Frase de Alvaro Giesta
Perdi os poemas ébrios de ritmo feitos ao sol da manhã Esse tantã longínquo que me acordava manhã cedinho antes de subir na minha bicicleta reduzida ao mínimo para pedalar até ao liceu, acordava-me como uma loa, cântico virginal puro… ou como um ritmo escondido no regaço da mais linda mulata da sanzala Um poema ébrio de ritmo órfico em dionisíaca celebração um cântico mestiço místico pagão negro soneto espúrio de um povo híbrido de muitos deuses e de mais irmãos ainda… Hoje o meu poema já não é ébrio de ritmo nem o som do tantã tem o sol puro erguido pela manhã cedinho O meu poema é de sangue e dor lavrado pelo frenesim dos tiros O tantã que me acordava manhã cedinho e trazia no som o ritmo dos beijos, hoje já não me acorda deste sono que não durmo sobressaltado O tantã traz agora na sua voz longínqua o som próximo da metralha In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
No pensador.ai desde