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Frase de tadeumemoria

VOCÊ SABE ONDE FICA O BERIMBAU DO GOZA? Seu Iteovaldo tentou explicar Mas aos 85 anos já não lembrava direito: "_Era um lugar bonito, de riso e de grito e admiração..." O adolescente esperava ansioso Sem querer saber de toda aquela prosa: "_Só queria saber onde fica o berimbau do goza..." _"Tem borboletas e passarinhos... Tem uns ninhos e outros bichos e tem dois montinhos..." Era meio poético falar assim, Mas seu Serafim, bem vivido e bem sucedido Imaginou que seria melhor compreendido: _"Você desce uma alameda e tem uns matinhos Que metem medo, mais pelos segredos que pelos perigos; Foi assim comigo, tinha um fogaréu, vinha um vendaval Mas depois dali estaria o berimbau..." _"Sei não, começou seu Rui, que tinha algo de Barbosa Comigo foi fácil achar o berimbau do goza; Fui com Serafina, que era cega, Surda e muda, e tateava tudo E perguntava o tempo E desfrutava a brisa e o calor da manhã, O barulho das águas e o cantar das aves... E era tão lindo aquele caminho, Que o tempo voou e chegou a noite, Surgiu uma nave de brilhos bonitos, Improvisei uma rima pra Serafina Que luzia como um vagalume, Falava e via e me escutava, Num impulso catei meia dúzia de rosas Naquela magia ela já levitava, Gemia algo que eu não entendia, Mas lhe deixava formosa Acho que era ali o berimbau do goza...

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...