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Frases de tadeumemoria

822 frases

O PRIMO Resta-me uma vida, apenas uma vida, minha última vida. Ao norte da cratera Mao;(as crateras recebem nome de líderes políticos, Temer é a cratera onde se abrigam os répteis e filhotes do dragão; Ide Amim Dada é um abismo); travam-se batalhas entre russos e americanos pelo…
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O PRIMO Resta-me uma vida, apenas uma vida, minha última vida. Ao norte da cratera Mao;(as crateras recebem nome de líderes políticos, Temer é a cratera onde se abrigam os répteis e filhotes do dragão; Ide Amim Dada é um abismo); travam-se batalhas entre russos e americanos pelo total controle lunar; uma granada russa me levou três vidas, projeteis americanos me levaram mais três, sei que me resta muito pouco tempo até que algo leve o meu último fôlego felino, mas eu contemplo o planeta terrestre como se fosse eterno. Gargarin tinha razão, ela é azul, e no idioma anglo-saxônico, azul é sinônimo de sentimental, melancólico; mas esse azul de Gargarin, para quem tem sensibilidade, soa como linda, maravilhosa; a terra traduz esses sentimentos, é a presença divina; Deus mora na terra. Acho que tenho algum parentesco com o gato de Cecília, aquele que desce a escada, alheio a realidade e seus poderes. Partículas do meu sangue flutuam na gravidade tingindo de escarlate a via leitosa, mas ao contrário do meu primo preto sei muito bem quem sou e torço que estas partículas encontrem outro satélite, outro planeta onde os gatos se multipliquem, desçam as montanhas, e ocupem os vales, os campos, as planícies e ao contrário do bichano de Cecília saber-se- ão herdeiros de uma grande soberania.

REFERÊNCIA E se o feio não for feio E se o bonito não for bonito
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REFERÊNCIA E se o feio não for feio E se o bonito não for bonito É uma questão de prisma De ângulo Olhe o que vem de dentro pra fora Não o que vai de fora pra dentro Quando se perde o controle Todo mundo é sincero Na hora da raiva Fale pouco e magoe menos Mary had a little lamb Isso quando criança Na adolescência se encantou com um jumento Mas só uma questão de sentimento Nada de fora pra dentro Nesse caso o bonito é bonito E o feio pastava e zurrava poesia A beleza da natureza não escolhe ângulo Mas não esquece, é referência O feio gosta de funk E o belo canta bolero e dança tango

faço o meu verso como se soubesse que amanhã é sexta feira santa,
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faço o meu verso como se soubesse que amanhã é sexta feira santa, a sexta feira da paixão, como se a santa da feira, com seus olhos azuis turquesa e peras por sob a blusa ornamentndo seu colo não alimentassem a rima que completam a minha estrofe deixando a mente confusa tornando paixão tão forte pra santa de qualquer dia faço esse poema como se houvesse harmonia e a santa da novena santa como santa maria de filho pregado e morto e no horto sepultado deixando alma vazia e coração angustiado por mais que se prometesse um Deus ressuscitado que aliviaria as mentes e lavaria os pecados mas mesmo a mãe de Deus sofreria por seu filho porque carne é carne assim como o meu poema que sangra queima e arde e assim faço o meu poema que também se sacrifica e crucifica a gramática mas é um verso sincero terno suave e austero dentro da realidade

BANDAS Numa banda da lua vive o dragão, Na outra banda tem os anarquistas Houve um tempo que o dragão
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BANDAS Numa banda da lua vive o dragão, Na outra banda tem os anarquistas Houve um tempo que o dragão Quase dizima essa população A banda ficou menos romântica e mais escura Assim surgiu o heavy metal Um bando de vampiro bandeava a loucura bandida, Matilhas de lobos uivavam de solidão Dividiram a lua em fases E a parte mais fina ficou pros anarquistas: a lua nova, As outras fases eram motivo de lutas pela conquista O dragão foi ferido por são jorge Que defendia a fauna e os anarquistas, A lua cheia ficou para os lobos e os vampiros O quarto crescente e o quarto minguante Eram fases esquisitas, Essas fases ficaram com a quibanda Que ao luar derramava sacrifícios Aos deuses da lua e da umbanda Assim a lua foi fatiada; ficou a lua da rua A lua da namorada, a lua dos russos e dos americanos A lua das marés, a lua de mel, A lua dos poetas, a lua dos loucos E a lua ficou sem lua porque, convenhamos, Só uma lua para tantos é muito pouco

o que penso que quero saber é saber dessas coisas que nada sabem porque florescem os cactos em meio a tantos espinhos
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o que penso que quero saber é saber dessas coisas que nada sabem porque florescem os cactos em meio a tantos espinhos porque tulipas florescem tão próximo às urtigas essas coisas que a gente pensa que nada sabem e não sabemos que o sapo conquistou o universo e ele nem quer saber como soletrar insetos tem um jogo de língua, e se alimenta de asteróides mas não quer saber... saber como o peixe palhaço se caracterizou mas imagina a sereia com aquela cauda a fauna se apaixonou e surgiram cavalos marinhos, peixes-bois peixes leões, os bichos invadiram o fundo do mar... mas quem quer saber disso saber é o inverso do inverso do reverso da ignorância saber saber é ignorar a ignorância... a serpente rasteja, é cega e no paraíso enganou Adão e Eva então se descobriram despidos... sem saber que aquilo era paixão mas o que eu penso que quero saber é saber exatamente o que não quero

A LUA E AS ESTRELAS E se eu não tivesse um sonho O que eu componho
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A LUA E AS ESTRELAS E se eu não tivesse um sonho O que eu componho Mentiria Mas a ilusão Que me ergue como um pêndulo Acalanta a fantasia Já sei ser triste Nesse vai e vem, Nesse balanço É triste ser feliz, eu já fui triste um dia... Amanso o meu espírito com tua presença, Com a tua voz eu danço... Tua voz é melodia Eu sou tão triste... Noite passada, Passada a noite, Passadas e mais passadas De mim mesmo Eu te vejo num luau Sob tudo que tem sobre tua cabeça A razão que te devora De fora pra dentro De dentro pra fora Você é tão feliz... e isso é triste você tem tudo Mas você não sabe o que é ter a lua e as estrelas...

MUNDO BONITO Meu amor, O mundo é tão bonito,
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MUNDO BONITO Meu amor, O mundo é tão bonito, A natureza é sábia, A sabiá declama seu encanto, As estações têm suas cores singulares, A lua tem seus loucos, Seus lobos e suas fases E o amor tem a beleza da vida, Os mares têm suas ressacas E os bêbados têm cirroses hepáticas E as calçadas, Têm angústias que embriagaram seus dias Lembranças vadias a namorar nas praças Em passados remotos Quando não menos que tolos E de paixão embevecidos Achavam que o amor era belo E o mundo bonito.

POESIA A poesia invadiu o meu quarto Estava despida de paredes e tetos, de muros e torres,
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POESIA A poesia invadiu o meu quarto Estava despida de paredes e tetos, de muros e torres, Ilimitava os horizontes E acolchoava o solo de relvas, folhas e pétalas A poesia floriu de satélites, estrelas e pirilampos Os pinhos, os coqueiros , e os jequitibás E derramava os rios das montanhas Como promessa infinita de safras, lagos e açudes Aprendi que caminho no horizonte de outros olhares Nos paralelos e meridianos que fatiam o mundo Como referencias e fronteiras A poesia invadiu o meu mundo E eu mergulhei profundo na insanidade de brincar de Deus E essa loucura divina É o que me conduz incólume Entre os abutres do absurdo, Me ajuda a tingir o firmamento com bolinhas grenás e magentas E me inspira a este amor infinito Que me incita a acreditar na harmonia sagrada Entre o silencio e as palavras, que eu chamo de poesia...

Amanha bem cedo com um novo olhar, Sem esquecer as cerejeiras, que eu imagino Matizando a relva que acolhe as pétalas
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Amanha bem cedo com um novo olhar, Sem esquecer as cerejeiras, que eu imagino Matizando a relva que acolhe as pétalas E ondulam com a brisa primaveril ... Amanhã bem cedo quando a roseira enrubescer Com a cambaxirra e o beija-flor Num triângulo amoroso lógico e inexequível E o rio lavar as margens, de rastros de paixões De amantes clandestinos, de amores impossíveis Amanhã bem cedo quando o hálito da matina Ainda orvalhar o frescor da neblina matinal E a vida vicejar no verde das folhas e das águas Acariciando a sensibilidade dos poetas, Ensejando às paixões e as ilusões frágeis e levianas Ainda terei essa certeza infactível Bocejando a tua ausência E adiando a vida e suas perspectivas Para amanhã bem cedo...

Todas as feridas precisam de tempo, A solidão precisa apenas de uma lua Algumas estrelas e uma varanda
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Todas as feridas precisam de tempo, A solidão precisa apenas de uma lua Algumas estrelas e uma varanda Os poetas precisam de ilusões, Algumas mentiras, promessas e solidão; Acho que perdi tudo isso Eu só preciso de tempo, de algum tempo ainda, Uma longa caminhada no campo Onde qualquer sorriso se perca Nos sons de curiós e pintassilgos Preciso do encanto de novos ocasos E auroras promissoras Ter a tristeza como medida de sensibilidade Para ter a noção exata do que é, E o que define um olhar...

FELINO Subo no telhado as vezes Só pra não esquecer que sou gato,
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FELINO Subo no telhado as vezes Só pra não esquecer que sou gato, Mio lembranças Só pra não esquecer que sou criança Mio meus medos Mas não conto meus segredos Tomo banho de lua e de estrelas Porque tê-las, porque contê-las É a amplitude de um felino Mas essa tristeza, essa perda, Esse desatino é o meu destino Alguma coisa entre nós aconteceu Mesmo que não tenha acontecido coisa alguma Alguma coisa se perdeu nessa lacuna Reviro telhas, essa centelha ainda periga um incêndio Não sei de tudo não sou compêndio Sou só um bicho no teto olhando uma ave no castelo Contemplando em silencio O que não é bonito só por ser belo, É ansioso não por ser aflito, É sereno e suave não por ser passivo É perene não por ser perpétuo Mas por ser completo e extenso

VAMOS AO QUE INTERESSA... E ao ser humano o que interessa ?viver; afora isso ser feliz, bem sucedido, mas acima de tudo viver. Nada disso acontece se você não vive. A topada que você leva, as quedas os obstáculos; as agruras , as dificuldades tudo isso molda o espírito, tudo iss…
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VAMOS AO QUE INTERESSA... E ao ser humano o que interessa ?viver; afora isso ser feliz, bem sucedido, mas acima de tudo viver. Nada disso acontece se você não vive. A topada que você leva, as quedas os obstáculos; as agruras , as dificuldades tudo isso molda o espírito, tudo isso faz parte da vida tudo isso é viver. Ninguém gosta de levar topadas, de passar por dificuldades, de ficar desempregado; mas pensa bem, pode ser que uma força superior, um ser divino esteja moldando o teu espírito, para por exemplo abrandar a tua arrogância, quebrar a tua rebeldia, fazer você lembrar que acima de tudo tem um Deus que mantêm suspensas as estrelas e comanda essa harmonia no universo então será que não é hora de agradecer o ar que você respira, o dia que você está vivendo, o ocaso que se descortina no seu horizonte te proporcionando algo ímpar que jamais acontecerá novamente? Teremos outros alvoreceres, outros crepúsculos, diferentes porque este ser superior, generoso e prodigioso te proporciona múltiplas escolhas e oportunidades infinitas. Como agradecer tantas coisas; tanta beleza, tanto encanto, tanta natureza profícua e renovadora? Que tal começar com um dos seus mandamentos: "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", mas se você não consegue amá-lo, pelo menos respeite-o...

ESQUARTEJADOS Ao longe ouvia-se o uivar dos lobos, abafado pelo barulho da chuva torrencial que varria e lavava o solo dos vestígios de pecados e sujeira dos ímpios. O casebre de pau-a-pique clareava e sacudia-se com relâmpagos e trovões; a tênue luz do lampião refletia nas gote…
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ESQUARTEJADOS Ao longe ouvia-se o uivar dos lobos, abafado pelo barulho da chuva torrencial que varria e lavava o solo dos vestígios de pecados e sujeira dos ímpios. O casebre de pau-a-pique clareava e sacudia-se com relâmpagos e trovões; a tênue luz do lampião refletia nas goteiras dando-lhes a dimensão de estrelas cadentes. Não era nada além de uma daquelas costumeiras chuvas de final de inverno, que sacudia o sopé da colina. Zuíla fazia uma oração e cantava o ofício de Nossa Senhora e se tranquilizava; seu maior temor era o vento; o vento que um dia levara seu primeiro e único amor. Aquela neblina inconsequente no final daquela tarde remota quando fazia sua caminhada vespertina contemplando a beleza do final de tarde ali no vale, tornara-se um vendaval; protegera-se atrás de uma rocha mas ouvira os gritos de Regis e pode observar sua blusa subindo com o vento para nunca mais vê-lo novamente; depois de alguns anos decidira-se mudar para o casebre próximo a colina que pertencera a seu avô para ter bem vivas as lembranças e por muitos anos viveu tão unicamente das recordações que sobreviveram à debilidade que tempo e ostracismo lhe impuseram, até que surgiu Osmar que vivia da caça e da pesca e do que a mina já desativada pudesse oferecer. Por alguns anos tudo percorreu em perfeita harmonia até começarem os passeios de Osmar pelo açude e o cansaço causado por tais passeios; Zuíla espionou e descobriu a traição, mas sabia que a vingança é um prato que se come frio. ficou por instantes observando o que agitava as águas do açude; agora compreendia perfeitamente o cansaço noturno que derrubava Osmar; mas dessa vez o vento não o levaria, pensaria em algo bem romântico; um banho na cachoeira, por exemplo, aquelas pedras lodosas e escorregadias... levaria o facão; seria tudo bem pensado bem premeditado e assim foi feito; bem semelhante a Benedito, sádico espancador de mulheres, cuja cabeça foi encontrada a vinte quilômetros levada pela correnteza do rio; o resto do seu corpo alimentou a alcateia que se protegia das tempestades na gruta; parecia uma situação cruel, uma atitude cruel, mas as lembranças mais doces habitavam o vazio da noite e ficava a imaginação daquela silhueta cavalgando em contraste com o verdor das colinas; a noite era fácil ouvir seus passos sobre as folhas secas do quintal ou o cantarolar melancólico de canções ao longo das madrugadas que marcaram nossos momentos. Não, não era cruel imaginar a alcateia rasgando suas carnes ou quebrando com mandíbulas vigorosas, suas mãos que jamais acenariam nenhum adeus. Suas cabeças estariam sob alguma jaqueira ou mangueira que quanto mais crescessem, mais empurrariam-nas para um abismo subterrâneo, ou desceriam com a correnteza do rio, desfigurando-se em cascalhos para se perderem feito pó na brisa de alguma praia fluvial onde algum casal apaixonado estaria se amando e pactuando amor eterno, sem perceber ao longe como uma ameaça à infidelidade, o uivar ameaçador dos lobos.

INFINITO SONHAR Não me diga o quanto a vida é bela Ou o quanto a vida é dura
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INFINITO SONHAR Não me diga o quanto a vida é bela Ou o quanto a vida é dura Eu tenho a ternura de todos os amores E dos diamantes, a beleza mais pura Não me diga o que é descartável E o que é importante Se eu tenho a alma e a luz da manhã... Não me diga que é absurdo esse querer Porque querer é viver Talvez eu nunca mais esqueça o teu olhar Pelo menos até que chegue a manhã... Deixar de querer também é da vida Ah! como dói esta dor e abre a ferida Nunca mais vou sonhar... Pelo menos até que chegue a noite Com as estrelas e a luz do luar; Então o amor não é eterno e infinito assim?... Claro que o amor é infinito, Pelo menos até que o amor tenha fim

REVELAÇÃO Não demora ... A noite chora uma neblina,
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REVELAÇÃO Não demora ... A noite chora uma neblina, A brisa fria espalha uma melancolia, Ecoa a ladainha ... Os sinos já dobraram uma chamada; A igreja relampeja a fé, O amor abraça e beija, E a esperança pra essa dor é a esperança... Não demora, Gótica, a catedral ordena... Badalam os sinos, Os meninos abalam, Nossos destinos baladam, A gente dança e a dança demora, Não demora o tempo urge, Acorda a urbe, O tempo voa, A solidão povoa Demônios, fantasmas e monstros, A certeza dessa incerteza apocalíptica não demora...

VOCÊ SABE ONDE FICA O BERIMBAU DO GOZA? Seu Iteovaldo tentou explicar Mas aos 85 anos já não lembrava direito:
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VOCÊ SABE ONDE FICA O BERIMBAU DO GOZA? Seu Iteovaldo tentou explicar Mas aos 85 anos já não lembrava direito: "_Era um lugar bonito, de riso e de grito e admiração..." O adolescente esperava ansioso Sem querer saber de toda aquela prosa: "_Só queria saber onde fica o berimbau do goza..." _"Tem borboletas e passarinhos... Tem uns ninhos e outros bichos e tem dois montinhos..." Era meio poético falar assim, Mas seu Serafim, bem vivido e bem sucedido Imaginou que seria melhor compreendido: _"Você desce uma alameda e tem uns matinhos Que metem medo, mais pelos segredos que pelos perigos; Foi assim comigo, tinha um fogaréu, vinha um vendaval Mas depois dali estaria o berimbau..." _"Sei não, começou seu Rui, que tinha algo de Barbosa Comigo foi fácil achar o berimbau do goza; Fui com Serafina, que era cega, Surda e muda, e tateava tudo E perguntava o tempo E desfrutava a brisa e o calor da manhã, O barulho das águas e o cantar das aves... E era tão lindo aquele caminho, Que o tempo voou e chegou a noite, Surgiu uma nave de brilhos bonitos, Improvisei uma rima pra Serafina Que luzia como um vagalume, Falava e via e me escutava, Num impulso catei meia dúzia de rosas Naquela magia ela já levitava, Gemia algo que eu não entendia, Mas lhe deixava formosa Acho que era ali o berimbau do goza...

PANORAMA A minha janela acolhe os espectros da noite E eles cantam suas angustias
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PANORAMA A minha janela acolhe os espectros da noite E eles cantam suas angustias E eles dançam seus tédios E eles se perdem em seus passos trôpegos, Valsam suas ilusões perdidas, Choram suas saudades E afogam-se em arrependimentos; Mendigam êxtases e se esvaem Na fumaça que embaçam A razão e a clarevidência; Recusam-se a morrer, Recusam-se a viver E se entulham na madrugada Como uma peça dantesca. A minha janela mostra essa hemorragia Por onde a vida se esvai, Um panorama mórbido Onde os loucos mergulham E trancam suas vidas Para todas as passagens e vias de luz...

ESQUARTEJADOS saboreou seus dedos lembrando o medo
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ESQUARTEJADOS saboreou seus dedos lembrando o medo das seis da tarde quando ele regressava investigou suas golas, espionou suas etiquetas roeu falange, falanginha e falangeta lavou seu tênis e seus testículos lembrou momentos bonitos que já pareciam longe quando fingia chupar seu sangue e morder sua glande fez picadinho do coração ao som de um violino e um violão: ''mas não me olhe assim, nem pense que eu sou ruim e nem sou revanchista eu só quero o céu do teu olhar no olhar do meu céu e me enganar que você foi fiel" "eu rejeito o amargor desse fel e esta angústia cruel de imaginar-me traída... e parecia absurdo o ar de pânico do cadáver todo duro com os olhos fixos e arregalados depois vamos pra serra, depois da serra elétrica e da imperfeita métrica desse poema " depois do último raio do crepúsculos relaxa os músculos vamos pra serra, depois da serra elétrica vamos pra caverna dos esquartejados te disse que nosso amor era pra sempre e infinito terei esse olhar aflito terei teus gritos terás companheiros: Osmar, Raul e Benedito Perdoa! A fila anda...

BARQUINHO DE PAPEL De vez em quando vou a praia Não com a frequência de antes,
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BARQUINHO DE PAPEL De vez em quando vou a praia Não com a frequência de antes, Mas ainda sonho diante das ondas... Se eu fosse um peixe eu já teria sido pescado Se eu fosse uma embarcação já teria naufragado... Talvez tenha acontecido em outras vidas Com peixes espadas e um navio fantasmas Com degoladas namoradas Que amei intensamente e nunca as tive... Mas ainda sonho nessa imensidão de vagas enormes Como um barquinho de papel que sobe e desce nessa ilusão Que viaja no passado e de vez em quando vai a praia, E não com a frequência de antes, mas ainda sonha...

quem já teve um amor verdadeiro um dia e perdeu herdou nos olhos a nostalgia...
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quem já teve um amor verdadeiro um dia e perdeu herdou nos olhos a nostalgia... mas perdeu seus horizontese suas referências minha primavera, minha Vera prima eles verão este inverno no meu olhar eles verão o meu outono e outras estações fases de lua e suas consequências eles verão e eu inverno a derramar o amor que transbordou no tempo e na saudade quem já teve um amor verdadeiro e um dia perdeu jamais será triste triste é quem um amor verdadeiro nunca viveu mas quem pode entender o amor, o amor é um deus ou se vive o amor e tem fé... ou não vive e padece e se torna um ateu preciso lembrar que o amor me esqueceu e que os sonhos que eu tinha não são mais sonhos meus