Afeição
É começo de amor
É novo dia chegando,
É mais um no corredor
Se apaixonando,
Eu vejo ventar
E venho jantar,
A noite padece
E carece de amar
Eu abro a janela
E assisto a novela,
Pois a vida lá fora
Ela é sempre mais bela.
Avenida Brasil
Foi na avenida Brasil
Que a história se deu,
O mundo vinha de longe
Chegou ali e cresceu
Tem gente de toda maneira,
Tem carro em toda ladeira,
Tem gringo e tem correnteza
Tem bingo e muita tristeza
É um choro,
Um abraço,
Um adeus
É a lacuna e você outra vez
É vida,ilusão
Se perdendo na pista
É fator em ação
Interrompendo conquistas
É uma gente com pressa
Sem promessa de paz,
É uma gente incapaz
De um gesto de calma
Sem trégua e sem alma
Já entregue ao acaso
Nesse árdego caos
Onde a fúria é capaz
Com essa força bruta
Há habitar sem paz.
Madrigal
Escute essa manhã
Olhe bem esse sol
Tenha toda a manha
Com essa luz no chão
Beba esse vinho
E coma esse pão
Abrace esse tempo
E tudo o que há
Por dentro
Com essa paz,
Essa glória e
Esse vento
Deite,role e amoleça
Até que a noite apareça
E te traga mil estrelas
Que te afaga e adormeça.
A Água
Bela,singela
Assim ela revela
Vida,alegria
Manto e fantasia
Cor,maresia
Sonho e ventania
É a gota da vida pingando
É a rota vivida findando
É a ponte perdida voltando
E o passo seguinte buscando
É tudo que não pode faltar
É fonte que não pode secar.
A Mulher Mais Bonita
Você é uma espécie de sossego
Com muita paz,amor e aconchego
De toda mulher você é a mais bonita
Com essa tua alegria e esse teu chamego
Com toda mania
Você à sua maneira
De criar a fantasia
E se entregar inteira
Ela faz se rainha
Tão bem e só minha
É uma força divina
À iluminar o meu caminho
É uma deusa menina
Tão pura e sozinha
Com uma dose tão forte
De amor e carinho.
Roteiro
Sigo o roteiro do meu coração
Sigo as pegadas dessa louca paixão
Pra te alcançar,te abraçar e te beijar
Sem parar rondo toda a cidade
Sigo os caminhos da felicidade
Na velocidade mais louca de amar
Sigo o teu cheiro,de longe o teu jeito
Em cada olhar é você que eu vejo
Vibra o desejo aqui dentro de mim
Só de pensar eu já fico afim
Só por amor eu te sigo assim
E nesse roteiro eu vou até o fim.
Desencontros
Eu sei de você
E você nunca soube de mim
Andava sempre apressada
E nunca esperava por mim
Nos teus sonhos
Eu era sempre distante
Na minha vida
Eu nunca à tive um instante
Eu sei que sorriu,
Também sei que chorou
Mas nunca em teus sonhos
Você me notou
Eu em sua estrada
Você em minha vida
Era eu a chegada
E você a partida.
Motim
Em poucas palavras
Eu falo pro mar
Eu falo pra vida
Pra gente de algum lugar
Eu falo no ato
Da rotina do rato
Que se esconde por trás
Da cortina do quarto
Eu falo da festa
E de todo o seu resto
Eu falo do soco
Que te deram na testa
Eu falo do posto
E da sua lenda no rosto
Eu falo da renda
Que te gera o imposto
E do desgosto
Eu falo também
Só pro teu bom gosto
É que eu digo amém.
Segredos naturais
Que segredo esconde
A mãe-natureza?
Com tanta beleza
E tanta riqueza
Que segredo revela
O sol na janela?
Essa coisa singela
E tão bela
Que verdade há
Por trás desse ar?
Que embrenha na alma
E te faz respirar
E o que diz da chuva
Que veio pra molhar?
Essa terra fértil
O que faz pra plantar?
E do barulho do mar
O que tem pra contar?
Que mistério tem o vento,
Que inventou o ventar?
E o tempo quem inventou passar?
De onde vem toda essa magia?
Quem explica toda essa alegria
Contida com essa harmonia
Nas flores desse jardim?
Fazendo todo universo
Alegre, fiel e sem fim.
Atroz
Eu pedi uma colher de chá
E me deram uma de veneno
Eu quis um pedaço de pão
E só me deram carvão
Depois ficaram sereno
E me jogaram no chão
Eu pedi um copo d’água
E me deram óleo diesel
E quando eu tive fome
Me ofereceram sabão
Disseram ser eu perecível
Com a minha fome do cão
E quando eu quis saber demais
Tiraram logo o meu poder,
Depois me atiraram no penhasco
Fazendo tudo eu esquecer
Como se tolher a mim fosse fácil
Pois não esqueço jamais o dever e a missão
Nem o sabor do churrasco.
A Porta Do Meu Coração
Todo dia nesse vai e vem
Essa porta não vai aguentar
Pois é tanta gente que entra
E tanta gente que sai
É tanta gente do bem
E tanta gente do mal
Todo dia nesse vai e vem
Ela vai se arrebentar,
Pois o meu peito parece de aço
Mas ele é de carne e osso também
E se lá fora o sol já não vem
Aqui dentro ele parece queimar
Todo dia nesse vai e vem
Essa porta um dia vai fechar
E pra quem entrou vai ficar
E por ela nunca mais vai sair
Mas pra quem saiu vai sumir
E por ela nunca mais vai entrar.
Diluvio E Rotina
A lua cobria o telhado
Molhado ainda da chuva,
E chovia ainda na rua
Porque barulho ainda se ouvia
Dos pingos pingando lá fora
Como se fossem na pia
A lama jorrava na porta
Sujando meus pés e a cama
O vento trazia de longe
Um cheiro de café e de cana
Era o dia já amanhecendo
E pra lida muita gente descendo
Era Joana coando o café
E José cortando a cana
Depois Joana ia varrer o chão
E José ia comprar pão.
Idiossincrasia
Este mês eu não fui a escola
Por causa desse inglês
Dessa vez fui jogar bola
E aprender mais português
Porque lá na rua a gente canta,
Na rua a gente dança
Ali a gente fala
É do jeito que a língua alcança
Não importa o trejeito
Pois nele não há quem vai rejeitar
O nosso jeito é esse de falar e se comportar
Ali a gente ajeita e pra avante lança
Onde você estiver
Longe ou perto é pro que der e vier
A gente fala é do nosso jeito
E não do jeito que me disser
A gente se solta
E salta ali sem rodeio
Pois não há regra que rege
E impede o meu dialeto
Somos feito criança louca no recreio
Falando popular,direto e aberto.
Piromania Ambiental
Tem fumaça encobrindo a serra
E cá na terra cheirando a queimado
É o mês de agosto chegando
E outra vez o fogo no roçado
Tem cigarra cantando bem alto
E cidadão fumando cigarro
Na estrada deixaram seus rastros
Alguns voltaram já e outros ali nunca mais
Tem poeira sumindo no ar
E madeira caindo no chão
Tem fogueira outra vez a queimar
Do começo ao fim do sertão
Tem cobra-cega
Já seca no mato
E um braseiro
Que ainda desmata
Tem calango e formiga
Já virando fumaça
E tudo que é inseto
Perdendo o seu espaço
Eles foram passados
Diretos pro além
E o ser humano não para,assim ele continua
Sempre a devastar e fugir pra rua
Sem ele saber que mais tarde
Com a sua carne crua
Pode ter no futuro
O mesmo destino também
Quando a seca chegar
E a água acabar
Quando a fome bater
E a sede aumentar
Já não haverá mais sapo
Nem urubu pra matar
Nem a galinha de Angola
No terreiro a cantar
Até a sua horta
Ali vai ser morta,
Pois não terá mais cacimbas
Só o teu cachimbo na porta.
Réprobo
Diga logo o que veio fazer
E pare de me olhar atravessado,
Diga se é por prazer
Ou veio remexer o passado
Diga logo o que veio dizer
E pare com esse rodeio,
Olhe bem dentro dos meus olhos
E diga-me de uma vez
Diga quem você é,
Aqui quanto tempo eu não vejo
Conte me teus segredos
E a sua vida como ela é
Qual será o teu desejo
Que vive sempre a se esconder,
Entre falsos abraços
E por trás dos seus beijos.
Trajeto Obscuro
Todo dia ela passa
Como quem vai a festa
Com seu vestido de renda
E um barbante na testa
Todo dia ela passa
Como quem vai passear
Leva um sorriso nos lábios
E uma verdade no olhar
Todo dia ela passa
Como quem vai a fonte
Guarda no peito um desejo
E segue a pé pela ponte
E com um olhar de pecado
Ela me arranca suspiro,
É como se a boca calasse
E meu coração desse um grito
E se eu espiar
E ela não passar
Deixo logo um recado
Que é pra te encantar e causar arrepio
Todo dia ela canta
Como quem sabe viver
E pra um encanto maior
Ela me faz reviver
Todo dia ela dança
Sempre a mesma canção
É como se um rádio tocasse na alma
E falasse de amor ao seu coração
Todo dia ela passa
Como quem vai a missa
Leva na mão sua bíblia
E na sua boca uma lábia
Pois pra quem sabe rezar
E crê na missão
Jamais perde a fé
Ou esquece a oração
Todo dia ela passa
Como quem vai trabalhar
Com seu uniforme normal
Sempre ali pontual
Ela vai depressa
Pela estrada afora
É como se o dia ali começasse
E o mundo acabasse agora.
O Meu Perdão
Um dia quando você menos esperar
Eu vou esquecer de todo o mal que me fez passar
E te darei um abraço bem apertado
Desses de te fazer arrepiar
E te darei um beijo assim meio roubado
Desses que eu sei que você vai gostar
E farei outra vez o seu mundo
Aqui no meu se enroscar
Um dia quando você menos esperar
Eu vou esquecer de toda dor que me causou
Farei de conta que o tempo não passou
E que nada mudou entre nós
E te darei todo amor,carinho e atenção
Que um dia você me faltou
Então eu te darei a minha mão
E com ela o meu perdão
Pra ficar em paz
E feliz o meu coração.
Eremita
Teu mundo
É confuso,
Com tudo
Ele é turvo
Teu mundo
É fechado
Com tudo
Ele é mudo
Teu mundo
É estranho
Com tudo
Ele estranha
Ele não se assanha
Ele já se acanha
Ele não apita
Ele não palpita
Ele faz de conta
Ele não agita.
Fagulhas
Eu sei
Do medo
Do mar
E mais ainda
Eu sei
Do medo
De amar,
Esta fagulha acesa
Querendo queimar
Esta alma presa
De quem não tem mar,
À querer
Fugir dele
Ou de vez
Se afogar
Eu sei da força
Que tem a sua fé
E da fera que há nessa moça
Querendo sempre me arrastar pra longe
E me jogar pra sempre
Lá no fundo do poço.
Endecha
Passeando pelas bandas de lá,
Eu vi um arco-íris e também um larápio
Vi muita gente feliz
E tanto sorriso barato
Eu vi uma bicicleta rodando,
E uma mulher chegando mascando chiclete
Ela tinha no sorriso um flagelo
E um gelo em seu olhar que cortava feito Gillette
Eu vi a fome de perto e muitos mendigos também,
Foi quando aumentaram o meu tédio
Ver tantos cristãos ao léu
Alguns pedindo esmola e outros com a mão pro céu
Alguns cantavam de fome
E outros sorriam de dor,
Era um delírio de fome
E de muita falta de amor.
O Meu Amor
Te levo no peito
As vezes preso à garganta
Dentro do coração,
As vezes perto da mão
Te levo na veia
Amarrado na alma
As vezes bem apertado,
Calçado na meia
Te levo no sal
Que salta o suor
E no clarão,
Que solta o luar
Lá no topo do céu
Até o fundo do mar
Desde o centro da terra,
Até o fim desse ar.
Eu E A Chuva
Quando a chuva cai ao entardecer
É festa que dá no meu coração
Vibra pula ou sacode
E pra longe se vai toda a solidão
Quando a chuva cai e é só eu e você
A emoção que dá faz o meu dia amanhecer
Canta,dança e já se alegra
É essa a razão de eu estar com você
Quando a chuva cai eu me sinto tão bem
Eu olho pra rua e não vejo ninguém
Quando a chuva cai é que eu me sinto feliz
Eu olho pra vida e sinto o bem que ela quis
Porque eu e a chuva
Somos grandes amigos
Sorrindo ou chorando
Ela está sempre comigo
Como o joio e o trigo
Sempre fomos assim
Uma jóia tão rara
Quanto ao ouro ou marfim.
Virtude
Eu escondo a minha dor
E te ofereço um sorriso,
Porque a dor é só minha
E ninguém tem nada com isso
Eu disfarço a minha tristeza
E finjo está tudo bem,
Porque a angustia é um dilema
E só cabe a mim e mais ninguém
Eu forjo a minha força
E te asseguro a compaixão,
Pois na fraqueza ou fracasso
Quem manda mesmo é o coração
De pé ou sentado
Eu invento a coragem
Aqui sempre guardado
Na mesma bagagem
Faço dela mensageira
pra toda e qualquer dosagem,
Porque a vida é uma imagem de fé
E não uma miragem.
Feitiço
Tem gente na multidão
Perdido feito bobo
Sem alma e sem coração
E feroz como um lobo
Tem gente na encruzilhada
Dizendo ser feiticeiro
Dessa vida não entende nada
E o joga o feitiço
Em quem passar primeiro
O feitiço é sempre certeiro
E mexe com o destino
Da rapaziada
Do homem que sai pra trabalhar
E quando volta já é madrugada
Do rio que corre e desagua no mar
E quando chega
Não quer mais voltar
Tem gente na corda bamba
E gente cortando um dobrado
Ele acha que a vida é um samba
E fica sonhando acordado
O medo quer te assustar
Mas os pés é sempre no chão
A vida é quem vai te ajustar
Quando tocar no seu coração.