ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Frases de tadeumemoria
822 frases
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...
REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal
Canção Vejo as palhas do coqueiro acenando com o vento
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Canção Vejo as palhas do coqueiro acenando com o vento meu coração cancioneiro canta todo meu tormento, o rio desliza tranquilo às margens da minha dor, meu coração se arrasta mendigando o teu amor
Tenho um navio que navega nas nuvens
Esses grãos brilhantes, diamantes vãos a enfeitar a noite
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Esses grãos brilhantes, diamantes vãos a enfeitar a noite a ilusão... a adornar a solidão a salpicar o teu poema com fagulhas você que delira a contemplar estrelas vagalumes de outra dimensão...
JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...
Quando eu pensei que eu já era eu mesmo Havia ainda muita coisa a descobrir Quando eu pensei que já tinha me descoberto
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Quando eu pensei que eu já era eu mesmo Havia ainda muita coisa a descobrir Quando eu pensei que já tinha me descoberto Havia ainda muitas caixas pra abrir Quando eu pensei que eu era eu mesmo, Eu ainda era uma caixinha Dentro de outra dez caixas maiores Quando eu pensei que te conhecia Havia ainda muitas coisas a se encaixar A vida é assim mesmo Há sempre algum invólucro a se desempacotar São caixinhas de surpresa Que a gente vive encaixando e desencaixando Até descobrir que nenhuma surpresa há...
QUE SE EXPLODA Em algum lugar um vulcão entrara em erupção ameaçando os povoados mais próximos, lançara chamas a um quilometro de altura e derramara lavas incandescentes ameaçando a circunvizinhança. No Japão vazava material radioativo de uma usina nuclear obrigando os habitante…
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QUE SE EXPLODA Em algum lugar um vulcão entrara em erupção ameaçando os povoados mais próximos, lançara chamas a um quilometro de altura e derramara lavas incandescentes ameaçando a circunvizinhança. No Japão vazava material radioativo de uma usina nuclear obrigando os habitantes da cidade a debandarem-se. Numa região brasileira uma grande enchente chegando a derrubar casas ou deixa-las submesersas em muitas cidades, noutras regiões secas e fome. O mundo se acabava lá fora; mobililazações, apedrejamentos, revoluções, terrorismo, guerrilhas, e eu estava ali no quarto deitado, olhando as telhas, pensando tão somente na possibilidade de um poema ou levitar, a remota possibilidade de levitar. Como Elias subira ao céu? Como Maria? Eu só queria levitar um palmo acima do colchão... que explodisse o mundo, que se matassem as pessoas; aliás acho que Deus tem paciência demais com essas povo, se fosse eu... o mundo já tinha acabado, se o mundo acabar eu vou pra belford roxo, pra nova Iguaçu, pra chatuba. Enquanto eu olho as telhas, lá fora ações terroristas, sabotagens; que se exploda o mundo... aparecerão outros Hittler, outros Ide Amim Dadda, outros Saddan hussain para castigar esse povo, que se exploda o mundo; aliás, pensa no lado bom; quantos poemas nos inspirará o fim, e até um novo capítulo da Bíblia...
Porque tanto barulho se dessa gente, o orgulho morre ao passar das horas...
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Porque tanto barulho se dessa gente, o orgulho morre ao passar das horas... porque brindar assim um novo ano se nos instigam ao raiar do dia velhos enganos...
CAUBY Ninguém sabia bem, o que seria além
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CAUBY Ninguém sabia bem, o que seria além de ser um anjo ... seria um astro ou uma estrela além de viajar no espaço nas palhas duma esteira... o que nos confundia ainda nos confunde, mas ele canta e encanta como um querubim... I’ve been alone, ne me quitte pas, não me deixe assim... o vi brilhante um dia e nunca mais distinguiria o que mais brilharia, mais que um brilhante...
Penso as vezes, as vezes de ficar triste Que se eu fosse alegria,
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Penso as vezes, as vezes de ficar triste Que se eu fosse alegria, se é que alegria existe Eu andaria nos guetos, secando os olhos tristes Que vivem ensaiando o samba, desfilando fantasias Tentando enganar a vida mostrando tons e matizes Formas brilhos e adornos num carro de alegoria escondendo todo o medo cantando seus sambas enredos inventando o carnaval
Eu me equilibro a mil metros de altura, numa espécie de slackline emocional...
NOVA FACE Houve um tempo que este silêncio me incomodava, O passado desfilava belo e elegante,
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NOVA FACE Houve um tempo que este silêncio me incomodava, O passado desfilava belo e elegante, Diante de sintomas, que desfaleciam o meu presente, Pensei que isso era ficar velho; Pensei que este era o pensamento de quem envelhece. Olho a lua tranqüila, entre nuvens que passam... O silêncio hoje é meu aliado; A noite tem segredos inconfessáveis E o silencio conspira de uma forma misteriosa Para esse momento lúdico e profícuo Houve um tempo que, o silêncio gania como uma alcatéia E eu me encolhia num momento qualquer da infância, A procura do Batman e do Robin, para um tipo qualquer de defesa... hoje o silêncio chega vertiginoso, E eu me equilibro a mil metros de altura, Numa espécie de slack line emocional, Há um eclipse meu, comigo mesmo Onde surge uma nova face, calma e insensata, cúmplice de todos os silêncios...
AUSÊNCIA Não é dor de paixão O que me faz sofrer,
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AUSÊNCIA Não é dor de paixão O que me faz sofrer, Dor de amor não é não, Talvez nem seja dor, Talvez seja só solidão, Talvez seja só a ausência de dor, Que dói no coração...
ABSTRAÇÃO Esse esvanecer de ter-se consumido Em todas as noites ter se diluído
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ABSTRAÇÃO Esse esvanecer de ter-se consumido Em todas as noites ter se diluído Essa neblina, brisa, maresia... Ledo engano, falsa alegria, Dissipar-se assim gás e vapor Por que não existir somente basta Vagas enormes a afogar meu::” eu o que sou?” Eu me pergunto, esfumaçando no vazio, Nesse oceano a afogar o ser, Como sumir nessa mentira imensa e vasta Como compor-se na abstração do amor...?
NAPOLEÃO Psiuuu! O gato repousa... O silencio é sagrado
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NAPOLEÃO Psiuuu! O gato repousa... O silencio é sagrado Tudo que foi dito pela madrugada Sobre a inabalável reputação de Lili Fica esquecido Toda algazarra no telhado, O escândalo do bife roubado, Os arranhões no leão, Tudo põe-se de lado, Napoleão dorme, Provavelmente sonha com batalhas consagradoras, Um império grandioso, Um exército irreparável Infalíveis estratégias felinas...
O que eu não mostro e escondo na alma, alagaria o saara...
O amor é salutar em doses homeopáticas... O amor tem efeitos colaterais...
FELICIDADE Numa casinha distante, Pertinho da serra
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FELICIDADE Numa casinha distante, Pertinho da serra A felicidade se esconde, Numa casinha distante Onde corre um arroio Sussurrando com o vento, Colorindo com a mata Escorregando na cascata Brincando de cachoeiras, A felicidade se banha, A felicidade mergulha Na calmaria do vale E se embala com o cantar dos pássaros Numa rede de algodão estampado Sob uma casinha de taipa Que sustenta a montanha...
ESPANTALHO Anoiteceu, A plantação dorme sã e salva,
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ESPANTALHO Anoiteceu, A plantação dorme sã e salva, As estrelas brincam de cair no horizonte Ante a aparição de UFOs E seres extraterrestres... O milharal parece uma legião De espíritos sofridos que se debatem Com o soprar do vento... A lua é a diva das inspirações, E mesmo o meu coração de molambo Faz pulsar o desejo com tanto fascínio, Enteado da solidão, Beijo as trevas como um refúgio, Corvos e morcegos se debatem Ante a beleza lunar E o orvalhar na terra faz germinar Sementes dando sentido ao trapo do meu ser...
BOLHA DE SABÃO A lua é de são Jorge, a noite é do dragão,
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BOLHA DE SABÃO A lua é de são Jorge, a noite é do dragão, e as estrelas, tê-las ou não tê-las depende da paixão santa é minha loucura, que galopa como um alazão, ave esta ternura, suave e colorida como penas de pavão, ave Maria, avestruz, Cristo morreu na cruz, Maomé foi a montanha, Ana Montana adora cuscuz, a noite é de sao Jorge, a lua é do dragão e a terra viaja no universo como um ínfima bolha de sabão...
TETY, um amigo fiel. Poucos, muito poucos, pouquíssimos acreditaram quando falei de Tety, quando disse que nas últimas sextas feiras de anos bissextos, depois de meia noite em noites de quarto crescentes ele falava; muitos riram, mas também não me esforcei pra convencer ninguém,…
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TETY, um amigo fiel. Poucos, muito poucos, pouquíssimos acreditaram quando falei de Tety, quando disse que nas últimas sextas feiras de anos bissextos, depois de meia noite em noites de quarto crescentes ele falava; muitos riram, mas também não me esforcei pra convencer ninguém, era algo que só a família conseguia usufruir, se é que podemos falar assim. Era profético, era filosófico, as vezes hilário, mas como falar disso pra alguém sem passar pelo ridículo de ser taxado de mentiroso? Tety me falou certa vez, que em outra vida já tinha sido ser humano, disse que foi sua experiência mais cruel de vida; mencionou que foi muito difícil ser humano, que fora enterrado vivo pela sua companheira, mas ao reencarnar em forma de gato que fora adotado pela sua ex companheira pode testemunhar todo seu sofrimento nas mãos do amante. Disse que gostou de ser gato curtia correr pelos telhados em noites de lua cheias flertando com as gatas... falou da existência de um ser superior, mencionou um apocalipse e um provável choque entre a lua e a terra. Há um mês procuramos Tety desesperadamente, cheguei a conjecturar que a carrocinha pudesse ter capturado ele, mas se assim fosse outros vira-latas que vivem aqui na rua também teriam sido capturados; coloquei anúncios nas redes sociais, mas nenhuma notícia. Ontem recebi uma carta de alguém que colocou no remetente: DI STEFFANO MAXMILLIANO JONAS FREIRE DE ALBUQUERQUE BARROS DE ALCANTARA, li e reli; e o seu teor era esse: “meus queridos, muitas saudades; exatamente um mês quatro dias e vinte e duas horas de saudades de todos sem exceção. Tive que me afastar,pois como vocês perceberam fiquei velho e o que se avizinha a velhice é doenças morte e muito trabalho aos que cuidam da gente. Quero que vocês guardem na lembrança aquele cachorro jovem e brincalhão que sempre foi fiel a todos. Obrigado por toda a dedicação e carinho de vocês. Daquele que sempre foi de corpo e alma de vocês; Tety.
COMEÇO Seis vidas passadas a lua era minha, Era minha a rainha de ouro, a dama de espada,
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COMEÇO Seis vidas passadas a lua era minha, Era minha a rainha de ouro, a dama de espada, Por sobre os telhados das casas era eu que comandava A burguesia e o proletariado Eu pisava a relva como um guerreiro, Vitorioso depois da batalha, Sabia que águas correntes e águas paradas São lágrimas de arrependimento Dos que caíram por amor... Seis dias atrás eu ainda era Um vitorioso nas minhas empreitadas, Perdera parte do baralho, Mas ainda tinha um trunfo, um coringa, Tinha um sorriso na parede, No quarto uma silhueta feminina, E uma moringa com água fresca, Pra matar a minha sede... Seis minutos atrás diante de um sorriso Não havia uma batalha que eu não tivesse vencido Há seis segundos atrás, diante de um olhar Eu não sabia o que dizer, Eu aprendi o que é ansiedade, Eu descobri este lado frágil, Eu comecei a viver...