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Frases de António Prates

759 frases

⁠Num mundo como este acho perfeitamente normal que as crianças chorem quando nascem.
⁠Chegou o Outono, o Sol continua a sua longa caminhada pelas treze constelações do zodíaco e foi precisamente hoje, por volta da uma e meia da tarde, que se deu mais um equinócio, no meio de tantos outros milhões de equinócios que esta Terra já deu e que, naturalmente continuará…
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⁠Chegou o Outono, o Sol continua a sua longa caminhada pelas treze constelações do zodíaco e foi precisamente hoje, por volta da uma e meia da tarde, que se deu mais um equinócio, no meio de tantos outros milhões de equinócios que esta Terra já deu e que, naturalmente continuará a dar. Enquanto isto, penso eu aqui dos confins do universo e de Borba, buscamos constantemente a felicidade e queremos conquistar sempre acessórios, tralhas e bugigangas, de todas as formas e de todos os feitios, que supostamente nos fazem muito felizes, assim como feliz nos faz ter carradas de dinheiro, ter muito sucesso, ter muitos amigos, ou ter uma relação amorosa ao estilo das histórias das mil e uma noites e que se prolongue para toda a vida e para todo o sempre... Ora bem! E à medida que o Sol se encontra sobre um dos pontos definidos pela intersecção entre o plano eclítico, o plano equatorial terrestre e a esfera celeste, cá vamos nós andando, e, através destas tecnologias modernas e virtuais, faz de conta que vamos tomando conta disto tudo, faz de conta que comandamos tudo isto, assim como faz de conta que vivemos como seres humanos realmente humanos e civilizados. Neste mundo de faz de conta, faz de conta que está tudo bem, faz de conta que o Alentejo comanda o equinócio e faz de conta que somos todos muito felizes. e ai de quem diga o contrário! Por conseguinte, para sermos aceites nesta sociedade ultra moderna e evoluída convém que sejamos todos parecidos uns com os outros, não termos ideias próprias, nem tampouco termos a ousadia de afrontar as margens do terreno empalamado pelo senso comum, tal como sempre se fez ao longo da nossa história, diga-se em abono da verdade. De equinócio em equinócio o mundo parece-me igual ao que sempre foi, a sociedade está a mudar e assim vamos indo, de felicidade em felicidade, para que todas as pessoas e Deus vejam o quanto somos felizes! Até nos Grupos das redes sociais, alguns deles com nomes de aldeias, vilas, cidades, regiões ou de países, nos pedem que o nosso comportamento seja de acordo com a felicidade aparente de quase todos os membros, em prol da alegria e do contentamento geral de cada comunidade, como se de uma alegre competição se tratasse, em homenagem à felicidade de todos e à solidão de cada um dos intervenientes. Penso eu ainda que não seria mal pensado se os altos governantes deste país inventassem de uma vez por todas o Ministério da Felicidade, que tanta falta faz à alegria de todos e à solidão deste povo. Pensem nisso, meus amigos! Sem embarco, o mundo contemporâneo vende-nos o prazer de publicar, faz-nos fazer todo o tipo de figuras, e nós, completamente endrominados, macambúzios e outras coisas mais, passámos a fazer das redes sociais a quinta-essência do nosso real contentamento. Estamos lindos e numa outra dimensão do equinócio Sigmund Freud disse-nos que "a felicidade é vendida no sentido de cobrir uma falta, uma falta que é constante e que, portanto, nunca será alcançada na sua plenitude." Mas para contradizer essa teoria e por influência de outro equinócio qualquer, somos felizes o tempo todo. Assim vale a pena viver no maior espectáculo do mundo.

⁠Na adega do Platão anda tudo farto e contente, há vinho pra toda a gente
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⁠Na adega do Platão anda tudo farto e contente, há vinho pra toda a gente a palpitar do garrafão... Há convívio e união, com pitéus de harmonia, ante a branca poesia nas árias improvisadas, e nas talhas atestadas tudo impera em alegria. I Nestas boas convivências está o mundo aqui sentado entre saias, rumba e fado trovam-se estas apetências... São diversas indulgências a mandado do coração, mais um copo, uma canção sempre altiva e divertida, - e assim se goza a vida na adega do Platão. II Azeitonas de conserva, misturadas com temperos, e talhadas de alguns peros ofertadas por Minerva; há bom vinho de reserva, que se sorve e se consente, no gabar de toda a gente há sempre um trinar castiço, com bom queijo, bom chouriço anda tudo farto e contente. III Após as dentadas míticas nos petiscos que aparecem, há os Ícaros que agradecem o primor das santas críticas... E nas farras analíticas Prometeu é deus e crente, porque não fica indiferente aos conselhos de Japeto, prevendo que no palheto há o vinho de toda a gente. IV Mais um brinde é aviado pelas honras de Hefesto, arde como um manifesto muito limpo e açucarado; é condão todo encorpado nos cantares de pé prá mão... A tertúlia em comunhão num lugar franco e elísio, com as artes de Dionísio a palpitar do garrafão. V Outro copo, mais uns migos dão convite a outro deus, o supremo e grande Zeus entra em paz com os amigos, venham outros mais antigos ou de outra geração... Poseidon traz o trovão que achou por entre mares, e com rimas e cantares há convívio e união. VI Cantam Ninfas, dão-nos Graças todo o bom e o bonito, junto à paz de Hermafrodito a encher de novo as taças; há castanhas e há passas, muitos risos e magia... E entre a grande cantoria este Outono é Primavera, onde encanta a boa Hera com pitéus de harmonia. VII Farinheira, vinho e bolo para Héstia, mãe da Terra, e até Ares deixa a guerra nos poemas com Apolo, o seu garbo é um consolo, todo ele é simpatia, como sábio que nos guia no guião deste apetite... E a beleza de Afrodite ante a branca poesia. VIII Até Demeter está feliz junto ao céu das talhas lusas, bebe a meias com as Musas, e com a bela Artemis. Tudo o que este nume diz sai da alma das rodadas, e então as lindas Fadas, sem manias ou critérios, improvisam seus mistérios nas árias improvisadas. IX Psique trinca a divindade, Eirene sorri ao mundo, Cronos parte moribundo sem entrar na sociedade, Hélios pede alacridade pelas mesas alindadas, com risotas avultadas Zefiro ri do poente, outros riem no consciente e pelas talhas atestadas. X Entra Atena, emocionada, como luz de um labirinto, diz que vai beber do tinto e fica até de madrugada... Manda a deusa venerada, tão divina e tão sadia... A singular sabedoria fala alto mundo afora, e nestes filhos de Pandora tudo impera em alegria. António Prates

⁠⁠⁠Lá vão os mascarados, podem vê-los de tantas formas, no seu mundo subumano; levam caraças por debaixo dos cabelos,
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⁠⁠⁠Lá vão os mascarados, podem vê-los de tantas formas, no seu mundo subumano; levam caraças por debaixo dos cabelos, mais os embuços que carregam todo o ano. Vão prá folia, vão alegres, vão perfeitos, como histriões dos artifícios mais bonitos; folgam-se normas, repetidos preconceitos, em prol dos cultos aos assuntos interditos. São tão felizes, disfarçados e contentes, pulam e troçam, nesses grupos a granel; é Carnaval, deixai-os ir que vão contentes como as estrelas que são feitas de papel. Tanta alegria, tanta farra neste Entrudo, tanta folgança, tanta cor, tanto brilhante; riem-se as almas, as tenções e quase tudo, das zombarias deste enlevo extravagante.

⁠A censura sempre existiu, o pensamento livre está em perigo e o Facebook pergunta: "⁠Em que estás a pensar?" De uma forma natural e com algum descaramento, a todos aqueles que ousam pensar e expor os seus pensamentos neste carnaval de tudo um pouco, sem nos alertar que o pensame…
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⁠A censura sempre existiu, o pensamento livre está em perigo e o Facebook pergunta: "⁠Em que estás a pensar?" De uma forma natural e com algum descaramento, a todos aqueles que ousam pensar e expor os seus pensamentos neste carnaval de tudo um pouco, sem nos alertar que o pensamento nos dá ideias, que as ideias nos dão opinião e que a nossa opinião, se sair um pouco dos carris do rebanho e do senso comum, oferece-nos quase sempre um vendaval de intolerância e um fardo de represálias em cima, para ficarmos cientes da dimensão da nossa liberdade e do valor das nossas ideias. Costumo dizer que o valor das nossas ideias depende muito do contributo que damos para a evolução da sociedade e do número de idiotas que se juntam e que lutam contra elas. Ademais, nesta disputa incessante de ideias, sou levado a acreditar que tanto no amor como no ódio as opiniões podem ser distintas, porém, os objetivos assemelham-se e convergem no amor verdadeiro que une uma grande parte das pessoas: "a defesa do seu próprio bem-estar e o pão de cada dia". Nem que a troco desse conceito estereotipado tenham de vender a alma a um diabo qualquer ou na melhor das hipóteses tenham de meter todas as palavras do seu pensamento no seu santificado silêncio. Por consequência, com esses mesmos preceitos enraizados no senso comum dizemos que estamos a ajudar a educar crianças e jovens a crescer, para que no futuro próximo esses homens e essas mulheres ajudem a fazer deste mundo um mundo melhor, que colaborem na verdadeira emancipação do seu próprio país e que participem na harmonia social das suas cidades, das suas vilas, das suas aldeias, e até dos seus montes, desde que haja um vizinho por perto. Dá que pensar!