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Frases de Alvaro Giesta

37 frases

contundentes, as águas vivas elevam o pendor até ao ventre da abrupta escarpa;
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contundentes, as águas vivas elevam o pendor até ao ventre da abrupta escarpa; esta penetra por elas adentro até onde a transparência rasga o lugar da decisão. ali, a pupila se dilata e o bulício da sombra se transforma em luz saindo, por fim, da bruma, qual visão do espírito que se mostra do incorruptível tempo do esquecimento. regressa-se finalmente do lugar da espuma. in "O Retorno ao Princípio"

in memoriam quando esquivas avenidas e te embrenhas em becos escuros
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in memoriam quando esquivas avenidas e te embrenhas em becos escuros e sórdidos, o teu olhar tem planos inclinados e ruídos nas pedras gastas da calçada que pisas escorregadias. uma a uma marcas os passos fugidios e as sombras em que te apagas têm o quente oblíquo da desgraça. miras os andrajos que te cobrem nos olhos-espelhos baços das vitrinas e ocultas as chagas do teu corpo na fome que te apoquenta implacável. acomodas-te no banco abandonado no sossego inquietante do candeeiro apagado que guarda o recanto escondido do jardim onde te acolhes insignificante sob um céu de estrelas despovoado... de todos e de ninguém perdido. habitam os teus olhos dentro, apagados os braços de percursos inventados no gélido tamanho do teu mundo onde fictícias personagens habitam o teu corpo esquecido. és louco... um louco que desaprende o que sabe na incongruência do tempo que te habita nesta claridade cega. perdes as asas e mergulhas no esquecimento e na desgraça. nada és na tua pele e a errática nudez que te assombra o cérebro, derrama a carne incendiada por nostálgicas ruínas do tempo. perdes os sinais e os dias e o sentido da existência... os deuses esquecem-se de ti que te devoras no vírus da loucura. numa inquietação lúcida de lucidez entras em convulsão incendiária à espera que te ilumine um resíduo de sorrisos. és um templo fechado na noite sibilante e florestal. habita-te o sonho o vento e a solidão a erva orvalhada e as pedras da calçada onde pousas os passos esquecidos e ignorado. pensas pássaros errantes nas sombras abstractas da noite, enleias-te em catarses fugidias do instante que te foge sob os pés. fundes-te nos abismos do tempo e de abismo em abismo te esqueces de quem és. © Alvaro Giesta, in "Muralha Inquieta"

(...) Enquanto poeta Alvaro Giesta, a liberdade da palavra, no uso poético que lhe é dada, permite-lhe, em O Retorno ao Princípio, filosofar acerca da morte. A morte, que é a garantia da ordem no mundo dos homens, que é o que concede o diálogo, pois, no mundo humano adquire-se a…
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(...) Enquanto poeta Alvaro Giesta, a liberdade da palavra, no uso poético que lhe é dada, permite-lhe, em O Retorno ao Princípio, filosofar acerca da morte. A morte, que é a garantia da ordem no mundo dos homens, que é o que concede o diálogo, pois, no mundo humano adquire-se a vida através da morte. Só, assim, a vida tem sentido. A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de O Retorno ao Princípio. A linguagem poética, neste caso na enfatização da morte pela palavra, não procura uma finalidade, uma explicação, não procura atingir algo, atingir um fim - isto, é para as religiões e seitas. Na linguagem poética a palavra não morre. A palavra, se morre, é para dar vida à palavra nova porque "a palavra é a vida dessa morte", como nos diz o filósofo Maurice Blanchot e o poeta Alvaro Giesta, num dos poemas iniciais de O Retorno ao Princípio. (...)" do posfácio ao livro O Retorno ao Princípio, de Alvaro Giesta

inclina-se o decadente tempo para o ir das frias águas onde misteriosa
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inclina-se o decadente tempo para o ir das frias águas onde misteriosa e incógnita é a sorte. nessas fontes enigmáticas a luz, antes intensa, deixa de o ser e cai no esvaziamento. é o tempo do inverno! ali, nesse tempo, a matéria se nomeia MORTE. nessa permanência intemporal permanecemos esquecidos mas, em essência, somos. * desse tempo etéreo pulsando um halo se evola, quando a lucidez em indizível ciência estremecida traz da essência o ímpeto que ressumbra desse húmus, até aí ignorado. ilumina-se a uma luz intensa essa penumbra crepuscular; como na árvore, que do cálamo em sono mergulhado se acendem em flor os gomos essenciais à VIDA. in "O Retorno ao Princípio", Editora Calçada das Letras, 2014

do âmago do nada existente entre a penumbra e a luz,
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do âmago do nada existente entre a penumbra e a luz, evola-se um halo cálido que afugenta o medo. exala-se um sopro no gesto do ser, um sulco de luz transforma o nada em verbo. acende-se subitamente por dentro do corpo, a vida. in O Retorno ao Princípio

difusa a Luz… confusa na escuridão da lenta caminhada
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difusa a Luz… confusa na escuridão da lenta caminhada para a penumbra a Luz do dia a nascer em breve é! a inteligência dúbia se inflama onde dantes era cinza agora é chama e se outra forma de crer não teve nem vê ao desbloquear a Luz o Homem crê! Alvaro Giesta "dois ciclos para um poema - ciclo dois"

reúne-se com o poeta o silêncio da noite e com ela arde
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reúne-se com o poeta o silêncio da noite e com ela arde e com ela rebenta a semente como se fosse o fogo o sangue arde-lhe nas veias e estiola-lhe o cérebro agarra a noite e a solidão no punho da mão fechada quando a abre o silêncio expande-se à volta de si arde em fogo a noite que se adensa à superfície do tempo fecha-se a vida ao poeta quando o dia amanhece Alvaro Giesta (dois ciclos para um poema - “ciclo DOIS” acerca do Homem que perdeu a Luz)

a ausência dum halo arrelia o pensamento
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a ausência dum halo arrelia o pensamento circunda os vultos descrentes por demasiado tempo a escuridão avança… em tumultos os pensamentos turvos arreliam e destroem quem os pensa Alvaro Giesta, "dois ciclos para um poema - ciclo dois"

No ar, o medo e o silêncio sepulcral a invadir os primeiros raios da manhã
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No ar, o medo e o silêncio sepulcral a invadir os primeiros raios da manhã Corações sobressaltados em prece e oração… muitos sem saberem sequer rezar No trilho traiçoeiro espreitava a morte a cada passo que se desse em falso na picada Sem perder de vista o combatente à nossa frente perscrutávamos, no lusco fusco do alvorecer, as sombras que se dissipavam por entre as silhuetas das bissapas Nas mãos doridas, por matar, o peso da G3 engatilhada dos soldados De repente o grito e a dor pelo estrondo e pela morte trazida no estilhado e no sopro da granada As lágrimas morriam afogadas pela raiva e ódio surdo nos corpos amputados In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

O comboio levou-me para o leste em direção à fronteira com a Zâmbia. Eram nove e quinze da manhã, daquele dia chuvoso de dezembro de 71. Dia 12. Exatamente como imaginava! Apenas viajámos de dia. À noite, pernoitámos em Silva Porto. A partir daqui e até ao Luso, à frente da máqu…
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O comboio levou-me para o leste em direção à fronteira com a Zâmbia. Eram nove e quinze da manhã, daquele dia chuvoso de dezembro de 71. Dia 12. Exatamente como imaginava! Apenas viajámos de dia. À noite, pernoitámos em Silva Porto. A partir daqui e até ao Luso, à frente da máquina que puxava as carruagens, ia outra a servir de rebenta minas. E os meus poemas começaram a nascer… sobre o joelho, onde apoiava o papel, escrevia: “Espera-me. Até quando não sei dizer-te, mas afianço-te com fé que voltarei! Espera-me nas tuas manhãs vazias nas minhas tardes longas nas nossas noites frias e não escondas de mim essa lágrima teimosa onde está escrito “não te vejo nunca mais” Não esqueças o que fomos ontem se o amanhã não existir ou não voltar, recorda o hoje permanentemente mesmo que não haja cartas que nos possam recordar. Nova Lisboa, Angola, 12 de dezembro de 1971 - para uma comissão de 14 meses no Leste de Angola, C. Caç. 205 (Cacolo), integrada no Batalhão de Caçadores 2911 (Henrique de Carvalho) In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Um tiro feriu o silêncio de pedra; o homem caiu aos pés do capim
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Um tiro feriu o silêncio de pedra; o homem caiu aos pés do capim tingido agora de rubro O sol no horizonte definhou… de repente encobriu-se sem nuvens no céu O vento deixou de se ouvir… nem sequer aquela brisa breve suave que às vezes nos trazia de longe o cheiro da catinga denunciando-nos o inimigo De repente tudo escureceu… o sol morreu e o homem deixou de o ver para sempre In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Entre os teus lábios entreabertos inchados pela morte
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Entre os teus lábios entreabertos inchados pela morte e gretados pelo calor que te calcinava os ossos desfeitos ainda antes de morreres, passeava-se uma mosca varejeira ufana de sua propriedade encontrada No ar adivinhava-se o som das palavras que não chegaste a proferir… Talvez uma oração… ou uma prece ao teu deus de ti tão distraído a quem imploraste a ajuda sem te socorrer Ou à mulher distante de quem não chegaste a conhecer o filho que lhe deixaste no ventre In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Terra de medo e de dor e de sonho também…
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Terra de medo e de dor e de sonho também… Lá fora o vento que zumbe e uiva e fustiga ameaçador e célere passa… o vento a quem tudo pergunto e nada me diz O vento que volve e revolve e varre as folhas secas das mangueiras plantadas no terreiro que serve ao quartel de parada O vento que zumbe e uiva tresloucado no negrume da noite que dói e mata O vento que fustiga e passa as frágeis paredes da vida dentro do arame farpado In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Olhei-me em cima da berliet com o coração tolhido de medo Aqui não há heróis…
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Olhei-me em cima da berliet com o coração tolhido de medo Aqui não há heróis… até os mais audazes na vitória sentem medo As mãos vazias seguram com firmeza estranha a espingarda G3 que me deram para matar, a única companheira segura de todos os dias e noites As nuvens de sangue ao longo da picada abreviam a morte In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Perdi os poemas ébrios de ritmo feitos ao sol da manhã
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Perdi os poemas ébrios de ritmo feitos ao sol da manhã Esse tantã longínquo que me acordava manhã cedinho antes de subir na minha bicicleta reduzida ao mínimo para pedalar até ao liceu, acordava-me como uma loa, cântico virginal puro… ou como um ritmo escondido no regaço da mais linda mulata da sanzala Um poema ébrio de ritmo órfico em dionisíaca celebração um cântico mestiço místico pagão negro soneto espúrio de um povo híbrido de muitos deuses e de mais irmãos ainda… Hoje o meu poema já não é ébrio de ritmo nem o som do tantã tem o sol puro erguido pela manhã cedinho O meu poema é de sangue e dor lavrado pelo frenesim dos tiros O tantã que me acordava manhã cedinho e trazia no som o ritmo dos beijos, hoje já não me acorda deste sono que não durmo sobressaltado O tantã traz agora na sua voz longínqua o som próximo da metralha In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Desperto… minhas mãos frias crispam os dedos inertes
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Desperto… minhas mãos frias crispam os dedos inertes no gatilho da espingarda Debaixo de mira numa linha reta que dificilmente erro, o alvo Um corpo negro, meio nu… Apenas o cobrem os restos daquilo que foi um camuflado zambiano Veste no rosto, encimado por um chapéu também camuflado, a raiva Para ele nós somos o invasor, o inimigo a abater que importa liquidar ainda que connosco tenha aprendido rimas de civilização Nós somos o invasor que (ele) quer expulsar destruir aniquilar E ele, para mim, o inimigo de ontem será o amigo de amanhã a quem hei-de abraçar In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

À volta de mim, o terror e a morte… olhares de medo fixos na imensidão do vácuo
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À volta de mim, o terror e a morte… olhares de medo fixos na imensidão do vácuo interrogam-se mudos inquietos… dolorosamente pensam na razão de tal sofrer Mas não choram porque o pranto se esgotou há muito neste inquieto viver Ah! Se eu soubesse ao menos rezar… Rezava por ti ó homem verme, tirano e sádico que por prazer destróis; Rezava por ti ó governante ganancioso e brutal que o mais fraco aniquilas; Rezava por ti ó deus, que já nem sei se existes, pela geração que criaste e abandonaste In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Há corpos espalhados pelo chão à minha frente Nos seus rostos lívidos
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Há corpos espalhados pelo chão à minha frente Nos seus rostos lívidos cor de cera morreu a esperança com a chegada da morte no frio gume da catana Jazem à sombra das mangueiras… a morte passou por ali Corpos decepados esventrados violentados num rio de sangue pelo chão… Ali apenas as varejeiras têm vida e voz no zunido e na cegueira de beber Sugam famintas de sede o sangue ainda quente dos cadáveres Zunem de sofreguidão na disputa do sangue vertido dos corpos esquartejados pelos golpes das catanas Para lá da orla da mata ainda o eco dos gritos de vitória e os risos satânicos de alegria e morte no ar numa mistura de feitiço e de liamba In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

Todos recebiam cartas e discos pedidos ao domingo
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Todos recebiam cartas e discos pedidos ao domingo no Rádio Clube de Huambo a mais de mil e duzentos quilómetros… era a emissora que mais se ouvia Só ele, porque exatamente ele era só e de longe (talvez de lugar nenhum), o furriel Abreu Gomes nem uma letra vertida em magra folha de papel Vingava-se da solidão no cigarro que um após outro fumava Enrolava-os com perícia tal no fino papel de mortalha, dois a dois de cada vez, como se ali depositasse os fios da vida que queimava, como se estivesse a fechar para sempre as abas do seu caixão Aquele livro de mortalhas e a cinza do cigarro queimado que lhe morria pendurado na boca, tinha a brevidade da vida que ali se vivia a cada hora que passava In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

a palavra é! está no altar-mor que lhe é devido
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a palavra é! está no altar-mor que lhe é devido ela é! Terra Água Centro Sol Luz é o princípio o intervalo e o fim do universo é calor respira-se da palavra habita-se todo o seu espaço interior in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta

Rebenta a manhã como um punhal de gritos na caserna
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Rebenta a manhã como um punhal de gritos na caserna O arame farpado que serve de paredes frágeis a este quartel improvisado foi cortado durante a noite Há marcas evidentes do inimigo e da sua passagem traiçoeira por aqui Estremece o sangue nas veias a raiva corta os pulsos e o medo apodera-se de todos nós Não há heróis, existe apenas a cruz de guerra entregue ao pai ou ao filho que o pai não conheceu e a memória sentida escrita no mármore da sepultura In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

o corpo faz-se de fragmentos em união constante tenta o equilíbrio
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o corpo faz-se de fragmentos em união constante tenta o equilíbrio a harmonia a força membros boca e língua de sal em frémito e movimento o que é fascínio contradiz-se mas seduz tenta relacionar-se sedento por criar um espaço que desfragmenta em desafios encontros e desencontros in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta

bailam línguas do orvalho branco da manhã grita o sangue novo por nascer
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bailam línguas do orvalho branco da manhã grita o sangue novo por nascer ergue-se a esperança deste nevoeiro na música da terra e no mar ferve o íntimo das palavras por escrever a luz fere o ar a sombra apaga-se de vez o sol e a vida rompem florescem crescem e vão brilhar a palavra nova agita um tempo novo harmonizam-se os elementos no seu novo agitar in "Meditações sobra a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta