Frase de Eleni Mariana de Menezes
Tim Lopes Olá Tim, Preciso segredar-te algo A respeito dos homens impiedosos: Eles possuem um comportamento Avesso aos mandamentos de Deus: Não matar. E não matar, eu, Na minha sensibilidade quase infantil diria que é tudo, Desde uma formiga até um Arcanjo como foste tu. Então, Deixa tuas investigações seguirem um curso mais ameno. Sobe o morro sim, Mas desvia o tema para os rebolados Das meninas na dança Punk Onde se enrolam suados corpos encharcados de bebida E desejos libidinosos. Deixa prá lá os meninos grandes Que as usam como depositárias De seus espermas que de carícias só as que rugem No interior das feras criadas no mundo sem princípios, Sem amor, sem piedade. Estes meninos grandes não sabem o valor da vida Construída Na fé de uma força pacificadora que se entranha Estranha na fartura de um rico servidor do amor: Deus. Deixa Tim, Que todos já sabem o que vais investigar. A sociedade sabe, Os da Lei sabem. E todos só lamentam, Apenas lamentam impotentes Diante da gigantesca serpente De dentes afiados e não têm coragem de desafiá-la Para ela parar com seus botes nos seus co-irmãos. Ela vai arrebanhando na sua enorme gula, Cada vez mais aficionados, Viciados, Entediados filhos do caos. Sua artimanha é fabricada Nos virulentos labirintos das dores humanas. Ela aproveita das fraquezas do solitário Sem apego às coisas Divinas. Das meninas. Dos meninos. Filhos do horror. Sem esperança. Sem luz. Caem nas redes que o submundo tece tão bem. Ai, pobre deles! Que não tiveram como Tim, Uma direção delineada, Desenhada por mãos de amor. Seja como for, não vás Tim. O Prêmio Esso, esofágico, Regurgitará a ira dos narcotraficantes Que irão torturar-te sem pena e conhecerás Os horrores da dor quando ultrapassa Os limites do humano E derruba o homem para a condição de feras acuadas E indefesas. Esquece o prêmio Tim. Leva tua micro câmera Para a praia de Copacabana E enquadra os quadris das meninas untadas De bronzeadores e enegrecidas pelo namoro no sol. Elas vão retribuir Com um sorriso ingênuo E despretensioso, Tanto quanto à vida que lhes entorna Pelos passar dos anos, Promessas de encontros casuais E poucos compromissos nupciais. Nem precisa Tim, Elas querem viver o momento Que é breve demais para se correr atrás De perigos escondidos num morro habitados Por narcotraficantes E frios matadores de gente de boa fé. Eles vão matar O menino que era um pedaço de dona Maria do Carmo. Tecido no ventre de Maria, Era um pedaço do coração dela E era só coração E alegria. Como disseste no Crônica que tão bem compuseste Para ela, a mãe. Carne, coração, alegria, também tristeza e um pouco ela. Então, não vás, pois ela jamais será inteira Depois de tua partida. E tem o Bruno que órfão Não terá mais um colo autenticamente paterno. Não Tim, Se mãe é única, Pai não tem substituto igualmente. Fica para que a mulher, A Alessandra, não sofra o horror do vazio de abraços. Não deixes Tim, Que se percam teus espaços de esposo, De pai e de filho tão queridos. Ah! Sei... Tua consciência te chama amigo. Teus ideais... Que dor! Que pena! Então até mais.
No pensador.ai desde