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Frases de Eleni Mariana de Menezes

175 frases

Amor derramado Esses meus modos de menina Sapeca Quando já vividos mais de meio século
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Amor derramado Esses meus modos de menina Sapeca Quando já vividos mais de meio século Na verdade, meio século mais uma dezena Vejam bem, não é nenhuma quinzena De dias vividos com uma calma Tão estranha que causa a mim que a experimenta Inquietude. Por que sou uma aventureira É que cabem travessuras nas minhas cestas repletas De magnitudes Desconcertantes. Não tenho nenhum receio de fazer o que quero E espero Que me perdoem por ser tão atrevida. Na minha lida Diária, pois sou uma eterna enamorada Pela vida. E vou revelar agora o meu segredo Sem nenhum medo De ele ser depreciado. Tudo isso em mim é o tal do Amor derramado. Estou Dele locupletada Verdadeiramente saturada.

Martin Luther King Olá Martin. Quanto tempo o teu sonho de um mundo
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Martin Luther King Olá Martin. Quanto tempo o teu sonho de um mundo Sem segregação permaneceu apenas Nas esferas recônditas de almas puras Assim como a tua. Simplesmente nas mentes pacíficas De homens sensíveis como foste tu. A tua voz firme, porém, Ecoou nos ouvidos vazios De almas empedernidas E retumbou no eco da eternidade. Deus ouviu o teu clamor E enviou para a América, A tua América, Um filho da mesma raça valorosa e ditosa! Que raça! De brio. De luta. Por três séculos enfrentaram uma contenda laboriosa Em busca de direitos iguais aos dos brancos. As razões eram mais do que justas Martin. Sabemos, Nós que acreditamos na eternidade, Que as características raciais não pesam na balança De Deus que é por querer multifacetado. Ele não tem preferências, Também de ideologias e credos. Credo! O que faremos como nossas tortuosas alienações À custa das muitas imposições marteladas Nas idéias dos mais frágeis? Isso ecoa na eternidade. Não silencia na mente de Deus, As nossas culpas. Os atos impiedosos dos dominadores sobre Os dominados ficam ressoando no ouvido divino, E os gritos da massa manipulada acordam a sua fúria. Por outro lado, para que termos medo Martin? Não somos nós eternos? Não é a nossa capacidade intelectiva tão duradoura Quanto a nossa soberba? Por que temer, então, A ira divina que os nossos preconceitos levantam? Calamo-nos diante da perversidade Dos preconceituosos raciais, sociais e religiosos. É, pois, nossa culpa, também? Claro que não! Convivemos tranquilamente com nossas consciências. Porque não somos individualistas Quanto aos propagadores da exclusão dos negros E dos pobres. Apenas nos calamos diante das maldades dos Sem coração. Sem pudor. Sem amor. Nós nos igualamos aos primeiros, Martin? Não! Somos crentes a Deus. Apenas nos silenciamos diante das injustiças. Para que gritar o grito dos oprimidos? Oh! Não queremos entrar na mira dos injustos. Doe demais Martin. Às vezes, pode ser rápida, na maioria delas, dolorosa. A morte dos que vigiam o ódio dos extremistas E o descaso dos omissos. Daqueles que não suportando prosseguirem Num mundo banhado de lágrimas inocentes Empunham a bandeira da luta não violenta Pelos direitos iguais. E Não somos iguais Martin. Que pena! A massa da qual fomos fabricados, Nós os Não ativistas, Foi moldada nos fornos do desafeto. Da inércia. Da preguiça. Da insensatez. Do medo. Da covardia. Ao contrário, O fermento que deu vida ao homem Martin, Brotou um dia no chão da velha África, Com a cor púrpura da dignidade, da estima E do valor e alastrou-se pela América. Destemido. Ativista. Corajoso. Herói. Como, então podes querer que sejamos iguais? O distanciamento é incomensurável. Como pesar na mesma balança a força de um homem Que labuta pelos semelhantes com a voz do homem E a atitude de Cristo? Quem se iguala a ti Martin? Poucos. Apenas alguns que se diferenciaram na história Da caminhada humana E escolheram viver para a eternidade. Eu, como a imensa maioria quero e vou permanecer Não ativista. Só comodista. Egoísta. Individualista. Deixa estar Martin, Que teu grito já acordou as consciências E a tua América, reverencia outro da tua Gloriosa Raça. A tua cor Martin, É hoje o expoente da Política mundial. Quer mais? Como tu, também, Nobel da Paz! Permanece com Deus, valoroso guerreiro, Que a tua morte, por sorte, E por merecimento, Mudou os modos da tua América. E que Deus a abençoe hoje e sempre!

Olga Benário Os campos de extermínios São frios e lavados com o suor dos corpos
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Olga Benário Os campos de extermínios São frios e lavados com o suor dos corpos Que exalam ânsia por mais vidas nas suas vidas. Então Olga, Não vás atiçar o ódio dos nazistas, Pois eles punirão aos que forem contrários às suas regras, Covardemente. Impiedosamente. Deixa as tuas idéias De um mundo comum a todos Guardadas na gaveta mais recôndita Da tua alma, Do contrário não ninarás Anita E nem colocarás a fita Nos cabelos sedosos de criança dócil. Não troques uma vida inteira De ternura entre os beijos E afagos da filha amada por um sonho vão. Lamento, Sem tento Desatinado e improvável. A velha União será sorvida Ao sopro do furacão do ocidente. O capitalismo canibal que se apossou global Estende seus tentáculos para o Leste Que inerte Cambaleia e agonizante desfalece, Enfraquece E tomba. Igualitários países sem almas e sem sonhos. De que adianta comer E não poder tecer A renda que enfeita a nossa vida tão curta e frágil? Não Olga. Melhor que a comida é ter a liberdade de alçar voos. É caminhar por entre a multidão Descobrindo rações que fortalecem a alma, E com a calma de um passante contemplativo, Deixar-se descansar até tomar novo fôlego Para a jornada no meio às descobertas E poder subir galgando degraus E pode-se até cair, Mas com o tino de que o prumo é a meta, Certa para os filhos do Universo. Por falar em Uno, Temos a beleza estendida E naturalmente construída No ventre da mãe natureza. Pare e pense um pouco nas coisas Que teus olhos perderão para sempre. Vê, ainda é mais caro Olga, Ficar entre os muros sombrios Dos campos de concentração. Então, não vá lá não. Esquece a aflição dos miseráveis. E volta para o seu mundo abastado. Ah! Querida, entendo. Sabendo. A agonia dos excluídos Buscavas igualar os direitos deles. Como matar a guerreira que grita dentro de ti? Só mesmo aquele gás mortífero. Só assim a Olga não lutará mais pelos Irmãos caídos Estendidos pelo caminho De uma vida estreita e sem horizontes. Assim pensavas e foi tão válida A tua luta. Que o mundo inteiro hoje te coloca No pedestal de heroína. E só isso importa!

Tiradentes Tira, tira Tiradentes. A tua presença viva dos anais da história.
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Tiradentes Tira, tira Tiradentes. A tua presença viva dos anais da história. Liberdade ainda é inglória. Melhor que vás para São Paulo ou Bahia. Deixa as Minas e segue sem jamais Olhar para trás. A Inconfidência é conspiração à coroa E terás sina de forca. Esquartejamento público. Teu corpo será colocado Como bandeira, E desfraldado Contará para o mundo a tua ignomínia. De lesa-majestade. Deslealdade Com o poder maturado da Europa. Lideras uma causa sem remédio. Teu país dormirá por décadas No seio da impunidade. Da discriminação Da contramão Da desigualdade. Gritante! Pedante! Dos homens do comando. E teu sonho ainda é um esboço De um projeto que começa a se desenhar Na conjuntura arredia Porém, esperançosa. De uma nação forte que quer mudanças e inspira Ainda mais o lema. Liberdade, ainda que tardia.

Vladimir Herzog Olá Vlado! Estou buscando inspiração na tarde sonolenta de janeiro.
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Vladimir Herzog Olá Vlado! Estou buscando inspiração na tarde sonolenta de janeiro. Choveu o dia quase todo. Agora o sol tenta romper a neblina Que insiste em ficar na atmosfera Carregando-a de lágrimas. Não dei conta de suportar a nostalgia Que a impotência causou-me. Pensei em ti e chorei. Depois de tanto tempo? Como pude? Nem eu mesma soube explicar. Só sei que precisava desabafar O nó preso na garganta De um tempo negro demais Que não pode voltar A não ser nas lembranças Para rejeitarmos esses moldes E nunca mais vê-los novamente implantados Nos nossos portais humanos. Não vamos falar a versão deles Vlado. Sejamos diretos e simples tanto quanto o tamanho Do ardil vil E obscuro construído Nas salas do DOI-CODI. Covardemente mataram você. Como o fizeram com muitos. Alguns ficaram vivos, Mas saíram “mortos” de medo. Pela dor causada por torturas físicas e psicológicas. Ainda hoje são devorados nas entranhas Por tais monstros. Como voltar atrás e não atender ao chamado do algoz? Melhor fugir para o exílio e voltar Quando as amarras caírem E a perversidade for extirpada do ventre da nossa Pátria. Tão Soberana! Que mergulha por querer numa dolorosa Repressão aos contrários do militarismo. A palavra liberdade Parecia estar em desuso, Principalmente nas frias salas de interrogatórios, Onde se lavavam com sangue As memórias daqueles que ficaram Enjaulados E acuados diante de tanto horror. Talvez porque o alto comissariado Não compreendesse o mais profundo significado Da dignidade humana E que ele não se estampa naquilo Que a pessoa faz ou diz, Mas simplesmente no fato De ser pessoa humana, devendo, Por direito, ser tratada como tal. Instrumentalizaram as pessoas Em vista dos seus sórdidos interesses. Feriram-nas. Torturaram-nas até mais não suportarem A agonia de ser gente. E renitentes assenhorearam-se das idéias E ideais de liberdade, Igualdade, Fraternidade Que tão bem a velha França gritou. Espernearam aqui os seguidores deste lema. Defenderam com suor E muita luta o Brasil das garras Dos poderosos parasitas podres, Que infestavam as esferas governamentais De um país mergulhado no choro. Choramos lá E agora ao recordar só queremos suplicar Plagiando Dom Paulo. Brasil: Nunca Mais. Sei Vlado que ficaste como divisor De águas do hediondo tempo ditatorial. Após tua partida, Intelectuais e meios de comunicação Denunciaram anunciando o fim do terror. Levantaram-se as bandeiras Dos filhos destemidos Da Grande Mãe Pátria para todos. E calados locupletaram a Catedral da Sé Num ato heroico de repúdio ao regime ditatorial. E de lá para cá Temos colocado no poder A nossa alma carregada de esperança. Elegemos nossos governantes De acordo com a vontade popular. Oxalá que acertemos um dia O melhor caminho para a glória de toda a nação. Estamos carentes de um Grande Estadista. Alguém capaz de dirimir as exclusões Que o perverso sistema capitalista cria Que plante visando as futuras gerações. Políticas públicas robusta que recriem A humanidade que tanto sonhaste. E contigo tantos se não mortos, Torturados pela ditadura. Queremos a democracia de fato. Direito sagrado nosso. Está lá, na nossa Carta Magna Por que continuam nos negando? Até quando? Fingiremos que tudo está bem?

Irmã Doroty Irmã Doroty Tenta o silêncio para não deixares rastro
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Irmã Doroty Irmã Doroty Tenta o silêncio para não deixares rastro Para os teus perseguidores. Busca a religiosidade dos conventos de clausuras Sem o contato com o mundo cão. Não! Não apares as arestas da sociedade sem lei E impiedosa para com teus pobres. Pára de falar mal dos maus. “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.” Foge sim, irmã. Do contrário não verás “as águas de março” Enxurrarem as valas e o magnetismo das aluviões Arrebanhando tudo o que se lhes impedem o caminho. Não molharás mais os pezinhos ligeiros nas poças d’água Das ruas desnudas por onde trilhas para evangelizar. Senta irmã, Os meninos ainda precisam ouvir tuas estórias de amor Que contas nas aulas de catecismo E espalhar seus risos inocentes quando fazes cócegas Em suas orelhas pequenas. Os olhares deles não repousarão mais No semblante amoroso de mãe e amiga, E não terão mais o carinho da mulher solidária Que lhes levava alegria E amparo para atravessarem suas travessuras Com mais gosto. Ah! Não irmã. Quem irá lhes informar sobre O Sol do céu que solda os corações Em festa quando a primavera orquestrar No Paraíso as pegadas dos rebanhos do Senhor? Finge que não tem importância Os conflitos que trovejam aí no seu Xingu. O do Brasil dos brasileiros que só querem ver nascer A esperança de uma Pátria Gentil Com riquezas mil Para todos. Depois que será tão sombrio o amanhecer Sem a amiga e batalhadora. A orfandade desencadeará a morte Dos filhos também. Morte de sonhos, Morte das ilusões, Morte do alimento que lhes chegava à boca com fartura, Pois tinham Dorothy lutando braviamente por eles, Por geração de rendas e emprego. Suas bocas ficarão escancaradas à espera E famintos calarão o grito da desilusão e da revolta. Quem importa? Ninguém mais os ouvirá. Cadê a pastora que lhes conduzia pelos trilhos Da abundância E despejava nos seus corações A esperança de uma terra rica e generosa? Ouve irmã, O grito da araponga ressoando no sertão. Dizendo não. Não vás ainda, O teu rebanho se perderá sem o teu norte De tão grande porte, Que nem tem comparação com os outros que ficarão Chorando a verdadeira, A filha de Maria, A irmã da caridade que sem vaidade abarcou os pobres do Xingu com seus mil braços de perdão, Compaixão, generosidade, Piedade e de amor. O amor expandirá suas garras tentando em vão retê-la. Quem o usará com igual propriedade? Por caridade irmã, fica. Só mais um pouco, uns trinta ou menos, Vinte anos, É claro. Para que desprendas das mangas Tuas cartas contra a escravidão Dos corpos frágeis e necessitados de Anapu, Do Xingu, De toda a Amazônia e de Ohio também. Têm pobres lá, O rastro dos impiedosos atravessa fronteiras E atinge os extremos E até os ricos países gordos de mandos e desmandos. Tem também famintos na América? A tua que deixaste para trás para vires Para o fundo do mundo. Sim, irmã, ela os têm. Mas quiseste viajar numa caravana de bondade E adentrar a famigerada floresta com pertencimento Ao estrangeirismo. Que abismo! Estão levando-a como se leva algo insignificante E assim “como quem não quer nada”, Roubam-na a impenetrabilidade E a grande biodiversidade. Irão reduzi-la, nesse passo, ao nada absoluto E o pulmão do mundo morrerá. Junto com ele, também, a Stang. Que pena amiga! Saudade...

Brinco de viver Meu coração está repleto de amores Que colhi durante o meu caminhar.
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Brinco de viver Meu coração está repleto de amores Que colhi durante o meu caminhar. Transformei meus espinhos em flores Num grandioso desabrochar De esperanças e de alegrias. Brinco ser a Lua namorando o Sol E brinco ser o Sol iluminando a rica Terra. E no compasso de tanta euforia. Tenho refletido no olhar doce arrebol E minha voz é de tenor quando berra Pras Divindades a minha gratidão por Ser Existir E brinco que sou uma estrela De maior brilho que reluz E sou nuvem que derrama sobre os prados Meu amor E solto o meu riso escancarado. Pra que siso? Se a vida é breve e vai correr. Por isso, às vezes fico séria e então, só então, Brinco de viver.

Tim Lopes Olá Tim, Preciso segredar-te algo
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Tim Lopes Olá Tim, Preciso segredar-te algo A respeito dos homens impiedosos: Eles possuem um comportamento Avesso aos mandamentos de Deus: Não matar. E não matar, eu, Na minha sensibilidade quase infantil diria que é tudo, Desde uma formiga até um Arcanjo como foste tu. Então, Deixa tuas investigações seguirem um curso mais ameno. Sobe o morro sim, Mas desvia o tema para os rebolados Das meninas na dança Punk Onde se enrolam suados corpos encharcados de bebida E desejos libidinosos. Deixa prá lá os meninos grandes Que as usam como depositárias De seus espermas que de carícias só as que rugem No interior das feras criadas no mundo sem princípios, Sem amor, sem piedade. Estes meninos grandes não sabem o valor da vida Construída Na fé de uma força pacificadora que se entranha Estranha na fartura de um rico servidor do amor: Deus. Deixa Tim, Que todos já sabem o que vais investigar. A sociedade sabe, Os da Lei sabem. E todos só lamentam, Apenas lamentam impotentes Diante da gigantesca serpente De dentes afiados e não têm coragem de desafiá-la Para ela parar com seus botes nos seus co-irmãos. Ela vai arrebanhando na sua enorme gula, Cada vez mais aficionados, Viciados, Entediados filhos do caos. Sua artimanha é fabricada Nos virulentos labirintos das dores humanas. Ela aproveita das fraquezas do solitário Sem apego às coisas Divinas. Das meninas. Dos meninos. Filhos do horror. Sem esperança. Sem luz. Caem nas redes que o submundo tece tão bem. Ai, pobre deles! Que não tiveram como Tim, Uma direção delineada, Desenhada por mãos de amor. Seja como for, não vás Tim. O Prêmio Esso, esofágico, Regurgitará a ira dos narcotraficantes Que irão torturar-te sem pena e conhecerás Os horrores da dor quando ultrapassa Os limites do humano E derruba o homem para a condição de feras acuadas E indefesas. Esquece o prêmio Tim. Leva tua micro câmera Para a praia de Copacabana E enquadra os quadris das meninas untadas De bronzeadores e enegrecidas pelo namoro no sol. Elas vão retribuir Com um sorriso ingênuo E despretensioso, Tanto quanto à vida que lhes entorna Pelos passar dos anos, Promessas de encontros casuais E poucos compromissos nupciais. Nem precisa Tim, Elas querem viver o momento Que é breve demais para se correr atrás De perigos escondidos num morro habitados Por narcotraficantes E frios matadores de gente de boa fé. Eles vão matar O menino que era um pedaço de dona Maria do Carmo. Tecido no ventre de Maria, Era um pedaço do coração dela E era só coração E alegria. Como disseste no Crônica que tão bem compuseste Para ela, a mãe. Carne, coração, alegria, também tristeza e um pouco ela. Então, não vás, pois ela jamais será inteira Depois de tua partida. E tem o Bruno que órfão Não terá mais um colo autenticamente paterno. Não Tim, Se mãe é única, Pai não tem substituto igualmente. Fica para que a mulher, A Alessandra, não sofra o horror do vazio de abraços. Não deixes Tim, Que se percam teus espaços de esposo, De pai e de filho tão queridos. Ah! Sei... Tua consciência te chama amigo. Teus ideais... Que dor! Que pena! Então até mais.

Tu sabes do meu amor. Não há como negares Essa cor, essa pele, esse sorriso
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Tu sabes do meu amor. Não há como negares Essa cor, essa pele, esse sorriso Esse jeito de falar e essa voz Esse tom, esse eco de infinito. O andar, o modo com que me fitas Eu não me enganaria tanto. Não, a carência não traduziria fielmente A leitura que faço da tua pose. Teus ares com as brisas que me inundam. Teu cheiro com a intensidade que me causa embriaguez De alma. A leveza com que giras à minha volta Roçando os teus cabelos no meu rosto Quando finges examinar a outra. Não precisarias chegar tão perto Demasiadamente indiscreto Teu olhar que sonda meu arfar irrequieto De aflição por te amar tanto. Tudo em ti grita e ressoa na minha mente. Que és meu Inteiramente. Que sabes o amor que há em mim. Completamente.

Livros são os melhores presentes. O governo do DF (Distrito Federal) sancionou Lei que proíbe a fabricação e venda das armas de brinquedo. Um ato bastante polemizado pela mídia e cidadãos engajados com as questões educacionais. Alguns se posicionaram contrários à medida defende…
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Livros são os melhores presentes. O governo do DF (Distrito Federal) sancionou Lei que proíbe a fabricação e venda das armas de brinquedo. Um ato bastante polemizado pela mídia e cidadãos engajados com as questões educacionais. Alguns se posicionaram contrários à medida defendendo a idéia de que crianças precisam brincar de heróis e mocinhos, e que tais práticas podem reforçar nos pequenos, a noção de justiça. Outros avaliaram positivamente a atitude do Governo, uma vez que ela vai ao encontro dos anseios da sociedade de se frear a violência no país. Se esta medida será eficaz ou não, somente a próxima década nos dirá. As crianças que não receberem suas armas de brinquedo nesta, serão o objeto de estudo comparativo com as que receberam, no passado, as suas pistolas, metralhadoras e outras afins. Entre os prós e os contras de tal ação, há que se fazer uma análise mais detalhada dos primeiros, pois, razões robustas e contundentes exigem que nos debrucemos sobre elas antes de escolhermos de qual lado ficaremos. Vejamos: Sabe-se que a infância é um período fértil para toda e qualquer aprendizagem: música, línguas, dança etc. Há, ainda, quem defenda a idéia de que nas brincadeiras infantis de imitações podem desabrochar aptidões e habilidades que conduzirão o individuo para atividades afins na fase adulta. Com certeza, o leitor contumaz adquirirá maior capacidade de abstração que é o meio mais eficaz para mover-se com êxito no mundo hodierno. Também é a leitura é uma ferramenta potente no desenvolvimento emocional e imaginativo das crianças. E por ser a infância a fase onde todos os hábitos são formados que devemos difundir boas práticas para coibir desvios de más condutas, o máximo que pudermos. Outro argumento salutar nos apresenta um diversificado mercado de brinquedos que estimulam a inteligência e desenvolvem as fantasias dos pequenos. Então por que não prover nossas crianças com coisas belas e úteis? Bons livros são construídos e editados todos os anos, e estão entre os melhores presentes. Desenvolver o hábito da leitura ainda na infância é preparar cidadãos com competência de realizarem uma leitura crítica do mundo. Ler é fundamental para a aquisição do conhecimento e a história comprova que bons leitores serão os ótimos escritores do futuro. Retomando o tema violência, a sua queda passa, sobretudo pela elaboração de medidas capazes de dirimi-las desde a sua origem até as suas conseqüências. Governo e sociedade têm de somar esforços para atingirem tal fim. E todas e quaisquer ações neste sentido devem ser bem vistas e recebidas com muita disposição.

Vândalos e delinquentes: os herdeiros de uma política descompromissada com os cidadãos. Se tentarmos responder de imediato a questão: como nascem os vândalos e delinquentes, de pronto diríamos que eles são unicamente produtos da miséria e da desestruturação familiar. Mas ao deb…
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Vândalos e delinquentes: os herdeiros de uma política descompromissada com os cidadãos. Se tentarmos responder de imediato a questão: como nascem os vândalos e delinquentes, de pronto diríamos que eles são unicamente produtos da miséria e da desestruturação familiar. Mas ao debruçarmos um pouco na análise, constataremos que os determinantes que ela cita não podem ser aceitos como únicos provocadores de tais chagas sociais. Não fosse verdade, não veríamos filhos da classe média envolvidos em atos de extremo vandalismo ao patrimônio público e depredações generalizadas: públicas e particulares. Um exemplo recente é o que vem acontecendo em todo o País travestido de manifestações legítimas, e que descambou para as arruaças, pois, na realidade tais atitudes vão além, muito além das aparências dessas causas e expõe o inconformismo com o despreparo e descaso dos governantes. É muito claro que a violência é decorrente de fatores sociais, mas é um leque tão vasto que teríamos que discorrê-los em um trabalho de tese. O que fica evidente, sejam eles quais forem, é o a omissão do Estado. Essa omissão beirando a inconstitucionalidade, é tão vergonhosa que por si só já se torna um ato de vandalismo e delinquência. Daí, o exemplo para os cidadãos ainda em formação, e, quando formados, mal formados estão, por conta de política descompromissada com a educação. Por que os nossos jovens apadrinhados com a sorte de terem as necessidades primárias e secundárias e até mesmo as terciárias de acordo com a hierarquia de necessidades de Maslow, supridas, não se ajustam para atingirem as quartanárias que são: auto-estima, confiança, conquista, respeito ao outros, respeito dos outros? Sabemos que faltam políticas de inclusão social para todos, principalmente para os pobres, que é obrigação do Estado garanti-las, e as existentes não se sustentam por si mesmas, ou, seja, têm os seus limites balizados por conveniências político-eleitoreiras e apenas acontecem para promoverem cargos e partidos. Projetos sociais são mal construídos na ante-sala das eleições e abortados assim que os criadores se apossam do almejado cargo. Não há necessidade de repetir aqui a lengalenga pisada e repisada pelos políticos durante as campanhas, um exemplo robusto deste desnível é o lugar que o Brasil ocupa no ranking mundial de competitividade e um dos motivos é a falta de infraestrutura básica, como estradas e portos tão decantados nas falas promissoras dos nossos candidatos. O que a competitividade de um país tem a ver com a delinquência e o vandalismo? Tudo. Uma vez que, nação com baixa competitividade, é nação sem atrativos mercadológicos, portanto, será uma nação com pouca esperança para os anseios de uma juventude sedenta de participação na produtividade do país. Energias desperdiçadas para o bem tendem a ganhar a direção oposta. No que tange à educação, em 2012, o Brasil ocupou o vergonhoso penúltimo lugar numa lista de 40 países analisados pela Economist Intelligence Unit (EIU), ficando na frente apenas da Indonésia, última colocada no ranking. O presidente do programa avalia que, entre outras razões da fragilidade educacional, está a falta de uma cultura que apoie o espírito educativo. Por conta dessa cultura descompromissada com a educação o país tem a terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Está atrás apenas da Bósnia Herzegovina e das ilhas de São Cristovam e Névis, no Caribe. Essa evasão gera cidadãos despreparados para exercerem suas respectivas cidadanias como deveria ser de direito. Suas leituras de mundo são deformadas e aceitam tudo o que os oportunistas lhes vendem como verdade absoluta. Quando não, se sentem excluídos da ciranda produtiva, então, partem para a destruição de toda ostentação abusiva que a sociedade e o Estado lhes impingem. Em se tratando da classe média, então, o governo lava totalmente as mãos e os pais se vêem oprimidos entre os leques cada vez mais vastos de produção de conhecimentos específicos e gerais que eles precisam comprar com preços não módicos para que seus filhos se insiram num mercado competitivo e impiedoso. Aqui, também, pertencer a uma parcela pequena da sociedade chega a ser igualmente doloroso. O “eu posso ter”, fecha um círculo para poucos que, isolados, sem um Norte definido se vêem acuados e avançam na contramão dos bons costumes.

Meu pequeno Gigante Quando eu era uma menininha Papai me carregava ao pescoço.
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Meu pequeno Gigante Quando eu era uma menininha Papai me carregava ao pescoço. Ele era do tamanho da Torre da nossa igreja. Lá de cima eu via o mundo fantástico. Ficava tudo muito longe de mim. Eu ia a balançar as pernas Manejando o meu leme, a cabeça de papai. Quando ele me punha no chão, gritava: Agora veja se me alcança. Eu saia dando pulinhos tentando cobrir Suas passadas Sem jamais conseguir Também pudera. Papai era um gigante Que calçava as botas de sete-léguas. Ele já se foi pra outra morada Eu fiquei aqui com a saudade e a doce lembrança De um pequeno pai com um pouco mais de um metro e sessenta.

Estação de amores A vida me esperou Desobedeceu às regras
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Estação de amores A vida me esperou Desobedeceu às regras Porque eu pedi um tempo no jogo Fiz de conta que tinha desistido Varrido Da minha área Todas as táticas de guerra. Menti. Estou aqui e vou reverter esse estado Liquidificado. Gaseificado No pequeno compartimento do meu coração. Ainda estou na estação De possíveis amores. Vou me deleitar com os sabores De um abraço. De uma mão na minha mão.

Vento do outro lado da serra Vento do outro lado da serra Traz pra mim algum recado dele
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Vento do outro lado da serra Vento do outro lado da serra Traz pra mim algum recado dele Estou sozinha aqui na Terra E vivo esperando por ele. Vento que enreda pro mundo inteiro. Não enredou pro meu amor onde estou. Espalha pra todos os diversos cheiros. Ma não me ouve nem me consolou. Com cheiros que meu olfato adocicaria. Que minha alma embriagaria E lavaria todo o pecado. Enfim eu teria o sonho resgatado. Vento me deixa ao menos ouvir o que ele diz. Pois este silêncio me torna ainda mais infeliz. Essa montanha que não me deixa avistar seu semblante É muito maior dentro do coração dele inconstante. Que fique este segredo apenas entre nós. Preciso ao menos ouvir a sua voz. (dele) E, se não puder viver, ao menos morrer por ele.

"O Amor é mais forte que a morte" Eu vi a terra banhada de vermelho Com o sangue dos inocentes
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"O Amor é mais forte que a morte" Eu vi a terra banhada de vermelho Com o sangue dos inocentes E os pedaços de gente espalhados Como retalhos velhos nos escombros Das casas destruídas pelas bombas Pensei, então, comigo: jamais vou amar Alguém capaz de desencadear tal mortificina Daí eu pedi para você ordenar o cessar-fogo Pra que eu pudesse ouvir o som do seu coração. De humano E você ordenou, pra minha surpresa. E desde ai, amo você com a força maior que todas As causas e motivos e razões Das vidas ceifadas até hoje na humanidade. De fato, “o amor é mais forte que a morte”.

Sol e Sonho Solto meus bichos e extravaso o meu desejo Preciso ser uma anciã feliz ainda que solitária.
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Sol e Sonho Solto meus bichos e extravaso o meu desejo Preciso ser uma anciã feliz ainda que solitária. Redimir das, e dirimir minhas inquietações De querer saber o que vim fazer aqui. Solta e só como um pião sem prumo. Sem rumo Então, onde o entra o Sol neste poema? Dilema. Não sei. Talvez eu o insira no meu olhar Só pra morrer de delírio e nada mais. E os Sonhos? Ah! Sonhar é bom. Sonho que sou uma Fada e transito na estrada que passa Ao lado da avenida onde brilhas.

Desvario Ele não quis ou não querer fingiu E, tão bem o fez que acreditei negada
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Desvario Ele não quis ou não querer fingiu E, tão bem o fez que acreditei negada E renegada pelo amor de tal vivente E dor assim tamanha só a sente A criatura mal amada. E o Sol se pôs e renasceu indefinidamente Eu insistindo loquazmente Ele frio refutando minha oferta De amá-lo eternamente. Talvez, pensava ele, um dia Quem sabe eu a tomo por minha Há de chegar a vez dessa mulher. E a vida breve passou Sem sequer nos pertencermos Ao menos um momento breve e frio Ficamos um sem o outro Ele acomodado, Eu, segui transida em desvario.

Comunhão de almas Quero que permaneças ao meu lado Depois de todas as minhas estórias serem contadas
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Comunhão de almas Quero que permaneças ao meu lado Depois de todas as minhas estórias serem contadas Ainda que com voz rouca e trêmula pelo cansaço Do tempo eu gagueje ainda ruborizando com teus beijos. Um leve toque no meu colo Um murmúrio em êxtase pelo teu olhar Infiltrado nos meus olhos Ardentes e apaixonados Mesmo depois que o tempo tenha descolorido O brilho e o viço da nossa mocidade. Continua segurando a minha mão E fica em silêncio porque as palavras Já não serão mais necessárias E os nossos corações já conhecedores Das razões um do outro Saberão traduzir nossos desejos. E sem rodeios, seremos.... Corpos em comunhão de almas.

A Budiudiuca Chegou no início da tarde e acomodou-se ali no último compartimento da minha prateleira que ficava encostada no meu tanque de lavar roupa. Sequer me pediu licença. Decerto já sabedora da minha paixão por seus iguais. Para ser mais exata, de minha enorme paixão por t…
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A Budiudiuca Chegou no início da tarde e acomodou-se ali no último compartimento da minha prateleira que ficava encostada no meu tanque de lavar roupa. Sequer me pediu licença. Decerto já sabedora da minha paixão por seus iguais. Para ser mais exata, de minha enorme paixão por todas as criaturas do Uno. A princípio arredia. Bastava que ela ouvisse minhas passadas para cair no mundo como se só a minha presença a colocasse em perigo real. À medida que eu fui me aproximando sem fazer barulho, pé ante pé, de mansinho, passinhos sonoros para não assustá-la, ela foi se assentando e aceitando a minha presença. Não me evitava mais. E eu, de minha parte tentava fazer o menor ruído possível ali na área de serviço. Não sacudia mais, depois de lavadas, minhas sacolas plásticas para não levantar suspeita de perigo na minha inquilina. No entanto, ela só aceitava a mim. Bastava que chegasse visita para ela fugir em vôo disparado. E, assim, foi ficando, foi ficando e um belo dia ouviu-se o ruído denunciador da minha condição de avó. Haviam nascido dois. Minha mãe com experiência na área sentenciou, assim os viu: — São macho e fêmea. — Por que sabe? Fiquei curiosa — O macho é maior e mais forte. Batizei-os de Leo e Léia. O que mais me encantava naquela família era a dedicação total da recém-mamãe. Saia logo cedo e após uma hora mais ou menos voltava com o papo cheio de comida para os filhotes. E ficava lá em cima deles esquentando-os, o restante do dia. Porém, um dia, saiu e não voltou. Só comecei a me preocupar por volta do meio dia. Disse para minha mãe que aquilo não estava certo, ela havia abandonado os filhotes que ainda não voavam. Eu olhava ao redor, em cima da casa, no arvoredo próximo e nada da mãe fujona. Afligi-me com aquela traição e fui para a internet ver o que podia fazer. Que comida dar para os filhotes, enfim, eu tinha de suprir, como avó, a ausência da mãe desnaturada. Encontrei, para meu espanto, vários relatos de abandono de ninhos pelas mamães rolinhas: São ‘levianas’, pensei de pronto. Muito magoada e com um enorme dó dos dois pequerruchos despenados, considerei seguir um dos conselhos de um tratador de filhotes órfãos: mingau de fubá sem sal. Quando a papa ficou pronta minha mãe recomendou; — Coloque bem perto deles, pois eles não vão deixar você pegá-los para colocar goela abaixo. Assim que me aproximei qual não foi meu espanto quando eles assustados, ensaiaram um voo e caíram desajeitados no chão com grande estardalhaço e por mais que eu tentasse não conseguia pegá-los. Rápidos eles se escondiam entre as bacias e baldes e quando eu conseguia retirar o que me estorvava alcançá-los, eles pulavam para debaixo de outra vasilha. Ficamos lá nessa luta inglória muito tempo, até que desisti e deixei a comida no chão bem à mostra de seus olhares famintos assim que eles resolvessem sair do esconderijo, por conta da fome. Sai para resolver uns problemas no banco e quando regressei encontrei a mãe andando pelo quintal, vagarosamente como se carregasse o peso do mundo. Fiquei catatônica. — Como assim, você não havia sumido? Ela me olhou demoradamente e eu li naquele olhar a pergunta? — O que você fez com meus filhotes? — Eu tentei alimentá-los e eles fugiram, estão por aí debaixo das coisas. Respondi amargurada. Ela ficou por ali muito tempo e nada de localizá-los. Então resolvi procurá-los para mostrar pra ela que eles estavam ali mesmo escondidos. Não os localizando, chorei. — Perdoe-me. Pedi aflita para a mãe. Será que você consegue me perdoar? Implorei para aquele olhar postado em mim doloridamente. Após vários minutos ela desistiu e partiu. E eu fiquei remoendo a minha dor de haver interferido na didática de ensino da ave. Certamente ela saíra para dar aos filhotes a oportunidade de se virarem sozinhos. Era um meio de forçá-los a saírem para o primeiro vôo a demora do retorno. Passei o restante do dia moída de remorso. Até pareceu-me que eu tinha declarado a terceira guerra mundial e estava à beira de acabar com toda a vida do planeta terra, tal era a minha dor. À noitinha saí para dar mais uma olhadela em torno da extensa casa, comprida a perder de vista, e para minha surpresa, avistei o macho, em cima do telhado da cozinha, bem rente à cumeeira de separação com a sala de jantar. Gritei de alegria. — Léo, você voltou pra vovó. Ainda em estado de êxtase supliquei esperançosa. São Francisco de Assis, protetor dos animais, me ajude a encontrar a Leia. Ele me atendeu prontamente. Léia saiu debaixo do tanque dando saltinhos miúdos, sinal da sua fraqueza por falta de alimentos. Consegui pegá-la desta vez e depois de alimentá-la com uma pequena colher boca a baixo, joguei-a para cima em direção ao telhado. Ela ensaiou um meio voo e parou em cima da casa. — Léo, cuide da sua irmã até sua mãe voltar, por favor, querido. Eu tinha certeza que a Budiudiuca voltaria para resgatar os filhos, e ali em cima do telhado era mais fácil avistá-los. De vez em quando eu saia ao terreiro para ver como eles estavam se saindo. Lá pelas tantas da noite, não conseguindo dormir, voltei ao terreiro e fiquei demasiadamente comovida: eles estavam tão próximos um do outro como se tentassem suprir um pro outro a falta da mamãe. — São Francisco, por que a Budiudiuca ainda não veio cuidar deles? Perdoe-me a insistência, mas eu preciso que ela volte, a culpa foi minha. Ou então faça com eles arrisquem um voo e sejam vitoriosos. Fui dormir depois da minha oração muito esperançosa, tenho muita fé no Santo protetor dos meninos irracionais (ou não)? Confesso que ainda alimento muitas dúvidas a esse respeito. Acho que eles pensam e amam como nós humanos, só não desenvolveram a linguagem de palavras. Ao acordar, corri para vê-los e fui presenteada com uma maravilhosa surpresa: no ninho, que eu não tinha tido a coragem de desfazê-lo, encontravam-se mãe e filha. Ela aconchegada debaixo das asas, só se via a sua pequena cabecinha. A mãe me olhava fixamente. Chorei desta vez de alegria. — Eu te amo São Francisco. Preciso dizer que beijo teus pés e tua boca, se puder, claro. Léo não estava lá. Mas a mãe me olhou tão calmamente que eu compreendi o que ela me dizia. — Meu filho agora é dono do espaço, ele se foi. Corri a contar para minha mãe que sentenciou: —Léo voltará, fique tranquila. Minha irmã não concordou. — É claro que não volta, ele é novo e não tem noção de rumo, de espaço. Ele se foi pra sempre. Nós três, eu e as duas aves fêmeas, ficamos num namoro demorado e apaixonado durante a manhã toda. De vez em quando eu ia vê-las e lá no meio do dia em um dos meus regressos no quintal, não as vi, elas não estavam mais lá. — Foram embora. Nunca mais vou ver nenhum dos três. Fiquei aliviada e feliz pelo desfecho, só que eu teria uma alegria ainda maior... À tardezinha, fui recolher minhas roupas que já haviam secado e me deparei com a cena mais bela de toda a minha vida. Estavam os três em cima do telhado e em vôos curtos e rápidos, mas numa bela coreografia ensaiada. Estão se despedindo de mim. Tive a certeza disso e gritei. —Sejam felizes e se cuidem. O céu é o limite. Amo vocês do fundo do meu coração. Decorridos três dias, ela voltou passeando pelo chão, deu a volta no quintal todo e de vez em quando me olhava. — Desmamei-os. Eles agora são donos de suas vidas. No dia seguinte, apareceu com um galho no bico. Eu a toquei desta vez. — Vamos nos mudar pequena, não posso deixar a prateleira pra você. Procure outro lugar pro seu ninho, me perdoe. No dia mudança, eu fiquei pra trás aguardando o caminhão enquanto eles colocavam a mobília no baú e então, ela chegou. Ficou em cima do muro do outro lado da rua, andando de um lado para o outro, parava e me olhava, muitos, muitos minutos. — Vou sentir muita saudade Budiudiuca. Acho que desta vez não nos veremos mais. Você não saberá pra casa eu fui e eu não tenho como te levar não é mesmo? Ela veio para a árvore defronte a casa e pousou no galho mais baixo. Ficou lá até o caminhão sair. — Meu coração é seu, pequerrucha. O caminhão foi embora e eu saí, também, olhando pra trás. Ela ficou lá no galho quieta como se com isso fizesse com que eu mudasse de idéia de partir. Embora, talvez ninguém acredite nisso, eu posso provar. Minha mãe e minha irmã são testemunhas vivas desse meu caso de amor. Depois de vários meses na residência nova, minha mãe me chamou. — Vem ver quem está aqui. Minha amada filha Budiudiuca e seu companheiro. Eu soube assim que a vi. Meu coração a reconheceu. Eles estavam em cima do muro nos fundos da casa e fui lá conversar com ela. — Minha casa é muito pequena agora e a prateira está cheia de louças que não couberam na cozinha minúscula. Não tem espaço pro seu ninho aqui, mas você tem um vasto mundo pra isso e não ficará com raiva da mamãe, não é mesmo? Após alguns minutos eles se foram, mas de vez em quando ela volta e o nosso namoro de mãe e filha continua.

Meu eterno amor Não posso ir, pois não há vida lá fora Dos braços teus, meu oceano
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Meu eterno amor Não posso ir, pois não há vida lá fora Dos braços teus, meu oceano De amor onde navegam Minhas alegrias e meus sonhos Onde parei, não por engano Na sombra do teu porte Viril e belo. Bebo da tua boca minha fonte Inesgotável de vida, meu elixir De juventude. Delicioso vinho que me fortalece E embriaga a minha alma. Alimenta-me e me deixa escrava Muito feliz em servir o meu Senhor. Meu rei, meu dono, Meu eterno amor.