Beijo inesquecível
Sortilégio
Sacrilégio
Num rompante de ousadia
Roubaste-me um beijo
Quente
Ardoroso demais que até hoje
Queima
Minhas entranhas.
Inesperado
Por tal
Inesquecível e cabível
Do meu perdão
Com um pedido humilde
De repetição.
Para Cristiano Araújo
O uirapuru há de calar sentido
Lembrando do menino que partiu tão cedo
Pequeno tempo pode ser vivido
Pelo cantor que se jogou sem medo
Nos braços de uma plateia embevecida
Ficando a voz num ressoar de asas
De Anjos e Arcanjos que o receberam
Lá no alto, patamar de glória.
Verá o mito toda a sua história
Desfiar nas bocas tantas que o amaram
Partiu... Que pena...
Quanta dor!
Fica a saudade
Que nada mais é do que a lembrança
Recheada de amor.
Folha seca
Sou uma folha seca ao léu
Solitária...Ao relento...
Sopra o vento
Qualquer vento
Mínimo vento me carrega
Pra bem longe
Desgarrada da origem
Atravessando uma existência inteira
Sem amores
Murchando...
Morrendo
E lá vou eu percorrer
Mundos estranhos
Alheios à minha vida
Cheio de multidões
Com nada a ver comigo
Talvez eu caia
Numa noite chuvosa
Em poça de lama
E fique lá até virar humo
Apenas...
Nada
Lá vem a saudade roubar
A minha cor, me desbotar
Mudar meu tom de ouro em amarelo-pálido.
Transmutar minha melodia em uivo lancinante.
Meu tom destoar e aferroar minha garganta
Até que eu grite ou fique muda.
Esvaziar minha alegria, murchar minha euforia
Derrubar-me do pedestal da minha indiferença
E deixar a minha crença
No amor virando nada.
E desobrigada
De crer e de ser.
Desequilíbrio
Minha alma ora tem a altura do monte Everest
Ora a depressão do mar morto.
Ora a profundidade da Fossa das Marianas
Ora a extensão do Amazonas.
Às vezes tem a grandeza do continente Asiático.
Às vezes a pequenez da Oceania.
Ora tem o isolamento da Ilha da Páscoa.
Ora o reboliço de Xangai.
Algumas vezes minha alma tem o calor do Deserto Dasht-e Lut
Outra vezes o frio da Antártida.
Algumas vezes é ressequida como o Saara.
Outras vezes tem a biodiversidade brasileira.
Fico, então, nessa gangorra do ter muito
E ser tudo e minguar numa vazante descontrolada de vida
Ora sou tudo, ora nada sou
E atravesso a eternidade como um Ser
Em desequilíbrio permanente.
Ora sou ateia.
Ora fervorosa crente.
Amor
Foi inevitável
Quem me dera pudesse fugir
Não pude. Não posso, não poderei jamais
Cessar o rio caudaloso que deságua na minha alma
Revoltoso. Tempestuoso qual paixão
Só tal, pois qual não é
Arrasta-se pelo tempo desde o início
Imortal.
Então amor
Porém, fatal
Não cessará a chama devoradora
Arrebatadora que só faz aumentar
Vilão que me consome
Tira meu chão e me joga à deriva
Sem piedade
Tragando-me a eternidade
E tudo o que vejo e percebo
Não vai além de você.
Meu Universo
Meu motivo.
Minha vida, minha morte
Minha sina e minha sorte.
Miligrama de verso XX
Podes ir para o outro lado do mundo
Posso nunca mais ouvir falar de ti
Ouvir teu nome.
Jamais te esquecerei.
E olha que já tentei todas as rotas de fuga
Nenhuma surtiu efeito.
Esperando você
Ter desistido de você não significa que desisti de amar.
Pelo contrário, estar livre me dá asas para namorar quem eu quiser
Flertar, paquerar, jogar o jogo da cobiça
Resumindo, não preciso de você para continuar vivendo.
Você nunca foi meu motivo
Meu amado
Meu amor.
E quer saber mais?
Minto bem demais.
Sou uma mentirosa de carteirinha.
Quer saber?
Ah, dane-se meu orgulho
Ainda espero por você.
Boba e Insonsa
Não sei por que, mas deixei a minha alma
Pendurada em uma cerca de arame farpado.
No meio de um pasto.
Quando atravessei por ela
Ela quis ficar ali retida naquela morna paisagem
No meio do nada.
E quando estou triste, cansada, desiludida, é lá que eu fico
Paralisada
Sem memória da minha real história
E do porquê de ser são tola e pequena assim.
Talvez que eu sinta a minha vida
Igual àquela nesga de lugar
Boba e insossa.
Vida e morte.
Faço-me leve pra que me carregues.
Torno-me doce pra que me tragas.
Tempero-me de ternura pra encher o teu pote
E embriagares bebendo em minha boca
Minha saliva que em amor dissolvida
Penetra nas tuas papilas e ensopa teus sentidos
Meus sabores vão de adocicados
Aos extremos apimentados
Quando gemo de prazer mordiscando a tua boca
E rolo me enrolando no teu colo
Entranhada num abraço
De vida e por que não?
Que de tão forte.
Também o é, e muito mais, de morte.
Miligrama de verso XXI
Pia... pia... pia...
De agonia
Minha alma
Piu... piu... piu...
Quem foi que viu
O meu amado
Eu não vi não.
Chora... chora... chora...
O meu coração.
O choro da Mãe TERRA
Rasguei a minha carne e engoli meus filhos
Ainda regurgito alguns aflitos,
Outros padecem nas minhas entranhas
Para serem completamente esmagados pelo meu peso insuportável.
Não estável
Devido à movimentação das minhas placas tectônicas.
Que estão à deriva sobre um magma incandescente
Onde sobre elas transita muita gente
E não posso me acomodar indefinidamente
Com a estabilidade da inércia.
Vez ou outra revolvo e fraturo minha coluna
Despedaço-me e fabrico milhões de lacunas
No meu corpo
Num sopro
De morte
E sem mesmo querer
Fazer padecer minhas crias
E depois vou chorar com a garganta do vento
Explodir em lágrimas de amar, o mar
Tentando tragar
A incomensurável dor
Dos padecentes sobreviventes.
Ah! O Amor...
Eu dei inúmeras chances para o amor
Que sequer me deu uma única
Desconstruí meus projetos de felicidade a dois
Aprendi a me amar o suficiente pra seguir
Pela vida sem um par
De amor, de brincos, de qualquer outra coisa
Que me transforme em dona.
Tenho o nada por pertencimento de coisas
Mas, porém, me fortaleci em sentimentos
Ainda que solitária, sou um ser de Luz.
Miligrama de verso XIX
Eu cerrei os olhos pra ganhar teu beijo
Quando me lembrei de abri-los já estavas longe demais na distância e no tempo
Pois, já eram transcorridas várias décadas
Haja vista a minha saudade do tamanho da eternidade
Online
A rua onde moro e que namoro
É minha estrada meu refúgio.
Onde se dá a
Minha estada no mundo
Meu mar onde flutua
Minha existência em quase inércia
É só nela que eu transito
Por isto insisto
Ela é minha cidadela
onde eu me sinto bem e
o vai e vem
de carros e pedestres
Fazem-me bem
Sinto-me inclusa
Em centenas de milhares de cidades que eu jamais porei os pés
Nas suas ruas todas
Então,
deixo minha alma visitá-las
Quando fica online navegando por elas
O meu coração.
Mundo de Alegria
Não vou economizar candura
Nas minhas palavras recheadas de amor
Nem na brandura
Dos meus gestos e carinhos
Quando chegares
E bem devagarinho
Ei de sorver o teu cheiro
E provar do teu sabor
Terei mais vida no meu mundo
E um mundo de alegria em minha vida
Meu coração é quem me diz
Talvez eu fique tão emocionada
Que eu posso até morrer de tão feliz
Meu Manacá
A Lua está no teu sorriso cheio
De promessas de amor com que me acenas
Deixando-me prisioneira e feliz nas tuas redes
Os teus braços são laços de ferro fundido
Quando abarcas meu corpo e fugir nem poderia
Mesmo que quisesse, mas não quero.
A tua boca é o mar mediterrâneo
Que se abre sobre mim e me engole inteira
Sou tragada pelas infinitas ondas
De carinhos da tua essência
Teu cheiro é manacá na madrugada
Exalando um perfume embriagador
Teu nome tem a sonoridade da palavra amor
Bem-te-vi
Bem-te-vi não vi meu bem
Pelos caminhos que trilhei
Ele deve estar aqui, porém...
Não andou por onde andei
Bem-te-vi vê se me ajuda
É enorme a minha dor
Tudo passa tudo muda
E não vejo o meu amor
Às vezes vivo às vezes morro
É dilacerante a minha dor
Na estrada que eu percorro
Não encontro o meu amor.
Meu desgosto é profundo
Meu pesar causa torpor
Vi, não vi, vi todo o mundo
Só não vi o meu amor.
Minha pena não é pequena
Meu viver é um constante dissabor
Vi tanta gente, vi o rico o indigente.
Mas, não vi o meu amor.
Quando nasci
O amor escolheu entre 7,2 bilhões de pessoas
Você e eu pra entrarmos num caleidoscópio
De olhares refulgentes. Tintos do vermelho
Das paixões ardentes.
O amor ordenou que eu atravessasse milhões de
Invernos rigorosos para estar aqui
Neste verão ardente diante do seu olhar
Exigiu que eu permanecesse muda e quieta
Diante das vitrines dos homens deste mundo
Eu não os via. Não os ouvia.
Era uma vivente assexuada e fria
Agora, você me olhou. E então
Aconteceu uma explosão
De querer vivenciar, saborear o amor
E, somente Neste mágico instante...
Que de fato, nasci.
Migrantes
Migro minguando a minha vida
Já esfacelada pelas intempéries
De uma Nação em desconstrução
Abatido. Faminto e desesperançado
Magras migalhas me jogam por onde passo
Penetro
Estreitas passagens debaixo de arames farpados que
Roçam minha pele abrindo feridas pelo meu corpo
Ou pulo cercas
Suado. Cansado pelo caminhar desnorteado.
Minguantes. Crescentes. Novas
A Lua não muda a minha sorte
De migrante destruído pelas armas
E corações empedernidos
Com discursos de ódio
Locupletam as esferas de poder
E por querer
Um mundo indiferente
Patético, assiste a minha triste sina...
De ter nascido numa Pátria fria
Calculista.
Onde o ouro negro jorra
Materialista
Contrastando com o vermelho
Dos que tombam sem nenhuma chance de vida.
Ainda que como a minha
Vida MINGUANTE.
Apaixonada
As minhas madrugadas fervilham de sonhos
Eu os apanho nas notas musicais soltas das vozes
Que brotam das gargantas apaixonadas
Embriagadas de luares tintos de luz
E dos amantes bêbados de amores
Dos chilreado quente e agudo que o prazer
Provoca quando o roçar dos lábios
Desemboca
Num quente e ardoroso beijo.
E sou fico assim enamorada
Apaixonada
Pelo amor.
Explosões
O riacho soluçou sombrio
Havia sonhado ser um rio
O rio queria ser um mar aberto
O mar sonhava ser deserto.
O deserto pedia ser abismo
O abismo sem nenhum altruísmo
Queria ser o nada devorador de tudo
E o nada emitia um agudo
Bocejar de esperança de virar ao menos
Um riacho inda que pequeno.
Insípido, vagaroso e sereno.
É a vontade da essência que se dilata atrevida.
É a vida que explode dentro de outra vida.
Verdade tão bonita que faz jus ao próprio nome
Até Deus quis ser outro, e nasceu homem
Início, Meio e Fim
Cola tua boca na minha
E siga o cheiro do amor
Pinta de esperança
Meu mundo espelhado
Espalhado no prado
Do sonho, o esplendor
Minha dança
Começa na festa
Quando teu olhar orquestra
Meus sentidos e o sabor
Do teu riso deságua
No meu oceano de cor
Decoro teu rosto de tanto
Redesenhá-lo na minha memória afetiva
E a vida cobiça essa história
Pra repeti-la por vários milhares
De vezes
E eu, submissa, respondo
Por uma eternidade sem fim
Fui tua no início, no meio e no fim