Frase de Alvaro Giesta
Todos recebiam cartas e discos pedidos ao domingo no Rádio Clube de Huambo a mais de mil e duzentos quilómetros… era a emissora que mais se ouvia Só ele, porque exatamente ele era só e de longe (talvez de lugar nenhum), o furriel Abreu Gomes nem uma letra vertida em magra folha de papel Vingava-se da solidão no cigarro que um após outro fumava Enrolava-os com perícia tal no fino papel de mortalha, dois a dois de cada vez, como se ali depositasse os fios da vida que queimava, como se estivesse a fechar para sempre as abas do seu caixão Aquele livro de mortalhas e a cinza do cigarro queimado que lhe morria pendurado na boca, tinha a brevidade da vida que ali se vivia a cada hora que passava In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
No pensador.ai desde