Pular para o conteúdo

Frase de Eleni Mariana de Menezes

Martin Luther King Olá Martin. Quanto tempo o teu sonho de um mundo Sem segregação permaneceu apenas Nas esferas recônditas de almas puras Assim como a tua. Simplesmente nas mentes pacíficas De homens sensíveis como foste tu. A tua voz firme, porém, Ecoou nos ouvidos vazios De almas empedernidas E retumbou no eco da eternidade. Deus ouviu o teu clamor E enviou para a América, A tua América, Um filho da mesma raça valorosa e ditosa! Que raça! De brio. De luta. Por três séculos enfrentaram uma contenda laboriosa Em busca de direitos iguais aos dos brancos. As razões eram mais do que justas Martin. Sabemos, Nós que acreditamos na eternidade, Que as características raciais não pesam na balança De Deus que é por querer multifacetado. Ele não tem preferências, Também de ideologias e credos. Credo! O que faremos como nossas tortuosas alienações À custa das muitas imposições marteladas Nas idéias dos mais frágeis? Isso ecoa na eternidade. Não silencia na mente de Deus, As nossas culpas. Os atos impiedosos dos dominadores sobre Os dominados ficam ressoando no ouvido divino, E os gritos da massa manipulada acordam a sua fúria. Por outro lado, para que termos medo Martin? Não somos nós eternos? Não é a nossa capacidade intelectiva tão duradoura Quanto a nossa soberba? Por que temer, então, A ira divina que os nossos preconceitos levantam? Calamo-nos diante da perversidade Dos preconceituosos raciais, sociais e religiosos. É, pois, nossa culpa, também? Claro que não! Convivemos tranquilamente com nossas consciências. Porque não somos individualistas Quanto aos propagadores da exclusão dos negros E dos pobres. Apenas nos calamos diante das maldades dos Sem coração. Sem pudor. Sem amor. Nós nos igualamos aos primeiros, Martin? Não! Somos crentes a Deus. Apenas nos silenciamos diante das injustiças. Para que gritar o grito dos oprimidos? Oh! Não queremos entrar na mira dos injustos. Doe demais Martin. Às vezes, pode ser rápida, na maioria delas, dolorosa. A morte dos que vigiam o ódio dos extremistas E o descaso dos omissos. Daqueles que não suportando prosseguirem Num mundo banhado de lágrimas inocentes Empunham a bandeira da luta não violenta Pelos direitos iguais. E Não somos iguais Martin. Que pena! A massa da qual fomos fabricados, Nós os Não ativistas, Foi moldada nos fornos do desafeto. Da inércia. Da preguiça. Da insensatez. Do medo. Da covardia. Ao contrário, O fermento que deu vida ao homem Martin, Brotou um dia no chão da velha África, Com a cor púrpura da dignidade, da estima E do valor e alastrou-se pela América. Destemido. Ativista. Corajoso. Herói. Como, então podes querer que sejamos iguais? O distanciamento é incomensurável. Como pesar na mesma balança a força de um homem Que labuta pelos semelhantes com a voz do homem E a atitude de Cristo? Quem se iguala a ti Martin? Poucos. Apenas alguns que se diferenciaram na história Da caminhada humana E escolheram viver para a eternidade. Eu, como a imensa maioria quero e vou permanecer Não ativista. Só comodista. Egoísta. Individualista. Deixa estar Martin, Que teu grito já acordou as consciências E a tua América, reverencia outro da tua Gloriosa Raça. A tua cor Martin, É hoje o expoente da Política mundial. Quer mais? Como tu, também, Nobel da Paz! Permanece com Deus, valoroso guerreiro, Que a tua morte, por sorte, E por merecimento, Mudou os modos da tua América. E que Deus a abençoe hoje e sempre!

Eleni Mariana de Menezes

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Eleni Mariana de Menezes

Miligrama de verso XII Não fiquem penalizados com a imagem real da minha face, pois não tenho o menor pudor de me reinventar e de me imaginar princesas.
A Apedrejada Meu nome é Asho Tenho treze anos e vou morrer
Continuar lendo

A Apedrejada Meu nome é Asho Tenho treze anos e vou morrer Por apedrejamento. Ao relento Dos corações endurecidos. Fui condenada por prevaricação. Num tribunal paralelo. Meu crime? Fui violentada, Estuprada. Rasgada na minha inocência Eu só tenho treze anos Acudam-me. Quem pode salvar-me? A primeira pedra feriu a minha cabeça. Pulei dentro do buraco, Cheio de pedras Tentando fugir. Eles vieram atrás 50 homens, Fortes e raivosos. Acossaram-me. Socorram-me. Agora me apedrejam sem parar. A dor é aguda e atroz Vomitei. Gritei. Urinei. Defequei. Inúmeras vezes de dor. Agonizei. Cadê a Anistia Internacional? Onde está a voz dos Direitos Humanos? Estou agonizante Só tenho treze anos. Não quero morrer. Muito menos agora, Por lapidação. Abriram vários buracos na minha cabeça. Esfacelaram-me. Estou sofrendo dores Do tamanho da maldade deles. Enfim, vou morrer Após duas horas dolorosas. Com a vergonhosa aquiescência do mundo Eleni Mariana de Menezes

1 - Poema para Chico Mendes Fala baixo Chico. Não grites.
Continuar lendo

1 - Poema para Chico Mendes Fala baixo Chico. Não grites. As seringueiras irão chorar lágrimas brancas. Lágrimas grossas de saudade de Francisco. O Mendes. Aquele que as rasgavam com tanta mansidão E poesia para retirar-lhes a seiva Que mais parecia um rasgo de elogio. Um rasgo de amor. Uma carícia de irmão agradecido pelo sustento Que viria dali. Fica Chico. Senão o seringal não vai chorar apenas, Irá uivar o uivo doloroso do adeus ao amigo E companheiro. Irá gritar para o céu da Amazônia que a esperança morreu. Que o apelo do ativista parou. Tua boca calou para sempre. E seus olhos dormiram o sono do nunca mais. Ah, Francisco, Fala baixo para os gananciosos não o ouvirem. Eles não perdoam. Depois como vais peregrinar pela selva Com o coração de guerreiro? Nunca mais Chico, Andarás com essa alma de gigante Por entre os altos arbustos amazônicos E a floresta vai morrer um pouco. Elas sentirão falta do seu abraço protegido. Daqueles que distribuías para defendê-las Com teu corpo nos empates. Fica em silêncio Chico que teu hino De amor está ferindo interesses de alguns. Eles não têm piedade e vão determinar tua partida. Eterna. Sem retorno do Mendes. Nunca mais ouvirás o canto melodioso da cotovia. E o inhambu vai piar sem teus ouvidos para escutá-lo. Ouve Francisco, Deixa de bobagem e dorme mais um pouco. Não te levantes cedo demais para ires ao sindicato Bradar ao mundo que eles matam a mata. Eles irão te perseguir e a pontaria deles é tão certeira! Não erram. Vão disparar até que caias sem chance de levantar-te Para mais uma vez Penetrares nos caminhos recheados de folhas verdes E musgos. Melhor, não entres jamais no sindicato. Ele não precisa de Francisco. Volta a colher a borracha, Simplesmente, Assim como um seringueiro despretensioso e feliz. O mundo é assim mesmo companheiro. Queres mudá-lo para quê? Nem conseguirás ser eleito para o preito que pretendes. Tivesses sido talvez fosse outra a tua história. Seria? O cargo político te daria amparo? Se desse Chico seria interessante o povo eleger-te. Bem que mereceste! Levantaste a voz bem alta ao ponto de ferir ouvidos. Inquietar consciências. Incomodar pessoas. E quantas!... Espera Francisco, mais um pouco na cama, Hoje ainda são vinte e dois, Falta pouco para o Natal. Não queres ver mais uma vez o menino Que nasce da tua fala de valente? Depois os sapatinhos das crianças ficarão vazios, E sem os teus abraços, também os corações. Janeiro chegará com Lótus Se abrindo em adoração Divina. Estamos Francisco em 1988, Vem por aí a virada do milênio, O céu ficará cheio de rastros dourados E com tantas promessas de vitória que até acreditaremos. Então esquece um pouco esse seu caso de amor Com a natureza e sossega menino. Teu menino ficará sem o colo amigo do paizão querido. E a menina entrará sozinha pela igreja Ao som da Ave Maria. Cadê teu braço para apoiá-la companheiro? A mulher vai lamentar derramando água dos olhos tristes, O amor que lhe foi tudo, E a solidão será do tamanho da Amazônia. Não. Não abras a porta agora. Volta para a cama. Descobre que tens dor, qualquer uma. Permaneça quieto. Lá fora está tão sombrio e perigoso! Teu banho pode esperar. Tua vida pode prosseguir valente guerreiro. Só não saias agora pela porta. Talvez ele desista, vá embora e deixa para depois. Aí podes pegar a mulher e as crianças e fugires. Para onde? Depois que o mundo é tão pequeno! Que pena Chico! Então adeus meu camarada. Vai com Deus.

1 - Poema para Chico Mendes Fala baixo Chico. Não grites.
Continuar lendo

1 - Poema para Chico Mendes Fala baixo Chico. Não grites. As seringueiras irão chorar lágrimas brancas. Lágrimas grossas de saudade de Francisco. O Mendes. Aquele que as rasgavam com tanta mansidão E poesia para retirar-lhes a seiva Que mais parecia um rasgo de elogio. Um rasgo de amor. Uma carícia de irmão agradecido pelo sustento Que viria dali. Fica Chico. Senão o seringal não vai chorar apenas, Irá uivar o uivo doloroso do adeus ao amigo E companheiro. Irá gritar para o céu da Amazônia que a esperança morreu. Que o apelo do ativista parou. Tua boca calou para sempre. E seus olhos dormiram o sono do nunca mais. Ah, Francisco, Fala baixo para os gananciosos não o ouvirem. Eles não perdoam. Depois como vais peregrinar pela selva Com o coração de guerreiro? Nunca mais Chico, Andarás com essa alma de gigante Por entre os altos arbustos amazônicos E a floresta vai morrer um pouco. Elas sentirão falta do seu abraço protegido. Daqueles que distribuías para defendê-las Com teu corpo nos empates. Fica em silêncio Chico que teu hino De amor está ferindo interesses de alguns. Eles não têm piedade e vão determinar tua partida. Eterna. Sem retorno do Mendes. Nunca mais ouvirás o canto melodioso da cotovia. E o inhambu vai piar sem teus ouvidos para escutá-lo. Ouve Francisco, Deixa de bobagem e dorme mais um pouco. Não te levantes cedo demais para ires ao sindicato Bradar ao mundo que eles matam a mata. Eles irão te perseguir e a pontaria deles é tão certeira! Não erram. Vão disparar até que caias sem chance de levantar-te Para mais uma vez Penetrares nos caminhos recheados de folhas verdes E musgos. Melhor, não entres jamais no sindicato. Ele não precisa de Francisco. Volta a colher a borracha, Simplesmente, Assim como um seringueiro despretensioso e feliz. O mundo é assim mesmo companheiro. Queres mudá-lo para quê? Nem conseguirás ser eleito para o preito que pretendes. Tivesses sido talvez fosse outra a tua história. Seria? O cargo político te daria amparo? Se desse Chico seria interessante o povo eleger-te. Bem que mereceste! Levantaste a voz bem alta ao ponto de ferir ouvidos. Inquietar consciências. Incomodar pessoas. E quantas!... Espera Francisco, mais um pouco na cama, Hoje ainda são vinte e dois, Falta pouco para o Natal. Não queres ver mais uma vez o menino Que nasce da tua fala de valente? Depois os sapatinhos das crianças ficarão vazios, E sem os teus abraços, também os corações. Janeiro chegará com Lótus Se abrindo em adoração Divina. Estamos Francisco em 1988, Vem por aí a virada do milênio, O céu ficará cheio de rastros dourados E com tantas promessas de vitória que até acreditaremos. Então esquece um pouco esse seu caso de amor Com a natureza e sossega menino. Teu menino ficará sem o colo amigo do paizão querido. E a menina entrará sozinha pela igreja Ao som da Ave Maria. Cadê teu braço para apoiá-la companheiro? A mulher vai lamentar derramando água dos olhos tristes, O amor que lhe foi tudo, E a solidão será do tamanho da Amazônia. Não. Não abras a porta agora. Volta para a cama. Descobre que tens dor, qualquer uma. Permaneça quieto. Lá fora está tão sombrio e perigoso! Teu banho pode esperar. Tua vida pode prosseguir valente guerreiro. Só não saias agora pela porta. Talvez ele desista, vá embora e deixa para depois. Aí podes pegar a mulher e as crianças e fugires. Para onde? Depois que o mundo é tão pequeno! Que pena Chico! Então adeus meu camarada. Vai com Deus.