Pular para o conteúdo

Frases de tadeumemoria

822 frases

Eles verão este inverno no meu olhar... Eles verão e eu inverno a derramar...
COISAS INGÊNUAS O que fizemos ontem O céu azul, o vinho, o blue e a caatinga
Continuar lendo

COISAS INGÊNUAS O que fizemos ontem O céu azul, o vinho, o blue e a caatinga A arder a seca, a derramar carências Santa demência, Poeira branca do que foi o Jaguaribe Deus me livre daquele olhar A inquirir os meus desejos Chama ardente a queimar na alma Que quanto mais olhava mais incendiava o meu olhar Sempre acreditei no amor das coisas ingenuas Sempre declamei a grandeza das coisas pequenas Mas se desvirtuei foi por paixão, Foi por paixão que derramei o meu querer Foi por querer que perfurei seu coração O que fizemos ontem nunca mais se fez A caatinga ainda rasteja, arde esparsa Parca, incendeia, mas se chove, floresce e viceja Porque vicejar é da flor...

CIRANDA Ela beijou a manhã porque ventava E aqueceu a manhã porque aqueceria
Continuar lendo

CIRANDA Ela beijou a manhã porque ventava E aqueceu a manhã porque aqueceria Se fosse manhã de sol Mas ela molhava a manhã Ela chovia uma neblina mágica porque era primavera E todas as primas cantariam Se ela tivesse primas, Uma ciranda harmonizaria a família Se ela tivesse família Ela só tinha o tempo, o vento, a rua E as vezes, só as vezes... Tinha uns sonhos esquisitos Que guardavam o vento, o sol e a chuva Sobre um teto bonito, E alguém lhe penteava os cabelos E lhe vestia um vestido azul anil De babados bordados a bilros; Era um sonho de um rosto bem parecido Ou uma lembrança Como se já tivesse sido criança E já tivesse tido esperança...

SOBRE PAIXÕES LACÔNICAS logo mais, vagalumes, lumes vagos as estrelas caem sobre as amendoeiras
Continuar lendo

SOBRE PAIXÕES LACÔNICAS logo mais, vagalumes, lumes vagos as estrelas caem sobre as amendoeiras e as ilusões derramam seus êxtases sobre paixões lacônicas a vida torna-se cônica, a dor torna-se crônica; ninguém acredita em crepúsculos... vou beijar minhas ilusões com a mesma ternura vou contar minha história de amor com a voz da loucura; o amor é eterno, o amor é infinito; vai prosseguir nessa estrada que sou eu mesmo com o mesmo romantismo nos beijos e abraços de outros amantes, mais, ou menos românticos; mais, ou menos loucos, para perceberem ou não as estrelas caírem sobre as amendoeiras...

ENQUANTO HOUVER SONHOS Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção,…
Continuar lendo

ENQUANTO HOUVER SONHOS Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção, insegurança, criminalidade; todas essas coisas que a gente vê diariamente na mídia, e particularmente eu tinha solução paratudo isso. para combater o tráfico e a fragilidade do sistema carcerário; estávamos todos ali diante de um jogo de dama e um dominó; de vez em quando uma o outra piada sobre as preferencias clubísticas de um ou de outro, sobre deslizes e infidelidades de alguma esposa e brincávamos com coisas seriíssimas, como se fossem banalidades; como se aquilo não abalasse nossas estruturas emocionais. Tomei mais algumas doses e cantarolei alguns boleros, como se assim, ninguém percebesse como me abalou a sua altivez, a sua aura, sua indiferença. Ela passou como um cometa, como se fosse parte integrante do sistema planetário; como se sua presença fosse parte indispensável à harmonia etérea . fiquei ali doendo a minha insignificância, tolerando sorrisos fáceis e palavras levianas; um falatório gratuito sobre a essência corrupta e indolente do nosso povo; sem o idealismo nato por honra e dignidade; afinal era o que me restava; mudo fiquei com minha mágoa, jamais falaria dessa paixão, e então a vida continuaria insignificante... não, não; jamais a vida seria insignificante enquanto houvesse sonhos e paixões; mesmo aqueles estavam ali, ébrios e desesperados, amuados com suas crises e seus vícios; desesperançados, mas se houvesse sonhos e paixões... se houver sonho provavelmente há paixões. O sonho faz orvalhar em qualquer deserto; paixão e sonho frutifica em qualquer solo. Ontem ela virou a esquina como se fosse um sonho; orvalhou sobre a minha paixão... parecia indiferente, mas era só dissimulação, era um jogo; o jogo jogo que me trazia aquela ansiedade, o jogo irresistível e fascinante do amor.

NOVENTA POR CENTO Amo os negros Pelos que não amaram
Continuar lendo

NOVENTA POR CENTO Amo os negros Pelos que não amaram Pelos que escravizaram Pelos que acorrentaram Pelos que humilharam Pelos que torturaram Amo os negros pelo que semearam Pelo que colheram, Pelo que ergueram Pelo que derrubaram Amo cafuzos, morenos, mulatos Todos os mestiços que herdaram essa Cultura rica Que corre no sangue e carrega a nobreza africana, Amo essa melancolia crônica Por toda a dor de seus Antepassados Amo os negros pelos que discriminam, Pelos que excluem, pelos que desdenham Amo esses noventa por cento Que carregam a força e a raça E compõem essa nação Amo os negros porque vejo em cada afrodescendente Um pouco da capacidade de amar, Da valentia e resignação Que que torna fascinante Um pouco dessa África que é a minha esposa.

Às vezes o telefone soa na madrugada Mas não são as madrugadas de sonhos Que se perderam noutras madrugadas
Continuar lendo

Às vezes o telefone soa na madrugada Mas não são as madrugadas de sonhos Que se perderam noutras madrugadas Este deserto é um camelo perdido em mim mesmo Um dromedário que não entende De cartas astrológicas ou astrolábios O telefone toca; eu sei mas ninguém mais sabe Ninguém mais ouve é tudo um deserto galopando Na insensatez quadrúpede Que não me deixa sonhar. Ainda suspira, inda soluça, sussurra uma esperança O deserto empoeirado cala a madrugada E eu não ouço o poema, Eu não ouço as promessas, as juras O telefone toca, eu sei que toca, mas só eu sei O deserto continua seu galope, O silencio é tão intenso que este buraco negro é amnésia desse pretérito mais que Perfeito então às vezes, só às vezes soa o telefone na madrugada

ANGOLA Tenho cinco séculos E na angola,
Continuar lendo

ANGOLA Tenho cinco séculos E na angola, Quando tua pele retinta trazia a minha mente As noites, as graúnas , E as perolas negras dos teus olhos Me diziam que eras Helena Mas teus lábios me falavam de poemas Que gostavam de beijar Eu era ainda uma criança E aprendi com teu corpo Que é pecado não pecar por amor Eu tinha cinco séculos E aprendi beijar nas tuas ancas E aquela criança amamentada pelos teus seios E pelos que eu não seios E pelos pelos feitos plumas De um ave que eu gostava de voar E sobrevoar as savanas Assim conheci a selva do teu corpo A África da tua negritude E eu já tinha cinco séculos de juventude E juventude para outros séculos Amores e paixões para todas As tuas áfricas e todas as angolas

INDIFERENÇA Vejo tão silente tua fria presença Tua voz silente a dizer coisa nenhuma,
Continuar lendo

INDIFERENÇA Vejo tão silente tua fria presença Tua voz silente a dizer coisa nenhuma, Um zelo diferente que desarruma, Que muda, martela minha sentença A solidão m'espera, me espera a lua Com seus mistérios banais que insinua A vida é tão triste, triste é a existência Na sensação extraordinária de sua essência Aceito a indiferença e o desprezo O gosto amargo que ficou na alma Do que um dia doce me excitava E o que eu imaginava que era apreço É o doce da lembrança que me falta Da tênue ilusão que me acalantava

Quando eu crescer quero ser poeta Para entender a linguagem das aves E a devoção das ave-marias
Continuar lendo

Quando eu crescer quero ser poeta Para entender a linguagem das aves E a devoção das ave-marias Pra aproveitar as noites vazias E entender os seus mistérios Quando eu crescer eu quero ser poeta Pra entender de saudade E descrever as lembranças com minúcias, Belezas e prazeres vividos Quando eu crescer eu quero ser poeta Para ter noção do que é ser triste, Porque só quem tem essa noção Sabe distinguir o que é felicidade

SOBRE TODAS AS COISAS E SOBRE COISA NENHUMA Nada sobre o meu poema; Meu poema sobre todas as coisas
Continuar lendo

SOBRE TODAS AS COISAS E SOBRE COISA NENHUMA Nada sobre o meu poema; Meu poema sobre todas as coisas E sobre coisa nenhuma Sobre o inexato e o imponderável Nada, nada sob um rio, o olhar perdido num vazio De um deserto perto de um longe, Longe de tudo e perto de nada, Nada, nada, nada, nada na morada; Namorada nada; besta é a ilusão De auroras com flores orvalhadas, Ocasos ao acaso de mochos, Pardais e morcegos A tristeza profunda de lagos; Lagos chorados pelos deuses da solidão E pela solidão dos deuses Pelos insetos que amam as flores E faz frutificar a vida compondo a primavera Inspirando os poetas Nada sobre o meu poema, Meu poema sobre todas as coisas E sobre coisa nenhuma Onde só cabe Iracy Tupinambá e sua tribo comeu são jorge Na lua onde proliferam os dragões Comeu os franceses que colonizariam o Brasil E se um dia eu diria je t'aime Hoje eu digo te amo Pois aprendi com os portugueses Sem nenhuma convicção de amor ou paixão

TRÊS DIAS Um dia eu morri por três dias E no paraíso minha tia Zilda ainda falava
Continuar lendo

TRÊS DIAS Um dia eu morri por três dias E no paraíso minha tia Zilda ainda falava De Engenheiro Pedreira como se fosse uma Daquelas longínquas cidade do faroeste americano Imaginei que tudo fosse um engano E no meu sonho vi no jardim do paraíso Jésse e seu irmão Frank James Pensei: -que que esses salteadores fazem aqui? Vi José "Malamuerte" Almada, Caçador de recompensa Que apavorava no Novo México; E um punhado de ladrões de gado Que sitiavam Tombstone, no Arizona "O que esses bandidos fazem aqui no céu? Parecia meio cruel mas ali mesmo no Guandu No leito caudaloso do rio, os presuntos boiavam Levando o terror causando calafrio Era a faxina que o esquadrão da morte Executava nas cercanias Muita gente morreu para essa limpeza, Talvez mais do que devia, Mas ninguém nada via, ninguém nada sabia... E pela manhã a sabiá cantava, As flores floresciam E tia Zilda aguava as trepadeiras, As samambaias e as flores do jardim Cantava uma canção antiga Como se fosse eterna a vida, e a vida era assim...

PULAR ESTRELAS Dá cá um pouco desse hálito, Dessa beleza cálida,
Continuar lendo

PULAR ESTRELAS Dá cá um pouco desse hálito, Dessa beleza cálida, Orvalha o beijar, Me acena a esperança De ter algum dia a esperança, A alegria de orvalhar ... Ah, o mundo é belo nesse olhar; Eu sei de tudo do sobretudo Feliz que envolve essa pele de seda, Do absurdo de crocodilos, de abacaxis, Tatus e mandacarus; paradoxo Ao cetim das maçãs do teu rosto, Eu gosto das peras dos teus seios, Amamentam a minha libido Eu sou atrevido no sonhar Dá cá um pouco do teu olhar E olha a lua comigo Que eu te ensino a pular estrelas , Ser leve como colibris e libélulas, Para provar que a vida pode ser bela...