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Frases de Juliana Umbelino

32 frases

⁠Faça chuva, sol, calor, frio. Seja qualquer tempo. Estou aqui por ti como nunca estive por mais ninguém. Até tentei estar, mas sabe como é. Alguns caras só precisam de companhia para suas horas vagas.
⁠Seu sorriso pelas manhãs ilumina todo o quarto - escurinho do jeito que você gosta. Você pode ajeitar as cortinas para o sol não entrar, mas o brilho que sai de ti me deixa cheia das vontades; vontade você sabe bem de quê. Sei que eu disse que não sou de me apaixonar e não sou…
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⁠Seu sorriso pelas manhãs ilumina todo o quarto - escurinho do jeito que você gosta. Você pode ajeitar as cortinas para o sol não entrar, mas o brilho que sai de ti me deixa cheia das vontades; vontade você sabe bem de quê. Sei que eu disse que não sou de me apaixonar e não sou mesmo. Mas sou uma das admiradoras mais fiéis de um belo exemplar de ser humano – e você é um dos melhores. Ah, meu bem... deixa de falsa modéstia e de me dar tão pouco crédito. Você acha que eu ia me relacionar com alguém que não fosse sensacional?

Eu cresço quando as mulheres crescem. Mulheres que conheço. Desconhecidas. Ex amigas. Amigas. Se todas as mulheres compreendessem que nós expandimos quando nos unimos, talvez nos tratássemos com mais consideração, carinho e sororidade além da palavra.
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Eu cresço quando as mulheres crescem. Mulheres que conheço. Desconhecidas. Ex amigas. Amigas. Se todas as mulheres compreendessem que nós expandimos quando nos unimos, talvez nos tratássemos com mais consideração, carinho e sororidade além da palavra. Seríamos todas gigantes.

⁠Sabe as pessoas que vivem com a gente? Sabe? As que constroem pontes, desenvolvem meios, dão a volta ao mundo se for preciso? Elas não nos causam ansiedade.
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⁠Sabe as pessoas que vivem com a gente? Sabe? As que constroem pontes, desenvolvem meios, dão a volta ao mundo se for preciso? Elas não nos causam ansiedade. E tem quem nem dê espaço para sonhar. Experimente diminuir seus sonhos por alguém para ver o surto. Nunca compensa.

⁠A vida não é nada além do agora. O que mais você tem além da bagagem do passado e questões de hoje? Entre despedidas e conexões inesperadas, opte pelo aprendizado proporcionado por cada uma delas. Honre o que não foi e o que não era para ser. Remoer não faz o agora ser leve.
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⁠A vida não é nada além do agora. O que mais você tem além da bagagem do passado e questões de hoje? Entre despedidas e conexões inesperadas, opte pelo aprendizado proporcionado por cada uma delas. Honre o que não foi e o que não era para ser. Remoer não faz o agora ser leve. Preste atenção nos sinais e procure entender melhor a sua intuição, sabe? Talvez não seja apenas paranoia, talvez seja seu sexto sentido gritando que você realmente já não é bem vinda ali (e talvez nunca tenha sido). Segue seu rumo sem medir atitude que não é sua. Segue em paz.

⁠Me tira a inspiração, as forças, os planos, o futuro e o chão quando diz que me ama mas não pode fazer nada sobre o que incomoda. Se morro na praia, sempre é só. Se falo do que dói, como todo homem imaturo, desaparece.
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⁠Me tira a inspiração, as forças, os planos, o futuro e o chão quando diz que me ama mas não pode fazer nada sobre o que incomoda. Se morro na praia, sempre é só. Se falo do que dói, como todo homem imaturo, desaparece. Ninguém tira os sonhos de alguém quando o assunto é amor.

⁠Vejo, através de muitas atitudes, olhares e palavras... Que é de verdade. Depois de espalhar minhas cinzas por caminhos que nunca foram meus, sei que é um encontro de almas e propósitos. Depois de tantas escolhas que levaram à lugar nenhum... Descobri que era para chegar até v…
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⁠Vejo, através de muitas atitudes, olhares e palavras... Que é de verdade. Depois de espalhar minhas cinzas por caminhos que nunca foram meus, sei que é um encontro de almas e propósitos. Depois de tantas escolhas que levaram à lugar nenhum... Descobri que era para chegar até você. E gosto disso, sabe? De gente sem medo do agora, do amanhã. De quem dá um jeito quando quer. De quem não perderá nenhum momento compartilhado. De quem abraça os planos e sonhos e faz acontecer. Por tanto tempo fui tão só nesse departamento. Obrigada pelas borboletas no estômago.

⁠Você chegou de mansinho, me mostrou músicas novas, fez festa para as minhas chegadas e se entristeceu com a minha partida. Eu acho que não preciso de mais nada além disso, sabe. O que eu sinto por você é tão bom que eu não queria partir. Mas não tem como saber o final dessa hist…
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⁠Você chegou de mansinho, me mostrou músicas novas, fez festa para as minhas chegadas e se entristeceu com a minha partida. Eu acho que não preciso de mais nada além disso, sabe. O que eu sinto por você é tão bom que eu não queria partir. Mas não tem como saber o final dessa história e eu torço para que ela seja bem feliz enquanto durar. O final não precisa ser feliz, mas deve ser maduro e consciente. Eu não sei se isso faz muito sentido pra você que chegou bem quietinho e foi se encaixando na minha vida.

Somente vê rostos em telas sorrisos ensaiados
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Somente vê rostos em telas sorrisos ensaiados palavras vazias tudo descartável quanto os objetos só nos consomem. Navegamos por águas rasas procuramos algo a mais um laço não-líquido em alguma onda que bater aqui. Mas as conexões em redes frágeis como papel molhado e as tramas se desfazem no toque em tela como são feitos. E quem me lê inteira em meio a tantos cacos vê a verdade: a solidez está na natureza que é permanente. Rejeitar promessas vãs afetos fugazes para abraçar companhia própria tão valiosa do que transborda. Na solidão encontra força e nessa força encontra paz e nessa paz sua verdade indestrutível num mundo vão.

⁠I. a parte em que ninguém percebe há dias em que o mundo continua ~ mas eu não.
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⁠I. a parte em que ninguém percebe há dias em que o mundo continua ~ mas eu não. eu me arrasto dentro da roupa. cumpro compromissos como quem finge ainda habitar o próprio nome. me sento onde sempre me sentei, mas algo em mim não chega. o corpo levanta, mas não comparece. • há horários que evito. nomes que pulo. itens na gaveta que não toco há meses. não é superstição. é autodefesa. ninguém entende. porque continuo funcionando. mas já não pertenço à máquina. • II. a parte que só eu escuto há um som que só eu ouço. não é voz, não é memória, não é aviso. é uma frequência baixa que vibra quando tudo está em silêncio. uma presença que não se mostra, mas me atravessa. me obriga a manter as janelas fechadas, a não reorganizar os móveis, a conservar os espaços como estavam no dia anterior ao que nunca mais passou. • não estou esperando nada. mas também não fui. é isso que ninguém entende: o não ir. o continuar por engano. o viver como quem segura a respiração no fundo da piscina sem saber se ainda é possível subir. • III. a parte em que eu entendo as coisas não melhoram. elas se adaptam. e chamam isso de cura. eu aprendi a conversar sem falar. a sorrir sem acionar músculo. a dormir com a sensação de que algo ainda respira ao lado. talvez seja eu. talvez não. mas sigo deitada. olhando pro teto como quem espera uma explicação que não chega. • e então amanhece. como se nada tivesse acontecido. como se meu corpo não estivesse carregando o peso exato do que ninguém ousa perguntar. e eu levanto. porque a vida, ao contrário da morte, não precisa pedir permissão pra continuar. Juliana Umbelino • O Luto Sou Eu #LeitoraVoraz #Luto #Sentimentos #Lar #LiteraturaBrasileira

⁠eu cresci ouvindo duas vozes. uma dizia: abaixe a cabeça. a outra perguntava: até quando?
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⁠eu cresci ouvindo duas vozes. uma dizia: abaixe a cabeça. a outra perguntava: até quando? • no começo, obedeci. porque ensinaram que ser boa era o mesmo que não incomodar. que ser certa era não querer mais do que te dão. e eu quis. quis tudo. quis entender o que havia em mim que doía mesmo quando tudo estava calmo. quis saber se a fé podia existir sem promessa. se era possível amar sem se oferecer em sacrifício. • foi assim que aprendi a diferença entre culpa e chamado. culpa grita quando você se escolhe. chamado sussurra quando você esquece de si. • tem gente que ouve Deus nas igrejas. eu ouvi dentro de mim. no dia em que parei de fingir que tava tudo bem. no dia em que parei de repetir o nome dos outros como se fosse meu. • não me tornei melhor. me tornei honesta. com a raiva. com o medo. com a sede de parar de agradar quem nunca teve fome de mim. • há quem diga que a vida é sobre encontrar paz. mas ninguém avisa que, às vezes, a paz é barulhenta. ela chega quebrando os móveis onde você guardava a versão que os outros aceitavam. • no fim, eu entendi: o inferno não são os outros. é a tua própria voz cada vez que você se cala pra caber. e o céu? o céu talvez seja esse instante exato em que você decide nunca mais se explicar. — Juliana Umbelino #Literatura #AmoLer #Leitora #Leitura

⁠há coisas que não escrevi em papel. mas continuam aparecendo nas minhas mãos. •
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⁠há coisas que não escrevi em papel. mas continuam aparecendo nas minhas mãos. • talvez seja isso que chamam de seguir em frente: continuar tocando o mundo com dedos que ainda tremem do que não foi dito. não é culpa. não é saudade. é o tipo de presença que já não tem nome mas ainda sabe o caminho até minha cama. • essa semana, encontrei seu nome no fundo de uma gaveta onde não guardo mais nada. mas ali estava ele. como se nunca tivesse saído. às vezes, as lembranças têm a audácia de se esconder nas coisas limpas. • tem palavras que não escrevi, mas o corpo aprendeu. tem hábitos que finjo que perdi, mas reaparecem nos dias em que durmo pouco e acordo cedo demais pra estar viva de verdade. • nunca fui de ter fé. mas às vezes falo contigo como quem reza pra algo que não acredita, mas precisa manter por perto. e não. não é oração. é hábito. é cansaço. é um tipo de apego que ainda late. • ninguém me avisou que aquilo que não se escreve fica procurando lugar pra sair. às vezes escorre no banho. às vezes bate na parede da garganta. às vezes se arruma inteiro pra aparecer de madrugada com cheiro de antes e a voz que eu jurei não lembrar mais. • tem dias em que acordo com a sensação de que alguém escreveu em mim. e não fui eu. como se as mãos tivessem lembrado o caminho sozinhas. como se o corpo tivesse sonhado um gesto e decidido repeti-lo em silêncio. • há coisas que eu jurei ter superado. mas continuam me usando como hospedeiro. coisas que encostam nos objetos, mexem na disposição dos móveis, ficam em pé no canto do quarto como um pensamento que ninguém convidou e não tem educação pra sair. • as palavras não saem. mas a sensação fica. e ela sabe usar minha mão pra lembrar. • ninguém vê. mas tem algo aqui dentro que escreve por mim. não escreve bonito. não escreve pra curar. escreve pra lembrar que eu ainda sinto. • o que não é escrito, às vezes cresce. às vezes pesa. às vezes te escreve de volta. sem papel. sem tinta. só a memória viva do que você tentou enterrar com palavras que nunca chegaram a nascer. • e é aí que mora o perigo. no que ficou grande demais pra continuar calado. mas educado demais pra gritar. Juliana Umbelino

⁠não. não é porque passou que foi embora. tem coisas que continuam me atravessando
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⁠não. não é porque passou que foi embora. tem coisas que continuam me atravessando mesmo depois de eu dizer que já não me importo. a dor não se comporta com dignidade. ela some, volta, veste outra roupa. às vezes, aparece com a cara da minha paz. e sorri. • você acha que sabe do que estou falando. mas não sabe. porque não é sobre o fim. é sobre tudo que continua vivo dentro de quem sobrevive. sobre o que insiste em crescer mesmo depois de ter sido negado. • eu nunca fui boa com adeus. talvez porque sempre tive mais talento pra silêncio. aprendi a sair de cena ficando. aprendi a suportar o insuportável com classe. aprendi a me retirar sem que ninguém notasse — mas sempre esperando que alguém notasse. e ninguém notou. • o mundo não quer saber se você continua doendo. ele quer saber se você respondeu os e-mails. se deu bom dia. se tá bem nas redes. é isso que me assusta: o quanto dá pra sobreviver sem ninguém perceber que você parou de existir. • não é tristeza. tristeza, pelo menos, justifica o choro. isso é outra coisa. isso é dormir de lado por costume. é rir com meio rosto. é esquecer de si com competência. • o nome disso? não sei. mas ele aparece no espelho. na forma como evito o toque. na hora em que não suporto mais música. ou quando me visto inteira, mas sei que falta alguém dentro da roupa. • e é aí que mora a crueldade: quando a dor vira parte da mobília. e ninguém mais estranha a tua ausência. porque você continua #presente demais pra ser procurada. • esse texto não tem #moral. não tem pedido de ajuda. não quer #compaixão. ele só existe porque tem dias em que ser forte é mentira. e ser sincera é o único luxo que me resta. — Juliana Umbelino #AmoLer #Leitura #Literatura #Sucesso #Silêncio #Pausa

⁠sem justiça, sem perdão — só protocolo ninguém é salvo. alguns só têm boa assessoria.
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⁠sem justiça, sem perdão — só protocolo ninguém é salvo. alguns só têm boa assessoria. há quem confunda resposta com redenção. mas o que é dito publicamente raramente se parece com o que sangra no privado. o mundo aprendeu a pedir desculpas como quem emite um recibo: com data, com cálculo, com linguagem neutra. desculpa hoje vem com asterisco. com planejamento de imagem. com legenda que diz “aprendi muito” sem dizer o quê. ninguém quer ser perdoado. só esquecido. e rápido. a justiça também virou performance. é lenta onde devia ser urgente. é veloz onde devia ter escuta. e se você gritar, vão dizer que perdeu a razão. se ficar em silêncio, vão chamar de consentimento. não há saída fácil quando quem escreve as regras também decide quem merece exceção. no filme, a ilha prometia liberdade. e entregava anestesia. a dor era arquivada. os traumas, redesenhados. o passado, editado para caber numa narrativa rentável. não é ficção. é estrutura. é o feed onde tudo parece harmonia, mas ninguém pergunta quem limpou o chão depois da festa. o mundo não quer justiça. quer justificativa. e isso — isso é o mais desolador. perdão, aqui, não nasce de consciência. nasce de conveniência. e a paz? ela existe — mas só pra quem pode pagar pela versão limpa da própria história. quem sobrevive, sabe: não há reconciliação onde o poder segue intacto. há só o silêncio de quem entendeu tarde demais que perdoar também virou moeda. e que a justiça, hoje, é só uma sala com espelhos. e ninguém mais reflete. Juliana Umbelino

⁠os ombros aprenderam a subir. sozinhos. pra se defender de um impacto que não vem mais,
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⁠os ombros aprenderam a subir. sozinhos. pra se defender de um impacto que não vem mais, mas continua esperado. e ninguém percebe. porque do lado de fora, parece só postura. • os olhos seguem. mas sem foco. não procuram. se movem por convenção. há muito deixaram de querer encontrar. • a respiração encurta em lugares muito cheios, em mensagens muito longas, em olhares que demoram mais que dois segundos. não é fobia. é memória corporal de quando tudo doía demais pra ser dito em voz alta. • o toque — não importa se vem por afeto ou distração — é lido como ameaça. o corpo se retrai antes de entender. o corpo entende antes da razão. sempre entendeu. • tem dias em que visto a roupa com cuidado pra que ela esconda onde dói mais. e se encaixe nos ombros como um escudo. ninguém repara. mas eu visto pra não ser tocada. • os pés não fazem barulho ao andar. não por elegância. mas porque aprendi que ser invisível é, às vezes, mais seguro do que ser querida. • há partes minhas que desativaram. não por escolha. por sobrevivência. ninguém nota. mas eu parei de acenar. parei de chamar. parei de responder ao próprio nome com entusiasmo. • isso não é trauma. é adaptação. o corpo se acostuma a não esperar retorno. e começa a existir com o mínimo necessário pra não sumir. • mas o mais cruel é que, por fora, parece força. parece autonomia. parece “nossa, como você lida bem com tudo isso”. mal sabem que foi o ombro subindo sozinho que contou o resto da história. — Juliana Umbelino

⁠há dias em que me pego funcionando por inércia. a xícara está ali. a tarefa está feita.
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⁠há dias em que me pego funcionando por inércia. a xícara está ali. a tarefa está feita. mas o gesto vem de um lugar que já não sou eu. é como se a vontade tivesse se mudado. e eu tivesse ficado por cortesia. • não é depressão. não é sobre tristeza. é sobre ser uma coisa que já não reconhece a si mesma mas que continua presente por educação. por contrato. por automático. por sobrevivência burra. • há algo em mim que anda descolado. um passo depois. um olhar ao lado. uma presença que continua comigo mas não me habita. parece alma ~ mas é só o que sobrou de tanto tentar se manter inteira. • você me vê. mas não está olhando pra mim. está olhando pra essa versão que aprendeu a sorrir sem querer ficar. essa que responde rápido, usa o tom certo, não deixa ninguém perceber que já foi embora há dias. • pareço viva. mas estou só ocupando a ausência pra não preocupar ninguém. é isso: tem dias em que me torno substituta de mim. • não sei quando começou. mas hoje é sexta, e eu deveria sentir alguma coisa. qualquer coisa. exceto esse vazio que já se veste antes de mim, que já me senta na cadeira, que já me entrega inteira pra um mundo que só sabe lidar com quem funciona. • ninguém nota. porque continuo dizendo “obrigada”. continuo abrindo a porta. continuo assinando o nome com letra legível. mas o que há aqui não sou eu. é o fantasma de alguém que cansou de tentar se habitar. — Juliana Umbelino #SextaFeira #Leitura #VidaDeEscritora

⁠não houve justiça. nem perdão. só o costume de esquecer. a professora faltou hoje. mas ninguém perguntou por quê.
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⁠não houve justiça. nem perdão. só o costume de esquecer. a professora faltou hoje. mas ninguém perguntou por quê. disseram que ela "estava estranha" há dias — como se tristeza usasse crachá. a vizinha do oitavo foi despejada. levou um gato. deixou uma planta na portaria. ninguém subiu com ela. ninguém ligou depois. um amigo meu não responde mais. não porque sumiu. mas porque cansou de tentar explicar por que dói mais quando dizem que você precisa seguir em frente como se a frente existisse pra quem ficou soterrado por dentro. falam muito em cura. mas quase sempre é cobrança disfarçada. falam muito em perdão. mas quase sempre é silêncio em cima da dor alheia pra não estragar a estética do discurso. ninguém quer saber o que te quebrou. só querem que você pareça inteiro. a mulher que denunciou foi lembrada como “intensa demais”. o homem que chorou foi tachado de instável. a criança que travou foi chamada de birrenta. não existe justiça quando o critério é o incômodo que você causa. nem perdão quando o outro não acha que errou. e ainda assim, o mundo continua a se cumprimentar nas calçadas. a desejar bom-dia com a voz pastosa de quem não quer escutar resposta. não houve reconciliação. houve esquecimento. que é o nome elegante do abandono. a justiça virou post. o perdão, estética. ninguém quer reparar. só remendar o que aparece. e se você insiste em lembrar, te chamam de ressentida. te pedem leveza, mas nunca te devolvem o que te tiraram. ninguém paga. ninguém volta. ninguém segura a mão da criança que você era quando a dor começou. perdoar virou roteiro. mas ninguém ensina a segurar o corpo quando ele treme só de ouvir o nome. a justiça falha. mas o que mais dói é ver quem sempre se calou sendo cobrado por não reagir bonito. a verdade é que a maioria não quer justiça. quer tranquilidade. e o perdão? só serve se vier com laço e silêncio. hoje, eu vi alguém chorar no vagão do metrô. ninguém olhou. ninguém estendeu palavra. mas todos pensaram: “tomara que fique bem.” como se torcer fosse gesto suficiente. não houve justiça. não houve pedido. não houve volta. mas houve alguém que entendeu que continuar, mesmo sem reparo, tambem é um tipo de resistência. e isso, aqui, é o mais próximo que a gente tem do perdão.