Simplicidade
Eu preciso de tão pouco pra viver
Só uma vida com bons amigos
E água pra tomar banho e beber
Um sorriso eu preciso também
Mas que ele seja sincero
Pra mim não ter que esconder
A simplicidade é o que me faz feliz
E a felicidade me mantém de pé
A tristeza está por um triz
Pois sempre que ela chega perto
Eu mando ela ir embora
E pra bem longe eu faço correr.
A Tribo
Quando essa tribo chegar
E entrar pela porta da frente
Cantando o que mais gostar
Como se fosse gente
Vai fazer o velho corpo cansado
Alegre voltar a dançar
E até essa gente amaldiçoada
Vai ficar tão contente
E até a madrugada
Vai querer balançar
Quando essa tribo chegar
Tudo vai ser diferente
O sol e a lua juntos vão brilhar
Como se fossem parente.
Traços
Com o lápis no papel
E o pé no chinelo
Eu desenho o céu de azul
E também de amarelo
Com a caneta
Eu desenho o sossego
Desenho o passado
E também o morcego
Desenho o presente
E pressinto o futuro
Um recinto fechado
Fechando teu ego
Com a caneta
Eu derrubo a marreta
Construo a cadeira
E tranco a cadeia
Desenho um índio na sua aldeia
Dançando tango e fazendo careta
Com a caneta
Eu escrevo o seu nome
E com lápis seu sobrenome
Com a borracha
Eu apago o passado
E escrevo outra história
Com você do meu lado.
O Silêncio De Um Menino
Lá vai o menino correndo
Contente apressado pra missa
Com o seu cabelo cortado
Molhado e suado camisa
A missa já vai começar
E hoje por ser domingo
Tão pouco ele tem pra falar
Já cansado de tanto aclamar
Hoje é o teu silêncio
Que vão escutar
E de cabeça baixa
Todos vão ficar
Quando o silêncio te possuir
E toda verdade
Ele insistir em falar
Até a hipocrisia
Deixará de existir
E toda anistia
mudará de lugar
Pois o silêncio de um menino
Conta uma verdade inteira
Mesmo que ele seja traquino
E pule da ribanceira
Porque quando
Um menino se calar
Maiores verdades
Ele traz no olhar
E até o teto da igreja
Há de desabar
Quando testemunhos ali
Se pronunciarem
O jarro, o Santo e o sino
Até o escarro, e o canto
Se espantarar com o menino
A vela, a flor e as donzelas
Vão sumir com a dor e as mazelas Porque já sabem rezar
E dizerem amém ao destino.
Recôndito
Somos feitos de sonhos
E de uma certa magia
As vezes parecemos bisonho
Mas é só por não ter alegria
Somos bicho do mato
Metade do mundo acabado
Sentindo se abandonado
Como se fossem um rato
As vezes me falta alegria
Por isso não mostro um sorriso
Fugir com você me parece preciso
É a liberdade que eu mais gostaria
As vezes eu sinto a loucura
Querendo sempre me rondar
É como quem roda um peão
E sente o mundo apressar
Depois me deixa cambalho
Caido de cara no chão
Somos o bicho da seda
Que tem bico e que tem sede
Somos o rio e a rede
O frio, o nicho e a parede
Somos a lógica do desprezo
E a mágica da tristeza
Que invade essa vida
Em uma enorme correnteza
Somos o gelo
E o elo desse grão
Que deixou tão amarelo
O meu pobre coração
Você que nem sabe
E nem sente o que eu sinto
E quando me olha
Eu finjo que minto
Pra não ter que encarar
Essa vontade que tenho
De te amarrar pelos cantos
E segurar pelos dentes
Somos um beco sem saida
E um jornal sem notícias
Sem normas e sem malicias
Somos um boteco sem bebida
Vivo esperando a coragem
De um dia poder te falar
O que vive preso em mim
Aqui sempre a engasgar
E quando eu te falo bobagem
Eu sinto as horas passar
Mas vem sempre a voragem
Em tudo que tenho pra mostrar
E me deixa sozinho outra vez
Aqui sofrendo calado
Com um sentimento guardado
E se valendo por dez
Mas nunca acaba de vez
E por vezes tem me afogado.
Façanha
A mulher canta
Porque não sabe
Outra maneira
De afastar
O que te espanta
A mulher dança
Porque não sabe
Ficar sozinha
Parada no canto
Numa tardezinha
Ouvindo tristeza
E curtindo lembranças
E quando ela pula
E faz piruetas
É pra esconder a gula
E destrair o capeta
E quando o baile acaba
Toda sujeira ela varre
Algumas pro lado de fora
E outras pra debaixo do tapete
A mulher quando ama
É porque já cansou
De matar e morrer
Por uma só pessoa
É porque já casou
E isso só não bastou
Quis fazer diferente
Acendendo outra chama.
As Pedras
Eu converso com as pedras
E só elas me entende
As vezes parece loucura
Mas o papo se estende
E eu me perco na doçura
De um grande gesto bonito
Porque pedra quando fala
É tão alto e profundo
Que chega a tocar o infinito
As pedras são grandes amigas
E grandes guerreiras também
Elas guardam lembranças antigas
E são sempre pisadas por alguém
As pedras são heroínas
E guardiãs de grandes segredos
Dos mais loucos desejos
Ás águas mais cristalinas
As pedras escondem mistérios
Que a vida não sabe explicar
Porque existe matar
E esses tais de cemitérios
As pedras sabem amar
E também o valor do perdão
Porque vem do coração
O que sempre sabem falar
As pedras tem sempre emoção
E sabem tão bem escutar
Mesmo que o desatino é chorar
E de sempre perder a noção
Elas tem sempre razão
E grandes sentimentos
Pois entendem de tudo
E conhece cada tormento
Desde as dores do mundo
Em meio a multidão
Aos amores profundos
Em meio à ilusão
Quando a maré vem
E o barco se afunda
Quando a brisa levanta
E o sorriso se fecha
Quando se atira um flecha
E o cupido se espanta
Quando feliz é quem vive
E não só o que canta
Quando não é primavera
E as flores se enganam
Quando os aromas se emanam
E já não é o que espera
Quando o pó virar tédio
E o amor virar ódio
Quando o pavor virar sódio
E o suor virar remédio.
Martírio
Bomba, tiro e guerra
Tudo isso vê na tv
Sei que é parte de uma nova era
Mas é tão difícil de crê
Que a vida assim se desfaz
Por tão pouco ou quase nada
Mas o que se pode fazer
Se é destino deixar tudo pra trás
E a maldade é o que te faz morrer
Eu vejo o lado de fora
E também o lado de dentro
O que acontece agora
E o que vêm lá do centro
De onde a carniça é maior
E a piedade é cada vez menor
De onde se lavam com sangue
As mãos em vez de suor
De onde se grita olha a paz
E o outro já diz olha a faca
Alguns lutam e refaz
E o outro chuta e te empaca
A garganta ali ja vive rouca
De tanto gritar socorro
E os velhos pés descalços
Já andam tão cansados
De tanto correr pra o morro.
O Sol Embriagado
Hoje o sol embriagado
Não mostrou seu olhar na terra
Preferiu se esconder
Entre os montes daquela serra
Pra não ter que explicar
O seu olhar envergonhado
Quando abrirmos a porta
E também a janela
Hoje o sol fez barulho
Como nunca se ouviu
Quando caiu na bebedeira
E o seu olhar não se abriu
Parecia que alguém
Teria feito tudo isso
Por prazer ou capricho
E por um enorme feitiço
O sol dormiu o dia inteiro
E de ressaca escureceu
E todo o mundo permaneceu
No breu confuso do terreiro
Sem entender ali quase nada
Porque ele se escondeu
Alguns correram pra rua
Pra saber o que aconteceu
Se foi o dia que virou noite
Ou foi o sol que morreu.
Odisséia
Um pé na estrada
E o outro de tocaia
Esperando que a madrugada
Lhe sirva de gandaia
A fé me levanta
E me serve de escada
Eu deixo o ferro
O escudo e a espada
E da sacada ainda posso ver
Insanas mulheradas
Descendo de míni saía
O céu escureceu
E tantas estrelas eu vi brilhar
Mas o destino era sempre breu
E só o amor pôde me guiar
Eu te dei mil abraços
E também beijos roubados
Depois cortei um dobrado
Quando eu resistir
E me vestir de palhaço
A minha vida sempre foi
Um samba de lata
E só o amor me convida
Pra correr e cair
Nos braços dessa mulata
A minha sina sempre foi
Correr, cair e levantar
Fumar um cachimbo e rezar
E depois me embrenhar pela Mata
Mais longe quis andar e sumir
Nas curvas que o vento faz Por ai
E quando a saudade apertava
Eu te mandava lembranças
Por um sinal de fumaça
Aonde eu vou não tem caminho
É eu quem faço a minha trilha
E é sempre feita com carinho
Pra receber as maravilhas
É muito pouco o que eu sei
É quase nada eu ja nem lembro
Se um dia eu já fui rei
Foi no fim lá de Dezembro
Quando a estrada ainda era calma
E a alma ainda era tudo
Pra vida a gente batia palmas
E de dor não se falava no mundo
A vida cobrava tão pouco da gente
E a amizade era tão natural
Só quem viveu
É quem sabe, quem sente
Que o peso da luta era tão normal
A gente deitava
Ali nas calçadas
Contando as estrelas
E ouvindo piadas
E quem por ali passava
Achava muito engraçado
E acabava do nosso lado
Contando histórias
E dando risadas
Pois o mundo era ali
E o medo eu não via
Não tinha moto
Não tinha halli
Não tinha os bêbados
Á nos iludir
Não tinha grito
Não tinha berro
Não tinha choro
Não tinha vela
Não tinha agouro
Não tinha remela
Não tinha cachorro
Não tinha gamela
Não tinha pato
Não tinha prato
Não tinha prata
Não tinha ouro
Não tinha rato
Não tinha besouro
Nem carrapato
Nem tinha touro
Não tinha lata
Não tinha leite
Não tinha nata
Não tinha azeite
Não tinha pão
Não tinha queijo
Não tinha cão
Não tinha beijo
Não tinha você
Não tinha desejo
Não tinha sofrer
E não tinha morrer.
Eterna Paixão
Pelo sim,
Pelo não
Estou com você
E não abro mão
Haja o que houver
Eu posso até sofrer
Mas guardarei Você
No meu coração
Como quem guarda
No jarro uma flor
E mesmo que o espinho
Te causa alguma dor
ela sempre serar
A sua eterna paixão
E há sempre a espera
De um novo botão
Que brote o amor
A ternura e o perdão
E que sirva de alimento
A toda e qualquer ilusão
Desde a alma de um pecador
Até a calma de um pescador
Quando o breu da noite chegar
E o brilho do sol acordar
Menina, moça e rapaz
Tão cedo irão despertar
O sorriso é um enorme portão
Que brilha em faísca na multidão
O amor é a chave
Para abrir qualquer porta
Em todo sentido
Em qualquer direção.
Ócio
Pra um sol bem quente
Eu uso um chapéu
Pra minha dor de dente
Eu olho pro céu
Pra meus amigos
Eu mando lembranças
Pra meu bem querer
Um pote de mel
Eu faço da vida
Uma linda resenha
E exponho tudo
Aqui no papel
Eu mostro a beleza
Do teu sorriso
E encontro a certeza
Do meu paraíso
Amar tudo ali
É muito mais que preciso
É quase sagrado por ser precioso
E se é pra correr apressado
Eu já nem saio do lugar
Minha vida é andar devagar
E sempre cheguei lá do outro lado
Onde a luta começa
E a glória termina
Onde implora a menina
E te faz promessa
Onde o campo é minado
E a virtude regressa.
Os Olhos Da Noite
A noite me consome
Como o vicio e o cigarro
Eu me perco nessa fome
Preso dentro do carro
A noite me paralisa
E só o medo parece fazer sentido
A vida parece tão curta e mais lisa
E meu coração tão duro e partido
Os olhos da noite me cega
E também me apavora
Quando a menina chora
E o menino escorrega
Os olhos da noite me contam
Segredos que a vida te esconde
E as coisas que elas aprontam
Só o breu da noite responde.
Dissabor
Cada um tem sua história
Pra contar
E seus motivos
Pra sorrir ou chorar
Cada um sabe da dor
Onde sente
E seus motivos
Pra lutar e seguir em frente
Cada um veste o medo
A que lhes foi dado
Como a certeza da morte
Que um dia foi marcada
Cada um sabe da fome
Que por vezes tem passado
E quando chega a madrugada
Parece que ela some
Não sei se é de tanto frio
Ou é de tanto ter guardada
Cada um sabe o limite
Da sua fúria
E até que ponto vai
A sua lamúria
E quando a loucura acabar
E a tua lucidez
Despertar de vez
O teu limite vai acabar
E a nossa amizade também
Pois você foi sim muito além
E por vezes tem me machucado
Em todos queria por um fim
E como eu não era ninguém
Pensou até em ter me matado
Mas eu sou um sobrevivente
E quero matar o passado
Que insiste em fazer presente
Aqui preso dentro de mim.
Eterno Amor
Hoje o teu silêncio,
Gritou mais alto no meu coração
E foi tanta dor e emoção
Ao lembrar de você,do nosso amor
E da nossa União
Hoje o teu silêncio,
Gritou mais alto no meu coração
E foi tanta dor e saudade
Ao lembrar de você, do seu calor
E da nossa amizade
Mas tanta força tem a minha fé
Que apesar de tudo
Eu me considero
Um cara sortudo
Pois ainda me restou alegrias
E razões que me mantém de pé
Hoje o teu silêncio,
Bateu mais forte
Aqui no meu peito
E ao lembrar de você
Eu sentir bem fundo
Essa tua ausência
Desde o meu lado esquerdo
Até meu lado direito
Pois sem você nessa vida
Me falta um pedaço
E isso é quase um defeito
Hoje a tua presença
Se fez Real no meu pensamento
E foi minha sentença
Não ter um ideal
Em seu lugar
Só dor e tormento
Pois a tua lembrança
Estará sempre viva
E por toda a minha vida
Há de me acompanhar
Desde a pista de dança
Até o cantar de uma diva
Pois lembrar de você
É um sonho real
Vou cultivar pra sempre
Esse meu sentimento
Porque me faz tão bem
E é tão natural
Lembrar de você
É como ler um bom livro
E jamais se esquecer
É viajar no tempo
Dessa nossa história
Chamada de amor
Entre eu e você.
À Primeira Vista
Já eram meio dia
E eu quase sem alegria
Foi quando eu te encontrei
E você me deu um sorriso
Aquilo alegrou a minha vida
E fez eu ganhar o meu dia
Foi quando eu acreditei
Que de fato o amor existe
E me fez um bem danado
Pois amar e ficar apaixonado
Fez o meu dia deixar de ser triste
Não sei se foi o acaso
Ou o destino quem deu a pista
Eu só sei que foi amor
E foi amor à primeira vista
Desde então eu não te esqueço
E a cada dia eu só enlouqueço
É como querer ir pra lua
E saber que é difícil esta conquista
E mesmo assim eu te procuro
Em cada rua, em cada canto
E mesmo difícil eu não desisto
Eu vou do fim até o começo
Pois não há mundo escuro
Sem pedra nem tropeço
Porque amar é um encanto
E você coisa de Cristo.
Monumento
Com seus olhos de Luz
E a sua boca de vidro
Com seu corpo macio
E a sua pele morena
Você me conduz
E me causa arrepio
E faz minha vida
Ficar mais serena
Com seus olhos de mar
E a sua boca de amar
Eu me perco na fome
E na vontade de beijar
Os seus olhos são a brisa
E o seu corpo um encarte
Você é uma obra de arte
Num estilo Monalisa
O seu corpo é a margem
Tudo ali à seu tempo
É uma linha imaginária
De qualquer pensamento
A sua boca é um oceano
Que desagua em mim
Todo sentimento
Cada dia, cada ano
Colorindo a vida e toda paisagem
E com sua beleza
Se faz monumento
O seu corpo é uma fonte
De fortaleza e prazer
E toda água ali eu quero
Pra tomar banho e beber
E todo bem ali eu espero
Que te próspera e faça viver
E que tenha um monte de amigos
Que sejam a ponte entre eu e você
Que estejam firmes e fortes na luta
E nunca deixarão
Essa ponte descer.
Felizes Para Sempre
Nos eramos todos felizes
Felizes até não saber
E tudo o que tinha á sua volta
Achava tudo tão pouco
Mas um dia a vida fez tudo perder
Foi quando começou a sua revolta
E agora se comporta como louco
E até a sua alma
Já quer vender
Felizes para sempre
A gente já nasce assim
Mas nunca fica contente
E nunca agradece o teu sim
Viver é felicidade
E isso já basta pra mim
Vaidade é pura loucura
De quem procura outro fim
Felicidade a gente faz
E não espera alguém trazer
Pois todo mundo é capaz
De inventar o próprio prazer
Felicidade é a nossa herança
Por tudo que se vive,
Que se pede, que se alcança
Tá na luta da manhã
Que sobrevive na lembrança
Tá na gruta
Tá na aba
E nos olhos da criança
E quando tudo acaba
Felicidade ainda tá lá
No espaço do recruta
E no compasso dessa dança
Felicidade tá veia
Tá na ceia,tá no sangue
Ela tá no corpo da sereia
E quando vem
É sempre em gangue
Felicidade tá no ar
Dançando salsa e merengue
Felicidade quer também
Qualquer um sem perrengues
É quer alguém
Que também saiba amar
Felicidade é qualquer coisa
Basta só a gente acreditar
E tudo que é ruim
Cabe a gente transformar
Em sonhos bons e tão reais
É só a gente permitir
Dias melhores e legais
Por aqui vão surgirem
Basta você se decidir
E abraçar todos que vierem
Como se chegassem hoje
E amanhã fossem partir.
Os Olhos Da Cigana
Minha vida é uma ciranda
Sempre escrava de quem manda
Me crava no peito uma espada
Aqueles olhos da cigana
Pois de boba não tem nada
E aquela boca não me engana
Minha vida é uma ciranda
E sempre estar na corda bamba
Sempre escrava de quem manda
E quando eu pulo nesse fogo
É como parte de um jogo
No lugar que não tem samba
Minha vida é uma ciranda
Uma cidade enfurecida
Me dar voz de prisão
E faz eu beber formicida
Sempre escrava de quem manda
Esses olhos da cigana
Que são como duas espadas
No meu pobre coração.
Ancestral
Chegou veloz como o vento
Assim meio que de repente
Atracou na garupa do passado
E disse, toca pra teu presente
Ele tinha a cara de assustado
E também de um homem valente
Chegou assustando a primavera
E os olhos triste daquela boneca
Deixando de lado
Toda e qualquer quimera
Atracado á minha soneca
É quando tudo parece um fardo
E o meu canto já se encerra
Chegou como nunca se viu
E partiu como nunca chegou
Atracado á meu paladar macio
E o seu corpo não me agasalhou
Chegou como uma barata tonta
Como se estivesse no cio
Por capricho ela só apronta
E o seu olhar logo me abandonou
Chegou,
Como a imensidade do mar
E foi embora na velocidade
De um vôo
Atracado á intensidade do ar
E por ruindade
Aqui nos deixou
Chegou como se quisesse mais
E rezou como se estivesse em paz
Cantou quando queria xingar
E se enfezou
Quando quis se vingar
Chegou pelas beiradas
Assim como quem vem só espiar
Fingindo não querer nada
Mas o seu olhar é de arrepiar
Sua boca parece uma escada
Onde a minha já quer se atracar.
A Resposta De Um Silêncio
O silêncio me ensinou
Ter respostas pra tudo
Desde o milênio que passou
À essa geração sem estudo
Não se constrói uma nação
Só com braços no ar
E pernas no chão
É preciso que haja
Um pouco mais de cintura
Se quiser alcançar
E chegar à sua altura
É preciso que haja
Um pouco mais de perdão
E sobretudo
Um pouco mais de doçura
Liberdade é fundamental
Pois é ela quem faz
O nosso corpo dançar
E esconder a nossa loucura
É preciso que saiba
Que todo mundo é igual
E sobretudo que haja
Um pouco mais de compaixão
Pois é ela quem traz esse amor
Que invade o seu coração
Como a notícia que dar no jornal
E a beleza que traz uma flor.
Dom
Todo mundo
Tem um dom
E sempre da voz
Pra aquele que não tem som
Todo mundo
Tem um dom
E há de pintar
Essa vida de verde
Em vez de marrom
Todo mundo
Tem um dom
E isso não é nada comum
Não é estranho
E nem pra ter medo
Pois ele é só mais um
Á apontar o dedo
Mas no fundo também
Acha isso tão bom
Todo mundo
Tem um dom
E com ele há de ir mais além
Destacando-se na multidão
Feito uma mulher
Que se encantou por alguém
Quando ela chega
Te acenando a mão
E com a boca pintada de batom.
Intuição
Intuição vive assim
Dentro de mim a cantar
Como quem esquece o sim
E o passo não sai do lugar
É como se alguém
Já nascesse no fim
E um anjo descesse do alem
Pra me libertar
Intuição vive assim
Dentro de mim a rezar
Como quem reza pra mim
Encontrar os caminhos do mar
Intuição vive assim
Esperando o dia raiar
Antes que o destino te leve
Pra cantar em outro lugar
Intuição vive assim
Dentro das minhas loucuras
Onde a inspiração faz assim
Me deixando lá nas alturas
Intuição vive assim
Dentro de mim a correr
É como se faltasse um pedaço
E no vazio ele viesse pra preencher
Devagar e sem fazer barulho
Como se tentasse esconder
No fundo ele é sempre sozinho
Jogado em qualquer borralho
Como se ali fosse o seu ninho
Deitado numa cesta de alho
Como se quisesse esquecer
Que pouca intuição assim
É como se fosse migalhas
Pra quem vive na perdição
E não soube usar a navalha
Apontando pra qualquer direção
O corte cego que vem da muralha
E por vezes aqui assim
Sempre atrapalha
Intuição vive deitado
E o destino é sempre no chão
Com os pés amarrados
Como se fosse uma calha
A passar por ali
Toda água da chuva
Pra molhar a terra
E matar a sede do sertão
Intuição é liberdade
É vida nova pode crê
Ela preza a igualdade
E isso em mim já pode ver
Ela alimenta felicidade
E em cada passo alguém me acha
Sempre em dia com a verdade
Pois cada passo é como marcha
Que se desfila na cidade.
Eu Gosto Muito De Você
Eu gosto de você
Mais do que alguém possa gostar
E eu penso sempre em te ver
Pra tudo isso poder te falar
Eu gosto de você
E não seria eu se não fosse assim
Pois outra maneira de gostar
Aqui não vai ter
E se não for desse jeito
Não conheço outra razão
Pra não ser o meu fim
Se eu esconder essa paixão
E só em segredo te amar
Eu gosto de você
Como quem gosta
E não sabe de que
É como alguém que chora
E não sabe por que
Quando eu venho lá de fora
E o meu desejo quer repousar
Mas só em teu peito ele encosta
Como quem sabe vestir
Mas só uma roupa gosta de usar
Eu gosto de você
Como quem gosta
E não sabe pra que
É como quem conta uma história
Mas um bom livro
Não sabe escrever
Que possa expressar
O meu sentimento
Guardado em segredo
Dentro de mim
E a cada dia vivendo a crescer
É como olhar adiante
E não ver nada de estranho
É como acender um farol
E tudo que era perto
Agora é distante
Como o sol atrás das montanhas
A me olhar com um sorriso incerto
Parecendo ser de estanho
Com um lindo corpo
Que me assanha
E um desejo que me aperta
Eu gosto de você
E gosto mais ainda
Quando estar perto de mim
Com esse seu jeito sincero
De falar e não se esconder
Pois sabe ser fatal
E tudo que diz pode escrever
Você me faz ser normal
Um verdadeiro aprendiz
Você é tão legal
Tudo que eu sempre quis
Já não quero te perder
Você é tão natural
Eu gosto tanto de você
Que já não dar mais pra medir
É coisa que não dar pra esconder
E pra um coração só iludir
Você me completa
E faz eu ser quem eu sou
Você é o meu guia
Meu sinal de alerta
E essa sua alegria
Me faz enxergar
O caminho onde vou
Aqui ou em qualquer outro lugar
Se com você eu estou
Já sinto no peito o amor flutuar.