Frase de Alvaro Giesta
O comboio levou-me para o leste em direção à fronteira com a Zâmbia. Eram nove e quinze da manhã, daquele dia chuvoso de dezembro de 71. Dia 12. Exatamente como imaginava! Apenas viajámos de dia. À noite, pernoitámos em Silva Porto. A partir daqui e até ao Luso, à frente da máquina que puxava as carruagens, ia outra a servir de rebenta minas. E os meus poemas começaram a nascer… sobre o joelho, onde apoiava o papel, escrevia: “Espera-me. Até quando não sei dizer-te, mas afianço-te com fé que voltarei! Espera-me nas tuas manhãs vazias nas minhas tardes longas nas nossas noites frias e não escondas de mim essa lágrima teimosa onde está escrito “não te vejo nunca mais” Não esqueças o que fomos ontem se o amanhã não existir ou não voltar, recorda o hoje permanentemente mesmo que não haja cartas que nos possam recordar. Nova Lisboa, Angola, 12 de dezembro de 1971 - para uma comissão de 14 meses no Leste de Angola, C. Caç. 205 (Cacolo), integrada no Batalhão de Caçadores 2911 (Henrique de Carvalho) In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
No pensador.ai desde