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Frases de António Prates

759 frases

⁠O tamanho das nossas ideias depende muito do número de idiotas que se juntam e que conspiram contra elas. ⁠
⁠Ó velas do meu moinho, rodízios da minha azenha, vão rodando lentamente
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⁠Ó velas do meu moinho, rodízios da minha azenha, vão rodando lentamente esperando que a morte venha. I Há qualquer coisa no rosto desse teu ser pachorrento, como quem espera o vento nas belas tardes de Agosto… O que me causa desgosto é ver o teu descaminho, deixo neste pergaminho saudades do teu passado, e ao ver-te abandonado ó velas do meu moinho. II Foste um símbolo da vida, remoeste farinha a rodos, foi pena não dar p´ra todos, como é triste a despedida... Foste pão numa guarida, imperador real da brenha... O meu ser em ti se empenha em ser cantante e moleiro, ó águas do meu ribeiro, rodízios da minha azenha. III Rodopiando a nostalgia onde o meu ser nada viu, não laborou, não sentiu, nem fez de ti moradia... Resta a minha simpatia, o supor de quem não sente, recordar o antigamente, enaltecer a nossa História, E os meus versos, na memória vão rodando lentamente. IV Rodam como uma moagem com carradas de cultura e os sinais de desventura dão-me gritos de coragem... São murmúrios da mensagem celebrada na resenha, pra que o vento nos mantenha sempre a par do seu saber, e todo o mais é só viver, esperando que a morte venha.

⁠Na paixão deste momento, que divaga e é feliz, solto versos ao relento
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⁠Na paixão deste momento, que divaga e é feliz, solto versos ao relento como qualquer aprendiz. A rimar em contra mão numa quadra pequenina, os versos são o que são, e o que a vida nos ensina. Já que agora aqui cheguei, no meu jeito açucarado, digo até que nada sei se o assunto é complicado. E se a quadra é imprecisa o meu saber é coisa vã, como manhã que se faz brisa quando a brisa é já manhã. O que é bem, seja onde for, une sempre a Humanidade, dando ao mundo mais valor e aos homens mais humildade. Tenho a fé nessa razão, que é sentida por direito, por saber que um coração está dentro do meu peito. Vai-se o sol vasto e brilhante, sigo estradas de azinho, para tirar a cada instante algumas pedras do caminho. E ao ver este mundo assim, de forma gananciosa, penso em campos de alecrim a deitar botões de rosa.

⁠Sou um eviterno vagabundo, nesta vida consumida pelo medo; olho prá vida vejo um tecto moribundo
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⁠Sou um eviterno vagabundo, nesta vida consumida pelo medo; olho prá vida vejo um tecto moribundo cheio de restos, de prisão e de degredo. Apalpo os dias que me passam ao redor, com a vontade que me dá o velho tacto; provo premissas sem tempero e sem sabor, feitas de um rosto macilento e abstracto. Neste percurso sinuoso aos solavancos, nesses atalhos procriados nos invernos, passo barreiras rodeadas por barrancos, pelas ombreiras lá dos quintos dos infernos. Fiz-me um ser errante, emaranhado, deambulando pela dita paz no mundo; sou fora daqui, sou de outro lado... Sou um eviterno vagabundo!

⁠Os cornos mostram nobreza, iludindo a aparência... São uma arma de defesa,
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⁠Os cornos mostram nobreza, iludindo a aparência... São uma arma de defesa, defendendo a consciência. I Tanta cabeça enfeitada com enfeites de vários feitios, uns mais ou menos bravios, fica a coisa engraçada... E que linda é uma Manada a passear sua grandeza, todos juntos uma beleza, com os cornos bem no ar, há vaidade no andar, os cornos mostram nobreza. II Que elegantes os Veados, suas Servas bem vaidosas, na armação penduram rosas com rituais viciados... Os Rinocerontes estão danados e ao mundo pedem clemência, pela sua existência, porque o Corno é valioso, - anda o bicho forte e vaidoso, iludindo a aparência. III Há corno em tanto animal e as diferenças são tão poucas que a invasão das vacas loucas ganhou fama em Portugal... Ser Gamo é chifrada Real, visto de frente uma beleza... E o boi esconde a fraqueza, armado sempre em valente, porque em caso de acidente são uma arma de defesa. IV E com tanta evolução a dor de Corno nem se sente, mostram-se no banco da frente já com carta de condução... Ou é Cabrito ou é Cabrão, dependendo da experiência... Aí é que está a ciência em ter uma cornamenta larga, quem não pode arreia a carga defendendo a consciência.

⁠Eu bebo de qualquer maneira, não me nego à diversão, e durante a tarde inteira
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⁠Eu bebo de qualquer maneira, não me nego à diversão, e durante a tarde inteira só vou beber um garrafão. I Essa coisa do beber vos conto meus amigos, é este o destino que sigo só para me entreter... Já estou quase a ferver por uma bela macieira ou então uma bagaceira daquela que não se fez, bebo-a toda de uma vez, eu bebo de qualquer maneira. Ii Essa é só a primeira porque o vinho vem a seguir, e o prazer do engolir parece que tem cegueira... A cerveja tem dianteira, e o whisky, pois então, bom é tê-lo sempre à mão seja de noite ou de dia, com um jarro de sangria não me nego à diversão. III Bebo tal qual um leão, não rejeito o absinto, meus amigos, não vos minto que é quase uma paixão... pois bate-me o coração por uma pinga de primeira, penso só na bebedeira, quase chego a estar morto por uns litros do bom porto, e durante a tarde inteira. IV O meu estômago é uma feira de tanta mistura que faço, desde o vodka ao bagaço, do gin à aldeia velha, bebo tudo o que me dá na telha... Chego a não ter um tostão, peço fiado na ocasião, disso não me envergonho e para provar o medronho só vou beber um garrafão.

⁠O que canto em abundância são retratos de saudade... És a flor da minha infância
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⁠O que canto em abundância são retratos de saudade... És a flor da minha infância E um cartão de identidade. I Nas passagens do rossio o colorido do ervado, velhas eiras, algum gado e cem anos de pousio... Na riqueza do teu brio eu vivi sem importância, sem o vício da ganância, no carinho do teu leito, é sincero e por direito o que canto em abundância. Ii Para sempre a minha escola, o meu teste de memória, professora dona Vitória e mil sonhos na sacola... Sua imagem me consola num padrão de eternidade, vi em ti a liberdade, muita força e muito medo, e as promessas dum brinquedo São retratos de saudade. III Aquela imensa multidão, as promessas arrojadas, com pessoas encantadas oferecendo a exaustão... Boa-Nova e devoção demonstrados na constância, o teu povo em abundância vê passar mais um petiz, mas que hoje ainda diz: És a flor da minha infância. IV És a página mais amena no meu livro desfolhado, o sentimento emocionado, a nostalgia que me acena... Neste abraço para Terena há carinho e amizade, e aquela fraternidade que eu guardo de criança... foste tu a minha esperança e um cartão de identidade.

⁠Quando a festa é mais bravia segue em frente e desarmado; como é grande a valentia
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⁠Quando a festa é mais bravia segue em frente e desarmado; como é grande a valentia na coragem de um forcado. I Hoje é dia de tourada à velha moda portuguesa, toda a praça é uma beleza e os magotes dão chegada. Vai começar a garraiada, sobe a míni em euforia, o descaramento da Maria faz olhinhos para o moço, o orgulho do que é nosso quando a festa é mais bravia. II Ela entra e vai a trote pra contemplar o grande artista, quer fazer jus à conquista com a pega e com capote. E olha lá pró camarote, o trompete é afinado, ele num ar de avalentado está ali de pedra e cal, e quando entra o animal segue em frente e desarmado. III Os amigos dão-lhe a mão, a primeira é do mais forte, outros mais vão dar-lhe sorte e é tremenda a ovação. Raspa o bicho pelo chão a testar qualquer fobia, entre o pó e a gritaria, há arrojo e muita graça, e os rapazes estão na praça, como é grande a valentia. IV Chegou a hora anunciada, cresce o touro em prontidão, quando avança o valentão entra o bicho em derrocada. Ela toda entusiasmada ele no touro encaixado, grita o povo extasiado a boa sorte do pegador, e ela assina o seu amor na coragem de um forcado. António Prates