Frase de Juliana Umbelino
não. não é porque passou que foi embora. tem coisas que continuam me atravessando mesmo depois de eu dizer que já não me importo. a dor não se comporta com dignidade. ela some, volta, veste outra roupa. às vezes, aparece com a cara da minha paz. e sorri. • você acha que sabe do que estou falando. mas não sabe. porque não é sobre o fim. é sobre tudo que continua vivo dentro de quem sobrevive. sobre o que insiste em crescer mesmo depois de ter sido negado. • eu nunca fui boa com adeus. talvez porque sempre tive mais talento pra silêncio. aprendi a sair de cena ficando. aprendi a suportar o insuportável com classe. aprendi a me retirar sem que ninguém notasse — mas sempre esperando que alguém notasse. e ninguém notou. • o mundo não quer saber se você continua doendo. ele quer saber se você respondeu os e-mails. se deu bom dia. se tá bem nas redes. é isso que me assusta: o quanto dá pra sobreviver sem ninguém perceber que você parou de existir. • não é tristeza. tristeza, pelo menos, justifica o choro. isso é outra coisa. isso é dormir de lado por costume. é rir com meio rosto. é esquecer de si com competência. • o nome disso? não sei. mas ele aparece no espelho. na forma como evito o toque. na hora em que não suporto mais música. ou quando me visto inteira, mas sei que falta alguém dentro da roupa. • e é aí que mora a crueldade: quando a dor vira parte da mobília. e ninguém mais estranha a tua ausência. porque você continua #presente demais pra ser procurada. • esse texto não tem #moral. não tem pedido de ajuda. não quer #compaixão. ele só existe porque tem dias em que ser forte é mentira. e ser sincera é o único luxo que me resta. — Juliana Umbelino #AmoLer #Leitura #Literatura #Sucesso #Silêncio #Pausa
No pensador.ai desde