nos teus passos semânticos das ruas indecisas, entrando e saindo em romaria em trovas dos teus larguinhos e becos tristes ouvindo os cochichos das casas encostadinhas fui cada trepadeira sem classe, que vistes cada morro enflorados, lascados, grotinhas fui cada muro da ruinha pobre e suja, momentos tão teus... Eu, só quero te servir de versos, meus... © Luciano Spagnol poeta do cerrado A Cora Coralina (paráfrase) Após minha primeira visita a sua cidade 09/06/2015, 19’13” Cidade de Goyas

Os poemas Os poemas são cantigas que soam As sinapses da inspiração
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Os poemas Os poemas são cantigas que soam As sinapses da inspiração Que vem como pássaros que voam Em busca de alimentação. Eles são filhos do espírito Que quando no livro grifados Pousam a alma no infinito E as mãos nos estros alados. Saibas que ao leres um... No encantado mundo da poesia Dar-se-a nele tudo, real e fantasia. © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

Dos Medos Meus medos me dão medo Me dão vontade de chorar
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Dos Medos Meus medos me dão medo Me dão vontade de chorar Remetem medo no enredo Põe temor no meu olhar Os medos me apontam o dedo Me acusam sem se explicar Os medos do medo fazem arremedo Deixando a ousadia se calar Os medos criam muros, segredos Engaiolando a valentia no lugar Os medos nos põem em degredos E nós acovardam na hora de amar Tenho medo dos meus medos © Luciano Spagnol poeta do cerrado 27/1/2015, 16'10" Cerrado goiano

privação a saudade é um ato estranho se você a mata ela vive
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privação a saudade é um ato estranho se você a mata ela vive se você vive ela avulta no tamanho é uma dor em aclive um suor sem banho é funesto invade todo o sentimento é de vazio gesto aos olhos abafamento indigesto ao desejo recolhimento solidão e eis que ela é etc e tal torpor, paralisia, emoção retiro saudade é ausência fatal suspiro © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

eleitos no silêncio, predestinação, na solidão desígnios dos sentimentos estreitos
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eleitos no silêncio, predestinação, na solidão desígnios dos sentimentos estreitos o mistério do coração feitos, leitos, imperfeitos... eu não te aguardava mais estava sentado no barranco do cerrado calado, as entranhas prostradas no cais do fado, e cá nossos olhares acordado suspirando os mesmos sensos reias que já a muito sepultado... e agora fatais. © Luciano Spagnol poeta do cerrado 14 de outubro de 2019 Cerrado goiano

ASPEREZA DO CERRADO Ai a aspereza do cerrado Não a entende ninguém
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ASPEREZA DO CERRADO Ai a aspereza do cerrado Não a entende ninguém É sublime o céu encarnado E são encantados também Traz na secura do teu ar O empoeirado vai e vem Do vento nas folhas a chorar E as estrelas no céu além São versos ao poeta poetar Que nunca será um porém São feiticeiras noites de luar Que ao olhar nos faz tão bem Só quem embala na emoção Entende a alma que aqui tem Está matuta e rude vegetação De flores, e trovadores também Ai a aspereza do meu cerrado Que nunca nos trata como refém Chão que chora o amor e o amado Na viola que do cancioneiro provém Ai a aspereza do tortuoso cerrado Impregnado aos que aqui vivem... E aos poetas também! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Cerrado goiano

Seu cheiro ficou comigo Após este breve adeus E ter-te nos braços meus
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Seu cheiro ficou comigo Após este breve adeus E ter-te nos braços meus Ficou a inocência de seu odor Misturados com seu calor Nos labirintos do lençol Enlaçados com a turbação Do pensamento sem noção Gravados no sentimento Inebriando o contentamento Com resíduos de nossa paixão Que naufragaram na minha emoção É pura essência de hortelã Que bem cedo, ainda pela manhã Exala por todos os meus poros Em eternos cânticos sonoros Dissolvendo minh'alma em ti Acordando o meu coração Marejado de saudosa comoção Da necessidade de você ter partido Mas, seu cheiro ficou comigo © Luciano Spagnol poeta do cerrado 28/02/2019 Rio de Janeiro, RJ

IMORTALIDADE DA SAUDADE (soneto) Saudade: tal como uma faca crivada Na alma, abrindo em uma agre fenda
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IMORTALIDADE DA SAUDADE (soneto) Saudade: tal como uma faca crivada Na alma, abrindo em uma agre fenda No coração nostálgico, rude moenda Sonial, insiste tirana com vergastada A tua dor foi concebida em oferenda Ao peito, e fazendo de sua morada Brinda com a melancolia em prenda A sofrença da lágrima esbravejada Imorredoura, se mantém sem venda Reencenando num tudo, num nada No silêncio duma esvaecida legenda Sempre renascendo, e tão indesejada Porém, é proposta de pouca emenda E de imortalidade no dissabor estacada © Luciano Spagnol poeta do cerrado Janeiro de 2017 Cerrado goiano

SONETO PASSADO Nem o tempo pode voltar Nem ninguém tal querer
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SONETO PASSADO Nem o tempo pode voltar Nem ninguém tal querer O passo dado vai varrer O passado no caminhar Se quiser voltar e ver Saudade irá encontrar O ontem perdido no ar E a vida sem se viver No olhar, o velho e tal pesar No coração, revés a abater E a alma sem se transformar Então, sigamos no outro ter Pro vário podermos amar Passar... um novo alvorecer! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Fevereiro de 2017 Cerrado goiano

FISIOTERAPEUTA, Doutor do movimento, auxilia na dor, no alívio, alento,
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FISIOTERAPEUTA, Doutor do movimento, auxilia na dor, no alívio, alento, mãos que tocam manobra, atento. Ao aflito: regente, presente. Profissional da saúde, do amparo, da evolução, o que está ali em plenitude, no socorro da superação... © Luciano Spagnol poeta do cerrado outubro Cerrado goiano dia do fisioterapeuta

chororô o cerrado chora chororô
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chororô o cerrado chora chororô chove lá fora! é chuvarada, sinhô 18horas: melancólica hora e eu também tô: - chorando... pobre pecador! que no peito vai gotejando uma tempestade de amor de chuva e choro infando lá fora chove, e eu sofredor! © Luciano Spagnol poeta do cerrado Outubro de 2019 Cerrado goiano