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Frases de Alvaro Giesta

37 frases

tudo é movimento tudo é a causa dele e o seu fim derradeiro
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tudo é movimento tudo é a causa dele e o seu fim derradeiro inclina-se a sombra à passagem da palavra acabada de nascer sábia culta e nova fugiu desse abismo onde andou tanto tempo esquecida de dizer in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta

incendeia-se de luz a sombra dos caminhos por abrir onde se esconde o óvulo
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incendeia-se de luz a sombra dos caminhos por abrir onde se esconde o óvulo antes era o caos prenhe de ser o feto faz-se o cosmos nasce floresce da sombra envolto num mar de luz de pedra e sal antes tudo era nada o dia do tempo primordial se despede e foge da sombra buscando a luz que é hoje in Meditações sobre a palavra (Temas Originais) de "Alvaro Giesta"

Invocação (a uma filha morta) Ontem a minha dor foi tão grande
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Invocação (a uma filha morta) Ontem a minha dor foi tão grande como um terramoto que vertiginosamente correu para dentro da loucura. Foi da espessura da morte! As árvores podem correr para mim de braços abertos as rosas do campo sorrir, que os lírios choram por dentro de mim às portas da sepultura onde te foram a enterrar. À tua chegada transformaram-se os céus noturnos em nítidos céus e chama e calor e luz, quando tu os abriste com ígnea chave em tua mão tão franzina. Interrompeu-se o olhar sobre a terra que te cobriu. In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta

caminha-se na sombra das paredes que se erguem envoltas num mar duro de pedra
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caminha-se na sombra das paredes que se erguem envoltas num mar duro de pedra e sal uma nesga de luz que sai das trevas por curto instante e faz gerar da palavra a semente rebentam do fundo da garganta apertadas por dizer e formam-se em interrogações constantes no seio do poema que se faz grita a liberdade acordam os sentidos conscientes duma nova realidade in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta

prolonga-se na comunhão doutro corpo funde-se com ele no desejo que lhe sacia a sede
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prolonga-se na comunhão doutro corpo funde-se com ele no desejo que lhe sacia a sede mar salgado de desejos por cumprir renasce a força que agita o cosmos renuncia à solidão penetra no centro do mundo fecunda o fecundo respira com o acto de criar que lhe sorve o ar que o anima em permanente renovação in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta Alvaro Giesta

fúria sedenta palavra que se quer terra
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fúria sedenta palavra que se quer terra água fogo e ar mulher – amante mãe que gera no seu ventre um grito novo por gritar in "Meditações sobre a palavra" (um tributo a Ramos Rosa, o poeta do presente absoluto), editora Temas Originais, do poeta

[diz o poeta que a melhor poesia se cria na ausência e se sustenta na dor] ______
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[diz o poeta que a melhor poesia se cria na ausência e se sustenta na dor] ______ Dilui-se-me o cérebro na sulfurosa atmosfera deste tempo... sinto os beijos cruéis da cidade com riscos de luz no olhar e atormentam-me os engates de tantas promessas sem data a cumprir Prometo-te, hoje prometo-te: que voltarei numa noite sem lua e nela construirei um luar de sonho e beijos para te oferecer; depois já não precisarás de prosseguir tão só a tua viagem... o frémito que nos devora o corpo em escorregadios lençóis de cama alugada em tardes fugidias selar-se-à no mesmo espaço que une a nossa manhã à espera da nossa noite. Acredito nas ruas que ficam para trás do tempo da memória de nós e no crepúsculo da sede que rebenta à flor da pele como se fosse um palácio erigido de novo a partir dos escombros da velha casa quase caída Entreabro os olhos... vejo-me essa velha casa apenas ainda vestida de nada

"O grande erro de quem cria, ou melhor, de quem pensa que cria por impulsos, é deixar-se levar pela febre de criar. É um perigo, para quem pretende fazer literatura (e até em prejuízo de quem poderia vir a ser um mestre no fazer literário, não fosse arrastado pela febre de criar)…
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"O grande erro de quem cria, ou melhor, de quem pensa que cria por impulsos, é deixar-se levar pela febre de criar. É um perigo, para quem pretende fazer literatura (e até em prejuízo de quem poderia vir a ser um mestre no fazer literário, não fosse arrastado pela febre de criar), deixar que a onda em evolução, ou antes, em efervescência, o leve no seu ímpeto. Perigoso - tão ou mais que deixar-se envaidecer pelo eco sem fundo e ensurdecedor (mas efémero, porque moda é o vão momento da exaltação) das palmas que se esfumam na breve aragem enganadora da tarde - é não dominar o ímpeto, é não adaptá-lo, com o rigor que o fazer literário exige, às formas do pensamento. Assim eu rasguei muita escrita, assim procedi, nesta azáfama constante e consciente de melhor fazer, ao expurgo dos excessos do ímpeto que me levou a escrever sem peso e sem medida." © Alvaro Giesta (Aforismos)

SOBRE A CARTA DE ROWAN A GARCIA Procure-se uma alavanca que faça mover uma bússola para orientar
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SOBRE A CARTA DE ROWAN A GARCIA Procure-se uma alavanca que faça mover uma bússola para orientar qualquer outro instrumento que faça parar, que sirva de travão a tudo quanto de ruim está a acontecer. Uma alavanca que sirva para despregar erguer mover arrancar... Uma alavanca que arranque tudo quanto está a atravancar e a impedir de crescer. Outro instrumento qualquer que sirva de travão e faça parar o mal que impede o bem-pensar como em proveito universal agir. Uma alavanca que arranque tudo de ruim - mas mesmo tudo. Se a alavanca vai fazer mover o que está parado pela preguiça de pensar e falta de vontade em ser um dia... ...que o travão pare o absolutamente inútil e fútil. E que a bússola da responsabilidade oriente e faça agir como em Rowan para levar a carta a Garcia. (in TRIPLO V)

O Poema (texto V) Expande-se o fogo da montanha
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O Poema (texto V) Expande-se o fogo da montanha quando o poema cresce álacre como um rio de verdes águas e banha as paredes do tempo com o orvalho duma primavera extasiada. Adimos beleza ao verso mesmo que seja negra a fonte onde se bebe o fulgor da luz  se os dedos prenhes de palavras plantarem a magia da noite no lugar onde engravidam as frias glicínias. Beija-se a boca na boca da noite se a noite sangra gentis flores selvagens  flores que aos dedos dão o sabor dos sonhos e às mãos o fervor da incandescente luz. Coalha o luar frio no alto céu se na terra se ergue a flecha no lugar da flor.

⁠sirvo a poesia como oração fria, de joelho dobrado como se meditasse no altar. olho o passado. rememoro-o
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⁠sirvo a poesia como oração fria, de joelho dobrado como se meditasse no altar. olho o passado. rememoro-o pela dureza do que nesse tempo fui; profundo foi sempre o meu verso na minha voz exaltada; a minha canção errante teve voos de silêncio e solidão dentro de mim. teve uma morte vivida em vida sem brancos lenços de adeus – por isso, assim me amo: amo-me neste corpo velho, substância do que sou e sempre fui. não sou de equívocos e como Gamoneda, digo: «hei-de amar a minha própria morte» como quem se ama em vida, na certeza de que não sabe morrer, quem não reclamar a sua dignidade. busco na pele (inconfessável) do poema, a minha pele ungida à boca da palavra, fruto desta eterna injustiça. lambe a minha boca a língua inquietante de todas as sombras que à luz devem a existência. ____________ AG (Metamorfoses)

⁠o ‘silêncio’ das palavras aquele silêncio que ao indizível nos conduz como se
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⁠o ‘silêncio’ das palavras aquele silêncio que ao indizível nos conduz como se descêssemos ao vazio e dele refulgíssemos em êxtase ao encontro do místico puro e belo “o puro e belo” o que provém do longínquo tumulto das sonoridades que afligiam mallarmé (quão estranho e belo é esse mistério do silêncio) sem gritos sofridos conversamos com ele no tumulto dos caminhos onde não há sonhos perdidos nem desfeitos somente a voz do silêncio vinda da solidão das pradarias _____________ AG (p/) TURFA