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Frases de António Prates

759 frases

⁠Normalmente, os abutres só nos atacam quando nos sentem mais fracos.
⁠Por cada lição cumprida há um exemplo prematuro, destinado ao bem da vida
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⁠Por cada lição cumprida há um exemplo prematuro, destinado ao bem da vida e ao proveito do futuro. I Ante as muitas conjunturas das voltas do meu trajecto grafo cunhos do intelecto com indícios de aventuras; e entre vénias e mesuras, sai-me a fé fortalecida, numa crença concedida aos desígnios do saber, que me dão mais que fazer por cada lição cumprida. II São sinais da existência, do decurso das façanhas, como gestas das entranhas e do chão da paciência... Em cada certa ocorrência, vejo sempre um velho muro, que atalha o que procuro, tal como um animal veloz, porque em cada um de nós há um exemplo prematuro. III E então algo oportuno dá-me força e claridade, fez-me expor com liberdade as valências que reúno; lembro etapas do aluno, dessa fase entorpecida, comparando cada medida na forma do seu tamanho, como algo muito estranho destinado ao bem da vida. IV Todavia, esse recurso, ondulante e buliçoso, é um exemplo caprichoso das marcas do meu decurso; mas depois, vejo o percurso que sugere o meu apuro, os paraísos que auguro, neste afã da minha guerra, dirigido à paz na Terra e ao proveito do futuro.

⁠Chora Abril retalhado, na doutrina do poder; seguindo rumo ao passado,
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⁠Chora Abril retalhado, na doutrina do poder; seguindo rumo ao passado, com a liberdade a sofrer. I No florescer da pastagem, perante um lençol mimoso, avança Alentejo vaidoso, respira desprezo e coragem... Dá-nos ar da sua imagem, num sorriso retratado; disfarça o ser magoado que sua alma entristece; enquanto o povo padece chora Abril retalhado. II Lágrimas já repassadas, penando no leito do rio, sente um enorme vazio sofrido em tantas chuvadas; brechas, enfim reparadas, coisas que dizem fazer; passa na água a correr tal percurso viciado, acena em caldo entornado, na doutrina do poder. III Lições de memória pequena que a consciência ditou: nobre, o poeta trovou: “Grândola vila morena...” Aperta saudade amena, num coração já cansado; lembra sozinho no prado as provisões do celeiro; verga perante o dinheiro, seguindo rumo ao passado. IV Veste em ar de graça a sensação que promete, lavrada no jet set, semeada na lei que passa; pobre é gente sem raça, povo que sabe perder; o seu contento é viver na ambição do sustento; esquecido no mandamento, com a liberdade a sofrer.

⁠Chegam as colheitas, arregaço as mangas, a cresta, o simpósio de tantos afins; colmeias perfeitas, abelhas sem zangas,
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⁠Chegam as colheitas, arregaço as mangas, a cresta, o simpósio de tantos afins; colmeias perfeitas, abelhas sem zangas, mais o Santo Ambrósio na Casa Martins. A vida é dos fortes que assim se alimentam, sem medo ou receio dos bons dias maus, benditas as sortes, as lidas que aventam um homem no meio de quarenta graus. Na fruta madura, com risos e queixas, subo ao escadote, meto mãos à obra, em grande cultura apanho as ameixas e faço um pinote com a força que sobra. Depois a vindima, depois do granizo, no fino entrelinho de parra alquimista, pra baixo, pra cima, há sempre um sorriso feliz é o vinho que dá Boa Vista. Faço o que ninguém aqui quer fazer, levanto a enxada a dois metros de altura, e vou mais além, onde a terra quer, desde madrugada nesta vida dura. No contrabalanço sem logro, sem preço, colho esta virtude vivida a retalho, e pra ter descanso que também mereço, só peço saúde, respeito e trabalho.

Tem muito mais alegria e no Alqueva um bom iate quem assiste à cantoria
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Tem muito mais alegria e no Alqueva um bom iate quem assiste à cantoria com mil sopas de tomate. I Vê-se o tempo a manobrar nesta louca embriaguez, vai-se o dia, chega um mês e o tempo custa a passar... Com a cabeça a divagar nesta dura antinomia, vai-se o mês, vem mais um dia da nossa sobrevivência, e quem come a paciência tem muito mais alegria. II A medida do telhado faz a porta da entrada, e em cada assoalhada o tamanho é limitado... O sofá é mesmo ao lado de onde havia chocolate, num pequeno escaparate resta o jogo dos milhões onde compra as ilusões e no Alqueva um bom iate. III Santas casas portuguesas solidárias nas esmolas, dão aos pobres das gaiolas o que sobra das riquezas... São luxúrias, são pobrezas desta vã egolatria, onde tudo se esvazia numa ordem movediça, e tolera a injustiça quem assiste à cantoria. IV Todos cantam em voz alta o que diz A Portuguesa, vê-los juntos é uma beleza nessas luzes da ribalta... Que se anime toda a malta sem princípios de debate, e o convívio é um biscate desigual e pouco humano, que se farta todo o ano com mil sopas de tomate.

⁠Fala-me do tempo e das intrigas, e dessas coisas que dizemos por falar… Diz-me prosápias das modestas raparigas,
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⁠Fala-me do tempo e das intrigas, e dessas coisas que dizemos por falar… Diz-me prosápias das modestas raparigas, que fazem renda numa casa à beira-mar. Diz-me essa história proibida de dizer, arrecadada no cacifo dos segredos… Conta-me um verso, daqueles que dão prazer, quando as vagas fazem rimas nos rochedos. Canta-me um fado, com a tua voz castiça, denunciando os infortúnios da miséria… Fala do povo, do divino, e da justiça, com essa crença que a justeza faz etérea. Diz um olá no meu ouvido encortiçado pelo silêncio das palavras mais esquivas… Fala do conto que não foi sequer narrado no nobre esboço do condão das narrativas.

⁠Vós que sois juízes do meu fado, aqui no resplendor das antefaces, protegei a minha vida com cuidado,
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⁠Vós que sois juízes do meu fado, aqui no resplendor das antefaces, protegei a minha vida com cuidado, sem essa aberração das subclasses. Dizei tudo o que sou e o que não sou, velai a minha acção a descoberto, e vede que meu mal não se acabou, aqui neste arraial de peito aberto. Por isso, olhai o circo, em traje puro, os bons malabaristas e os palhaços, mirai alguns funâmbulos do futuro fitando os movimentos que aqui faço. Defendei o meu feitio rude e tosco, com esse bem-querer que vos conheço, e sei que poderei contar convosco enquanto eu divagar neste endereço.